A Menina Morte

12 Nossa querida anfitriã


Notas iniciais
Oi! Hoje é o último dia do ano, então esse é o último capítulo do ano :c Sabe, eu queria que vocês fossem mais participativos, mas não vou reclamar. E hoje tem mais um capítulo o/ Frase: "Qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão. - Epicteto"

A mulher serpente ainda se localizava no topo da escadaria. Parecia não ter pressa em nos atacar, mas por quê? Éramos três semideuses armados e com poderes especiais. Ela deveria estar pelo menos com pressa em nos matar.

– Vejo que os semideuses não me conhecem. — Disse Lâmia e depois gargalhou — Vou contar minha história a vocês, até porque temos tempo e vocês não irão conseguir sair daqui.

Akira olhou para mim e para Leo e correu até a porta, forçou-a, mas ela não cedeu. Estávamos presos no hospital e o único modo de sair era por cima, por um dos cômodos. Mas não seria fácil passar pela mulher serpente.

Akira foi até os degraus e parou no primeiro. Queria segurá-la. O que ela tinha na cabeça de ir até lá? Ela sentou-se, ajeitou a camiseta e olhou fixamente para Lâmia.

– Já que estamos aqui e você quer contar quem é, conte-nos logo. Gostaria de conhecer quem irá nos enfrentar. — Akira passou a nos encarar e acenou — Vão ficar ai de pé ou irão sentar aqui?

Ainda não sabia o que ela tinha na cabeça de querer escutar um monstro, mas movimentei meus pés e sentei-me ao lado esquerdo de Akira e Leo sentou-se no degrau a cima do nosso. Lâmia esboçou um sorriso que não me agradou nem um pouco.

– Muito bem semideuses, vou contar minha história. — Ela se ajeitou e começou — Nos tempos antigos, eu era uma bela rainha da Líbia. Era filha de Poseidon e amante de Zeus. Mas Hera descobriu e matava todos os filhos que eu tinha. Depois me transformou neste monstro e colocou uma maldição em mim: eu nunca poderia fechar meus olhos para ficar obcecada pela imagem de meus filhos mortos. Mas Zeus sentiu pena de mim e me deu o dom da profecia e a capacidade de retirar os meus olhos quando estivesse cansada. Mas passei a invejar as mães e seus filhos. Por isso mato mães na frente de seus filhos. Aqui no hospital começo a tomar o sangue da criança e depois às devoro. Agora que já sabem quem sou, sabem que não sairão daqui sem estarem mortos, mas mortos não andam. — E ela gargalhou. Sua voz fez meus ouvidos doerem.

Ela começou a descer a escada em nossa direção. Saquei minha espada de ferro estígio, uma lâmina totalmente negra. Vi que Leo começou a soltar fogo de suas mãos e lançar em direção a Lâmia. Mas Akira permanecia sentada no primeiro degrau.

– Akira, sai daí. Ela vai machuca-la. — Gritei desesperado, mas ela pareceu não escutar. Fui até a frente da menina que parecia obcecada por Lâmia — Anda, se mexa. Por favor. Não quero que se machuque.

Ela pareceu sair do transe e sacou um punhal. Ficou ao meu lado com a lâmina brilhando e lançando um dourado em seu belo rosto pálido. A lâmina fazia seus olhos ficarem destacados, assim como seus lábios. Mas tinha que me afastar destes pensamentos e enfrentar Lâmia.

Encarei-a e parti para o ataque lançando vários golpes. Desferi um golpe em seu ombro esquerdo e ela grunhiu e avançou em minha direção mostrando suas garras e dentes pontudos. Só tive tempo de me lançar para o lado, fazendo com que ela acertasse meu ombro em vez de minha cabeça, e me lançasse ao chão. Uma dor aguda percorreu meu corpo. Sangue saia de meu ombro e peito. Minha camiseta estava encharcada de sangue. Mas eu tinha desviado como ela poderia ter me acertado?

Estava próximo ao primeiro degrau o observava a cena. Uma das cortinas começou a pegar fogo quando uma das bolas de fogo de Leo acertou-a. Lâmia não pareceu nada feliz e rastejou para perto do garoto mais rápido do que eu poderia imaginar, batendo com algo pesado na cabeça dele. O garoto cambaleou e caiu no chão.

No meio da sala estava Akira com um corte na bochecha direita e com sangue em sua roupa. Seus cabelos também estavam manchados de sangue. Lâmia se aproximou de Akira a passou sua mão desgrenhada no rosto da garota. Eu queria gritar para que ela atacasse, queria me levantar, mas meu corpo não respondia. Minha visão estava ficando turva, só consegui escutar a fala de Lâmia antes de desmaiar:

– Minha querida Akira, você voltou para mim. Eu disse que de nada adiantaria fugir. Eu acabei com sua mãe, mas você fugiu antes de eu te matar. Agora esta na hora de você pagar pelos seus atos.


***

Acordei com minha cabeça latejando. Estava deitado no chão onde havia sangue seco, assim como em minha camiseta e rosto. Ha alguns metros de mim estava Leo com os cabelos vermelhos de sangue e estirado no chão. O quarto tinha paredes brancas e uma cama no meio.

Tentei me apoiar na cama e puxar meu corpo para cima. Mais uma vez a dor percorreu meu corpo. Havia quebrado algumas costelas na queda. Peguei um pouco de néctar e ambrósia e ingeri. A dor pareceu diminuir, então tentei novamente.

Consegui me levantar e percebi que não estávamos sozinhos no quarto. Havia um garoto em cima da cama, que estava ensanguentada. O garoto estava cheio de hematomas e cortes.

Com o canto do olho vi Leo se mexer. Fui até perto do garoto e lhe entreguei néctar e ambrósia. Ele ingeriu e depois se sentou de costas para a parede.

– Minha cabeça esta latejando, é como se tivessem martelos batendo em aço aqui dentro – Leo disse com as mãos na cabeça – É inacreditável o que uma pancada pode fazer com você.

– Leo – Encarei-o – Não estamos sozinhos. – Apontei para o corpo desfalecido em cima da cama.

– Quem é esse ai? Cadê a Akira?

E me toquei, onde ela estaria? Levantei-me e olhei pelo quarto. Nada, nem sinal dela. Onde ela estaria? O que aconteceu com ela? Comecei a me desesperar. Eu deveria ter procurado por ela, não deveria ter deixado ela. Não deveria ter desmaiado.

Lembrei-me da fala de Lâmia, do que ela disse para Akira. Ela iria mata-la. Eu não poderia deixar, não poderia. Forcei a única porta que tinha no quarto com toda a força que tinha, ela não sedia.

– Leo me ajude, ela irá matar a Akira se não sairmos daqui. – Ele pareceu entender o que queria dizer e veio me ajudar com a parta.

Batemos até cansar na porta e nossos músculos doerem. Caímos no chão arfando o ar.

– Vamos achar um jeito de abrir essa porta, temos de achar. – Disse respirando fundo.

– Não tem como sair daqui – Disse uma voz desconhecida. Eu e Leo nos olhamos e depois levantamos para ver o garoto na cama. Ele estava de sentado esfregando os olhos – O único jeito é com a chave. Como aqui era um hospital psiquiátrico as portas são reforçadas, não tem como abrir a força.

– Quem é você? – Perguntei espantado. Achei que o garoto estava morto.

– Meu nome é Roedel. Quem são vocês?

– Meu nome é Nico, e o dele é Leo. Achei que você estivesse morto. O que houve com você?

– Eu e minha mãe adotiva estávamos em um dos becos correndo de algo. Mas não sei o que era. Sempre corríamos para outros lugares. Apareceu esta mulher com cauda de serpente e nos cercou. Acabou m-matando minha mãe. – Ele respirou fundo e continuou — Mas me capturou e trouxe até aqui. Todos os dias, vem e toma parte do meu sangue até eu desmaiar. – Ele parou de falar e ficou pálido – E quando eu acordo ela volta. Eu queria fugir, mas não consegui. Queria que ela me devorasse logo. E vocês como chegaram aqui?

– Estamos em uma missão. Somos semideuses. Esses tipos de monstros sempre aparecem. – Leo disse como se fosse à explicação mais razoável.

– Semideuses? Aquela coisa também vive me chamando disso.

– Isso quer dizer que você é filho de um deus ou deusa grego. Sabe, eles existem. Sei que não é uma boa hora de dizer isso, mas é verdade. Agora precisamos sair daqui e ajudar Akira. – Disse e o garoto pareceu confuso, mas concordou.

Sentamos todos na cama e ficamos pensando em um plano até que escutamos um barulho. Era um grito: o grito de Akira.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado do capítulo! Beijos Maah