Notas iniciais
Bom, está aí o primeiro capítulo. Espero que gostem!

– Não vale a pena

Natan resmungou enquanto descia do caminhão de mudança. Levou os olhos para a grande mansão à sua frente.

Não era aquilo o que ele queria.

– Natan... Venha aqui, por favor! — Ouviu sua mãe chamar por ele. Inclinou a cabeça e não precisou pensar muito sobre o que achava daquilo tudo.

Um grande erro.

Avistou o homem de longe. Aquele que "supostamente" seria o seu padrasto pelo, hã... Vejamos... Pelo resto da sua vida.

Avançou em direção à sua mãe. Ela era boa demais pra ele.

Com apenas 38 anos de idade, a senhora Silver continuava bela. Seus belos e compridos cachos eram negros como a noite. Seus olhos tinham o castanho mais lindo do mundo. E o seu sorriso... A coisa mais linda que vira em todo mundo.

Ela era demais para aquele cara.

– Ah... aí estão vocês! — Natan hesitou ao olhar para o homem, mas continuou fitando-o. Era a primeira vez que ele o via.

Ele tinha no rosto uma barba mal feita e um sorriso torto. E na cabeça, bom... Na cabeça não tinha nada além de uma lisa e brilhante careca.

– Então... Você é o Natan? — perguntou enquanto estendia a sua mão para o garoto. — Sua mãe falou muito de você!

– Parece que sim! — respondeu com um sorriso falso e apertou a mão do homem.

– Por favor, venham comigo... Vou levá-los até seus quartos.

Natan caminhou atrás do careca com a barba mal feita. Não havia se esquecido do nome dele. Mas preferia assim.

– Phill! — a doce voz da sua mãe o fez olhar para trás — O que vamos fazer com a mudança? — perguntou com os olhos cheios de amor pra dar... Como sempre.

– Deixe aí... Marcus dará um jeito. Algum asilo. Ou talvez até mesmo um orfanato!

Natan não estava acostumado com aquilo. Passara a vida toda num barraco. Sem nenhum luxo sequer. Apenas sua mãe. Mas ele também não precisava de nada além disso.

Observou mais uma vez o seu quarto. Era muito maior do que a sua antiga casa... Ou melhor, barraca.

Sentou-se na cama e passou a mão pela colcha. Era muito agradável e confortável.

O quarto era outro luxo. Ouro, prata. Talvez de tudo.

Deslizou as mãos pela janela.

Continuava sendo um grande erro.

Debruçou-se sobre a parte frontal da janela e pôs-se a observar a vista.

Tão bonita quanto a casa. Árvores verdes, flores, um pequeno lago. Grama aparada. Talvez aquilo fosse demais para ele. Mas com certeza não era para sua mãe. Na verdade, nem era o suficiente.

Ela merecia muito mais. Merecia algo que ele não poderia dar. Muito menos o careca da barba mal feita.

Descansou os pés enquanto sentava-se na cama e em pouco tempo sentiu sono.

Deitou-se, mas não conseguiu dormir.

Talvez teria sido a viagem. A confusão. Talvez fosse aquela casa. Ele não se lembrava porque estava tão atordoado. Até que algo passou pela sua mente.

Alguma recordação. Uma memória recente que ele havia perdido.

Olhos azuis... Muito azuis. Cabelos vermelhos.

Uma menina... Sim. Uma menina de sardas!

Notas finais
Então? O que acharam? Aceito críticas e opiniões!