A Marca do Dragão

6 As aparências enganam.


Notas iniciais
Alguns esclarecimentos. — Verde Oliva?! Quem não deve ter reparado na mudança dos olhos do Dragneel as vezes em que ficou enfurecido ou prestes a liberar uma grande quantidade de magia? Nesse capítulo vou descrevê-los, então pesquisei algumas cores que os definissem melhor, resultando nesse tipo de verde. — Para quem assistiu os OVA’S do anime, em um deles mostra Lucy visitando a casa dos amigos Happy e Natsu que, embora grande, via-se apenas uma rede para dormir em meio à bagunça de objetos na sala. Na fanfic modificarei, colocando uma cama solteirão. Precisa ser grande para o que tenho em mente ;) — Natsu de pijama! Sinto muito, mas não lerão uma cena dessa aqui, escrevi somente para colocar a ideia na cabeça de vocês. Hihihi!! Na verdade, ele se resumirá ao uso de um short de algodão... e só. Homens costumam dormir a vontade, apesar de raramente tê-lo visto descansar com outra roupa senão a oficial do anime. — Os amantes de NALU sentirão certa raiva do tratamento do Natsu para com Lisanna nesse sexto capítulo. Meus dois únicos argumentos são: O Natsu preza os amigos e a albina encontra-se no quadro entre eles; Ele é homem, não é cego e ainda não lhe caiu à ficha por completo do comprometimento gerado pela marca. Resumindo: Considera-se solteiro. Peço desculpa pelo atraso. Creio que pulei um final de semana na postagem, mas tive meus motivos. Continuo com os agradecimentos aos leitores que favoritaram, comentaram e acompanham. Espero que a estória continue agradando vocês :) Boa leitura!

Lucy

Havia perdido a noção de quanto tempo tinha se passado desde que deitei no intuito de dormir. A cama estava uma completa desordem do tanto que remexi procurando a posição confortável para meu descanso. Diferente de outras noites, que bastava debruçar sob as cobertas para que o sono logo chegasse, tudo pareceu dificultar: Dos pensamentos incessantes, a pequenos, porém incômodos barulhos de dentro e fora do quarto.

Encobri os ouvidos com o travesseiro que restou daquela confusão em uma ultima tentativa para adormecer, e aguardei de olhos fechados. Quando finalmente senti o corpo relaxar com o cansaço, o som de algo estilhaçando em contato violento com o chão me despertou bruscamente.

— Quem está ai? – A pergunta saiu automática.

Averiguei, percorrendo toda a extensão do cômodo com os olhos bem atentos. As cortinas balançando ao soprar da brisa noturna foi o que percebi fora do comum, tirando o causador do barulho: Um porta retrato. Podia jurar que tinha deixado à janela fechada. Refleti, procurando na memoria o evento contraditório. Em desistência, segui hesitante, desviando de cobertas e travesseiros lançados ao pé da cama.

— Nem sequer cochilei essa noite. – Choraminguei, apreciando o espetáculo do alvorecer antes de fechar numa batida a vidraça.

Minha atenção se voltou para o brilho intenso acompanhado de um ardor indescritível no dorso da mão direita pousada no parapeito. Nada que viesse a machucar, pelo contrário, tratava-se de um calor envolvente e convidativo, algo de forma inebriante...

De canto de olho notei uma aproximação, que somado ao ruído em desacordo com aquele silêncio matinal, me fez virar de imediato, assustada. Um ladrão?! Presumi. Meu coração somente acelerou em batidas frenéticas assim que reconheci o individuo.

— Natsu! V-Você me assustou. – Sorri desconcertada, levando a mão ao peito. Deveria ter imaginado! — Mas, afinal, o que faz aqui? – Perguntei num tom de reclamação.

Ele não respondeu, e a falta de comunicação me deixou confusa. Engoli em seco ao perceber que o negro de seus olhos já não predominava mais, resumia-se em uma linha fina vertical, centralizada no meio do verde oliva. Semelhante aos olhos de um... Dragão!

Em reação ao sinal de alerta que me eclodiu automaticamente no cérebro, tentei mover o corpo, recuar à medida que avançava ameaçador, mas como previsto ele não obedecia aos meus comandos. Uma frase muito citada nos livros se destacou, vindo à tona a mente: O doador tinha domínio sobre o escolhido. Meu maior temor estava se concretizando e nada do que fizesse aquela altura adiantaria de algo.

Na verdade, aquele não era o mesmo Natsu que conhecia da Fairy Tail, tampouco o garotinho de minha infância, mas sim o fruto do forte poder avassalador dessa marca, o exemplo do ser denominado cego que o mestre Makarov havia mencionado outrora na guilda e que o próprio Natsu desacreditou. E agora o que me diz sabichão? Meu subconsciente se permitiu vangloriar. A explicação para dado comportamento se dava a algum momento de pura distração (para não dizer demência da parte dele) ou perigo, no qual se deixou influenciar...

Tive os pensamentos interrompidos ao ser encurralada na parede próximo a janela. Prendi a respiração numa ação involuntária enquanto todos os pelos do corpo eriçavam com o contato físico. Forcei-me a acreditar ser consequência da frieza do material sólido pressionado as costas e jamais da pessoa adiante. Apoiando uma das mãos pouco acima de minha cabeça, inclinou-se, expondo de proposito nossa significante diferença de tamanho. Sua outra mão habilidosa percorria a camisa do meu pijama, abrindo-a botão por botão em uma tortura lenta e comedida para quem estava sendo despida.

— Natsu nã... – O protesto travou na garganta, saindo em seu lugar um gemido, que enquadrei como constrangedor quando apalpou um seio fazendo movimentos circulares. A boca tocando a base de meu pescoço, guiando o deslizar da língua até o lóbulo da orelha...

— Luce... – Sussurrou rouco, e de súbito arfei em resposta ao chamado, sentindo as pernas vacilarem.

Percebendo, agarrou minha cintura, puxando para si num total encaixe de corpos. A sensação latente que possuía entre as pernas sendo suprimida pela pressão de sua coxa sentido contrário. Fui traída por mim mesma ao demonstrar certa ansiedade com o feito. Rebolei, jogando fora o lado sensato que resistia até então, a carência de outro tipo de toque naquela região transparecendo na face. Semicerrei os olhos, erguendo os lábios suplicantes. Ele, por sua vez, esboçou um sorriso triunfante antes de me beijar com voracidade.

... ... ...

Despenquei com tudo no chão, sentindo a forte dor rapidamente se alastrando pelas costas com o impacto. – Aiaiaiii...! – Gemi, só que não de prazer.

Analisei o ambiente quieto ainda me recuperando. Nenhum porta retrato quebrado, janela fechada como a deixei, marca... – suspirei – sem brilho algum. Foi um sonho! Conclui. O que deu em você, Lucy? Vai ficar agora tendo sonhos eróticos com o idiota do Natsu? Me repreendi, levantando toda dolorida. Reparei nas horas no pequeno despertador em cima da cabeceira: Faltavam quinze minutos para as seis horas da manhã.

— Esta muito cedo! – Afirmei, sentando na cama. Porém, o tecido molhado da calcinha gerou certo incomodo. – Mas por que estou... – Não cheguei a terminar a pergunta, tão logo enrubescendo com a suposição. Disparei em direção ao banheiro, jogando as partes do pijama pelo caminho. Nunca fiquei demasiadamente feliz por morar sozinha.

... ... ...

Natsu

A claridade do sol da manhã entrando pelas pequenas frestas do telhado e atingindo meu rosto me despertou. Cheguei a mudar de posição na cama com a intenção de dormir um pouco mais (o tão pedido cinco minutinhos), porém a inquietação alheia me impossibilitou. O que o Happy tem hoje? Pensei, espiando preguiçosamente meu amigo ao lado, no entanto, o que avistei não se comparou a um felino gordo azul.

Escancarei os olhos, espantado, instantes antes de pular para fora do leito carregando a coberta comigo.

— O que foi Natsuu? – Happy indagou sonolento, voando para perto de mim.

Não emiti sequer uma palavra coerente devido ao choque, permanecendo com o braço estendido, apontando para o intruso, ou no caso, intrusa.

Sentando lenta e graciosa, Lisanna espreguiçou, coçando os olhos marejados. – Nat-Kun, você nunca foi tão barulhento logo cedo! – Falou bocejando. – Bom dia!

Não a respondi, ainda digerindo a cena.

Ela vestia uma calcinha box azul, acompanhada de uma camiseta curta e folgada amarelo desbotado, que mal lhe cobria os seios fartos. Me detive em seu rosto, evitando a todo custo as partes baixas. – Li-Lisanna por que esta aqui? – Consegui dizer.

Happy passou do estado boquiaberto para o risonho malicioso.

— Ora, Natsu! Vim relembrar os velhos tempos, quando dormíamos juntos! – Franziu o cenho na inocência. – Senti saudades! – Completou. O brilho dos orbes azuis me causando calafrios na espinha.

Respirei fundo, enrolando o lençol em mim, cobrindo da cintura para baixo. – Não somos mais crianças. – Lancei a ideia para ela, mas o bico que fez demostrou sua insatisfação.

Não achando meu atual estado constrangedor o bastante, a albina só piorou vindo com o semblante travesso ao meu encontro. Merda! Se já não estivesse ocupado o suficiente fugindo daquela tentação ambulante por “n” motivos — sendo um deles loira e chamada Luce -, questionaria a ousadia e também sobre seu cheiro está diferente do habitual, com um leve toque ameaçador, que teria estranhado, não fosse pela aparência.

— Ela goxxxxta de você! – Happy deduziu, zombando da nossa condição de gato e rato.

— Pare Lisanna! – Exigi, estendendo-lhe a mão espalmada, e inacreditavelmente sou obedecido. Aproveitei-me para lançar uma desculpa: – Estou perdendo tempo aqui, quando poderia está a caminho da guilda por causa do torneio...

— E por que tão cedo? – Cruzou os braços, erguendo uma sobrancelha, duvidosa.

Busquei auxilio na casa, e as panelas sujas na pia da cozinha me deram o argumento necessário. – Estou com fome! Vou aproveitar e fazer uma boquinha antes da partida. – Gesticulei, alisando a região da barriga.

— Então vou com você! – Decidiu. Prendi um “o que?” pasmo que, com toda certeza, me denunciaria. – Mira-nee e Elf-niichan também já devem está na Fairy Tail. – Encerrou com um sorriso dócil.

Ferrou! Queria evitar explicações para Luce a respeito disso, pois nem mesmo eu estou entendendo a atitude de Lisanna. E depois do ocorrido da marca ontem, senti que devia algumas justificativas para ela. Ainda temos o fato pendente da discussão, assumo que fui duro nas palavras e gostaria de corrigir meu erro. Soltei o ar, pesaroso.

Nem quero imaginar no que isso vai dar...

Notas finais
No próximo capítulo... Lucy ficou preocupada com Lisanna ao descobrir pela irmã mais velha da mesma que não dormiu em casa na noite anterior. Mas teve o sentimento alterado drasticamente, quando Natsu adentrou a guilda na companhia da suposta desaparecida. A última partida definirá o vencedor a titulo de mais forte da Fairy Tail. Quem será na parte feminina e também masculina? Haverá outro desfecho de batalha, uma que está acontecendo silenciosa entre duas mulheres em prol do direito a uma pessoa... Tudo contarei no sétimo capítulo: Game Over.