A Maldição do Faraó
13 Capítulo XIII ― Sucumbir... Ou quase
Notas iniciais
Capítulo XIII
Sucumbir
(ou quase)
Quando o que parecia a voz Sakura ecoou pelo corredor, Naruto parou e olhou para trás, na direção das escadas e manteve-se em silêncio e imóvel, tentando ouvir melhor, até voltar sua atenção para seu caminho inicial para a porta de seu amigo Howard Carter.
Porém, ouviu novamente o tom feminino preocupado e franziu as sobrancelhas, apressando-se até o começo dos degraus para atentar melhor para o que ouvia. Não foi possível distinguir bem o que a amiga de infância dizia, mas parecia frustrada e conseguiu ver um pouco da recepção, da posição em que estava, vendo só as pernas da Haruno ― reconhecia pela roupa ―, que dava passos de um lado para outro até sumir de sua visão.
Levantou, contraindo mais o cenho. Então, correu para o quarto de Carter e bateu a mão aberta com força na porta.
― H.C!
― O que foi? ― fez o homem, revelando-se, com o cabelo e a camisa desarrumados, como se estivesse jogado na cama, tentando dormir rapidamente e assim espantar o álcool da cabeça.
― Sakura-chan está chamando, ela queria conversar, mas acho que alguma coisa tá acontecendo agora ― contou, apontando para as escadas. ― Tá ouvindo a voz dela?
― Vamos verificar ― concordou Carter, empurrando os fios de cabelo para trás, para ficar mais apresentável, e fechou a porta do quarto. Ao mesmo tempo, outra porta foi aberta no corredor, e a cabeça de Evelin apareceu, com a expressão curiosa.
― O que está acontecendo?
― Sakura-chan ― disse Naruto, sem maior esclarecimento. ― Vamos ver o que está acontecendo.
A jovem fez um gesto com a cabeça e logo fechava a porta de seu próprio quarto alugado, seguindo os dois homens. Estava mais apresentável que Carter, sem dúvidas, mas parecia mais bem cuidada, como se estivesse no meio de se arrumar para um passeio.
Naruto estancou no meio do caminho, logo depois de passarem por aquela porta amaldiçoada onde Sasuke se escondia. Os outros dois não pareceram notar sua ausência imediatamente, então só voltou a acompanhá-los com o passo apressado para alcançá-los, como se nada tivesse acontecido, mas quando Evelin e Howard começaram a descer as escadas, mais atentos a discussão que Sakura liderava lá embaixo, o Uzumaki novamente se fez parar, olhando de fuça emburrada para trás.
Novamente, se pôs a frente da porta de Sasuke e analisou ela de cima a baixo até revirar os olhos, resmungar e levantar o pulso fechado, socando a porta três vezes.
― Sasuke, eu não sei se você tá me escutando, mas ‘to aqui só pra te avisar que é pra descer. Tá acontecendo alguma coisa lá embaixo e Sakura-chan quer conversar com todo mundo, até você, então... ― fez uma pausa, ainda não ouvindo nada lá de dentro. Ficou apreensivo, de repente; teria o filho da mãe fugido?
― Só avisando... Viu?
Aumentou o volume da voz e por alguns segundos ainda não ouviu nada, quase o levando a atitudes bruscas, como chutar a porta abaixo, derrubando-a, mas repentinamente, a maçaneta girou, e Naruto sobressaltou.
Quando a porta foi aberta, mal conseguiu processar a imagem de Sasuke antes que ele agarrasse seu antebraço com brutalidade, forçando-o para dentro do quarto. A porta voltou a fechar atrás de si e Naruto viu-se em um cenário familiar entre a madeira em suas costas e Sasuke a sua frente.
O Uchiha olhava-o com tormento nos olhos negros e vestia uma camisa escura frouxa no corpo, molhada nos ombros pelo escorrer da água de seu cabelo. Tirando isso, o cheiro fresco também denunciava que o homem acabara de sair do banho.
Naruto devolveu o olhar com apreensão. Sasuke não soltara seu braço e a pele por baixo do toque pinicava, e os dois seguraram a posição por vários segundos até que o Uzumaki deu um passo entre eles.
As visões não o confundiam como antes e tinha, por algum motivo, a segurança de que elas não se sobressairiam à realidade, mas conseguia lembrar bem a imagem de Sasuke, mais queimado, com o cabelo mais curto, porém o mesmo martírio nos olhos. O mesmo martírio que o pôs quando tentou-o dentro de um daqueles palácios milenares que tanto gostou de estudar entre seu gosto por história e arqueologia.
― Sasuke...?
O Uchiha também se lembrava. Lembrava-se dos olhos límpidos, de longe quando os notou pela primeira vez, e de perto quando o homem invadiu seu espaço pessoal com um sorriso tentador. E agora, os orbes estavam escuras pela luz do fim da tarde e a falta de iluminação de seu quarto.
E assim como há três mil anos, foi Naruto que não se segurou, que deu o primeiro passo e fez a primeira investida.
Os lábios do loiro encostaram-se aos pálidos e petrificados lábios de Sasuke vagarosamente em um movimento convidativo. O Uchiha firmou seus dedos ao redor do braço de Naruto, que ainda estava há um passo, apenas o torso mais próximo, como se ainda experimentasse a situação. Sasuke viu de perto, através dos olhos entreabertos, as cicatrizes do rosto de Naruto, seus lábios entreabertos e as pálpebras fechadas em entrega.
~x~
Sakura viu quando o pintor saiu com passos lentos pela tangente enquanto conversava com a recepcionista. Nem ao menos despediu-se, apreensivo de acabar no meio de uma confusão que pouco tinha a ver.
― Desculpe, Srta. Haruno ― contava a moça da recepção atraindo o olhar preocupado da mulher. ― Mas não teve nenhum aviso da sua parte, e nem autorização para que seguisse pintando as paredes do hotel.
― A outra recepcionista certamente estava ciente das minhas ações. E eu tenho autorização, eu estou aqui em nome das autoridades das antiguidades do Egito.
― Eu sei, senhorita, eu só não sei o que isso pode significar aqui...
― Senhorita Haruno ― Sakura olhou para Carter e Evelin se aproximando para seu lado. ― O que está acontecendo?
Ela passou a mão na testa, talvez agora teria algumas pessoas que entenderiam a situação melhor e se desesperassem com ela.
Evelin não deixou de ver um homem desviando-se em seu traje, levando alguns baldes de tinta.
― Bem, eles tiraram da parede o nosso pequeno projeto ― ela contou.
A reação de olhos arregalados e lábios partindo-se foi instantânea nos dois.
― Mas como... ― Carter olhou para a recepcionista prestando atenção neles, e chamou as moças para se afastar um pouco. ― Achei que tinha autoridade, Srta. Haruno.
― Não é bem assim que funciona ― contou Sakura, olhando por cima do ombro, para a mulher. Ela tentou fazer a mente dela que sim, tinha autoridade, acontece que não caiu bem para a recepcionista, e logo teria que falar com o gerente, tinha certeza. ― Me desculpem, eu acabei embaralhada em tudo e não avisei ninguém do hotel, e confundiram tudo, mas agora não importa mais, porque os símbolos se foram.
― O monstro pode estar a caminho nesse instante! ― sussurrou exasperada Lady Evelin e Howard olhou para o portão de entrada e por sobre os ombros, quase dando uma volta de 360 graus, só para ter certeza que Tut ainda não chegara e os rodeava.
― Para colocarmos de volta, teria que falar com pelo menos o gerente e isso pode vir a demorar, e... ― a Haruno deu de ombros quase em conformidade.
― Bem, Tut não apareceu até agora, pode ser um bom sinal? ― sugeriu Carter. ― Nós não o vemos há tanto que ele pode muito bem ter voltado a cair morto, não pode?
As mulheres apenas descansaram os olhares no rosto de Carter e foi sua vez de dar de ombros. Era uma ideia interessante.
Então, o olhar de Sakura mudou, e a mulher levantou o rosto com uma ruga formando-se entre as sobrancelhas.
― Eu acho que não ― ela disse. ― Você lembra de Sai? O... homem que nos ajudou ― ela lançou um olhar para Evelin. ― Ele foi me procurar, sr. Carter, diz que viu alguns de seus ajudantes saindo do hotel.
― O quê? Eles não podem sair.
― Nós sabemos ― esclareceu Evelin.
― E agora que disse da inatividade da múmia, tive a impressão que talvez tenha a ver com ela ― comentou Sakura.
Os dois voltaram os olhares, interessados.
― Ela pode ter atraído os homens, ela estava atrás deles―
Subitamente, interrompeu-se com o olhar preso em algum ponto atrás da cabeça de Howard, e ele e Evelin se viraram para um homem que descia as escadas.
Estava vestido em roupas simples de pijama, os olhos estavam neutros e caídos, e o olhar reto, como se estivesse em transe e Carter abriu a boca em surpresa.
― Juan! ― ele chamou para um de seus ajudantes estrangeiros na escavação, mas ele não lhe deu atenção, passando direto por eles até a saída.
~x~
No instante seguinte, a distância entre Sasuke e Naruto voltou a aumentar e eles encaram-se quase sem fôlego, como se um toque de lábios fosse o equivalente a uma maratona de escalada em uma alta montanha.
― O que aconteceu...? ― perguntou Naruto.
Sasuke não respondeu, não parecia estar disposto a liberar uma palavra da boca desde que seu corpo agiu em um impulso, trazendo Naruto para dentro de seu quarto.
― Sasuke... Por que me puxou para seu quarto?
O olhar dos dois pareceu descer para os lábios um do outro até subir novamente para os olhos, ao mesmo tempo, e as bochechas deles rosaram.
― Sasuke...?
― Eu não sei, Naruto! ― Sasuke exasperou.
Naruto comprimiu os lábios, encarando-o com olhos incertos.
O olhar foi sustentado por pouco tempo, pouco tempo esse que não os permitiu cair em ideias que os fariam fugir novamente, e assim os dois aproximaram-se simultaneamente em um rompante que fez os corpos colidir e os lábios encontrarem-se novamente.
Naruto agarrou os fios de cabelos de Sasuke, enquanto abria os lábios para ele, que enfiou os dedos na camisa do loiro, amassando-a e trazendo-o mais perto, ao mesmo tempo que as pernas dos dois enroscavam-se ao seguirem com passos cambaleantes até a porta, onde Naruto sentiu seu corpo ser comprimido, mal dando para que respirasse uma única palavra de aviso.
O beijo foi quebrado por um instante único que pudessem recuperar o ar, mas logo o arqueólogo e o jornalista puxavam-se um para o outro, seus lábios deslizavam e suas línguas se encontraram de modo intenso mais uma vez, em sucessões.
As vestes de Naruto subiram, revelando seu abdômen quando Sasuke o puxou pela cintura, através da camisa, quase enrolando-a na própria mão, sufocando ainda mais o loiro, porém não o suficiente para ele que quisesse parar, e sim, apenas sucumbir com mais vontade àquele calor que parecia não só refletir das superfícies em que o sol batia, mas também nascer entre eles, na fricção de seus corpos. E apesar da quentura, nenhum carregava, no momento, suficiente sanidade para se afastar.
Naruto também agarrou-se a peça de roupa do Uchiha nos ombros, apertando em punhos, levantando-a pelas costas de Sasuke, e os dois homens deram outra pausa cheia de fôlegos, em que o agarre um no outro não diminuiu, e os lábios se roçavam, mas agora olhavam-se de perto. Os olhos do Uzumaki estavam ainda mais enegrecidos, com as pálpebras semi-abertas.
Sasuke possuía um brilho predatório nos olhos, com uma marca clara de desejo tão claro quanto aquele que estava estampado no olhar do amante.
Naruto puxou-o novamente para os lábios, sem devidamente recuperar a respiração pesada, porém havia uma urgência na qual ele não podia se conter. Bateu novamente com as costas na porta e provavelmente se alguém estivesse do outro lado, não acharia de todo normal, pois fez um barulho oco perceptível e a porta tremeu, mas mesmo que alguém chamasse, certamente os dois não ouviriam.
~x~
― O que ele está fazendo? ― perguntou Carter quando o escavador alcançou a saída.
― Ele não parece estar muito normal não ― comentou Evelin.
Sakura captou os olhos da recepcionista que olhava seu grupo com desconfiança e balançou a cabeça, tentando que alguma ideia caísse em sua mente para que pudesse lidar com o problema. Mas por enquanto, fez um sinal para os dois companheiros e eles a seguiram até a porta do hotel, por onde o homem de Carter acabara de sumir.
Os olhos dos três vasculharam o ambiente de fora, até mesmo o caminho até a cidade, logo a frente, mas o escavador havia simplesmente sumido, como se fosse uma ilusão sua passagem por aquela porta há instantes.
Quando deram um passo para fora, vasculhando os lados, Evelin soltou uma exclamação aguda em surpresa e Howard e Sakura voltaram-se para a sua esquerda, o par de olhos esbugalhando-se em choque quando parecendo nada mais que um homem normal, Tutankhamun os cumprimentou com seus olhos negros e duros.
~x~
Naruto deu um passo na direção do Uchiha, forçando-o para trás e acompanhando-o ao mesmo tempo, enquanto os dois novamente respiravam na boca um do outro, em busca de fôlego. O loiro deu um selinho demorado em Sasuke, e depois outro, e outro... E então descia os lábios, beijando o maxilar tenso, o pescoço pálido, a clavícula...
Sasuke suspirou, voltando a beijá-lo e novamente assustando algum hóspede que passava ao lado de seu quarto, com o estrondo contra a porta. O Uzumaki retribuiu o beijo, porém soltou um grunhindo, quase sorrindo.
― Assim você vai me quebrar ― ele disse em um tom de voz baixo, rouco e com uma intimidade que fez Sasuke estremecer, em um conflito entre pensamentos de “o que estou fazendo?” com “eu não consigo parar”.
E assustou-se ainda mais quando a resposta mental para as palavras de Naruto foi algo na linha de “você não reclamou das outras vezes”.
Balançou a cabeça, atritando levemente sua testa contra a de Naruto que o olhou com atenção com os olhos neutros e os lábios inchados, até fechar as pálpebras e roçar os lábios nos de Sasuke, novamente.
Quando voltaram a se beijar, o Uzumaki novamente avançou, forçando Sasuke a recuar, mas dessa vez não parou, fazendo com que os homens tentassem encontrar seu caminho e equilíbrio pelo chão, com passos desajeitados, enquanto o Uchiha sentia as mãos de Naruto tentando abrir sua camisa pelos botões ― ele não parecia levar muito jeito ―, ao mesmo tempo que percebia que ele mesmo já havia desfeito pelo menos dois botões de baixo da camisa do loiro, apenas com seus apertos e agarres.
Quando sentiu a perna bater contra a madeira da cama, parou, porém Naruto, que agora já estava lá pelo terceiro botão, impôs mais seu peso, quase desequilibrando Sasuke. Então, o moreno estancou, o beijo sendo interrompido com um estalo e Naruto o olhou. O Uchiha virou-o, deixando o loiro com as costas para a cama, e quando o loiro sentiu as pernas bater na madeira, deixou-se cair, e Sasuke o acompanhou e os dois, primeiramente, assumiram uma posição estranha, as pernas entrelaçadas, os braços um no outro, os peitos juntos.
Naruto aconchegou-se da melhor maneira no colchão meio duro do hotel, e empurrou Sasuke com o beijo, forçando-o novamente a recuar o corpo e no movimento que os fez trocar de posição, eles também atritaram as ereções, de modo breve, o que deixou a sensação queimante de “só isso não é suficiente” e os homens tentaram manter a fricção de modo feroz.
Naruto soltou um grunhido abrindo os olhos lentamente para Sasuke que não conteve apoiar-se no cotovelo para levantar o rosto e poder aproximar-se da bela imagem, capturando seus lábios, mas antes que sua boca ganhasse os centímetros até a de Naruto, um barulho de um grito estridente, de pânico, cortou a fina bolha em que os dois construíram ao seu redor.
O Uzumaki arregalou os olhos e o susto fez o coração dos dois acelerar ainda mais. Olharam pela janela aberta de onde identificaram ser a fonte do barulho, mas só dava para ver o sol caindo no horizonte. Naruto levantou-se, ainda uma bagunça, fisicamente e espiritualmente, porém carregava uma expressão preocupada, e Sasuke apoiou-se nas mãos, levantando enquanto o outro já estava na janela, arregalando os olhos.
― Oh, merda... ― ele sussurrou e o Uchiha apressou até lá, apoiando-se ao lado do loiro. Lá embaixo, conseguiu distinguir o cabelo rosado de Sakura de familiar, que logo desapareceu para dentro do hotel, enquanto nada menos que Tutankhamun avançava porta adentro, vestido apenas de um saiote amarelado, mostrando muito bem sua pele jovem, com a aparência que tivera em seus últimos momentos de faraó.
Uma mulher, talvez dona do grito que os alertou, corria em direção oposta à cena, para a cidade, e Sasuke também notou um corpo caído, de um homem, logo aos pés da ex-múmia. Sua memória dizia que era um trabalhador de Carter.
― É Tutankhamun? ― perguntou Naruto. ― Como que ele... Como ele... Por que ele tá parecendo um ser humano?
Os dois observaram quando ele dando passos longos, entrou para o hotel, conseguindo atravessar alguma barreira que deveria estar ali
― O quê? ― fez Naruto, esticando-se para fora da janela, para conseguir observar melhor e ver se realmente ele tinha entrado. ― Como ele entrou? Não tava...?
Sasuke engoliu em seco, olhando para sua porta, esperando logo a visita do cara que provavelmente era o que mais o odiava no mundo.
― Merda ― xingou Naruto, batendo no batente da janela e voltando-se para a porta do quarto. Sasuke o seguiu, abotoando sua camisa, enquanto Naruto abria a porta, também arrumando as roupas.
Quando tentou passar, Naruto pôs-se a sua frente, encostando a porta, com um olhar preocupado.
― Sasuke...
Os homens passaram bons segundos encarando-se em total compreensão do sentimento de insegurança e preocupação, as bochechas rosadas talvez de vergonha, mas sabiam que não era o momento de correrem em direção oposta um do outro negando a cena anterior.
No entanto, Naruto avançou e capturou outro beijo de Sasuke, que não recuou, apesar do pensamento imediato que aquilo não era hora disso.
Quando o Uzumaki afastou-se, saindo e fechando a porta atrás de si, o moreno franziu o cenho. Ouviu o barulho da chave, trancando-o ali dentro, e foi quando percebeu a ausência da chave de seu quarto na fechadura do lado de dentro. Naruto estava impedindo-o de sair.
― Naruto? ― sua voz saiu com um peso de dúvida, enquanto tentava abrir a porta. ― Naruto! ― bateu na madeira, com um tiquinho a menos de paciência e fazendo força na maçaneta.
~x~
Um passo que Tutankhamun dava para dentro do hotel, era um passo de Sakura, Evelin e Carter para trás. A recepcionista tinha corrido de volta a proteção de seu balcão, olhando aterrorizada para o novo visitante. Tinha visto com os próprios olhos quando um homem caíra no chão, imóvel depois que este que entrava agora sugara algo dele com uma grande tranquilidade. Pareceu uma névoa branca saindo do homem inconsciente para o outro e foi o bastante para saber que precisava se esconder.
Havia uma pequena plateia atraída pelo grito de outra mulher que também presenciara o acontecimento, mas que foi esperta para correr para longe dali; Duas pessoas estavam na escada, pararam a caminho de seus quartos e algumas outras espiavam para fora do restaurante com olhares curiosos para o homem que andava como se fosse o dono do local, cobrindo apenas as partes íntimas.
Sakura prendeu a respiração quando Tutankhamun veio em sua direção, mas seus olhos eram vidrados e não sabia se ele olhava para si. Porém, o homem passou ao seu lado, alcançando na verdade a porta de seus aposentos e abriu-a apenas com um toque, o olhar passando por seus pertences, como se estivesse à procura de algo.
Então, todos os olhares voltaram para a escada, onde alguém descia com passos pesados, às vezes pulando mais de um degrau na descida, como se quisesse fazer todo aquele barulho. Isso atraiu a atenção também de Tutankhamun e ele curvou a cabeça levemente, depois arrumando a posição altiva enquanto caminhava até Naruto, parado a dois degraus do chão, ofegante.
― Naruto! ― repreendeu Carter, apavorado com a possibilidade do que poderia acontecer agora.
O Uzumaki levantou as mãos como se dissesse que sabia o que fazia. Seu olhar em dúvida da própria ação o contrariava.
― Eu vim para conversar ― ele disse. Não sabia se se explicava para Carter ou se tentava começar uma discussão amigável com Tutankhamun.
O ex-faraó não pareceu interessado, no entanto, caminhando até si com um olhar elevado, os lábios abriram aos poucos em um sorriso e ele parecia determinado no que sabe-se lá o que veio fazer. Provavelmente não se hospedar, pensou Naruto.
― Está louco? ― sussurrou Carter exasperado, calando-se quando Tutankhamun passou por si.
― Acho que podemos resolver isso. Ele não me parece querer machucar ninguém daqui ― disse, pensando se seria diferente caso Sasuke estivesse ali. ― Tutankhamun... Nós podemos...
Interrompendo-o, o homem agora há menos de um metro, soltou palavras calmas, porém em alto volume, sendo possível que todos ouvissem. Mas ele falava em sua língua materna e Naruto fez uma careta.
― Eu acabei desaprendendo isso aí no pós-vida ― ele informou. ― Eu não sei―
Deu um passo pra trás apressado, quase caindo no degrau atrás de si, quando Tutankhamun esticou a mão lentamente. Howard reagiu, correndo até o amigo, mas o homem que tanto procurara na sua vida, esticou a outra mão, encostando no seu peito, antes que pudesse tentar qualquer coisa e foi lançado, batendo as costas em um pilar, resmungando pela dor grave. Houveram exclamações de susto e as pessoas pareceram perceber ali que aquele homem não era alguém para se meter.
― H...!
Naruto exclamou, fazendo menção de ir até o amigo, mas antes que pudesse ao menos notar, Tutankhamun tinha a mão em sua testa, fazendo sua visão embaçar e sua consciência esvair.
Evelin correu até Carter que ainda choramingava.
― Aparentemente... ― ainda tentou o homem, com a voz baixa e cortada, em dor. ― Ele não é humano mesmo.
Quando levantou os olhos, Tutankhamun já estava de saída da sua visita, carregando Naruto no ombro.
~x~
Sasuke bateu mais uma vez na porta, com força. Qualquer coisa podia estar acontecendo lá embaixo e ali estava ele, como se fosse um covarde, ainda que Naruto tenha forçado a situação.
Tinha parado e tentado ouvir o que poderia estar acontecendo, e ouviu murmúrios tensos e voltou a socar a madeira quando tudo ficou silencioso.
Uma sensação estranha tomou conta de si e espiou sua janela, caminhando até lá com passos incertos. Quando olhou para a entrada do hotel, tudo pareceu calmo por instantes, até Tutankhamun aparecer.
Ele estava indo embora, como um homem bem satisfeito com o desenrolar de uma reunião de negócios. Carregava um homem loiro que muito bem conhecia, jogado no ombro. Naruto parecia desacordado e sua garganta travou com a possibilidade do que aquilo poderia significar e foi capaz apenas de observar até que eles sumissem pela lateral do hotel, em direção ao deserto.
~x~
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