A Menina Morte

11 O começo da jornada


Notas iniciais
Oi, mais um capítulo hoje! ~o~ Quero agradecer a TataDiAngelo por deixar um comentário, então obrigada! :3 Não achava que alguém iria comentar já no primeiro capítulo depois da volta o/~ Aviso: o personagem Roedel foi inspirado em um amigo meu. E a partir de agora todos os capítulos terão uma fase. Frase: "Os problemas continuarão lá quando voltarmos para casa. - Damon Salvatore"

A decida da colina não levou muito tempo e realmente havia um táxi a nossa espera. Mas que pessoa maluca iria espera no meio do nada por três adolescentes?

Chegando mais perto do táxi pude perceber que o táxi também não era nada normal. Ele era totalmente diferente dos outros, ele não era amarelo mas sim cinza como fumaça. Dava a impressão que poderia ser atravessado se tentasse e haviam três pessoas na frente, na verdade três velhas com peles enrugadas e com tufos de cabelos brancos cobrindo os olhos.

– Bem vindos a Carruagem da Danação. — Disse Nico sem nenhuma animação.

O nome fez um frio percorrer meu corpo. Olhei para Leo e ele parecia assustado também. O que seria aquilo? O vidro da frente abaixou e uma das velhas colocou a cara para fora e ela murmurou algo.

– Precisamos do pagamento antes da jornada.

Nico vasculhou seus bolsos e retirou de lá três moedas brilhantes: três dracmas. Entregou a mulher que deu um sorriso horripilante. Em sua boca faltavam alguns dentes e os que restaram estavam amarelados ou pretos. A porta se abriu e Nico entrou e chamou para que o acompanhássemos. Entrei no carro com relutância e com medo que ao sentar atravessa-se o carro que parecia feito de fumaça. Mas para minha surpresa o carro era sólido por dentro.

– Anda logo Leo, ele não vai ruir se você entrar. — Nico disse e me olhou — Só não se espantem com a aparência das Irmãs Cinzentas, elas... Elas possuem apenas um olho.

– Como assim só um olho? Um olho como os ciclopes? — Perguntou Leo após entrar no carro e a porta fechar.

– Não, elas possuem um olho para as três. Somente um olho que elas dividem, e ele ainda não é totalmente bom. Ele não enxerga nitidamente.

– M-mas como elas tiraram a carteira? Elas não podem dirigir! E por quê estamos indo com elas? Não é mais seguro ir andando ou cavalgando? Talvez voando... — Disse e já estava querendo sair do táxi, tentando abrir a porta, mas Nico segurou minha mão.

– Calma — Ele disse — É seguro. Não precisa ter medo. Conheço pessoas que andaram neste táxi e saíram vivas.

– É? Quem foi o louco que teve a coragem de entrar aqui? — Murmurei e tentei abrir a porta novamente, mas esta não estava querendo abrir.

– Percy, Annabeth e Tyson. — Nico sorriu — Eles não parecem tão loucos.

– Parecem sim. O Percy eu já desconfiava, aquele garoto tem alguns problemas. Quem só come comida azul? Já a Annabeth eu esperava que ela fosse mais normal. E não sei quem é Tyson.

– Comida azul é gostosa, não reclame. E eles são normais, é só conhecer eles melhor e você verá... — Nico foi interrompido por uma das irmãs.

– Vocês vão ficar a noite toda conversando ou vão nos dizer para onde os semideuses irão? — Aquilo me lembrou que estávamos em uma missão e não importava como iriamos chegar, só que deveríamos ir. Limpei a garganta e falei.

– Nós vamos para o hospital Renwick em Roosevelt Island.

Todos me encararam. não sabia se era pelo fato de ser um hospital abandonado ha anos ou por ser um sanatório.

– Como você sabe que devemos ir para lá? — Leo se pronunciou pela primeira vez.

– Tive um sonho que dizia que era para começar onde eu vivi quando pequena.

– Você morava em um sanatório? — Nico me encarou espantado — Mas é um local abandonado ha anos!

– Minha mãe achava que seria seguro lá. Que ninguém iria nos procurar lá. Mas ela estava errada. Nos acharam lá e foi assim que perdi minha irmã. — Lembrei da pequena Emily e uma lágrima escorreu pela minha face — Tivemos que sair de lá e procurar outro local e foi assim que nos perdemos de Ian. Ele foi para um orfanato eu imagino, assim como eu após a morte de nossa mãe.

Senti o olhar de todos sobre mim, que dizer, de quase todos já que as irmãs só possuíam um olho.

– É melhor nós irmos antes do nascer do sol — Disse a irmã do meio — Ande logo Tempestade ou eu irei dirigir.

– Você fique quieta Ira, é a minha vez de dirigir — Disse a irmã da esquerda — E é vez de Vespa ficar com o olho.

Elas discutiram algo em grego mas não me dei ao trabalho de prestar atenção. Então o nome das irmãs era Vespa, Ira e Tempestade. Nomes lindos para criaturas assim. Combinavam com elas. O carro ligou e começou a andar. Ele era extremamente rápido. Meu corpo foi lançado com força para o banco o que machucou a parte superior de minhas costas.

A paisagem ao lado de fora passava como um flash. Só conseguia ver borrões e linhas sinuosas. Algumas cores verdes e azuis me faziam distinguir o chão do céu. Mas ficar olhando para a janela me deu enjoo então fiquei olhando para as irmãs.

Elas estavam com um vestido cinzento e pesado, suas peles eram de um tom esverdeado. Suas peles eram enrugadas e disformes, assim como a face. Só possuíam a boca com os dentes a mostra, o nariz pequeno e os dois buracos onde deveriam estar os olhos. Eram negros e pareciam não levar a lugar algum. Será que se colocasse a mão conseguiria tocar o cérebro delas? Uma imagem surgiu em minha mente o que não foi agradável e expulsei estes pensamento da cabeça.

Encostei minha cabeça no ombro de Nico. Estava tão cansada que acabei pegando no sono e mais uma vez sonhei.

Estava em Renwick, o hospital abandonado. Andei pelos corredores e marcas de sangue ainda podiam ser vistas nas paredes. O local parecia ainda abandonado e esquecido pelo tempo. Era exatamente como me lembrava.

Subi as escadas para ver como estavam os cômodos na parte superior. Me deparei com os dois corredores, um para a esquerda e o outro para a frente. O meu quarto ficava no corredor esquerdo então me dirigi para ele.

Fui andando e passando a mão pela parede e lembrando de minha infância. Eu e meus irmãos correndo nos corredores, as brincadeiras nos quartos, nossa mãe gritando para que não fizéssemos barulho.

Havia três portas brancas no corredor. Uma do lado esquerdo, — o quarto que era de Ian — uma que era do lado direito — que era o quarto de Emily — e uma no fim do corredor — o meu quarto. Um frio passou pela minha espinha. A porta do quarto de Ian estava intacta. Quando saímos estava destruída. E a porta do quarto de Emily não estava mais queimada. Isso não poderia ser real. Mas como era um sonho tudo poderia ser real.

Fui até a porta de Ian e a forcei para abrir. Ela cedeu e eu entrei. O quarto estava todo organizado com os brinquedos dele no lugar, a cama arrumada e a janela aberta fazendo as cortinas mexerem. Mas não havia nem sinal de algo ou alguém no local, por quê estaria tudo arrumado?

Me direcionei para o quarto de Emily e a porta abriu facilmente. O quarto ainda tinha as paredes cor-de-rosa. A cama estava desarrumada e havia sua boneca favorita em cima da cama. No guarda-roupa havia a marca de tinta em forma da pequenina mão de Emily.

Saí do quarto e me dirigi ao fim do corredor, para o meu quarto. Forcei a porta mas ela não queria abrir. Lembrei da chave extra que tinha atrás do quadro no corredor. Procurei pelo quadro e o virei. Para minha surpresa ainda estava lá a copia das chaves de todos os quartos do corredor. Peguei as três e coloquei no bolso.

Fui até a frente da porta e coloquei a chave. Girei e escutei um click, sinal de que ela estava aberta. Girei a maçaneta e empurrei a porta que rangeu.

Vi uma das piores cenas de minha vida: tinha sangue espalhado pelo quarto todo, armas no chão, e um corpo desfalecido em cima da cama. Era o corpo de um garoto. Estava tão branco quanto cera e havia hematomas, cortes e sangue nele. Fui até ele e toque seu braço, ele estava gelado como uma pedra. Provavelmente estava morto.

Estava dando meia volta quando senti algo segurar meu pulso. Era o garoto, ele estava vivo afinal. Ele murmurou algo mas não consegui entender o que era. Me aproximei para que ele repetisse o que disse e ele sussurrou em meu ouvido.

– M-me ajude, por favor. Ela vai me devorar. E-ela matou minha m-mãe ontem.

Eu queria ajudar, queria falar com o garoto mas não saia som de minha boca e a imagem começou a ficar distante.

Comecei a escutar alguém me chamando e chacoalhando e então despertei. Era Nico e ele não parecia nem um pouco feliz. Seus cabelos estavam desgrenhados e a camisa toda amassada. Leo também não estava melhor. E todos possuíam olheiras. Será que fui a única a dormir?

– Chegamos — Disse Leo — Esse local me dá arrepios.

Saímos do carro que sumiu instantes depois. O local parecia mais abandonado do que meu sonho, mas será que o sonho era real? Coloquei a mão em meu bolso e lá estavam as chaves, as dos quartos de meus irmãos. Mais isso não era possível, era só um sonho, não era?

Entramos no prédio. As marcas de sangue não apareciam mais nas paredes, tudo estava arrumado. Havia alguém ali e isso não seria nada bom. Escutamos um barulho, um barulho de algo se arrastando no chão.

No topo da escadaria apareceu uma mulher. Seria uma bela mulher se a parte inferior dela não fosse uma cauda de serpente. A parte superior estava coberta por uma blusa vermelha que destacava seus olhos acinzentados e os lábios rosados.

– Bem vindos semideuses, meu nome é Lâmia e serei sua anfitriã hoje. Vocês se juntaram ao Roedel, um outro semideus — Sua voz era como aço sendo raspado em aço — Seria bom conhecer vocês, pena que isso não vai acontecer. Vocês irão morrer antes disso.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. O que vocês acharam? O que vocês acham que vai acontecer? Obrigado por ler! :3 Beijos Maah!