A Maldição do Faraó
12 Capítulo XII ― Negação
Notas iniciais
Capítulo XII
Negação
Quando Naruto abriu os olhos, foi instantâneo seu desejo de fechá-los novamente e talvez fingir-se de morto. Sabia que tinha os olhos atentos de Sakura e Howard em cima de si e ao mirar seus rostos, o amigo estava com os olhos bem abertos em uma expressão paralisada de surpresa. A Haruno tinha as bochechas rosadas e o loiro gostaria de poder ser capaz de morrer ao cair da cama, porque a certeza de que as coisas que sonhara – e sentira vividamente, também – havia saído de seus lábios, o expondo de uma maneira que nunca imaginou que o envergonharia tanto.
― Eu... vou para o meu quarto ― avisou murmurando para o chão, enquanto arrastava-se, como uma cobra.
― Naruto, saia do chão ― Sakura interviu, dando um tapinha nas suas costas. ― Você não vai chegar ao seu quarto desse jeito.
― Um dia eu chego ― ainda sussurrou, mas logo levantou-se, passando a mão pelas roupas e endireitando-se, mudando sua postura.
Olhou diretamente para os dois presentes no ambiente e, então, em um movimento mecânico, virou-se para a porta e saiu com passos lentos e a cabeça levantada, como quem não tem algo para envergonhar-se, porém ao sair, quase desfaleceu esfregando as mãos no rosto.
Quando a porta fechou-se, Carter olhou para a Haruno e comprimiu os lábios em uma expressão como se quisesse passar como um evento casual, talvez fazer um comentário neutro.
― Foi uma boa sessão ― ele tentou e Sakura o olhou. ― Meu amigo tinha o jornalista como amante e Tut voltou para pegá-lo de volta.
Sakura suspirou, soltando uma risada frustrada.
― É o que parece.
~x~
Naruto subiu as escadas esfregando os olhos, a boca, os cabelos. Estava uma zona fisicamente e espiritualmente, e pensou em todas as escolhas erradas da sua vida começando por se envolver na escavação de Carter. Ou, na verdade, envolver-se com certo cara há alguns anos atrás, pensou balançando a cabeça.
Quando levantou os olhos, a porta do quarto de Lady Evelin abria, e a moça não passou por ela, mas sim o homem que a partir de agora, o aterrorizava ainda mais de quando beijaram-se sem um pingo de racionalidade.
Sasuke o avistou assim que saiu e os dois pararam frente a frente, com alguns metros entre eles. Então, quando Naruto deu um passo para sua direita, Sasuke fez o mesmo e os dois movimentaram-se lentamente em um semicírculo, os olhos conectados, mas as expressões em uma mistura de incredibilidade velada com desafio; desafiavam-se a falar qualquer coisa.
Nenhum ganhou, pois tampouco os dois sentiram a maçaneta de seus respectivos quartos, abriram, dando-se as costas e fechando a porta novamente.
Sasuke a trancou e Naruto demorou alguns segundos, mas voltou a abrir lentamente, espiando para o corredor, para checar se o outro homem havia mesmo entrado em seu quarto.
~x~
Evelin teve algumas boas reações para o monólogo que havia feito Sasuke, ao adormecer com suas palavras. Não sabia qual esboçava quando ele abriu os olhos, voltando ao presente e olhando-a com um rosto tenso. Nenhuma palavra saiu de nenhum dos dois e ele saiu de seu quarto tão logo acordou.
A moça balançou a cabeça, dando pulinhos apressados até a porta e voltando a abri-la, espiando Sasuke voltar ao seu quarto e logo Naruto apareceu e foi um acontecimento estranho que eles se evitaram até seus respectivos quartos e ela deu uma olhada para trás para ver se alguém testemunhara aquilo.
― Esses dois... ― ela sussurrou.
Depois, fechou a porta de seu próprio quarto e foi atrás de Sakura, encontrando-a no corredor, as duas em caminhos opostos. Carter estava junto e cumprimentou-a, mas logo deixou as mulheres, dizendo que ouviria de Lady Evelin logo mais.
Elas então encaminharam-se de volta até o quarto de Sakura depois de alguns murmúrios no restaurante.
― Quem poderia imaginar... ― começou a filha de Carnarvon a dizer quando entraram, mas logo estancou a voz.
Atrás da mesa da senhorita Haruno, estava o tal homem que já vira algumas vezes perto de Howard.
Sakura fechou a porta, encarando o homem.
― O que está fazendo, lhe dei permissão para entrar em meus aposentos?
― Não ― ele sorriu brevemente e em sua mão havia os escritos que pegaram do museu há alguns dias, depois de um encontro infortúnio com o morto-vivo.
Sai depositou o papel cuidadosamente novamente na mesa e olhou para as mulheres.
― Desculpem, mas eu me vejo bem aborrecido por aqui ― ele contou. ― Sr. Carter pediu para que ficasse, eu não recebi ainda por meus serviços e estou parado neste hotel por nada, vendo-as correr para cá e para lá.
Sakura cruzou os braços esperando que ele terminasse, os olhos neutros.
― Se vocês pudessem, gostaria de saber o que exatamente está acontecendo.
― Você não viu o monstro? ― perguntou Sakura.
“Viu o monstro?” Perguntou-se Evelin.
― Vi bem ― ele concordou. ― E já que sr. Carter espera que eu me envolva, eu acho que posso saber o que está acontecendo.
Evelin passou os olhos pelo homem, que vestia-se com roupas simples e escuras e ao redor do quadril tinha preso um coldre discreto carregado de duas pistolas.
― Estamos tentando achar um jeito de acabar com o tal monstro.
Sai rodeou a mesa, sentando-se cuidadosamente na borda, de frente para Sakura e Evelin, cruzando os braços.
― Contem-me mais, por favor.
~x~
Foi com uma postura ereta e a expressão fechada e desafiante, que Naruto deu três batidas fortes na porta de Sasuke, ouvindo imediatamente um longo suspiro, nada discreto, vindo lá de dentro.
“Maldito”, xingou para si mesmo com um sorriso indignado.
Ouviu ainda alguns barulhos, como se Sasuke estivesse ajeitando seja lá o que mexia no momento, e então a porta abriu-se revelando aquela expressão séria e irritante, como costumava pensar Naruto.
Logo que abriu a porta, Sasuke teve a impressão de não ter visto até aquele momento uma expressão tão séria no rosto de Naruto – nessa vida, pelo menos – e talvez por essa cautela, foi a primeira vez também que não teve ímpetos de fingir-se invisível ou fugir dele de alguma maneira. Porém ele provavelmente também não estava ali para comentar o tempo, então manteve-se cuidadoso.
― Sasuke... ― o Uzumaki começou, incerto de suas próprias palavras, como elas poderiam sair de seus lábios.
Vasculhou os lados com os olhos, em um costume que adquirira por esses dias, vivendo naquele pequeno hotel, e então entrou no quarto sem convite, mas com uma distância segura. Ficou ao lado da porta, que Sasuke encostara, olhando-a desconfiado como se ela pudesse desencadear quaisquer outros momentos constrangedores.
― Olha, Sasuke, eu não... ― cortou-se, passando a mão na testa, e então começou a gesticular, e o Uchiha levantou a sobrancelha para os gestos.
Naruto parecia bem um lunático, movimentando os braços e olhando para os cantos e para o outro, nunca para si, já que olhares poderiam ser perigosos para a realidade dos dois. Mas parecia falar com outra pessoa e não com aquele em sua frente.
― Eu não gosto de homens, ok? ― desembuchou. ― Mesmo que eu tenha nessa outra vida aí, nessa aqui, como Naruto, como Uzumaki Naruto, eu não gosto de homens, nem um pouquinho ― fez com os dedos.
Naruto levantou os olhos cautelosamente e bem rapidamente, por baixo das sobrancelhas. Sasuke tinha agora as sobrancelhas juntas, em uma expressão de concentração, como se medisse as palavras do loiro, e a proximidade entre os dois parecia ter diminuído sem que tivessem realmente consciência, mas nenhum se afastou.
― Sempre fui um cara das mulheres ― sorriu convicto e o peito estufou-se um pouco. Experiências de sedutor, Naruto tinha pouquíssimas, mas Sasuke não sabia disso e com essa vantagem, procurou convencer-se também.
― Pode perguntar para a Sakura-chan, quando estudávamos juntos, eu até gostava dela. Então, eu não sou―
Pareceu perceber a proximidade ainda maior que seu corpo chegou do de Sasuke, uma proximidade quase repentina e sentia-se um boneco de corda, em que alguém mexia e lá estava ele movendo-se sem saber. A proximidade era familiar e confortante, e não queria sentir-se assim com um homem que, pelo menos, no presente, conhecera há poucos dias.
― Eu não gosto de homens ― completou em um sussurro, não sentindo mais capacidade para desviar o olhar do rosto pálido. Sasuke conseguiu sentir as palavras baterem em seu rosto.
― Eu também não ― respondeu o Uchiha, compenetrado. Sua voz possuía aquele característico tom enfadonho, mas com um quê áspero que fez Naruto encontrar seus olhos por instantes.
― Bom... ― O Uzumaki começou, mexendo-se e saindo daquela zona. ― Que bom que esclarecemos isso.
Sasuke afastou-se sem olhá-lo e Naruto usou o espaço para conseguir abrir a porta e sair dali.
~x~
Evelin sentava ereta em uma das cadeiras de madeira da senhorita Haruno, com os braços cruzados no peito e o pescoço longo, com os olhos atentos naquele homem de postura despreocupada e expressão neutra, enquanto Sakura lhe contava algumas dos desafios que passavam, falando até mesmo das sessões com dois de seus companheiros e sua história.
Sai não parecia surpreso por nenhuma palavra.
― E conseguiram? ― ele perguntou para Sakura, que o olhou com cautela.
― O quê?
― Disseram que estavam atrás de saber sobre esse passado dos senhores para ter algo para parar a múmia. Conseguiram?
Sakura deu um passo para trás e Lady Evelin mordeu os lábios, olhando-a.
― Ainda não, mas foi recente. Precisamos... precisamos pensar.
O homem meneou a cabeça.
― Eu posso ajudá-las, mas precisa ser em tempo curto e com o dinheiro garantido de senhor Carter, que já me deve ― ele lembrou novamente.
Sakura concordou com a cabeça impacientemente.
― E os escavadores? ― Sai perguntou calmamente, atraindo os olhares hesitantes das mulheres.
~x~
Carter esticou os braços andando por entre as mesas do restaurante e soltou um bocejo discreto. Não estava exatamente com o sono em dia... Tut tirava o seu sono, mas agora não por aquela ansiedade boa por achar que tinha uma pista ou que estava próximo de encontrá-lo.
Acabou que Howard o encontrou, mas agora precisava fazê-lo voltar ao caixão para que pudesse continuar com sua descoberta de sucesso. Pesava, às vezes, que talvez não devesse se meter com aquilo, para começo de conversa. Cheio de dívidas, com um financiador aproveitador e falso, mas que estava morto e deixou uma filha para trás, com Carter, e claro, agora uma maldição... Mas fez uma careta, balançando a cabeça.
Besteira, Tut era sua glória, se não o despertasse, seria outro em seu lugar, o que lançava ímpetos desagradáveis pela espinha só de pensar como essa outra pessoa poderia lidar com a situação. E na verdade, o processo de colocá-lo para dormir estava mais fácil do que poderia imaginar. Tut não tinha como entrar no hotel, não estava fazendo bagunça na cidade ou aparecendo morto-vivo para outras pessoas. Os jornais e noticiários não falavam nada. E agora, sabiam agora seu objetivo, pensou logo que avistou Naruto no bar.
Ele estava em uma posição desconfortável, dobrado para frente, o rosto caído no braço e um copo de uísque próximo. Caminhou até ele e já moldou um sorriso no rosto.
Quando chegou perto, lhe deu um tapinha no ombro, o sobressaltando.
― Te encontro tanto por aqui que acho que está com tendências maiores do que eu para tornar-se alcoólatra.
Naruto resmungou, virando sua dose.
― Eu mereço.
Carter pediu uma para si, sentando-se ao lado do amigo e o encarou sorrindo. Quem visse, provavelmente o acharia um pouco psicopata.
― O que é? ― perguntou Naruto com as sobrancelhas franzidas.
― Queria ouvir um pouco mais da sua história de amor.
― Nãaao... ― fez Naruto escondendo o rosto no braço novamente.
― Qual é, traidor, não temos mais segredos entre nós.
― Você não estava bravo comigo, H.C.?
― A gente supera, no momento quero mesmo uma conversinha com o grande traidor do meu amigo Tut.
Naruto ergueu a cabeça, olhando-o aborrecido.
― Eu mereço um pouco disso também ― contou Carter. ― Já que você escondia que já sonhava com ele.
― Mas eu não sonhava! Eram só... Coisas.
― Mesmo assim ― sorriu tomando sua dose. ― Fique tranquilo, não conto para ninguém.
― E tem pra quem contar? Sakura-chan já sabe.
― E Lady Evelin ― adicionou.
Naruto pediu mais uma bebida, depois olhou cuidadosamente para o amigo ao lado, que ainda sorria como se ainda não tivesse uma corpse assassina atrás deles.
― E... Lady Evelin disse como foi a sessão com Sasuke?
Carter deu de ombros.
― Ainda não falei com ela, está com Srta. Haruno. Mas tudo indica que ele também soltou algumas pérolas.
― Não quero nem pensar ― choramingou o loiro.
Carter lhe dei mais uns tapinhas reconfortantes no ombro.
― Está tudo bem, Naruto, está no passado. Apesar de claro, Tut ainda viver no passado e querer você, mas logo superaremos isso também e teremos a glória que tanto buscamos esses anos ― fez um gesto confiante.
Naruto acenou com a cabeça, com o olhar baixo para o balcão.
― Já conversou com o Uchiha? ― perguntou Howard.
O Uzumaki balançou a cabeça vigorosamente.
― E tem lá o que conversar? Nessa vida aqui, eu não gosto dele e quero logo que isso termine para que dispensemos ele para a Inglaterra.
Carter olhava para o amigo curiosamente, mas este não retribuía a atenção e então o egiptólogo abriu os lábios em surpresa.
― Você... sente atração por ele?
Naruto desequilibrou-se quase que de uma forma ensaiada, derrubando a bebida no balcão.
― O quê?!
― Você... ― interrompeu-se Carter quando o moço do bar veio até eles, limpando o molhado com um pano e uma expressão de desprezo. Quando ele afastou-se, ele aproximou o rosto do amigo. ― Você sente atração pelo Uchiha?
― ‘Cê tá louco?
― Bem que eu deveria ter desconfiado, você não foi com a cara dele desde que o viu, talvez fosse a negação.
― H.C.!
― Mas é verdade.
― Eu não fui com a cara dele porque ele é esnobe e jornalista! Sabe que jornalistas não são coisas boas.
― Mas Naruto... pense um pouco ― Naruto o encarou com o rosto contorcido e as sobrancelhas juntas, temendo o que poderia sair depois disso. ― Vocês são meio que almas-gêmeas.
Naruto o olhou com os lábios abertos, em revolta.
~x~
― Os escavadores? ― perguntou Evelin. Ela e Sakura se entreolharam, voltando o olhar, sincronicamente para Sai, que levantou-se e olhou de um rosto para outro.
― Sim, os homens que chegaram aqui junto com sr. Carter e estão no hotel. Vocês checam como estão? ― perguntou o homem, sereno.
― Sr. Carter deve fazer isso ― dispensou Lady Evelin. ― Mal os conheço.
― Está fazendo mal, então ― afirmou Sai. ― Eu já vi alguns saírem do hotel.
― Saírem? ― fez Sakura. ― Como? Eles sabem que não podem sair.
― Mas eu vi. Reconheci alguns deles do dia da recepção do hotel, eles saíram diretamente pela porta da frente do hotel.
As mulheres entreolharam-se.
~x~
Almas-gêmeas... Almas-gêmeas, H.C. dizia.
Resmungava Naruto com passos acelerados de um lado para o outro dentro de seus aposentos, onde se trancou depois de uma última dose que o deixou com a cabeça mais leve. Depois de um tempo deitado com a cabeça enterrada no travesseiro, não conseguiu não se mexer.
Queria não pensar em Daibidh, ou em Sasuke, ou seja lá quem era aquele jornalista. Queria não ter acordado Tutankhamun. Queria não estar no Egito. A essas horas já estaria em sua bela casa recém comprada, depois de uma grande repercussão de sua descoberta com Howard.
Agora, ali estava, pensando como exatamente essas sessões que passou, tinham ajudado de alguma forma?
Descobriram uma porção de coisas embaraçosas, confirmaram o ódio de Tutankhamun por Sasuke, mas nada disso ajudou em alguma dica de como pará-lo. Pensou no ritual que sela as almas de duas pessoas e olhou pela janela imaginando que em algum lugar aquela imitação de homem estava apenas preparando para mais uma tentativa de o fazer.
Só esperava que bem longe dali, ao menos.
Jogou-se na cama com os braços esparramados saindo do colchão.
Ter um caso com um homem. Check.
Ter falado coisas constrangedoras sobre esse homem para seus amigos. Check.
Causar a morte de uma importante figura histórica. Check.
Morrer em no mesmo túmulo que encontrou dias atrás com o corpo amaldiçoado. Check.
Tudo parecia perfeitamente desesperador, concordou consigo mesmo, balançando a cabeça, enquanto lembrava-se das últimas cenas de seu sonho.
Lembrava-se do sentimento. Um sentimento fraco de início, de desolação, mas conformidade. E quando ouviu as palavras amaldiçoadas, lembrava-se do coração disparando e a surpresa e desconforto que o pegaram de jeito antes da morte. Simplesmente por não ouvir o ritual habitual de Osíris para um rei fazer sua passagem como deveria ser feita.
E bem, morreu em agonia com o pensamento que aquelas palavras amaldiçoadas o perseguiriam depois da morte, o que acabou sendo um bocado correto, já que pagava pelos seus pecados agora, milênios depois.
Bom, aborreceu-se, isso é no mínimo injusto.
Então, em um rompante, Naruto arregalou os olhos, levantando-se da cama. Depois, adquiriu uma expressão concentrada, olhando para o espaço do chão.
― O livro de Osíris ― murmurou.
~x~
Ainda não estava em perfeito equilíbrio com aquela quantidade considerável de álcool no sangue, mas isso não o impediu de correr e tropeçar nos últimos degraus da escada, fazendo a moça da recepção o repreender por correr pelo hotel, mas Naruto apenas pediu desculpas apressadamente, não parando seu trote, até onde Sakura estaria. Chegou em frente a porta, fazendo-a pular pelo susto.
― Naruto!
― Sakura-chan! ― ele retribuiu. ― Preciso demais falar com você, tenho uma boa ideia.
A mulher deu espaço para que ele entrasse e fechou a porta.
― Eu estava indo atrás de falar com você e sr. Carter.
― E eu andei pensando, Sakura-chan ― ele disse, agitado, andando em volta do local. ― O livro, sabe, de Osíris, o livro de Osíris, o livro dos mortos, o tal livro que os egípcios seguiam e que participava do ritual para a pós vida e blablabá.
― Sim...
― Ele não foi usado no ritual de Tut ― ele disse com um tom orgulhoso, com uma finalidade para sua genialidade.
A mulher, porém, depois de alguns segundos quieta, sorriu calma, e Naruto perguntou se ela entendia onde queria chegar.
― Sakura-chan...
― Eu sei, Naruto. Há poucos minutos Sasuke-kun esteve aqui quase falando as mesmas palavras que as suas, apesar de com um pouco mais de eloquência ― ela acrescentou, o zombando. ― É o que eu iria discutir com você agora e mais algum outro probleminha que surgiu...
― Sasuke? ― perguntou Naruto. ― Sasuke esteve aqui agora? Mas ele sugeriu o que eu quero sugerir, Sakura-chan? Porque você nem me escutou até o fim...
― Eu acho que você iria sugerir que talvez pudéssemos colocar a múmia de volta na tumba fazendo o ritual corretamente para que sua alma possa seguir...?
Naruto abriu os lábios por um instante. Depois cruzou os braços, emburrando a cara para o lado, olhando para a Haruno com o canto de olho.
― Então Sasuke pensou nisso?
― Mas o triunfo é seu também, não se preocupe.
― Não estou... ― resmungou.
― Precisamos, antes de tudo, conversar. Depois preciso conseguir ir até o museu para pegar a cópia do livro e então bolaremos um plano de como usá-lo.
Naruto sorriu, desmanchando a expressão e os ombros tensos.
― Não foi inútil nos fins das contas, Naruto ― Sakura comentou, abrindo a porta para que o homem passasse antes dela.
Sabia que ela se referia a sua sessão e como estava adivinhando que ele, provavelmente, teria reclamado mentalmente dela.
~x~
Ao subir as escadas de dois em dois degraus, Naruto sentia o coração um pouco mais leve, apesar de acelerado, com a perspectiva que afinal, não tivessem um trabalho tão grande ou impossível como começara a imaginar em seus desesperos. A múmia certamente não seria difícil de achar, ela poderia estar lá fora, pensou aterrorizado, olhando para os lados.
E se desse certo, alguns versos a colocariam para dormir novamente.
Deu um sorriso para a porta do quarto de Howard levantando a mão para bater, mas deteve-se no último instante. Ao invés de bater, espiou por cima do ombro, a porta oposta, no corredor. Espiando os lados novamente, não conseguiu conter o impulso e logo estava em frente a porta de Sasuke.
Por segundos, ficou parado, como se algo o limitasse, não o deixasse mexer, e seu coração bateu com mais velocidade, em uma ansiedade inútil. Não sabia o que estava acontecendo lá dentro, talvez Sasuke dormisse, ou talvez escrevesse alguma coisa, uma carta para o irmão ou algo.
Mordeu os lábios, sem reunir a coragem necessária para bater, mas com outra espiada pelo corredor, aproximou-se, apoiando o rosto na porta e com a orelha exprimida contra a madeira, tentou atentar-se para algum som vindo de dentro.
Não ouviu nada, nem mesmo um suspiro e pensou que talvez Sasuke estivesse mesmo dormindo, silenciosamente.
~x~
A cama de Sasuke estava bem feita desde aquela manhã, arrumada por uma camareira enquanto era obrigado a se lembrar de alguma outra vida com Lady Evelin. Ele mesmo estava dentro do banheiro, no momento, banhando-se, depois da inquietação que passara no dia; o barulho da água espirrando abafando os barulhos que conseguiam escapar de seus lábios.
O Uchiha estava parcialmente embaixo da água, a testa encostada no azulejo da parede, os olhos fechados dando certa lividez para as imagens em que sonhara mais cedo.
As imagens em que mostravam Naruto e ele, diferentes, sim, mas sem dúvidas, os mesmos homens. E mais ainda, eram imagens íntimas, em que o corpo nu do outro homem, seus sons, seus gestos e movimentos aterrorizavam sua mente pelos próximos tantos minutos do dia e agora o isolavam no banheiro pequeno, embaixo da água fria, fazendo-o soltando o ar com força, enquanto a mão corria em uma carícia bruta em seu pênis rijo.
Fechou o punho da mão livre na parede, querendo socá-la, mas sem forças suficientes em momentos em que sentia o prazer esvair-se em sua mão, enquanto em sua mente a imagem clara de Naruto – ou Sadiki – tendo um orgasmo lhe preencheu em uma satisfação angustiante.
Sasuke não olhou para a própria mão suja, apenas desencostou-se da parede, fazendo a água atingir-lhe os cabelos, fazendo com que as mechas grudassem em seu rosto, e depois sua mão, varrendo o sêmen. Abaixou a cabeça, deixando a água escorrer também até seus olhos.
~x~
Sakura prendeu os cabelos esticando o pescoço tentando aliviar a tensão na região, enquanto atravessava o hall do hotel para o restaurante, em busca de beber alguma coisa enquanto Naruto tratava de buscar os outros.
Sai havia deixado o escritório depois de avisá-las sobre mais um problema, e Evelin teve de marchar para a recepção para receber um telegrama da mãe da Inglaterra depois de ir para o quarto, provavelmente enrolar a pobre senhora um pouco mais.
Sakura refletia com os olhos presos em sua mesa quando Sasuke decidiu bater em sua porta e lhe dizer calmamente, quase evitando seus olhos, o que andou pensando pela tarde. Foi embora logo, e agora a mulher tinha todos esses pensamentos, mas precisava primeiramente falar com Carter, Naruto e Sasuke juntos, o grupo estava um bocado repartido com os últimos acontecimentos. Falava com cada um separadamente ultimamente e precisavam de alguma forma colarem-se mais
Quando alcançou a maçaneta de seus aposentos, quase gritou com o susto que Naruto lhe deu quando pulou em sua frente, vindo dizer o mesmo que Sasuke. Quando tocou em seu nome, Sakura conseguiu ver a mudança na postura de Naruto, porém não queria entrar em minucias e deveriam resolver um problema maior.
Pediu que fosse chamar a todos enquanto marchava para o restaurante, porém antes que atravessasse a entrada do restaurante, notou um movimento nas portas de entrada do hotel e espiou rapidamente, logo voltando a cabeça e prestando atenção em um homem vestido de roupas simples com marcas de tinta pelos braços.
Arregalou os olhos, olhando para a recepcionista que anotava qualquer coisa, como se estivesse ciente do movimento e então apressou o passo até o homem. Com um passo para fora, espiou-o, ele agora guardava dois baldes de tinta e se desvestia das luvas sujas que usava. Sakura circulou o olhar e percebeu a parede limpa e bem pintada do lado de fora do prédio do hotel. Deu mais dois passos e andou um pouco em volta, não encontrando vestígios de qualquer símbolo que desenhara há alguns dias, para que pudessem manter-se seguros da múmia.
Alerta, virou-se rapidamente, olhando em volta, como se esperasse que o cadáver estivesse a postos esperando sua chance. Com nada ao redor, voltou os olhos para a parede.
― Não...
~x~
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