Natan abriu os olhos e percebeu que a luz do sol já não o incomodava. Achegou-se à janela e suspirou diante da bela lua que parecia brilha só pra ele naquele momento.

– Natan? — Ouviu após um ruído. O que deveria significar a porta se abrindo. Virou-se calmamente e percebeu a mãe ali.

– Ah... O jantar está pronto! — ela falou abraçando os braços e ele nada respondeu. — Não vai querer comer?

Silêncio. Natan abanou a cabeça negativamente e voltou-se a olhar a lua. Ouviu a porta rangendo mais uma vez e presumiu que sua mãe havia ido embora.

– É linda não é? — Sua mãe se pôs ao seu lado e ele percebeu que não a conhecia tanto como acreditava. Ou ela tinha simplesmente mudado. Preferia ficar com a segunda opção.

– É...

– Natan, eu quero que seja sincero comigo! — ela fez uma pausa e ele imaginou o que viria a seguir. Mas parou quando se lembrou. Ela havia mudado. – Olhe, eu gosto muito do Phill, e gosto da família dele... Eu finalmente encontro alguém que me faça bem. Mas... Você é a pessoa mais importante da minha vida! Ok? Se você disser que não está bem, nós voltamos para a casa da tia Meredith, eu não me importo! Só seja sincero comigo.

Ele hesitou ao olhar pra ela. Pela sua voz podia sentir que ela derramava lágrimas. Seu coração se apertou e ele se sentiu um monstro.

– Eu estou bem! — mentiu — Eu só... preciso me acostumar! — abaixou a cabeça — É tudo muito novo pra mim!

O silêncio voltou. Estava começando a ficar chato quando ele sentiu uma pressão contra sua bochecha. Ou melhor, um beijo. E então ela siau do quarto.

O ponto era que ele se preocupava com ela. Ele realmente se importava com as próprias ações apenas porque queria que ela se orgulhasse dele, que ela ficasse bem. E aquilo era bom... Pelo menos ela estava feliz. Então porque ele não podia estar também?

Saltou a janela.

Ele já tinha feito aquilo várias vezes, mas não em uma distância tão grande.

Sentiu se corpo formigar quando entrou em contato com o chão e gemeu de dor. Porém baixo para não alarmar ninguém. Saiu o mais rápido possível. Mancando.

Andou. Andou sem direção. Andou sem destino. E acabou chegando aonde queria. A qualquer lugar.

A periferia estava totalmente vazia. Apenas as vozes das cigarras inundavam o local. Então ele sentiu medo. E abraçou-se para controlar o frio.

– Deveria sabe que ficar aqui uma hora dessas é perigoso — sentiu seu corpo tremer e virou-se bruscamente.

"Quem é você?" Nem isso ele conseguiu dizer. Nada saia dos seus lábios. Talvez uma vogal ou outra. Mas naquele momento o silêncio era uma das únicas coisas que ele não queria.

Observou mais uma vez a figura à sua frente e arregalou os olhos.

Era uma mulher. Quer dizer, uma garota. Um metro e sessenta mais ou menos. Usava um vestido longo tão escuro quanto a noite.

Cabelos vermelhos como o fogo e a pele branca como a neve. Afastou os pensamentos de fantasmas que vinham a sua cabeça e continuou paralisado sem saber o que fazer.

Não conseguiu arrancar o olhar dos olhos dela. Aqueles olhos azuis. Morte. Vida. Dor. Olhos profundos. Lindos. Felicidade. Sorriso. Lembrou-se da sua mãe. E de como ela era linda.

– Quem é você? — Algo saiu da sua boca após tentativas falhas.

Ele viu um sorriso saltar dos seus lábios. Um sorriso amedrontador, porém calmo. Algo em que ele podia pensar para o resto da vida e nunca iria se esquecer. Lindo... Porém doloroso.

– Quem souber morre!


Notas finais
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