A Marca do Dragão

4 Turbilhão de sensações.


Notas iniciais
Alguns esclarecimentos. — Antes de tudo quero me desculpar. Nas notas finais do capítulo anterior informei que haveria uma conversa aberta entre Lucy e Lisanna, onde a albina revelaria detalhes sobre seu passado com o Natsu. Essa conversa acontecerá, mas não agora XD Não tive tempo o suficiente para prolongar o capítulo, encerrando no encontro entre elas. (Postagem antecipada. Domingo vou viajar!) — Continuarei com palavras japonesas em algumas falas perdidas dos personagens, porém nada predominante. — História e Estória. Vocês verão, não somente nesse capítulo, mas em toda fanfic, a utilização simultânea de ambos os termos. Não é falta de revisão, apesar dos erros pela ansiedade em postar. Quando uso estória, estou me referindo a fanfic em si por ser fictícia. Claro! O história é tratado pelo personagem, já que para ele o evento é real. — O torneio continuará em outros capítulos. Não se preocupem que os vencedores serão decididos :) Novamente agradeço, e muito, pelos comentários de novos e velhos leitores :) Dessa vez foram curtos os esclarecimentos até por que o capítulo será Light e tratei de deixar tudo bastante transparente. Mas qualquer dúvida me perguntem. Ok?! Boa leitura!

O retorno para o local onde o torneio sucedia aparentou ser bem mais longo, ao contrário de quando o percorreram a procura da companheira “fugitiva”. Havia anoitecido a cerca de minutos e nem ao menos conseguiam ver o clarear das lâmpadas do pequeno festejo, que os moradores locais juntamente a guilda, costumavam fazer para disputas como aquelas.

Mantiveram um ritmo lento a medida que seguiam o trajeto em completo silêncio. As árvores ao redor cobertas pela escuridão tomavam formas espectrais, que somando ao zunir do vento adentrando o bosque criavam um ambiente aterrorizante para Wendy. Diferente dos outros, a imagem a incomodava.

— Depois de tudo que passou, como ainda consegue ter medo do escuro? – Charles inqueriu, notando pelo estado atual da parceira.

— Na-Não é nada d-disso, Charles! – Balbuciou. – É só que... – O canto de uma coruja a interrompeu, sobressaltando-a.

— Vai entender. – A gatinha revirou os olhos.

Wendy ignorou o comentário indiferente por conhecer bem sua pequena amiga albina, mudando sua atenção para a garota do lado direito. Lucy caminhava imersa em pensamentos, de tal maneira, que só para trazê-la de volta, a jovem de longos cabelos azuis gastaria bastante saliva a chamando, preferindo deixá-la como estava.

Lucy-san...

De esguelha, Natsu acompanhava as duas amigas atrás de si. Sua ficha ainda não tinha caído, ou simplesmente estava difícil de acreditar que a Luce estranha na verdade era a garotinha que marcara na infância. Como nunca percebeu isso antes? Sem dúvida era o mais desligado do grupo, da guilda inteira levando em consideração os demais. E agora seu desatento era visivelmente comprovado!

— Drogaaa! – Reclamou, bagunçando os cabelos já revoltos.

— Natsu enlouqueceu! – Happy debochou com as patas encobrindo a boca.

— Idiota! Se continuar assim as chamas consumirão os poucos neurônios que ainda lhe restam. – Despreocupado, o mago do gelo alertou. Com as mãos para trás como apoio para a cabeça, permaneceu olhando o mar de estrelas acima. – Deve ter algum jeito para desfazer esse selo...

— Não há! – A resposta foi ríspida quanto rápida.

— A Lucy tem razão. – Infelizmente Wendy teve que concordar. Mais adiante, Gray, Natsu, Happy e Erza paravam interessados no que a jovem começara. – A marca é permanente enquanto ambos tiverem vida.

— Está querendo nos dizer, que o dragão no punho da Lucy só desaparecerá se algo fatal acontecer com Natsu? – Indagou à titânia perplexa. A concordância veio logo em seguida.

— E o mesmo se aplica ao Natsu. Os dragon slayers não podem marcar, exceto uma pessoa por vez em caso de falecimento da atual escolhida. – Concluiu Wendy.

Erza suspirou, estupefata. – Mesmo tendo esse conhecimento, não cabe a nós decidimos aqui. – Olhou para frente, avistando, enfim, os feixes de luz por entre as frestas das árvores. – Vamos! A essa altura o mestre já deve ter voltado para guilda.

... ... ...

— O quê? – Pronunciou Makarov, incrédulo.

Após chegarem a Fairy Tail evitaram, no momento, explicações que fosse vir ocupá-los, rumando diretamente para uma das salas vagas. O velho mestre não se demorou quando o pedido para uma conversa em particular foi reproduzida pelos lábios de uma Mirajane preocupada.

— Por favor, Lucy... – Pediu Erza. Havia tomado a frente para explicar o que entendeu do caso.

A maga celestial se aproximou respirando fundo antes de estender o braço. O dragão vermelho continuava reluzente, pulsante e predominante sobre a pele alva do punho, e refletia nos olhos escancarados de Makarov.

Nunca cogitou que em algum momento fosse presenciar, apesar do tanto que já viveu e testemunhou, uma cena como aquela. Nos livros vagamente relatava o aspecto, resumiam-se em esclarecimentos característicos da origem e seus efeitos sobre o doador e possuidor. Entretanto, o principal informe era que não passava de relatos imprecisos, sem confirmação de existência... Até agora!

— Como aconteceu? – Perguntou sem saber para qual dos presentes na sala olhar.

— Eu me concentrei como Igneel havia me dito e beijei o local. – Retrucou apático, virando o rosto. – Isso faz tanto tempo.

Hihihi... Risos insinuosos da parte do moreno e do felino alado chegaram aos ouvidos do salamander.

— Do quê estão caçoando? – Rosnou, encabulado.

Tanto tempo! Makarov se ateve as ultimas palavras.

— E-E quanto tempo faz? – A voz saiu entrecortada, temendo pela resposta. Embora tudo lhe estivesse sendo complicado de aceitar.

— Antes de entrar para Fairy Tail.

O velho petrificou de boca aberta. A titânia precisou sacudi-lo para que tornasse, e ainda assim, chocado. O suor se formando na testa, expondo a preocupação.

Impossível! Uma grande quantidade de magia é necessária para criar esse tipo ligação através de uma marca. Somente um dragon slayer poderoso conseguiria tal façanha, os livros evidenciavam isso já nos primeiros capítulos. Encarou descrente o garoto. Como uma criança poderia contradizer tamanho conhecimento?

Recuperou-se, limpando a garganta ruidosamente. – Precisamos alertar os membros da guilda sobre o ocorrido.

— *Nanii...? – Gritaram se prolongando na ultima silaba.

— Mestre tem certeza? – Questionou Erza.

Balançando positivamente a cabeça, prosseguiu: – Temos mais dois dragon slayers de primeira linhagem, o Laxus da segunda, entre outros como Gildarts, Gray, Freed... que podem se constituir uma ameaça para Natsu.

— Uma ameaça? – Gray se antecipou confuso.

O rosado rebatia a confusão do amigo com os ombros encolhidos.

— Não sabemos exatamente até onde vai à veracidade das informações contidas nos livros a respeito dessa marca. No entanto, ler-se o zelo cego em manter a escolhida protegida e longe do que possa representar perigo. – Explicou.

Natsu ergueu uma sobrancelha alheio a conversa.

— O Natsu pode se voltar contra nós? – Triste, Happy fitou o companheiro.

— Puf! – Bufou fazendo pouco caso das palavras do superior. – E vocês vão acreditar no que um livro velho diz? – O sorriso maroto do rosado devolveu a alegria ao exceed azul, irritando o velho com seu descaso. – Até parece que vou deixar um selo me influenciar contra meus amigos. Não é, Happy?!

— *Aye! – O gato pulou concordando.

A comum atitude otimista do salamander amenizou a situação, fazendo-os esboçar alguns sorrisos.

— Foi pela reação que o Natsu poderia ter que naquele instante você hesitou, Wendy? – Erza indagou em voz baixa, numa conversa particular entre ambas.

— Quase! – Ponderou – Puro instinto também. – Respondeu embaraçada, voltando a observar o autor da animação de todos. Será tão simples, Natsu-san...

Espero que a repercussão desse assunto demore para chegar aos ouvidos do conselho tempo suficiente para pensar numa desculpa favorável. Nem quero imaginar o impacto que causará em toda Fiore... Por que tinha que acontecer justo com a Fairy Tail? Choramingou o mestre.

... ... ...

Lucy

— Como é bem vindo um demorado banho quente após toda a confusão. – Murmurei submergindo o corpo na água levemente cheirando a jasmim. – Não é mesmo Plue? – Segurei o mascote murcho, mentalizando a palavra gracinha pela aparência do espirito celestial.

O mestre Makarov foi direto ao ponto, revelando sem hesito o segredo que há anos vinha guardando no mais completo sigilo. Tsc! Se não fosse pelo almejo a vitória, nada teria mudado, afinal. Dou um suspiro exausto, diluindo no banho morno a irritação e o desapontamento comigo mesma. O lamento em nada ajudaria.

Mas, apesar de todo o esforço, a contragosto, os pensamentos retornavam pela enésima vez ao pronunciamento do velho perante uma boa quantidade de membros. Senti o constrangimento envolver a face como se estivesse vivenciando o fato novamente: Os rostos pasmos e surpresos em nossa direção, as interrogações devido ao curto resumo da história, a malícia mal contida...

Desço um pouco mais, fazendo bolhas na água. O calor do rosto se misturando a quentura do ambiente fechado. Devo chamar a Virgo para cavar um buraco profundo, pois é só o que desejo agora: Me enterrar.

... ... ...

Resolvi sair assim que os dedos começaram a enrugar.

Por que fugiu da arena? Por que reagiu daquela forma? Por que... Por que...

— *Mooh... Fiquei desesperada achando que ele havia descoberto logo de cara. Não tive escolha! – Respondi em voz alta, farta daquele assunto. Já bastava pelo dia!

Desci o tecido molhado frente ao pijama de dormir sobre a cama.

— A Luce fala sozinha. Estranha! – Caçoou Happy.

De canto de olho vejo um Natsu confortavelmente sentado na poltrona acolchoada de tecido, que comprei há menos de seis meses, e ao seu lado um irritante exceed flutuando. – *Kyaaaaaa...!! – Gritei, puxando de volta a toalha e chutando certeiramente os dois.

— Essa doeu Luce! – Reclamou, sentando no chão enquanto massageava a área afetada.

— *Aye! – Happy imitava-o.

— Eu deveria matar os dois! O que fazem aqui? – Esbravejei, mostrando toda minha ira.

— Calma Luce! – Pediu. Uma veia pulsa notoriamente em minha testa. – Achávamos que sabia de nossa visita.

— E por qual motivo eu saberia? – Inquiri. Eles automaticamente apontaram para o dragão brilhando dessa vez intensamente no dorso de minha mão. Envergonhada a escondo. – Preciso me acostumar. – Retruquei, emburrada.

— Natsu queria conversar com você, Luce.

— Poderia ter falado antes na guilda. – Me sentei incomodada na cama por esta trajando nada além de uma toalha.

— Ele queria ficar a sós com você! – Afirmou, travesso.

— Então por que lhe trouxe? – O fiz parar para pensar. Logo, tomando as dores, correu para a janela aos prantos, me chamando de má. – Espere Happy! – O chamei. A ultima coisa do qual gostaria era ficar a sós com o Natsu.

— Todo esse tempo juntos e não me falou nada. – Nos interrompeu. Seu tom sério, acrescentado das palavras, me fazendo a culpada da história. Procurei na memória algo plausível como justificativa.

— Me baseei nos relatos a esse respeito. Era apenas uma criança quando tudo aconteceu e estava com medo, Natsu! Deduzi que o silêncio ainda seria a melhor alternativa... Sou uma covarde.— Meu subconsciente acrescentou a frase suspensa, e parecendo ouvi-la bem Natsu rebateu.

— Somos uma equipe, Luce. Confiamos uns nos outros. Não tinha do que temer, afinal, desde que nos conhecemos procurei sempre ajudá-la.

Uma autêntica tapa na cara. Senti o coração comprimir as batidas dentro do peito, a respiração falhar e o nervosismo crescer descontroladamente. Meu rosto ferveu em conclusão. O que era aquele turbilhão de sensações? O corpo tremia tanto, que se considerasse ficar de pé eventualmente despencaria no chão bem antes de ficar ereta.

Minha mente clareou numa hipótese. É isso! A marca! Ela que deve esta mexendo comigo, me confundindo.

— Não escutou nada do que o mestre disse? – Iniciei, triunfante pela voz sair firme. – Estando a marca ativada, você agiria cegamente. Eu quis evitar todo esse transtorno. – Omiti, batendo confiante no peito. Na verdade, o motivo podia ser apontado como egoísmo por eu simplesmente não querer me submeter a ele.

— Você mentiu pra mim, luce!

Novamente as sensações. Ergui-me errônea, esquivando do contato visual. – Não está me ouvindo, não é? Eu tentei evitar... – Repeti num fio de voz, até que sumiu completamente em meio a frase.

— E conseguiu? – A intensidade nos seus orbes ônix me fizeram recuar. Topando na cama, sentei em um tombo.

Engoli em seco, encurralada pelo próprio argumento. Ele balançou a cabeça em reprovação.

— Na verdade, Luce...– Fui desperta do tormento interior. – em nenhuma ocasião nos teve como companheiros. – A frase veio cortante como navalha.

N-Natsu...

— Vamos Happy! – Chamou o exceed, que até então foi ouvinte da conversa.

— *Aye! – Disse deprimido antes de acompanhá-lo.

Quando dei por mim já estavam postos à janela para saltarem. – Ao menos use a... – Ele me ignorou. – porta! – Completei para o vazio.

O observei do local por onde passara até sumir do alcance da visão. Droga! Exclamei em mente. – E é tudo culpa sua! – Dessa vez gritei para a mão direita elevada, amostrando a marca perdendo o brilho gradativamente.

Me lancei na cama de costas, colocando o braço por sobre o rosto, ficando minutos naquela posição. Desculpe Natsu, mas não estou pronta para esse sentimento, para essa realidade. Percebi o dragão clarear, piscando como um alerta. Segundos depois alguém bate na porta me fazendo pular com o susto. Segui hesitante, em passos lentos e na ponta dos pés. Abri um pequeno espaço razoável para ver quem seria e seguro o suficiente para agir caso precisasse, e de novo me espantei.

— Posso entrar Lucy? – Lisanna perguntava com um sorriso discreto.

Notas finais
No próximo capítulo... Agora sim, Lisanna resolve falar abertamente sobre seus sentimentos com a maga celestial, não deixando escapar nada do seu passado com o Dragneel. O que ela dirá para Lucy? Natsu se arrepende por ter discutido com a amiga, mas as estranhas e atuais atitudes de Lisanna o impedem de se aproximar da loira, ainda por cima criando situações completamente contrárias ao que estava verdadeiramente acontecendo entre eles - ou o que não estava acontecendo. Espero a todos no próximo ;)