A Marca do Dragão

7 Game Over. Parte I – Traída.


Notas iniciais
Eu lamento o atraso. Tenho me ocupado a semana inteira, sem ao menos tocar no Word para escrever. Fora que a inspiração se esvai com o cansaço da correria diária. Ainda assim, me arrisco em entrar no site para ler algo, mas somente. Esse final de semana pensei em postar logo o sétimo capítulo sem correção alguma. Confesso que já estava pronto, porém não o queria lançar sem antes ler primeiro. Peço que reconsiderem caso encontrem maiores erros que o de costume XD Quanto aos esclarecimentos, acredito que não tenha necessidade nesse capítulo, embora a dúvida surja naturalmente com a leitura, isso é fato! Mas se preciso, podem perguntar :) Agradeço em especial aos que insistem na fanfic e estão sempre aqui dando uma olhadela para saber se houve alguma atualização. A esses informo que de um jeito ou de outro estarei postando :) Boa leitura!

Lucy

Percorri vagarosa todo o caminho para Fairy Tail na companhia do Plue. Como se tratava de um espirito que não consumia muita energia e adequado para animal de estimação, seria natural que o invocasse com uma frequência maior que os outros, principalmente quando me sentia solitária, como agora. Havia uma escassez de pessoas na rua e o ambiente deserto somente contribuiu a minha condição isolada. Mas também pudera, o comercio em si ainda não tinha aberto as portas, dois ou três estabelecimentos no máximo se arriscavam nesse horário.

— Só espero que haja alguém na guilda. – Sussurrei para mim mesma. Do contrário, teria que ficar vagando pela cidade para passar o tempo. E sendo sincera, acordei sem vontade alguma de bater perna por ai.

Detive os passos, olhando pensativa para o alto. O sonho outra vez invadindo minha mente sem meu consentimento, me fazendo lembrar da maneira como fui dominada: O olhar faminto, o toque pretensioso, deixando uma centelha de eletricidade em cada centímetro de pele tocada, o hálito quente em meu pescoço, os beijos, a língua...

Estremeci em reação ao lapso de memória.

— Que merda, Lucy! Componha-se! – Estapeei a face, parando com as mãos espalmadas sobre as bochechas, sentindo-a quente por ter corado. Tudo parecia tão real...

Segui para a beirada do rio e observei meu reflexo na água. A imagem era da mesma garota loira, que até dois dias atrás se preocupava apenas nas missões para pagar o aluguel e se divertir com os amigos na guilda mais animada de Fiore. Mas, que no momento, assistia seu mundinho construído com tanto cuidado ao longo da infância, desmoronar num curto espaço de tempo.

Não que fosse presunção de minha parte achar que ninguém descobriria, (embora torcesse por isso) afinal, formávamos uma equipe, e nesse convívio com ele a marca acabaria se ativando. Porém, jamais calcularia que seria tão cedo se considerando o período que entrei: Dois anos no máximo.

Não, isso não estava certo. Sete anos se passaram contando com o evento da ilha Tenrou. — Apesar destes serem anos em branco para nós.

Mas a quem eu deveria culpar, senão a mim mesma?! Ter permanecido como a fraca maga celestial seria o melhor a se fazer. Agora estou aqui me torturando, tentando inutilmente evitar as reações adversas que essa marca tem causado em mim. Fora o que precisava resolver a respeito do desafio da Lisanna. Um lado meu queria acabar com essa ideia absurda dela, já o outro ficou entusiasmado com a afronta. O segundo eu descartei!

— Legal! – A voz alta e animada de uma criança me tirou do devaneio (constante de uns dias para cá). – Olha mãe! – Chamou, puxando insistente a barra da saia da senhora ao lado.

Primeiro me cogitou que toda aquela excitação do garotinho se dava a presença do Nícolas, depois ficou claro que se tratava do brilho pulsante do dragão no dorso de minha mão direita. Droga de marca, sempre chamando atenção.

— O Dragão parece está vivo. – Sem soltar-se da mãe, o menino se aproximou com cuidado. – Você é uma maga, não é? – Perguntou. Os puxados e iluminados orbes negros me trazendo recordações de outra criança igualmente empolgada que conheci.

Uou... Então você também é uma maga celestial!” A frase antes dita pelo rosado sibilou ao meu ouvido, causando uma nostalgia.

— Sou! – Respondi com orgulho, ao contrário da negativa da menina do passado. Tsc! Por que tinha que reviver essas lembranças?

Agachando-me, fiquei na altura do pequeno.

— E ele só está assim porque sentiu sua presença. – Acrescentei sorridente.

O garotinho recuou assustando.

— N-Não se preocupe... – Me prontifiquei em esclarecer, balançando as mãos no ar. Isso Lucy, coloque o menino pra correr. – Não vai machuca-lo! Pode tocar. – Sugeri. E hesitantes, os dedinhos pouco-a-pouco deslizavam pelo desenho avermelhado, contornando-o devagar.

Fiquei aliviada por senti nada mais que um formigamento de um contato qualquer. O oposto do que seria ao toque do próprio Natsu...

Afastei as ideias pervertidas rapidamente, não dando tempo para se formarem.

Cerca de instantes depois, a mulher chamou o garoto ainda entretido com a marca, desculpando-se pelo incomodo. Meneei a cabeça em discordância. E reverenciando como educados cidadãos de Magnólia, eles retomavam o rumo sentido contrário ao meu. Acenei, observando-os partir.

Possui uma bela marca! Disse, e considerei o elogio com um sorriso envergonhado.

Posso... me acostumar a isso.

... ... ...

Não, eu não posso! Afirmei por fim, quando os olhares curiosos (apesar dos poucos membros presentes) caíram imediatamente sobre mim após cruzar a entrada da guilda.

Delirei se achava que com o passar do dia a revelação do ocorrido pelo mestre seria arquivado e voltaríamos à monotonia de antes, até por que, era da Fairy Tail que me referia, e a palavra despreocupada se encontrava em sua definição.

Corri os olhos ao redor, numa breve triagem. Meu grupo estaria completo, exceto pela ausência de um. O que de fato me relaxou — em termos.

Caminhei dura semelhante a um robô de livros de ficção em direção ao balcão. Mira acabava de servir um cheiroso desjejum para Wendy, deixando minha boca salivando ao ponto de querer um pra mim, e voltava a enxugar os copos. Sua postura estava diferente. O sorriso de costume dava lugar a uma aflição notória.

— Bom dia Wendy! Charles! – Saudei a pequena e sua companheira felina, acomodando-me em um dos bancos. Não faria o mesmo com a albina defronte. Era evidente que o dia não começara bem para ela. Ao invés disso, a questionei: – Hum... Aconteceu algo, Mira?

A pergunta reteve seus movimentos. Suspirou, demostrando um desconforto em falar sobre o que se passava. – Estou preocupada com a Lisanna. Ela não retornou ontem para casa.

— Como não voltou? – Indaguei incrédula, ficando de pé num sobressalto.

Ambas admiraram surpresas a forma como reagir. Voltei a me sentar desconcertada por ter chamado toda a atenção do ambiente (pela segunda vez em menos de dez minutos). Um sentimento de culpa se apoderando de mim.

Acredito que naquele horário tenha sido a ultima a vê-la, e sequer a convidei para dormir em prol de sua segurança. Contudo, o que teria acontecido depois que saiu de casa? Me interroguei, desconfortada no assento, olhando de esguelha.

Gray e Erza ainda se encontravam imóveis frente ao quadro de avisos desde o momento em que cheguei. O clima pesado ao redor deles era assustador.

— O-O que deu neles? – Perguntei, voltando-me para Wendy e apontando para os dois as minhas costas.

— Bom... – A palavra se estendeu por segundos, parecendo ponderar o argumento antes de proferi-lo.

— Os dois foram desclassificados do torneio pela ausência na hora da luta. – Curta e direta, a exceed branca falou no lugar da amiga.

— Charles! – Recriminou Wendy.

— Entendo! Foi por minha causa. – Baixei a vista para minhas coxas pálidas. Segundo caso que percebo ter culpa, e ainda nem são... conferi as horas no relógio de parede. Oito da manhã.

— Não pense assim, Lucy. Ficamos preocupados com você.

— E o Nats... – Parei bruscamente. Mas que diabos eu iria dizer? Lucy esqueça dele por no mínimo cinco minutos!

Wendy meneou a cabeça com um sorriso acanhado e satisfeito. Ela ficara apreensiva com nossa distância em meio à festa e bebedeira que a guilda se dispôs a fazer na noite anterior. Não sendo uma fatalidade, tudo era motivo para comemoração, e entraria no embolado se o fato não se relacionasse sobremaneira a mim.

— Lembra que a disputa dele foi duas antes da sua. Diferente da Erza e do Gray, que precisavam de mais uma luta, ele já estava classificado.

Fiquei aliviada... O que? Não deveria esta aliviada. Dois grandes amigos meus perderam devido a minha estranha atitude. Aliviada uma Ova!

Nossa atenção foi capturada e conduzida para o meu pulso, que parou com a intermitência e adquiriu um brilho intenso. Natsu estava próximo. O nervosismo tomou conta de mim. Era desanimador admitir esse sentimento nessas circunstâncias. Mas não havia qualquer outra hipótese, uma vez que agia igualmente a uma adolescente na expectativa de ver seu amado.

Mordisquei os lábios, o coração pulsando acelerado e partes do sonho retornando para acréscimo no meu desespero...

— Lucy-san...? – Wendy percebeu apreensiva minha mudança de estado.

Forcei um sorriso sem graça, não conseguindo disfarçar a inquietude. Mas não tivemos contato visual algum, ela e a Mira fitavam a entrada com a boca entreaberta e piscando como se fosse surreal o que assistiam.

Girei no banco para a direção de seus olhos e quase cai com o choque. Tive que me segurar firme para que não ocorresse um vexame desses. Como era de se esperar, o Natsu havia acabado de chegar, só não contava com sua acompanhante agarrada em seu braço, de maneira que ele se encaixava perfeitamente entre os seios.

Comprimi tão forte os lábios, que me ficaram brancos, somente para não deixa-los pender como os das duas ao meu lado e o restante da guilda em peso.

Então era desse jeito sua resolução: Afogar as magoas por ter sido "enganado" na Li... A mente estancou na primeira sílaba do nome. No caso dela, não perdeu tempo em procurá-lo depois do desafio, sem nem ouvir minha opinião a respeito. Travei a mandíbula tentando evitar a sucessão de cenas do que poderiam ter feito a noite praticamente inteira. E o maior constrangimento foi que ninguém se incomodou em disfarçar, surgindo perante todos, agarrados.

Esta ai, Mira! Sua santa irmãzinha sumida — comida encaixava-se melhor.

Nossos olhares se cruzaram, os dele abertos e suspeitos, enquanto os meus semicerrados em fúria. Ele se desvencilhou dos braços da albina mais nova, deixando-a protestando ao passo que se aproximava de mim. No entanto, não o deixei se chegar (se era que o intuito fosse de falar comigo). Ah! Eu não iria facilitar. Além do mais, não estava com humor para ouvir uma letra que fosse.

De súbito levantei, empinei o queixo e segui ligeiramente para o banheiro feminino, batendo a porta logo atrás.

Somente relaxei quando ouvi o ruído do fecho ao trancar a porta. Virei-me, recostando na madeira fria, por fim, desabando em prantos. Uma explosão de choro que trazia a superfície tudo o que guardei no âmago durante todos esses anos. Lágrimas de dor, insegurança, arrependimento, vergonha e solidão... Chorava e esbravejava como uma criança, pouco me importando se alguém ouvia.

Natsu, você me paga! Tão certas quanto o nascer do dia após uma longa noite, eram aquelas palavras em meu interior.

... ... ...

Notas finais
No próximo capítulo... “Se ela pensa que um banheiro feminino vai me impedir, está redondamente enganada. (...) Porém, sou impedido pelo choro desesperado e inconsolado, vindo da parte de dentro. Aquilo me quebrantou. Senti como se minhas forças fossem sugadas por completo, não restando ao menos a que me mantinha de pé, de maneira que tive que me apoiar na porta... (...) Luce... Natsu... Eu te odeio!” Como ficará a situação de ambos? Será que poderia piorar?