A Melodia final
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Oi Hayley! Tudo bem minha filha? A quanto tempo não é? – Disse uma mulher ruiva, aparentava ter seus 50 anos, estatura média, pernas longas cobertas por uma calça vermelha, e sobre os ombros um blazer cinza e se parecia muito com a Hayley. Logo, deduzi que era sua mãe. Isso me causou um certo espanto, porque até então, eu não sabia que Jim tinha uma filha. E ele nunca tinha me falado que era casado também.
– O que você está fazendo aqui Vanessa? – Perguntou Jim com um certo tom de grosseria.
– Eu vim ver minha filha e meu marido. – Disse ela. – Não posso?
– Não, você não pode. Saia daqui agora! – Jim se levantou e foi guiando ela para a saída.
–Dunn, depois eu falo com você. Avise a sua banda que faremos a gravação amanhã a tarde. Eu cancelarei todos os compromissos que eu tiver, e gravaremos tudo. E falarei com você sobre a sua música também. – E saiu.
– Ma-mãe... – Sussurrou Hayley. Eu entendi uma coisa naquele momento: Eu entendi que não estava entendendo nada que estava acontecendo. Faltavam peças no quebra-cabeça.
Enquanto eu estava com a Hayley, eu o vi leva-la para sua sala e fecharam a porta. Imaginei que a coisa era feia. O Jim irritado como estava, era raro. Só vi uma vez quando foi gravar com um adolescente que estava fazendo sucesso. “O garoto é tão ruim que eu tenho vontade te afogar ele com o microfone.” dizia ele. E Hayley que até aquele momento estava sorridente, agora estava séria, e com um semblante de quem ia derramar em lágrimas a qualquer momento.
–Hayley... Está tudo bem? – Perguntei, passando a mão em seu ombro como se fosse um gesto de conforto.
–Eu não a vejo desde... muito tempo, Dunn. – me disse. – Eu estou realmente supresa.
–Tem algo que eu possa fazer para ajuda-la? Quer comer alguma coisa? Já está quase na hora do almoço. E eu garanto que uma pizza iria agradar e ajudar! Bom, pelo menos a mim irá ajudar. Hahaha –tentei anima-la.
–Obrigado Dunn, mas acho que dessa vez eu irei passar. Não sei o que fazer...
Ela disse isso como se eu soubesse. Se eu me lembro bem, já foi um avanço absurdo eu tê-la chamado para almoçar, e ainda foi recusada a oferta. Eu era o cara tímido. Essas coisas não deviam acontecer com tímidos.
– Então, eu te deixarei sozinha um pouco para você poder refletir. Prazer em te conhecer e...
– Não!- ela me interrompeu — Por favor Dunn, fique comigo aqui. Eu sei que nos conhecemos agora, mas eu não quero ficar sozinha.
Meu coração disparou de uma forma. Fiquei vermelho, mas essa não era uma situação para eu pensar nesse tipo de coisa. Eu tinha que agir de forma madura e segurar a barra. Então nos sentamos em um sofá que ficava entre as salas 2 e 3 próximo a uma mesa com café, bolachas, e alguns outros petiscos. Eu não sei quanto tempo durou. Mas ficamos sentados lá por muito tempo. Sem falar nada, sem nos mexermos. Ela de um lado, e eu do outro. Eu não consegui entender como minha presença ali ajudava. Não entendi o “Fique aqui. Não quero ficar sozinha” dela. Nós não estávamos conversando nem nada. Mas continuei ali a pedido dela.
Após algumas horas (eu acho), Jim e a Vanessa saíram do escritório dele. E estavam mais calmos. Jim parecia ter se recuperado. Bom, pelo menos não estava mais tão bravo como antes. Eles vieram caminhando pelo corredor, mas não lado a lado. Jim veio a mim e me pediu:
– Dunn. Eu confiarei a produtora a você por hoje. Nós temos que resolver alguns assuntos de família. E Hayley, eu peço que você fique aqui com o Dunn. Eu e sua mãe temos muito o que conversar. Eu prometo que quando tudo estiver esclarecido, conversaremos com você. Tudo bem?
Uau. Perfeita aquela situação. Tudo que um cara como eu gostaria. Uma responsabilidade inédita, uma atmosfera negativa, uma garota linda emocionalmente abalada, e essa garota ainda ser filha do meu chefe. Acho que pra piorar... Não. Nem vou pensar em como poderia piorar.
Ela assentiu sem resistência. Eu queria ajudar mas realmente não sabia como. Então após os dois deixarem o local, nós continuamos sentados lá por mais tempo.
–Sabe, se você quiser desabafar, me contar algo sobre o seu pai, está tudo bem. Nós somos bem amigos e... – Olhei para o lado, ela estava dormindo. Pude ver em seu rosto que algumas lágrimas escorreram a alguns minutos atrás pois se podia ver o rastro delas pelo seu rosto. Não podia deixa-la ali. Então tentei carrega-la no colo até a minha sala. E coloquei-a sobre o sofá, e pus minha jaqueta sobre seu tronco e encostei a porta.
Vocês sabiam que uma produtora musical possui muitos trabalhos chatos? Pois é. Eu descobri nesse dia. Por trás de toda a mágica da gravação, edição, então a gravação para CD e fazer sucesso nas lojas, existe a parte burocrática que eu não imaginava. Licenciamento de artistas que não lançavam discos a muito tempo, mas que possuíam direitos autorais, contratos, negociações. E muitas outras coisas. Procedimentos que me fizeram esquecer que o mundo ia acabar. Mas como Jim havia confiado em mim, tentei fazer o meu melhor. A cada 20 minutos eu passava na minha sala para ver como ela estava. Eu não sei porque, mas eu tinha acabado de conhecê-la e sentia que tinha que ajudar de qualquer maneira. Síndrome de super-herói? Talvez. Mas com ela era diferente.
Quando eu estava terminando de arrumar as papeladas do estúdio, ela veio de encontro a mim.
– Hey Dunn, obrigado por tudo. Você foi muito gentil hoje. Agradeço de coração. – E sorriu de forma forçada para mim.
– Aonde você pensa que vai? – Perguntei – Lembra que seu pai te disse para ficar comigo? Além do mais, você está muito desanimada! O que você acha, claro, se você quiser, de irmos a algum lugar beber algo, eu chamo mais pessoas, e podemos pelo menos nos distrair um pouco. O que você acha?
Sinceramente? Eu esperava que ela desse um fora. Mas dessa vez ela concordou:
– Tudo bem... Eu vou com você.
– Então vamos nos animar. Você está muito pra baixo! Eu sei que essa situação não é das melhores. Mas veja. O fim do mundo está chegando! Não tem muita coisa que possamos fazer mesmo! Hahahaha
Consegui arrancar um sorriso um pouco mais sincero dela. Isso me deixou mais contente. Então terminei tudo na produtora, fechei o local, e fomos em direção ao pub que eu costumava tocar com a banda. Liguei para o pessoal da banda, e chamei-os para irmos ao pub tomar alguma coisa e conversar. Liguei para o Dylan e o chamei também. Então nos encontramos na frente do Pub. Grunge Pub.
Eu acho que de toda a Los Angeles, esse é o meu lugar favorito. Não só por eles permitem que minha banda se apresente lá, mas o ambiente é agradável, todas as bandas que tocam, são boas, e o pessoal que frequenta é legal. Resumindo, ótima atmosfera. Tudo que mais precisávamos naquele momento.
Ao chegarmos ao pub, esperamos ao lado de fora como tínhamos combinado, e de longe, eu avistei meu amigo Ed, usando a camiseta do The Police que gostava, uma jaqueta militar e uma calça jeans rasgada. Com ele, estava sua nova namorada, Chris Benson. Alta e magra que nem ele, loira igual. Se não estivesse usando uma jaqueta preta com uma camiseta do Led rosa, e se o Ed não tivesse uma barba visível eu, poderia facilmente confundi-la com ele. Logo atrás, vinham Chad e Nate, ambos muito parecidos, calça jeans, camisa chadrez aberta e uma camiseta de banda por baixo. Estilo bem grunge mesmo. O que os diferenciava de longe era apenas o cabelo, já que Nate, não tinha nenhum. A muito tempo adotara o estilo careca. Eles foram juntos já que moravam perto. E o Duncan levou uma amiga do trabalho que nós não conhecíamos.
– Pessoal. Essa é a Hayley. Ela é filha do Jim e vai passar um tempo aqui na cidade.
– E você a trouxe sem interesse nenhum né Dunn? Hahahaha – Ed como sempre tentando me constranger. Típico.
– Ed, não fale assim... Lembre-se: ele é tímido! Conversa mais velha... hahahaha – Duncan disse tentando piorar as coisas pro meu lado.
– Por que vocês não vão a merda? Eu acho que um pouco de toras no rabo de vocês não faria mal a ninguém! – praguejei.
Quando olhei para o lado, a Hayley estava rindo de mim. Isso era um bom sinal. Todo aquele encontro, era em função de distraí-la. E estava dando certo. Aos poucos as duas garotas foram entrosando com o grupo, e como eu andava com um monte de retardados, ela acabou entrando na onda deles, e começou a contar besteiras da sua faculdade.
–É verdade! – Dizia ela – Na minha faculdade tinha um cara que espirrou e trincou uma costela!
E nós caíamos de rir com as histórias dela. Ela era divertida, inteligente, linda, retardada. Exatamente meu tipo. Isso me preocupou um pouco. Continuamos a conversa por bastante tempo.
–Com licença garotos! Vou ao banheiro. — disse Hayley
–Vamos junto – Disseram as outras duas garotas. Após terem se retirado da mesa, absolutamente todos viraram pra mim. Eu era o alvo da conversa agora.
–Dunn! Que garota é essa cara! Ela é linda, inteligente, engraçada, e meio louca. Cara, sua chance de se dar bem! – Argumentou Duncan.
– E além do mais ela parece estar caidinha por você. – Ed complementou.
– E-eu não sei... Ela é filha do meu chefe. Isso seria contra as regras não? – Eu sabia que queria sair com ela. Mas não podia admitir pra mim mesmo que eu era tão fácil daquele jeito. Então aí estava minha mente tentando me sabotar de novo.
– Ué, ela é filha e não é sua chefe. E nem trabalha com você. Você não tem que seguir o protocolo de relações profissionais. – Disse Chad.
– Exato! Se você encontrasse ela aleatoriamente na rua, não valeria? Trate como se fosse um encontro aleatório e vai dar tudo certo. Se isso te ajudar né... – Completou Nate.
– E além do mais, se você não pegar ela, eu vou pegar. – Alertou Dylan, e me lançando aquele olhar de desafio.
– Você fique longe dela. Nem pense em chegar perto seu monte de bosta! – Eu exclamei. Ele percebeu que eu estava sério. E eu não mostrava tanta determinação em relação a uma garota com frequência.
– Brrrrrrrr... Fiquei com medo agora! Hahahahaha. Calma Dunn... Não farei nada. Isso era só pra mostrar para você mesmo que você está interessado nela. – O desgraçado me pegou nessa. A muito tempo eu não tinha algo claro na minha cabeça. Acho que a ultima vez foi quando me dei conta que estava apaixonado pela Rachel. Era mais ou menos o mesmo sentimento. A falta de palavras, o coração acelerando, não saber para onde olhar. Mas parecia óbvio que eu estava interessado na Hayley.
Após essa “descontração”, as garotas estavam voltando do banheiro. Então se assentaram novamente a nossa mesa e voltaram para a conversa. Ou melhor, voltaram com as histórias engraçadas. E como em todas as rodas de histórias engraçadas, uma hora a história será sobre você.
– Vocês tinham que ver! Quando o Dunn estava aprendendo a tocar violão, ele ficava mais de horas só fazendo barulho. Achava que tava tocando alguma coisa. Ia me falando o nome das músicas que tocava, mas pra mim era tudo a mesma merda. Eu levava meu iPod e colocava em um ouvido enquanto ele tocava, pra não ter que sofrer dos dois ouvidos. Hahahahaha. – Dylan gargalhava enquanto contava.
– Mas agora ele toca muito bem! – Disse Hayley. – Eu o escutei quando cheguei a produtora. Ele estava gravando uma música. E ela era muito boa. Acreditem.
Fiquei com vergonha. Porque nunca tinha mostrado aquela música a ninguém. Mas dei um sorriso pra ela e agradeci.
– Qual música você tocou pra ela Dunn? –Perguntou Dylan cutucando Ed por baixo da mesa.
– É verdade... qual musica você tocou para ela? – Ed perguntou sorrindo de forma sarcástica.
– Eu toquei uma música que eu compus. A muito tempo. – Respondi.
– Então toque para a gente agora! Com certeza eles devem ter um violão aqui guardado. Eu mesmo vou atrás. Espere um momento. – Nate já foi se levantando e indo buscar o violão. No fundo eu queria pegar uma caminhonete e atropelar todos eles.
Nate vinha voltando com o violão e um cabo. E me entregou. Eu realmente não estava afim de mostrar aquela música pra eles mas agora parecia que não tinha jeito. Peguei o violão, subi ao palquinho que ficava no canto do Pub, pluguei o violão na caixa de som, sentei no banquinho que estava ao lado e testei o microfone.
– Som, som... 1, 2, 3, testando... erm... Boa noite a todos, eu sou Duncan Avery da banda Soundforgers, espero que estejam tendo uma boa noite. E irei tocar uma musica que...
– ...que você vai dedicar para a Hayley não é? – Me interrompeu Dylan.
Eu fiquei vermelho naquele momento. Mas como havia acontecido a pouco, eu percebi que estava interessado nela e que era uma chance. Ela estava rindo até então.
– Eu vou dedicar essa música para aquela garota ruiva sentada naquela mesa ali. – E eu apontei pra ela. Nesse momento, ela parou de rir. Ficou vermelha instantaneamente e desviou o olhar de mim. Eu sabia que ela estava com vergonha, então decidi começar a cantar.
– “What am I supposed to say, when simple words…” – E conforme eu cantava, eu percebia que ela olhava com um brilho diferente nos olhos. Foi no meio da música que eu percebi que ela estava mesmo interessada em mim.
Após eu tocar a minha música, os rapazes me elogiaram:
– Cara, aquilo foi lindo... me da um beijo! – Ed veio pra cima de mim fazendo bico.
– Olha Dunn, eu gosto do Ed, mas você é mais talentoso. – Disse a namorada dele. No mesmo instante ele parou com o bico e sentou-se emburrado. Nós rimos muito dele depois disso.
Então, o pessoal que estava no pub, além de nos, pediu mais algumas musicas, então nós nos revezamos e atendemos a vários pedidos. Já era tarde quando decidimos ir embora, nos despedimos e cada um foi pelo seu caminho. Como Hayley estava comigo, precisaríamos de outro capacete. Então passamos em casa para pegar o meu outro capacete.
– Será só um minuto tudo bem? — Perguntei.
–Tudo bem. – Ela respondeu enquanto subíamos até o andar do meu apartamento.
– E por favor, não repare na bagunça. Eu não sabia que teria visitas hoje então não...
– Se controle homem! – Ela respondeu descontraindo.
– Eu sei que você não é perfeito. Se visse o meu apartamento na Filadélfia, você choraria. Isso se encontrasse um lugar para ficar em pé para chorar. Hahahaha. – Ela brincou comigo.
Ao chegarmos no andar, saímos do elevador, abri a porta do meu apartamento, e convidei-a a entrar. Encostei a porta, e acendi as luzes.
–Lar doce lar... Bem vinda ao meu recanto. – Saudei.
Eu percebi que ela estava analisando pedaço por pedaço do meu apartamento. Como eu não era muito do tipo “mulherengo”, meu apartamento tinha um estilo peculiar. Na minha sala, se encontrava um sofá normal, um rack com uma TV de 42 polegadas. Espalhados no chão, haviam alguns jogos, controles de mais de um videogame, latas de energético jogadas, e uma poltrona com caixas de som, própria para jogos de corrida. E um puffy grande de gel. Havia também no canto da sala minha prateleira com figuras colecionáveis que muitos chamam de “bonequinhos”. Eu não sabia se ficava com vergonha ou tentava agir naturalmente. Até que ela quebrou o silêncio:
– Uau. Esse lugar é insano! Você tem vários jogos bons! Eu não acredito, você já comprou o novo GTA? Eu estava doida para jogar esse! E você tem também aquele ali e... – A voz dela foi ficando mais baixa em minha cabeça, e eu fui tomado pela minha própria consciência me dizendo o quanto essa garota era legal.
– Haha. Podemos jogar se você quiser. Mas só um pouco para o seu pai não ficar preocupado. – eu afirmei.
– Prometo! – disse ela. Bem animada. Parece que ela queria mesmo jogar.
Coloquei o jogo, e então começamos a jogar. Após alguns minutos, o celular dela tocou. Então ela pausou o jogo e me pediu licença:
– Dunn posso ir até o quarto atender? É o meu pai me ligando. – Me perguntou.
– Claro sem problemas. Segue pelo corredor, é a ultima porta. – Disse à ela.
Peguei o controle, e despausei o jogo. E voltei a jogar. Enquanto me distraia em frente à televisão, pude escutar a voz de Hayley se elevando. E gritando com o seu pai. Resolvi não me meter no momento. Após alguns minutos, Hayley surgiu através do corredor com lágrimas nos olhos. Paralisei. Soltei o controle imediatamente e fui de encontro a ela.
– Dunn... Por favor... Me deixe passar a noite aqui. – Ela me pediu.
– O que aconteceu? – perguntei.
– Meus pais. Ou melhor, minha mãe. Causando problemas de novo para o meu pai. – Respondeu enxugando algumas lágrimas do rosto.
– Minha mãe, era uma vocalista de uma banda quando meu pai a conheceu. E então se apaixonaram e casaram. E quando ela ficou grávida de mim, ela se afastou da banda. Mas assim como o meu pai, ela gostava muito de música. Após meu nascimento, ela queria voltar com a banda e fazer turnê. E meu pai... bem, deu uma bronca. Discutiram por um tempo. E então ela aceitou não voltar com a banda. Mas quando eu tinha 7 anos de idade, ela disse para o meu pai que ia sair um pouco, e não voltou por 1 ano e meio.
–Um ano e meio? Ela foi sequestrada? – Perguntei.
–Era o que pensávamos. E então, ela apareceu de novo. Ela tinha saído para fazer turnê com uma banda underground. Meu pai não quis mais ela em casa. E então ela foi até a polícia e falou um monte de bosta dele. Nessa época eu fui morar com a minha tia na Filadélfia. E comecei a gostar de artes. Algum tempo depois, eu voltei para Los Angeles, e minha mãe não estava mais em casa. A verdade era, que nós não tínhamos mais aquela casa. Minha mãe tinha entrado na justiça e processado meu pai por danos morais. E para amenizar os danos, ele vendeu a casa e pagou uma quantia absurda pra ela. Meu pai perdeu praticamente tudo. – E ela continuou me contando, as idas e vindas de sua mãe. E o quanto ela infernizara a vida do seu pai no passado.
– Eu não acredito. Ela não parece ser uma pessoa assim. – Comentei.
– Pois é. E agora com essa história de fim do mundo, ela voltou a infernizar o meu pai. Ela quer voltar com ele e quer uma parte da produtora também. Isso o deixou possesso. Para mim, ela não é uma estranha. Mas também não é uma mãe.
– Eu não sei nem o que te dizer... De verdade. – Desabafei.
– Eu não aguento mais isso... – Hayley se aproximou de mim abrindo os braços. Instantâneamente eu sabia que ela queria um abraço. Então segui seus movimentos e a abracei.
– O que eu puder fazer por você, me diga que eu farei Hayley. – a confortei.
Ela me lançou um olhar diferente dos outros. Era como um choque me atravessando. O brilho em seus olhos estavam lindos. Seu rosto com lágrimas mal enxugadas se tornou radiante. E quanto mais eu admirava, mais eu me sentia atraído por ela. Aos poucos, meu rosto foi se aproximando do dela até eu não consegui me conter, eu a beijei.
Eu percebi que ela fez uma cara de espanto. E logo após, ela segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou de volta. Senti um calor subindo pelo meu corpo. Uma chama que eu queria controlar mas que parecia me consumir. Abracei-a pela cintura, apertei seu corpo contra o meu a ponto de gerar um leve gemido. Aos poucos íamos trombando nas paredes do corredor a caminho do quarto. Estávamos apressados e parecíamos desorientados. Na porta do quarto, ela me beijou de forma profunda a ponto de me fazer perder o ar. E então foi me guiando até me empurrar para a cama. Ao me jogar, não acreditei em nada do que estava acontecendo. Era incrível. Não tenho mais palavras para descrever aqueles sentimentos.
Ela tirou a jaqueta, e sentou sobre minhas coxas. Logo, se curvou para continuar a me beijar. Lentamente, tirei sua camiseta, deslizando sobre sua pele suave, até subir pelos braços. Em seguida, ela tirou a minha também. Estávamos em um transe infinito. Tudo que eu conseguia enxergar no quarto, era ela. Hayley, a garota que me enfeitiçou. Então a agarrei, e a virei jogando-a na cama. Puxei sua calça jeans para baixo, deixando-a só de lingerie. Passei a mão pelo seu corpo. Sua cintura bem definida, e um pouco magra me pareciam bem. Eu estava drogado por ela naquele momento. Beijei sua barriga e fui subindo ate chegar em seu pescoço.
A cada momento, sua respiração parecia estar mais ofegante. E o ambiente mais quente. Eu não sabia o que pensar naquela hora. Só que a cada minuto a mais, eu estava mais atraído por ela. E pensei que era diferente. Pois eu imaginara muitas vezes como seria a minha primeira vez com a Rachel... Rachel!
Fiquei estático. Duro como uma pedra. Agora sim, aquilo estava contrangedor.
– O que foi? Dunn? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ela preocupada.
– Não, não... está tudo ótimo. Só que... – Não sabia como colocar isso em palavras mas sabia que tinha que dizer algo.
– Você não estava gostando? Eu fiz algo errado? – Ela perguntou.
– Claro que não! Você estava ótima. Muito bem mesmo. Demais. É que, eu... eu não... não consigo... sabe... – Realmente, gaguejar numa hora dessas é a melhor forma do meu cérebro me ajudar.
– Ah não... não me diga que você é... – Eu percebi que ela exitou em perguntar. E já sabia do que se tratava.
– Nããão... Claro que não. Acredite, eu gosto muito de mulheres. – Retruquei.
– Então você não “animou”? Isso pode acontecer com qualquer um... – Ela argumentou. E a cada pergunta dela, eu me sentia cada vez mais um saco de bosta.
– Não! Isso nunca aconteceu! Jamais... Não é nada disso... acredite. É só que... – demorei um pouco para responde-la.
– Lembra sobre o que eu te disse? Um astro do rock precisa de duas coisas? – Tentei recordá-la da nossa conversa no café.
– Saber tocar guitarra e ter um coração partido. – Ela se lembrou.
– Então... Me desculpe... de verdade. – Abaixei a minha cabeça.
– Você poderia me deixar sozinha um pouco? Eu acho que estou com dor de cabeça. Por favor. – Ela me disse enquanto se levantava e pegava uma coberta minha que estava sobre a cama para se cobrir.
– Por favor. — disse ela.
Saí do quarto, e fui até a sala. Liguei a TV e assisti até adormecer.
Ao sentir um incômodo em meu rosto, eu abri os olhos para descobrir que já era dia. E ao olhar para os lados, me deparo com a Hayley em pé, na entrada do corredor me olhando. Ela tinha algo nas mãos. Parecia um papel ou algo do tipo.
– Hummm... Bom dia. – Cumprimentei-a.
Então ela descruzou os braços e me mostrou uma fotografia. Congelei naquele momento.
– Dunn, quem é essa garota? É ela não é?
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