A Marca do Dragão
11 Extra: Festa de confusão - Parte II
Notas iniciais
Lucy foi surpreendida pelas palavras do pai em alta voz, poucos metros atrás de si, e o curto grito abafado apenas evidenciou o susto que tomara, mesmo esperando por aquela reação do empresário. O que possa ter fugido de seus planos para ocasionar o espanto, foi o entretenimento na conversa de um casal próximo, onde a garota exibia sua fantasia de fada e em troca recebia um belo sorriso — na concepção da loira — acompanhado de elogios. Ela nem está tão bela assim. Analisou desdenhosa.
— Ora, minha fantasia! – Deu de ombros, se recompondo do susto.
— Isso não é a roupa que pedi para que comprassem pra você. – Continuou sem baixar o tom, apesar da música e das conversas terem cessado. Toda a atenção estava voltada somente para ele e filha.
Olhou de esguelha a empregada acompanhante da adolescente no canto do salão para confirmação de suas palavras.
— Pois se enganou achando que em alguma hipótese eu usaria aquele vestido infantil de princesa na minha festa. – Rebateu, encarando-o.
Jude travou a mandíbula, sentindo o sangue ferver nas veias. Em que momento havia perdido as rédeas da situação que envolvia a Lucy? Se a tinha encaminhado para a casa de campo em uma cidade longínqua, foi justamente no intuito de evitar certa rebeldia e afronta. Onde... Onde eu possa ter errado? Inquiriu, e por mais que procurasse em mente a resposta lhe vinha como página em branco.
— Já para o seu quarto! – Ordenou, apontando a escadaria. – Desça apenas quando estiver vestida como alguém descente. – Finalizou.
Respirando fundo e engolindo o choro, que beirava os olhos castanhos, Lucy rumou às pressas para o andar superior sem proferir nada mais que murmúrios incoerentes, sumindo corredor adentro.
Não chegou a passar minutos, de modo que a atenção de todos os presentes estava sobre outra discussão ao lado do buffet vazio. Gray e Natsu distribuíam socos e pontapés sem a menor importância com quem ou o que estivesse por perto.
— Seu Drácula pervertido, a última coxa de galinha deveria ter sido minha. – O rosado protestou, dando um gancho de direita.
Revidando, o mago do gelo acerta-o com um soco na face. – E quem vai adivinhar? Se distraiu com a namoradinha vestida de fada porque quis.
— Até aqui aqueles dois idiotas não param de brigar. – Erza em sua fantasia de gladiadora embainhava duas espadas e seguia ao encontro dos desordeiros, certa de separá-los. – Vou acabar com isso...
— Não! – Interferiu Lisanna, pondo-se a frente da ruiva. Sempre que a Erza se metia os danos ao lugar e envolvidos eram maiores que o previsto. Sair de lá com seu amado inconsciente estava fora de cogitação. E durante o dilema interior, a albina escutou uma forte explosão; o duelo tinha passado para o nível de magia.
Alguns dos empregados se dividiam nas tarefas de jogar água nas cortinas em chamas e limpar as pedras de gelo espalhadas pelo piso, tornando o chão escorregadio o suficiente para a queda de muitos convidados. Jude assistia boquiaberto a briga dos garotos, não pela ruína do evento que planejou cuidadosamente, mas por jurar ter visto a imagem de um dragão de fogo na magia do jovem com roupas de pirata.
— Seguranças! – Chamou, sendo de pronto atendido por um grupo de quatro homens fardados. – Peguem o fantasiado de pirata e seu comparsa nudista.
Estranhando a referencia, Gray se examinou por via das dúvidas e, como previsto, estava unicamente de cueca. – Droga! – Colhendo os trajes, correu, antecipando-se pelo corredor ao seu lado esquerdo, enquanto Natsu desaparecia por uma das portas sentido contrário.
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— Encontrem esse moleque! – O empresário esbravejou furioso, socando a mesa a frente. A insatisfação implícita na face perante o resultado negativo dos seguranças. – O quero fora dessa casa e longe da minha filha.— A ultima parte foi pensada. Estendendo a mão em direção a porta, gesticulou indicando para um número duas vezes maior de homens, que incluía guardas do estado, continuarem as buscas.
Agora tudo faz sentido! Não existe outro culpado pela atitude irresponsável da Lucy, senão o Dragon Slayer que a marcou. Deveria ter imaginado. Mas como ele conseguiu voltar para essa cidade, e acima de tudo, como nos encontrou? Acomodando-se em sua poltrona no escritório, se permitiu levar pelos questionamentos até o cumprimento da ordem. Dessa vez vou me assegurar para que sua prisão seja permanente.
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No extenso corredor superior, escondido por trás da pesada cortina de veludo escuro que emoldurava a janela, Natsu espreitava ambos os extremos aguardando a hora propícia para sair. Esgueirando-se de canto-a-canto como fizera até lá, rumaria para fora. A dúvida era saber como diabo havia chegado ao andar de cima? Seu objetivo estava na saída da mansão e não penetra-la ainda mais.
*Kusso! Praguejou relembrando o fato de ter se perdido do Happy na agitação da fuga. Suas asas lhe seriam bastante uteis agora.
Banindo o lamento desnecessário, inspirou, e numa contagem regressiva de três a um se lançou no ambiente vazio. A fraca iluminação pontuava a seu favor, diminuindo a visibilidade e consequentemente o rápido reconhecimento de sua pessoa. Em contra partida, a natural estrutura do corredor e os poucos moveis lhe faziam um alvo fácil a ser capturado.
— Tsc! Só entrei nessa furada por causa daquele cueca gelada. – Queixou-se, cerrando os punhos. – Quando eu o encontrar vou queim... – Parou a ameaça junto com os movimentos assim que seus ouvidos aguçados captaram o som de passos se aproximando. – Merda, merda...!
Recuou. Os olhos inquietos na busca por escapatória pousaram sobre uma das portas a centímetros de distância. Confiando na sorte, girou a maçaneta com os olhos fechados. É no tudo ou nada... Abriu?! Apressou-se em entrar e trancá-la o quanto antes para depois respirar fundo, aliviado — em parte.
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