Notas iniciais
Hey! Já indicou para uma amiga a fanfic? Se não, seria demais pedir que o fizesse? hihi obrigada a todos sempre! ♥

Algumas semanas depois...

Depois de me inscrever em quatro faculdades para concorrer a uma bolsa de estudos, precisei me focar somente nos estudos. Se antes eu já não saia, agora não seria diferente... As provas, segundo meu vizinho escritor, são difíceis, mas nada que boas horas de estudo não resolvessem; fiquei um pouco nervosa e ansiosa, apesar de saber que David só falara isto para "tentar me tranquilizar". Ele também se ofereceu para me ajudar com literatura e língua inglesa, e minha única opção foi aceitar. O meu Inglês ainda é enrolado, e pode atrapalhar na hora de fazer as redações, tenho plena consciência disto, mesmo não gostando da ideia de alguém querer me ensinar como se escreve... Ok, ok! Eu sei que não é bem assim, David só quer ajudar e é ótimo para isto, já que é escritor e também cursou alguns meses de Letras.

Charlie (meu padrasto) como advogado e contador, tentava me ensinar um pouco de matemática, matéria na qual nunca me dei bem. Mamãe achava tudo um máximo, apesar de ser totalmente contra a eu ficar trancada durante horas no quarto sem ver a luz do dia, mas mal ela sabia que meu lugar preferido para estudar era na varanda do vizinho, ao lado do próprio, que agora é um ótimo amigo.

***

E lá estava eu, lendo o ultimo parágrafo do livro de David. Devo ter lido às 263 páginas em, no máximo, quatro dias. Era um livro completamente envolvente, que me despertava uma grande vontade de ler o volume 2, ainda sendo escrito por David, que não me deixa ler sob a desculpa de que ainda tinha muito a ser ajustado e reformulado. Apesar de eu não me importar muito com os erros e as bobagens que meu vizinho inventava só para não me mostrar sua obra, preferi respeitar sua vontade e apenas enche-lo de perguntas sobre o romance.

– Como vai se chamar o bebê? Qual vai ser o sexo? — eu disparava as perguntas para meu vizinho, sentado em sua sacada e eu na minha.

Passava-se das 5h da tarde, e ambos estavam se deliciando com xícaras de chá, tradição da rainha da Inglaterra.

– Você vai saber assim que eu terminar o livro e ele for revisado. — respondeu deixando um sorriso divertido nos lábios.

Seu primeiro livro era sobre um casal, que aos 16 anos se conhecem e começam um lindo relacionamento, com altos e baixos, como todos os outros... Eles, Suzan e Christopher, quando completam 21 resolvem se casar e então é onde o livro começa pra valer! Com aproximadamente 24 anos, Suzan engravida e Chris se torna o homem mais feliz do universo; seu sonho sempre foi ter filhos, apesar de que o relacionamento estava passando por uma crise, já que ambos são jovens e almejam coisas diferentes. Os dois param com as brigas, e resolvem voltar a ser um exemplo de casal, mas nem tudo é um mar de rosas, as complicações na gravidez de Suzan começam logo no terceiro mês, tendo sangramentos e dores, e a pedido do doutor, ela precisou ficar em repouso absoluto. Christopher, precisava trabalhar e não pode cuidar em tempo integral de sua esposa, tendo que deixa-la sozinha parte da manhã e tarde... E um certo dia, Chris recebeu a ligação de sua mulher desesperada, dizendo que precisava ir para o hospital, pois a bolsa havia estourado, apesar de recém estar no sétimo mês de gravidez. E, infelizmente, é ai que o primeiro volume do romance "Vida a dois — Ou três?" termina; deixando os leitores enlouquecidos para saber o que aconteceu com os dois, ou melhor, com os três.

– E então, o que achou? — David perguntou, como sempre, sorrindo.

– O jeito que você escreve é tão delicado... Parece que você realmente viveu a estória. — respondi procurando as palavras certas, apesar de nenhuma ser boa o bastante. Vi o sorriso de David desaparecer, e ele respirar fundo, com ar triste, como se algo doesse. Não entendi, e quando pensei em falar algo, David se manifestou dizendo:

– Eu vivi essa história. — falou olhando para qualquer lugar, menos para mim, continuou — O Christopher, na verdade sou eu. E Suzan, é a minha esposa. — completou e bebericou seu chá. Seu timbre era triste, e como num instalar de dedos caí na real.

David mora sozinho naquela casa, e se a tal 'Suzan' é sua esposa e não esta lá com ele, e a criança também não, quer dizer que...

– Suzan, na verdade, era Jenny, minha companheira. Ela... Ela faleceu no parto do Kemp. — Dave disse com a voz tremida e com a cabeça baixa, eu fiquei em silêncio, não subi o que falar, e então ele prosseguiu — Kemp nasceu prematuro, muito pequeninho. Ele pesava só 1kg e 23 gramas, e... e tinha 25 centimetros. — agora, ele solussava e eu continuava estática na cadeira, o olhando — Kemp era tão frágil e tão forte ao mesmo tempo... — David pareceu se dar por vencido e deixou as lágrimas escorrerem.

Sem pensar em nada, por puro instinto de... proteção(?), eu levantei e pulei para sua sacada, logo o abraçando forte. Por alguns instantes só existiu nós dois, e aquela dor, que pareceu ser um pouco minha também, pelo simples fato de que não suporto ver gente que amo chorando/sofrendo. Era, e sempre foi, demais para mim. Acabei desabando junto, provando que sou uma péssima amiga.

– Tenho certeza de que aonde quer que eles estejam estão querendo te ver feliz! — as palavras simplesmente saíram pela minha boca, enquanto eu segurava firme seu rosto para que me olhasse no fundo dos olhos.

– Já ouvi muitas vezes isso... — ele disse, agora limpando suas lágrimas com a manga do moletom que usava — Mas obrigada, menina! — sorriu tristonho e retribui, nos abraçamos.

– Acho que vou nessa... — falei apontando para meu quarto do outro lado, após nos desvencilharmos.

– Não! — David protestou rapidamente — Quer dizer, você quer ficar? Não quero te atrapalhar. — justificou-se fazendo uma careta triste ao fim.

– Imagina, você nunca atrapalha! — falei sincera ao extremo e sorri para ele.

Depois daquela cena, que realmente doeu em mim, tratei de mudar de assunto. Falei e perguntei sobre qualquer coisa, mas nada que o lembrasse diretamente do motivo das suas lágrimas. A noite aos pouquinhos se fez e precisei voltar para meu quarto, logo minha mãe e Charlie chegariam e apesar dos pesares, me ver na sacada do vizinho não seria uma boa ideia.

Notas finais
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