A Maldição dos Céus {A Saga dos Céus}
2 O destino de uma Nação
Notas iniciais
Capitulo I
O destino de uma Nação
Observei ao longe algumas crianças que corria uma atras das outras, todos sorriam, aquilo me perturbava um pouco, talvez fosse remoço por não ter tido uma infância feliz como as delas. Minha infância apenas foi reduzida a estudos, aulas de etiqueta e postura, fui treinada a como se deveria governa um reino, sendo eu a unica filha e herdeira, a não ser que casasse-me, algo que não me dispunha. Entre todas as aulas monótomas de "Como ser uma boa Rainha", algo me satisfazia, uma pequena regalia que meu pai, Brendo, permitira-me, as aulas de arco e flecha.
No inicio fui era considerada apenas uma garota magricela que não levaria jeito para tal, que apenas perdia tempo para quilo, pois não possuía nenhum talento, ainda lembro de como os garotos que treinavam para ser futuros guerreiros riam de minhas tentativas falhas, contudo isso não tardou a mudar, depois de duas semanas com determinação consegui acerta meu primeiro alvo, e assim foi desde então, nos tempos atuais sou a melhor arqueira dentre todos os batalhões. Com um suspiro pesaroso me levantei, já faria horas que estava sentada naquele lugar apenas observando, já era hora de regressar ao castelo, provavelmente já teriam sentindo minha falto, não queria soldados emburrados procurando pela filha fugitiva do rei. Puxei o capuz de minha capa, não queria atrair a atenção dos plebeus, quando esses me reconheciam costumavam a se ajoelhar me oferecendo inúmeras oferendas, o que me deixava incomodada, sem jeito.
Segui caminho pela trilha que tinha no bosque, era um atalho para chegar ao castelo, eu entraria pelo campo de treinamento, provavelmente já teria acabado os treinamentos aquela hora. O bosque estava silencioso, os animais se recolhiam para a noite, nem mesmo os passaros continuavam com seus cantos agitados. Algumas pessoas, especialmente mulheres, teriam medo de andar sozinha ao anoitecer, mas eu sabia defender-me, o medo por ser sequestrada por ladrões ou ate violada, não era algo que me incomodava tanto assim, outras coisas me assustava mais, como a perda e a solidão. Já próxima as quadras de treinamento, essas que eu podia ver logo em cima, nas colinas, algo chamou minha atenção, era vozes humanas, contudo eu conhecia uma delas foi apenas por isso que me aproximei.
Com cuidado para não pisar em folhas secas nem gravetos consegui me por escondida em uma gruta baixa, as folhas faziam cocegas em minha nuca, ignorei. A alguns metros pude reconhecer quem falava, era Emanuel, escudeiro de meu pai, o outro homem que parecia muito um anão não me era familiar.
–Criko sabes muito bem que temos que pensar bem antes de agir, não sejamos imprudentes.- A voz de Emanuel estava seria e um tanto tremula, eu diria que ele tramava algo que apenas pensar em um possível erro, lhe amedrontava.
–Já pensamos por muito tempo, esta tudo pronto, apenas precisamos de sua confirmação para agir.- O anão gralhou um tanto irritado, parecia que eles discutiam a algum tempo.
–Esta bem, amanhã ao anoitecer, se for para entrar em ação que seja logo.- Suspirou em derrota, passou a mão pelos cabelos um pouco grisalho, e antes do anão parte acresentou.- Diga para os outros que quando acontecer não devem fazer nada a Diana, ela esta sobre minha proteção.
–Mas porque isso Lorde Emanuel?- O anão questionou com seu jeito carrancudo.
–Apenas garanta que isso ocorra, é de estrema necessidade que ela permaneça viva.
Antes que os homens dissessem algo mais me retirei de meu esconderijo, sem importa-me muito com o barulho que poderia fazer, corri para a colina, para o castelo. Não me agradara em nada aquela conversa a qual ouvi, principalmente a ultima parte sobre manter-me viva, isso soava como se muitas pessoas fossem morre em algum tipo de atentado, talvez estivessem planejando invadir o castelo, essa ideia nem de longe era sem fundamento, de certa forma estava se mostrando obvia. Entretanto o que mais perturbava-me era o fato de Emanuel ser o mandante, o porque de ele esta fazendo aquilo? Era um fato desconhecido para mim.
Desde que entrara para o exercito do rei, meu pai, ate se torna seu escudeiro Emanuel fora tratado humanamente, permitindo-se ate mesmo algumas regalias, nunca sofrera nenhuma agressão por parte do rei, ou qualquer outro que pudesse a vim colocar sua vida em risco.
O mais difícil fora subir a colina, naquele momento eu agradecia a meu pai pelas aulas de arco e flecha, arqueiros tendiam a ser mais habilidosos e rápidos, com meu corpo feminino isso tornava-se algo ainda mais simples. Ao alcançar os campos de treino, avistei um dos últimos soldados que ficara para ajeitar as armas, ele olhou-me levemente assustado por minha súbita aparição, eu estava ofegante, a barra do vestido estava suja de lama, tinha os cabelos rebeldes pela corrida, a capa caíra em algum lugar durante meu percusso. Se dando conta de meu estado o soldado deixou de lado o que fazia e veio ao meu socorro, ele guiou-me ate um dos bancos de mármores que compunha a paisagem dos campos do castelo, aceitei me sentar prontamente.
–Princesa, onde esteve? Vosso pai estas a sua procura.- O soldado se manifestou, me tratando com formalidade, pude ver sua admiração em minha relação, em seu olhar sobre mim.
Mesmo sendo um princesa, eu me sentia um espirito rebelde, não gostava de tradições, assim como não gostava que me tratassem como se eu fosse um ser divino. Afinal o único ser que deveria ser venerado, seria o proprio criador.
–Soldado não precisas tratar-me com formalidades, chamai-me de Diana.- Sorrir ao soldado para que o mesmo não se sentisse zombado, e para que tivesse confiança em minhas palavras. Quando ele acenou em concordância, voltei a me pronunciar.- Como chama-se?
–Victor Weslluse, senhora.
–Sem formalidades Victor, agora diga-me onde estas o senhor meu pai?-
Naquele momento toda minha agitação voltava, temia que se não fosse rápida o suficiente condenasse todo aquele reino a um massacre.
–O Rei estão junto as seus concelheiros na sala do trono, parece-me que estão tendo problemas com o reino do Oeste.- Informou-me.
–Agradeço por suas informações Victor, se me permite tenho assuntos a resolver, com sua licença.- Levantei fazendo uma leve reverencia ao soldado, que pareceu se incomodar levemente com meu ato, com isso segui rumo a sala do trono.
Tinha plena consciência de que invadir a sala do Rei não era algo sensato, muito menos saudável ou aconselhável, nem mesmo a senhora minha mãe, quando viva, tinha tamanha ousadia. Meus passos eram rápidos e quase inaudíveis por sua leveza, enquanto que ia pelos corredores e escadas do castelo, alguns empregados do castelos ao passarem por mim cumprimentavam, em outras situações eu pararia e os cumprimentaria adequadamente, entretanto aquele não era o momento, minha pressa e impaciência não me permitia que isso ocorresse.
Adentei o longo corredor, esse decorados com quadros, esses quadros tinha algo que demostrava todo o orgulho de uma herança, da primeira rainha Camily, ou ultimo e atual rei, Brendo, em um futuro que eu ansiava para que fosse adiado o máximo possível, no espaço vazio ao lado de meu pai e mãe futuramente teria um quadro me retratando com cores e detalhes.
Ao fim do corredor se via grandes portas duplas, essas possuía a historia do sul esculpida em detalhes, no topo estava os Asas do céu, aqueles aos quais possuíamos o sangue, como contava as lendas. Mesmo que eu gostasse das historias, eu não sabia exatamente se deveria acreditar, era contos antigos, com o tempo tendem a se modificar, ninguém poderia confirma que sua essência era real. Por fim, parei, me pus a encara aquelas portas, via Camily com uma criança com criança nos braços, ela a segurava com carinho e amor a expondo ao mundo. Meu coração batia rápido contra meu peito, em frente aquelas portas já não sabia se eu tinha tanta coragem de enfrentar todos os concelheiros e o próprio rei, mesmo sendo a herdeira invadir a sala do trono era algo que poderia vim a acarretar consequências. Todavia era melhor arca com leves consequências, como castigos onde certas regalias minhas seriam retirados a encarar todo um reino banhado em sangue de seus cidadães.
Toquei a madeira, podia sentir minhas mãos suadas, mesmo sendo considerada rebelde por alguns, nunca cheguei a infligir uma lei, mas aquela ocasião era para um bem maior. Antes que eu pudesse empurrar as portas e adentrar a sala, algo me impedia, ou melhor alguém. Me puxando com brusquidão para trás, tropecei com o ato inesperado, antes que pudesse cair a mesma pessoa que que me puxara veio e me aparou para que eu não caísse, um tanto assustada fitei aquele que me abordou, minha reação de espanto fora inevitável. Emanuel ali estava a me segurar, tinha um leve sorriso debochado em seus lábios, aquilo não era compatível com o seu perfil, não parecia ser o mesmo que conhecia.
–Acho que deixara cair sua capa ao ouvir o que não devia jovem princesa.- Ele levantou a capa para que eu pudesse ver, ali estava uma prova de minha estadia durante sua discussão com o anão, porem não era o pior, ele sabia que eu tinha conhecimento de seus planos.
–Emanuel não podes fazer nada contra mim, se tentar gritarei e logo guardas chegaram ao meu socorro. Eu exijo que solte-me!- Mantive minha voz firme e autoritária, em certo ponto as aulas para se torna uma governante não era de todo perda de tempo.
Em meu intimo eu gritava, queria corre para longe daquele homem, entretanto mantive uma postura firme.
–Como quiser minha princesa.- Pude notar certo deboche em sua voz, ele soltou-me e logo me afastei alguns passos.
–Sabes que não conseguira me impedir de contar a verdade ao meu pai.
–Que verdade minha princesa? Não tenho conhecimento sobre o que falas.
Sua voz suou inocente assim como seu olhar, e lá estava o Emanuel ao qual eu era familiarizada e que agora tinha consciência que em nenhum momento veio a ser real, ele era um claro manipulador, as pessoas acreditavam no que ele queria que acreditassem.
–Não adianta fazer-se de inocente, seu que es culpado e prontamente provarei minhas palavras.
–Como podes dizer isso, não vejo provas em suas mãos, palavras de nada vale.
–As palavras valem se verdadeiras, as palavras de uma rainha são honradas.
Emanuel sorriu audivelmente, porem nenhuma palavra dita ou ruido produzido por nós era o suficiente para que fosse escultado na sala do trono, logo depois daquelas portas as quais fitava a cada frase concluída por um de nós. O olhar do traidor voltava ser cruel, um meio sorriso se formava em sua face, ele estava confiante, mas eu não poderia me deixar abalar mais do que já estava, naquela pequena guerra de palavras poderia ser decidido o futuro de uma nação.
–Você escolhe bem suas palavras, princesa.- Ao dizer meu titulo ele o fez mais audível, como que para dar enfase.- Entretanto não es uma Rainha ainda, apenas carrega o titulo de princesa, e o pior, uma princesa rebelde. Lembre-se que em muitas ocasiões fora eu a interceder por ti, para que vosso pai a perdoasse, de certa forma suas palavras de quase nada vale.
Ele estava certo, quando eu aprontava, ou ate mesmo desagradava o rei em muitas oportunidades que me eram satisfatória e oportuna, era ele, Emanuel, que me ajudava, fazendo com que meu pai não viesse a castigar-me. Agora via que minha rebeldia não era algo para ser comemorado, mesmo que essa me proporcionasse em algumas situações bons frutos temporários, aquela não era uma dessas ocasiões. Rei Brendo se sentiria receoso em acreditar que seu tão fiel escudeiro estava prestes a trai-lo, conhecia meu pai o suficiente para afirma isso. O que faze então?
–Talvez tenhas rasão, entretanto ainda sou uma princesa, e como tal serei ouvida, estarão avisados e atentos para que mesmo não acreditando no momento possam agir no futuro.
–Pode estar certa princesa, mas eles não tem um futuro para se defenderem, nesse momento presente, meus soldados se rebelam, sorrateiramente andando nas sombras a caçar soldados cansados que se retiram a um sono ao qual não despertaram. O castelo se tornara uma fortaleza tão vulnerável quanto uma simples cabana de palha, e no fim o rei, seu pai, morrera e eu subirei ao trono, o melhor é que a tomarei como minha rainha.
Seu sorriso, ele todo em se se mostrava cruel em suas palavras. Um tremor percorreu todo o meu corpo, eu sabia que era verdade, ele não estava a mentir, então eu tinha falhado, teria que seguir submissa a alguém como Emanuel, mas isso não combinava com quem eu era, meus extintos eram outros, era o de luta. Minha mente voltou a uma lembrança passada, algo que me espirava a continuar, que eu guardaria junto a mim para todo o sempre.
Corria com alegria, sorrisos me escapavam, uma gargalhada seguida de outra, era tão bom aquela sensação de liberdade. Alguém me agarrou levantando meu pequeno corpo de criança no ar, um sorriso masculino e familiar inundou meus ouvidos. Brayam colocou-me sobre seus ombros, ele correu se jogando sobre o campo de flores onde estávamos, tivera cuidado para que eu não me machucasse, desci de suas costas e sentei a sua frente.
Fitava tudo ao meu redor com animação, aquela era a primeira vez que eu deixava o castelo, tínhamos saído escondidos, era uma especie de despedida aquele momento. Brayam partiria com o exercito no dia seguinte, ele combateria alguns desertores do Norte que estavam a destruir pequenos vilarejo nas fronteiras.
–Irmão?- Chamei-o, ele desviou seus olhos verdes tão semelhantes aos meus, me fitou com um leve sorriso.
–Sim, pequena.
–Porque tem que ir, fique por favor, não desejo que se fira nunca.-Chorei, ele enchugou minhas lagrimas.
–Diana eu serei o rei tenho que cuidar de meu povo, esse é meu dever, prometo-te que voltarei.
–Você promete?
–Sim.
Sorri ao abraça-lo, naquela época eu não sabia, mas não o veria novamente.
Pisquei algumas vezes recobrando a consciência, um aperto em meu coração fazia-me ter vontade de chorar, Brayam estava certo em algo e agora eu sabia, ele tinha que honrar seu dever, era para aquilo que ele nascera e agora que ele já não mais estava ali, cabia a mim continuar, eu defenderia meu reino, não poderia simplesmente entrega-lo. Sabia que era tarte para um ataque, do mesmo modo que tinha conhecimento que eu tinha perdido a primeira batalha, tudo a minha volta era apenas imagens borradas, como se o mundo estivesse mais lento eu vi homens vestidos de negro adentrarem a sala do trono, ouve gritos, meu pai ele não voltaria para mim como Brayam.
Eu, Diana por lei agora era a Rainha, aquele reino era meu, o deve de ambos era o meu, eu salvaria aquele reino, minha nação e lar. Ao ver que Emanuel se aproximava de mim desembainhei a pequena adaga que sempre levava comigo, escondida por baixo do tecido nobre de meu vestido, ele não notara apenas sentiu a dor quando eu fiz com que a lamina adentrasse em seu abdome, minha mão ficou manchada com seu sangue, então corri.
Os soldados inimigos como fora dada a ordem, pelo próprio mandante daquela traição, não me fizeram nenhum mal, em sua maioria me ignoravam concentrados em suas próprias lutas, contra soldados do rei, que ainda tentava resistir. O meu objetivo era um só, talvez não fosse a hora para mim aprender a acreditar em lendas, mas era o que restava-me, uma ultima esperança a segura, minha caixa de pandora. Na mais alta torre do castelo subi, as pessoas não gostavam daquele lugar, diziam ser assombrado, onde espíritos vagavam, em seus eternos lamentos.
Aquela torre fora o unicio lugar onde o tempo atingiu sem impor alterações, aquele tinha sido no passado o tumulo de Camily, seu próprio quarto, onde ela tirara sua própria vida. Já não havia mais moveis, a unica iluminação era a luz provinda da lua cheia que se erguia no céu, no fundo do comodo, mal cheiroso e úmido tinha um baú, a cadiado que deveria estar ali com o tempo se perdera.
Corri ate o mesmo, sem importa-me com sujeira ou pequenos seres desagradáveis que poderiam ter ali, se não ratos, pascei a mão sobre a fechadura do baú, ali tinha cravado o simbolo das Asas do céu. Sem mais delongas abri-o, e lá estava o que eu buscava, a ultima lembrança de Camily, eu não esperava que fosse real, entretanto estava mais uma vez enganada. Recolhi a pena branca, ela deveria ter desaparecido depois de tanto tempo, mas lá estava intacta como nas historias, a ultima lembrança de seu amor, a pena de uma águia.
–Rogo as Asas do céu que se ouvirem-me atendam meu pedido.-Fechei meus olhos, a brisa noturna adentrava pelas janelas da torre, minha ultima esperança.- Me leve daqui, talvez possa parecer um ato de covardia fugir, entretanto não é essa minha intenção, eu peço uma chance para reconquistar meu reino, dar paz ao meu pai e irmão que lutou para protege-lo. Irei reergue minha nação das cinzas, se necessário. Atendam-me.
Eu esperei, nada aconteceu, talvez eu estivesse errada, acreditar em lendas era para ignorantes, iludidos que preferiam acreditar em uma fantasia a uma realidade cruel, lendas no fim das contas era lendas. Pensamentos dignos daqueles sem crença, o meu mundo girou, senti como se garras me agarrassem, me levando pelo ar, o som de uma águia que se formulou como palavras em minha mente "Seu pedido foi aceito".
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