A Maldição do Faraó

11 Capítulo XI ― Outras vidas, outros homens ― parte 2


Notas iniciais
Como eu to a fim de conversar, vou deixar para o fim do capítulo. Por enquanto, só digo boa leitura e espero que gostem!

Capítulo XI

Outras vidas, outros homens

parte 2

“Maat”

Maat era a deusa da verdade e da justiça, representada como uma jovem mulher de longas vestes e uma pena avestruz na cabeça, que segurava um cetro, um sinal de poder, e um Ankh, a vida. Seu templo era erguido logo depois da fortaleza real, em que os sacerdotes banhavam-se com a água rasa e límpida do lago artificial, em frente à deusa, aderindo aos preceitos de justiça para que assim orientassem o Faraó, que deveria seguir rígido, verdadeiro e claro no seu comando.

Sadiki molhou os pés no lago circular, fechando os olhos limpos de tinta, para evitar cair água neles, e abaixou pescoço para que sua cabeça fosse banhada com a água. Os sacerdotes vestiam apenas um saiote, sem jóias ou pinturas, para a purificação.

Quando o vizir levantou a cabeça, seus olhos delinearam a imagem representativa da deusa Maat em uma rocha esculpida logo a frente. De lado, a imagem mostrava apenas um dos olhos da deusa e apesar do olho negro e delineado não encarar Sadiki, sentiu um peso incômodo que o fez desviar o olhar.

~x~

Nada excitava mais Daibidh do que sentir o aperto dos dedos de Sadiki subirem firmes pelas suas costas, ou agarrar a pele de sua coxa ou de sua nuca, em um desespero explícito como se fosse sua salvação, a única coisa que conseguia agarrar frente a um abismo fundo.

Além do peito nu inquieto subindo e descendo contra o peito pálido, colado, por cima de si, em um ritmo acelerado, sua boca soltava golfadas de ar e seu corpo era coberto pelo de suor de ambos, deixando o cheiro do escravo em si, o que deixava o servo mais alucinado.

Parecia estar consciente de cada milímetro de pele que roçava contra a sua e soltou o ar ofegante escondendo o rosto entre o ombro e o pescoço de Sadiki, sentindo mais de seu odor e sugando-lhe a pele, com moderação, porque mesmo em meio ao torpor tinha em um canto bem especial da mente que estava em um ato proibido. Sadiki soltava suspiros pesados e seu corpo movia-se por si só, procurando sentir mais do que podia enquanto a mão de Daibidh descia e subia por ambas as ereções unidas em um ritmo agora fora de controle que parecia levar os dois ao limite, enquanto o próprio passou a mexer o corpo involuntariamente, em um vai e vem que fez Sadiki agradecer, dobrando mais as pernas, para aceitar seu corpo.

Suas mãos que subiam e desciam por Daibidh, apertaram o corpo dele contra o seu, dificultando os movimentos do hebreu, mas que aumentou a pressão e o calor dos corpos e nenhuma terra daquele Egito poderia ser mais quente do que o conjunto que formavam.

Os lençóis já estavam úmidos e Daibidh agarrava o tecido em punho apoiando-se e sua outra mão desceu do prazer que dividia com Sadiki, que resmungou em um protesto murcho com a interrupção abrupta do prazer, mas estrangulou um gemido na garganta, o rosto afogueado quando os dedos de Daibidh desceram até sua entrada que pulsava em antecipação.

Não demorou a sentir uma exploração mais a fundo, Daibidh o adentrando com os dedos e agarrou-o pelos cabelos negros, levantando o rosto dele alinhado com o seu e sorriu, dividindo o ar quente próximo.

― Você está sendo barulhento, vizir ― disse Daibidh e sorriu quando toda a expressão de prazer e felicidade que Sadiki mostrava transformou-se rapidamente em uma aborrecida, com as sobrancelhas claras juntas e o lábio inferior para frente.

― Por que você não se enxerga, hebreu ― Sadiki disse.

Daibidh sorriu e Sadiki voltou a fazê-lo também antes que o outro homem deslizasse a língua por seus lábios, tomando-o em um beijo lento ao mesmo tempo que soltava reações abruptas do homem abaixo, ondulando os dedos, fazendo-o sentir cada centímetro dentro de si.

Sadiki também ondulou o quadril, gemidos abafados raspando-lhe a garganta enquanto mal sabia em que tarefa concentrava-se. Subitamente, e sem delongas, agarrou a ereção turva de Daibidh que vacilou e o beijo foi interrompido, agora apenas os sons de seus lábios sendo trocados pelo curto espaço entre as bocas.

Por minutos, trocaram carícias afobadas e desajeitadas, tentando dar prazer um ao outro, até que o loiro fez um movimento, guiando Daibidh para baixo.

Levantando-se e ficando de joelhos, Daibidh tentou confortar-se para encaixar-se melhor em Sadiki que segurava-lhe os braços e mordia os lábios expectante, abrindo um de seus sorrisos que muitos diziam poder até mesmo fazer o Deus Sol descer à Terra.

Quando o escravo começou a ganhar espaço no corpo apertado, em um movimento lento e provocante, Sadiki soltou um gemido resfolegado pela sensação queimante dentro de si, apertando com força os dentes nos lábios e fechou os olhos, olhos agora escuros por trás da parcialidade da luz, apenas uma tocha fraca que não abria mão para poder enxergar bem as expressões que Daibidh carregava quando lhe dava prazer.

O vizir ergueu as pernas e puxou o homem pelos braços para que ficasse perto e o agarrou pelo pescoço, bagunçando seus cabelos, roçando seu nariz no dele e deixando-o ouvir seus lamentos contidos, velados. O movimento do quadril de Daibidh perdeu a lentidão inicial, ganhando força em rompantes rápidos que tiravam de ambos grunhidos prazerosos do fundo da garganta.

Sadiki teve que morder o braço pálido quando sentiu seu prazer a ponto de esvair-se, seu corpo tenso contra o de Daibidh que o apertou com força, antes de começar a relaxar junto com o corpo abaixo de si, depois de um orgasmo.

Daibidh não se moveu e Sadiki aproveitou o momento de torpor o abraçando e ficaram por muitos minutos em silêncio.

― Você está pronto? ― Daibidh perguntou finalmente, estendendo os braços, segurando-se na altura do rosto do loiro, os olhos com aquela seriedade que tanto atraiu Sadiki quando o viu. Porém, também estavam leves, as pálpebras levemente caídas.

Sadiki pegou-se sorrindo para o olhar dele. Gostava disso. Levou um tempo para que os olhos de Daibidh mostrassem algo mais além de apatia ou desafio. Foi aos poucos, e Sadiki passou a notar que de não mais exibia apenas frieza em seu olhar.

― Há bastante tempo ― respondeu Sadiki, fechando os olhos, apenas um instante pela satisfação e cansaço. Quando abriu novamente, Daibidh ainda o encarava. ― Vai dar tudo certo.

― A minha parte vai. Você, cabeça oca, precisa tomar cuidado ― ele respondeu roçando os lábios nos de Sadiki.

O vizir descobriu que Daibidh, apesar da condição, era bastante confiante, seja lá qual fosse a habilidade. Talvez, tivesse um grande valor para seu povo. Sadiki gostaria de perguntar, mas tinha receio que lembranças o pudessem tirar de si, já que ele ainda era crente em seu Deus e o relacionamento deles era errado, então apenas implicava com a arrogância incorrigível.

― Tenho soldados fiéis, que nos ajudam, temos esperança.

~x~

Depois de dias sem conseguir apropriadamente correr entre as sombras da fortaleza como se fosse apenas mais uma delas e não o governante rei-deus, Tutankhamun tinha pressa em chegar aos aposentos de seu vizir. Seus encontros com ele estavam cada vez mais escassos, até mesmo durante o dia. Tutankhamun estava cada vez mais atarefado, seu controle do fundamento de Maat e as visitas aos templos sagrados eram processos pré-cerimônia que tomara-lhe muito tempo.

E Sadiki parecia cada vez mais ocupado por sua vez, tão metido estava em conseguir que a obra de sua homenagem fosse erguida. Sorria com tal pensamento, sabendo que o motivo que não o via tanto era por estar tão bem concentrado para seu bem, o bem do Faraó.

Quando chegara ao corredor curvado, tão perto do quarto de seu vizir, ouviu um barulho tremer o ar e petrificou no lugar, em posição tão longe de sua imagem divina.

Diante de seus olhos, subitamente, a porta dupla dos aposentos que ansiava tanto chegar, abriu-se para um homem pálido que passou por entre elas com familiaridade e os olhos do Faraó se alargaram. Tutankhamun teve ímpetos imediatos de executá-lo com suas próprias mãos, bem ali onde estava em pé.

Porém, sua voz atrelou-se na garganta, e seu pé não conseguiu seguir em frente como se estivesse grudado ao chão, quando o escravo curvou o pescoço com um sorriso, com a porta ainda semiaberta, e daquela fresta ouviu uma risada baixa, que carregava o tom divertido de seu vizir.

~x~

Tutankhamun andava com passos leves e lentos, de um lado para o outro na escada de seu trono, seu escriba por trás da cadeira dourada, observando-o, em seu devido lugar.

― Senhor?

O Faraó olhou-o, mas o homem nunca pensou ter visto os olhos escuros tão avoados quanto naquele momento.

― O ritual ― ele explicou para o silêncio do governante.

― O ritual?

― Sim, senhor, o ritual das almas. Imedji.

De repente, um brilho vitalizou os olhos de Tutankhamun que aproximou-se do escriba.

― Sim?

― Devemos guardá-lo em vosso compartimento?

O rei pendeu a cabeça, observando os papiros abertos em sua frente, e passou os dedos pelo papel.

― Não... quero em meus aposentos.

~x~

― Por que me atormenta? ― a pergunta saiu furiosa dos lábios finos de Daibidh. Seus olhos estavam encolhidos por baixo da testa franzida em raiva.

― Não estou tentando atormentá-lo... ― respondeu Sadiki há poucos centímetros de distância do escravo.

― Me parece que está ― retomou enraivecido e agarrou, ousadamente, o pulso do outro homem que corria discretamente a mão pelo seu braço.

Sadiki parou, olhando-o, o toque firme em seu pulso esquentando sua pele.

― Tomei interesse em você... Posso ajudá-lo...

― Eu recuso ― volveu Daibidh soltando seu braço.

O loiro olhou-o, neutro, por vários segundos.

― Costuma sair seduzindo prisioneiros?

Sadiki sorriu.

― Não ― disse. ― Você é o primeiro.

Daibidh encolheu os olhos, desconfiado e seus lábios tremeram quando o homem aproximou-se novamente, invadindo seu espaço pessoal, sua mão voltando para tocar a pele sobre seus músculos.

~x~

― Da-Daib...

Sadiki soltou em meio a suspiros, sem realmente conseguir formular completamente o nome de seu amante que o apertava entre ele e a porta de seus aposentos enquanto distribuía mordidas contidas para que nunca ficassem visíveis no dia seguinte. Apertou a coxa do vizir e ele agarrou seus braços, em um rompante, invertendo as posições e deixando agora o escravo contra a porta.

O loiro beijou-o com os lábios secos e Daibidh grunhiu ao sentir a mão atrevida massagear lentamente seu membro. Sadiki apartou o beijo, mantendo o rosto bem próximo, encarando o outro com um sorriso provocador antes que começasse, então, a massagear todo o dorso de Daibidh, os dedos seguidos de seus lábios, até a virilha. Demorou-se ali, não retirando o tecido minúsculo que cobria as partes do hebreu, mas soprando ao redor, fazendo-o arrepiar-se e tentar segurar o rosto e o cabelo do vizir, mas esse afastou suas mãos, levantando o tecido.

Daibidh sentiu o calor úmido cobrir seu membro. Um calor tão quente quanto aquele em que sentia queimando nas costas todos os dias, mas tentador, que fazia inclinar-se e apenas esperar por mais. Sadiki o provia com esse calor e o afastava em um ritmo lento, com uma brutalidade vagarosa que fez o moreno morder os lábios enquanto encarava com fome aqueles olhos claros que sorriam para si com um ar travesso.

Quando ele subiu, voltando aos seus lábios com os próprios sujos, o agarrou com força, elevando-o e voltando a bater as costas do vizir na porta, enquanto acariciava por entre as nádegas com seu pênis, até penetrá-lo e ouvir um grunhido refreado e sofrido.

Os dois olharam-se com um ar malicioso e satisfeito, fazendo Daibidh investir mais rápido e Sadiki apertá-lo mais próximo, devorando seus lábios.

~x~

Quando o ruído distintivo da porta do quarto de Sadiki se fez ouvir, Tutankhamun prendeu a respiração, travando a mandíbula.

Abriu os olhos para a figura que deixava o aposento, o mesmo escravo de outro momento, saindo com o mesmo sorriso fechado e vitorioso como da outra vez, e o fato fez o estômago de Faraó se apertar.

Ele afastou-se e logo as portas fecharam-se e antes que pudesse impedir-se, andou com passos lentos até a porta, com o olhar fixo por onde o escravo afastara-se. Então afastou a porta pesada do quarto, espiando seu vizir.

Agora estava deitado, seminu, virado comportado para o lado na cama, ressonando com a cabeça afundada nos travesseiros e Tutankhamun apenas observou-o por vários minutos, não podendo deixar de comprimir os lábios em dúvida.

~x~

Anchesenamon descansava os olhos ao lado de fora dos aposentos reais grandiosos perto da terma enquanto duas servas lhe pintavam os olhos e penteavam-lhe a peruca.

Dentro do quarto, mais dois servos cobriam o Faraó com a capa real: dourada, pesada e sagrada. Tutankhamun tinha o canto do olho em Sadiki, também presente, arrumava o arranjo das duas coroas complementares do rei, cada uma representando-lhe uma virtude. Formariam uma única coroa cerimonial de cor branca e vermelha com a representação de uma naja em sua frente.

― Sadiki... ― Tutankhamun chamou, atraindo a atenção dos olhos nus para si. Também exibia seus cabelos naturais e o peito liso, sem joias pesadas ou valiosas.

― Senhor?

― Você tem pedido bastante os serviços de um escravo específico ― observou. Seus olhos eram escuros e atormentados e o olhava profundamente e só via os mesmos olhos límpidos ingênuos, sem maldade. Mal sabia o que pensar. ― Por que isso?

Anchesenamon curvou os olhos escuros para o marido rapidamente, mostrando-se consciente do ambiente lá dentro, porém logo fechou-os novamente.

― É um dos novos hebreus ― Sadiki respondeu, os olhos na coroa, sua voz estava calma e seu corpo estava ereto. ― Às vezes eu preciso de auxílios, ele é novo e forte, sem contar rebelde, eu tento contornar isso.

― Hm... ― Tutankhamun ajustou-se, olhando para frente com os olhos frios. Depois desfez-se da postura, despindo-se da capa nas mãos dos dois homens auxiliares. ― Obrigada, meu amigo, pode ir ― ele disse para Sadiki.

O loiro sorriu, o sorriso que fazia o governante esquecer de qualquer problema e fez uma reverência. Tutankhamun o envolveu em um abraço rápido antes que saísse.

~x~

Erguendo a cabeça para o céu, Sadiki admirou-se o grande monumento, agora quase pronto, erguendo-se com as feições de Tutankhamun. Ao seu lado, havia um guarda e em suas mãos, relatórios do processo.

Quando desceu os olhos novamente, apertando-os por causa do sol, avistou Daibidh há poucos metros. Quando ele encontrou seu olhar, retribuiu seco com um piscar e logo desviou a atenção para seu trabalho. Nunca disfarçava um sorriso sequer quando estavam fora, mas Sadiki conseguiu bem saber estava tudo bem e apertou os lábios contendo seu próprio sorriso.

~x~

Havia amanhecido há pouco e o céu abria-se no mais claro azul e o sol ainda não queimava com intensidade, mas iluminava com vivacidade, ainda que servos por toda a extensão de uma fila segurassem tochas, por significação. O chão natural estava coberto por um tecido áureo em meio a fileira.

Sadiki era o primeiro da fileira esquerda, Tutankhamun notou, antes mesmo de passar os olhos pela sua esposa esperando em frente a todos segurando um amuleto comprido e pesado. Os dois sorriam, mas o sorriso do vizir não parecia carregar o mesmo tom alegre e sincero que sempre o hipnotizava.

Tutankhamun apareceu com os braços abertos, o roupão dourado caindo pelos braços e sua pele brilhava pelo banho de óleo e era envolto por mistura de cheiros de incensos sagrados.

De onde saiu, haviam dançarinas ritualísticas a sua espera, cobertas por jóias e maquiagem. Curvaram-se quando passou e mexiam o quadril e os braços junto do som grave de tambores tocados por dois homens. Suas peles escuras também tinham um brilho e suas roupas eram feitas mais leves para acompanhar seus movimentos.

Tutankhamun caminhou até sua esposa em uma lentidão ensaiada e ela curvou-se graciosamente antes de erguer os braços e colocar ao redor de seu pescoço o amuleto triangular que carregava, enquanto tratava de recolher os braços os dobrando no peito, mantendo a postura altiva.

Desceu calmamente até o início da coluna que deveria atravessar metros à frente até sua escultura, onde sacerdotes religiosos o esperavam. Quando passou, Sadiki foi o primeiro a curvar-se, mas conseguiu manter seus olhos frios, em frente, consolando-se que poderia ainda tê-lo pelo resto do dia dentro da fortaleza pela pequena reunião real.

Tutankhamun também não olhou para aquele monumento que deveria representar-lhe, mas estufava mais o peito a cada passo que dava em direção a ela. Conseguia dizer já que seria algo que muito teria o costume de observar.

Os sacerdotes em frente já o esperavam curvados segurando incensos e papiros, enquanto ia ganhando mais do chão macio da areia coberto pelo tapete.

Subitamente um som irrompeu alto, como um tremor e muitos dos súditos pularam em susto. O Faraó parou por um instante, mas continuou tão logo nada mais aconteceu, achando tratar-se de uma insignificância. Mas antes que conseguisse alcançar apropriadamente seu local em frente ao monumento, a obra tremeu agora associando-se ao barulho e diante de seus olhos as pedras cederem pouco a pouco e depois de uma só vez.

Pessoas próximas foram atingidas e as fileiras de ambos os seus lados desnortearam-se, afastando-se da escultura em alvoroço. Viu um de seus sacerdotes atingidos antes que a fumaça subisse demais, tampando sua vista de muitos rostos e teve de cobrir o rosto para não sentir areia entrando em seus poros, enquanto conseguia sentir muitas rochas pequenas caírem aos seus pés e além.

Deu um passo para trás e imediatamente virou-se, os olhos atentos. Mesmo com o fervor, não havia pessoas esbarrando em si, conseguia enxergar bem o fluxo em direção a fortaleza. Encontrou os olhos da mulher que o chamava para próximo, mas desviou logo, os olhos negros correndo pelas cabeças.

Foi quando viu de longe os fios loiros, incomparáveis naquela terra, afastando-se em uma fuga exagerada do evento, para lados muito distantes.

~x~

Daibidh estava coberto por um manto branco até os cabelos e um saco grosso pendurado no ombro. Seus braços estavam cruzados em frente ao corpo, com um ar pedante, os olhos pequenos parados no horizonte.

Sadiki, ao vê-lo, debochou. Levantou a cabeça e cruzou os braços, fazendo um bico em meio a uma expressão de quem se acha importante, tentando o imitar.

Daibidh revirou os olhos e o puxou, o rodeando com seus braços.

― Bom trabalho ― elogiou o loiro.

― Sempre.

Foi a vez de Sadiki revirar os olhos antes que Daibidh se aproximasse para beijá-lo.

Antes que conseguisse imergir no calor do corpo do outro homem, esquecendo-se até mesmo de seu nome, e antes que seus lábios pudessem consumar um beijo, Sadiki sentiu-se puxado com brutalidade o que quebrou sua postura e seus pensamentos dançaram confusos; apenas distinguiu um par de olhos raivosos olhando-o de perto, em uma fúria que nunca pensava ter visto e quando deu por si, o Faraó do Egito, seu rei Tutankhamun puxava-o para longe Daibidh e este, não menos pego de surpresa, sentia a raiva de Tutankhamun apertar-se em sua garganta enquanto era estrangulado.

― Tutank...? ― Sadiki começou, a voz morrendo enquanto parecia voltar ao presente. ― Daibidh!

Interviu em um ato desesperado e sem conseguir conter o aperto de Tutankhamun no escravo que perdia os sensos, deu um golpe no braço no Faraó, fazendo soltar Daibidh no chão e ao invés disso ter sua própria garganta agarrada, mas não foi tão forte e nem por tanto tempo com a vontade insana de o deixar sem ar. Como um ato de reflexo, logo Tutankhamun soltou o pescoço de Sadiki que devolveu-lhe um apreensivo e transtornado.

Daibidh recuperava-se no chão quando homens do exército de Tutankhamun apareceram correndo, seguindo seu rei e fazendo dos traidores prisioneiros.

~x~

Com as pernas bambas, o coração na garganta e as mãos atadas, Sadiki observava cada passo pesado de Tutankhamun pelo altar em frente ao trono. Seu corpo ainda brilhava dos óleos e o suor de seus poros mancharam um pouco a maquiagem. Ele não o olhava nos olhos desde que um guarda real interrompeu o silêncio pesado entre os dois homens para comunicar o desaparecimento do prisioneiro recente.

Daibidh conseguira escapar, com ajuda de fiéis homens a Sadiki, mas alguns foram condenados e talvez Sadiki sofresse um pouco mais por tal ato estar em seu nome. Cada segundo que passava, sua boca ficava mais seca, na expectativa da sentença tardia, porém certa. O dilema de Tutankhamun podia durar até o próximo nascer do sol, mas quais eram as opções senão ter o corpo do traidor afundando no Nilo ou queimando ao sol?

Porém o vizir teve de suspirar discretamente quando o soldado marchou para o lado do Faraó, dando-lhe a notícia, por entre os gritos insanos do rei e o ódio escorrendo por seus olhos, pois morreria com um peso a menos em seu coração. Daibidh sobreviveria. Era uma surpresa que tivesse sido transportado para a prisão até aquele momento. Um escravo desobediente já era ruim o suficiente sem a parte de sodomita traidor, então não esperou boas notícias.

Com um último estrondo resultante dos passos de Tutankhamun, o salão voltou a ficar quieto. Os soldados guardavam a porta e os outros sacerdotes foram dispensados e talvez Sadiki pudesse esperar por algum ato de vingança pessoal do governante, mas seus olhos escuros e levemente vermelhos apenas desafiaram os do vizir.

Sadiki não respondeu ao desafio. Seus olhos eram pouco receosos, até neutros, o que pareceu uma insolência maior para Tutankhamun, porém aqueles belos olhos pareciam ainda tirar-lhe o equilíbrio e pegou-se perguntando se realmente estava diante de um traidor de seu amor.

― Sadiki... ― ele pronunciou mais delicado do que o esperado. ― Você é um traidor de sua terra, de seu rei.

Sadiki engoliu o ar, sustentando o olhar do outro homem.

― Me desculpe, Tut... Mas essa não é a minha terra...

Tutankhamun franziu o cenho como se estivesse com dificuldade de reconhecer aquele em sua frente.

― O Egito é sua Terra! ― ele deu passos perigosos na direção de Sadiki. ― Esqueceu-te do juramento que fez nesse trono para meu pai? Fez do Egito sua terra, sua nação, e eu o seu rei!

― Eu era uma criança ― ainda rebateu Sadiki com o tom ameno, sabendo que aquilo não significava nada para justificar-se, para um homem de tradição como aquele, mas parecia não poder responder.

Tutankhamun estreitou os olhos com mágoa e Sadiki engoliu em seco.

― Você será condenado. Seu coração pesa ― o Faraó disse ao mesmo tempo que com passos lentos, descia os degraus do altar e alcançava o amigo, encostando a mão no peito nu do vizir, em um toque áspero.

― Eu aceito isso ― Sadiki disse.

― Você traiu a mim ― disse Tutankhamun. ― Você aceita isso também?

Sadiki não respondeu, exalando audivelmente e as próximas palavras do líder saíram com fúria. ― Você estava com outro homem! Um hebreu! Planejava fugir com ele! Deitou-se... Deitou-se com ele, rindo enquanto ele deixava seus aposentos. Seu próprio aposento, dentro deste castelo!

Sadiki piscou, os lábios abrindo surpresos.

― Então nos viu? E só me condena agora?

Tutankhamun o olhou com os lábios apertados.

― Eu não tinha certeza, eu não acreditava. Mas você confirmou ― ele disse descendo sua mão até que seus dedos deslizassem pela pele do estômago e desfizessem o contato. ― Você traiu a mim.

Com a falta de reação, o Faraó virou novamente as costas e Sadiki pareceu tentar lembrar como respirar normalmente.

― Eu acredito... ― viu-se dizendo, depois de momentos da imobilidade do outro. ― Eu acredito que por razões certas podemos quebrar algumas regras.

― Razões certas? ― os olhos negros voltaram-se para si.

― Amor.

Tutankhamun estancou no lugar, ainda de costas e os olhos arregalados para o loiro, como se aquele homem, o que mais confiava no mundo, o dissesse que vivera toda a sua vida errada, como se as leis dos próprios deuses não significassem nada para ele. Por anos sufocando suas vontades em respeito ao seu posto, seu povo e seus deuses.

E ele simplesmente quebrou tudo isso, sem pensar nas consequências, como um impulso romântico que Tutankhamun não possuía ― e nem poderia ― até agora.

― E você ama o escravo? O hebreu?!

Tutankhamun aproximou-se novamente fazendo cada uma de suas enraivecidas palavras baterem contra o rosto de Sadiki.

― Tantos anos ao meu lado, crescemos juntos, você esteve sempre ao meu lado! Eu o amando com todo o meu coração e você me diz que bastou um escravo para que me traísse!

Sadiki abriu a boca mesmo que as palavras não fossem ultrapassar sua garganta. Seus olhos arregalaram-se de leve e o Faraó, irritado com a falta de resposta, o agarrou pelos ombros, sacudindo-o como se pedisse que a razão voltasse para sua mente.

― Não bastou um escravo ― disse Sadiki repentinamente, a voz não tão segura agora que mais do que nunca, o rei olhava-o com um furor violento. ― ... Nós fomos destinados.

― Está enganado ― Tutankhamun sussurrou e sua expressão tornou-se fria e suas mãos subiram para o pescoço claro. ― Sadiki... Agora vejo meus erros... Mas está enganado. Está destinado a mim.

Quando Sadiki franziu as sobrancelhas em um receio contido, o Faraó sorriu, esticando os lábios em uma expressão irracional.

― Está. E verá isso, não vou mais me conter.

O homem aproximou-se de tal forma que o vizir levantou os braços e as mãos presas se colocaram no caminho de seu peito. Tutankhamun aspirou o ar próximo ao rosto de seu traidor e os olhos azuis o seguiam de perto, temorosos. Engoliu em seco várias vezes esperando qualquer reação, mas o outro parecia satisfeito com a proximidade, por hora.

Mas isso desfez o equilíbrio de Sadiki. Quantas vezes abraçara o rei despreocupado com a emoção crua que demonstrava agora.

Quando ele ficou rente ao seu rosto, nariz com nariz e os olhos negros perto demais, prendeu a respiração.

― Prepare-se, meu vizir.

~x~

Anchesenamon apoiou a cabeça no pilar da sala real, conseguindo ouvir claramente a respiração ruidosa e acelerada do vizir Sadiki. Não precisava espiar de seu esconderijo para sentir o nervosismo do estrangeiro que sempre detinha o olhar atento de seu marido e o seu olhar cuidadoso.

Ouvia também movimentos e tentou conter sua própria respiração de sair e denunciar sua presença. Estava temerosa das ações de Tutankhamun, agora imprevisíveis. Mal conseguiu dirigir-lhe a palavra depois da confusão do evento, e o pouco que o homem saíra daquele salão do trono, seus olhos estavam determinados e ferozes, mas os lábios fechados. Esperançou um pouco em achar o corpo de Sadiki caído, ou que já estivesse ao fundo do rio, mas nada parecia indicar uma atitude assim do Faraó, no momento.

Quando conseguiu espiar para fora do pilar, o cenário a fez abrir os olhos e os lábios. Sadiki estava perto da cadeira de ouro, claramente desconfortável. Podia ver o suor brilhar em seu peito e cair de sua testa. Tutankhamun revirava um pergaminho com um corpo desfalecido aos pés. Nunca pareceu tão imponente em sua autoridade como no momento.

Pensou, em um primeiro momento, que o corpo fosse o do escravo fugitivo, mas logo observou que por baixo dos panos claros, uma mão caía ao lado do corpo. Uma mão de pele escura e quando ousou sair mais de seu esconderijo, notou a expressão imperturbada de um dos homens do conselho do Faraó. Voltou a esconder-se com a mão na boca. O que estaria fazendo Tutankhamun?

Sadiki levantou os olhos do corpo desfalecido para o Faraó que agora aproximava-se com um papiro em mãos.

― O-o que está fazendo, Tut?

Sem conseguir atrair a atenção do rei para si, Sadiki insistiu.

― Por que o matou?

― Eu não o matei ― afirmou parando em sua frente, novamente o sugando com os olhos negros. ― Mas o farei logo, preciso do momento certo.

Depois de segundos em silêncio e depois de Tutankhamun trazer um tecido claro e leve para limpar o rosto fervente de Sadiki, perguntou:

― Momento certo para quê?

Tutankhamun abaixou o pano, pegando com sua mão livre do pergaminho, as mãos ainda atadas de seu vizir e gentilmente retirando-lhe de seu lugar, para acompanhar-lhe.

Sadiki teve de ficar ao lado do homem inconsciente e observou quietamente enquanto Tutankhamun abaixou ao lado dele com uma adaga em punhos. Havia tirado o roupão cerimonial e passado pelos ombros do loiro, que fez aumentar o ar fervente e o suor em suas costas.

― Imedji, Sadiki ― começou Tutankhamun, com uma passividade assustadora. ― Você estava certo, podemos sim quebrar algumas regras pelas razões certas. Até mesmo um Faraó merece essa chance.

Sadiki engoliu em seco enquanto ouvia as palavras.

― Precisava de um sacrifício ― explicou ainda e o vizir franziu as sobrancelhas. ― Um sacrifício e a voz de alguém de autoridade e concluiremos.

― O que está fazendo, Tut? ― Sadiki voltou a perguntar.

O homem voltou para junto de si, despindo seus ombros do roupão e jogando-o nos degraus.

― Juntando nossas almas, meu vizir ― explicou, descendo as mãos em uma carícia pelas costas nuas.

― Você não está...? Tutankhamun! ― exclamou o vizir. ― Não pode fazer isso!

― Eu posso e você me verá fazendo.

Ele estendeu o pergaminho, segurando-o sobre a mão, nas palavras que deveriam ser ditas.

Sadiki recuara um passo, com os lábios abertos e as mãos a frente do corpo.

― Por favor, Tut. Eu não posso...

― Você pode, Sadiki ― o puxou pelo braço, para junto de seu peito. ― Tirarei a essência daquele hebreu de você.

Anchesenamon estava com as duas mãos tampando a boca e os olhos arregalados. O que Tutankhamun estava fazendo? Se ele seguisse em juntar sua alma com Sadiki, como ficaria sua posição como Faraó? As regras do Egito, dos deuses... O que estava fazendo?

Tutankhamun encostou a testa na de Sadiki e antes que este pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa para quebrar sua posição de prisioneiro e afrontar a atitude do homem a sua frente, conseguiu de forma pouco clara distinguir um movimento ao fundo do cenário.

O Faraó afastou-se, alinhando seus olhos.

― Sadiki... ― ele sussurrou. ― Eu amo você e o perdoo.

O vizir abriu a expressão incrédula. Parecia estar sob o efeito de alguma bebida poderosa, pois tudo o que acontecera parecia um sonho distante que apenas observava, como se não estivesse ali fisicamente.

Tudo aconteceu tão rápido, perdera Daibidh e agora estaria preso para sempre a Tutankhamun? O homem que crescera junto de si agora declarava um amor que desconhecia e estava disposto a quebrar regras e fazê-lo seu. Só de pensar, fazia o ato de respirar difícil.

Tutankhamun parecia estar mais próximo de seu rosto a cada instante e seus olhos vagaram para o fundo, onde novamente, pareceu captar alguma movimentação. E seus olhos abriram-se instantaneamente, acordando-o desse sonho, quando percebeu a pele pálida e os fios negros de Daibidh.

Soltou a respiração ofegante e o Faraó sorriu de olho fechados. Sadiki olhou para os lábios cheios e próximos do amigo e agarrou seus braços fortes em um instinto, vendo a figura de Daibidh desfocada, mas cada vez mais próxima. Precisava manter Tutankhamun para si, ainda que não soubesse o que exatamente Daibidh tramava aparecendo ali, qual era seu plano? Todo mundo parecia ter perdido um pouco da razão.

Quando conseguiu finalmente avistar os olhos escuros de Daibidh, perdeu a atenção momentânea no Faraó e durante toda a aproximação, seus olhares se prenderam desesperados um no outro.

As palavras que ouvia atingiram Anchesenamon e a mulher abaixou o rosto, mas logo o silêncio encheu o ambiente e isso a alertou. Quando espiou novamente, com cuidado, não conteve a exclamação de choque.

Enquanto os lábios de Tutankhamun colavam-se aos de Sadiki e suas mãos juntavam os corpos, alguém mais estava presente, se aproximando. Era o escravo jurado de morte, que agora carregava um cajado pesado de ouro na mão apressando os passos até as costas do Faraó, com uma expressão furiosa estampada.

― Tutankhamun!

Seu grito saiu estrangulado, com um tom de aviso que conseguiu alertar o Faraó, mas este virou-se para si ao invés de notar a outra presença, e sua cabeça foi atingida no mesmo instante, tão forte que conseguiu ouvir o estalar e a próxima coisa que presenciou foi ele caindo por cima do corpo que trouxera ele mesmo, enquanto uma poça de sangue sujava o altar.

Ainda que devesse ficar inconsciente tão logo fora atingido, Tutankhamun pareceu mirar Sadiki uma última vez, e ele o olhava assombrado com os belos olhos azuis.

O grito de Anchesenamon foi agudo e imperioso.

― Guardas!

― O que está fazendo, saia daqui! ― fez Sadiki correndo para Daibidh com uma mancha de sangue cobrindo seu rosto. A cena o pegou desprevenido o bastante, mas não teve tempo de se colocar em luto enquanto ouvia a marcha acelerada dos soldados respeitando o chamado da sacerdotisa.

― Venha comigo ― Daibidh disse, segurando sua mão com força, mas antes que pudesse ao menos dizer qualquer outra palavra, a porta do salão real deu espaço para uma leva de soldados reais.

Sadiki foi puxado achando que cortariam sua cabeça fora ali mesmo, mas ao invés disso o levaram para longe enquanto gritava por Daibidh cercado por soldados fiéis ao Faraó que faziam o serviço que o governante teria vontade de fazer com as próprias mãos.

~x~

Seus olhos acompanhavam o túmulo dourado, fechado e pesado contendo o corpo de Tutankhamun e carregado por servos pelo deserto. Sentia a areia quente por entre seus dedos dos pés e a sede fazia ser uma tarefa difícil apenas engolir.

Estava atrás do corpo carregado, acompanhado por todos os lados por sacerdotes do Faraó, cinco deles, pelo deserto até uma abertura subterrânea na terra, logo a frente. Entrou com cautela, descendo os degraus, sendo obrigado a ir mais rápido, por um dos homens, quando seus pés hesitavam.

Ao fim do corredor, a tumba era iluminada por poucas tochas, e quando chegou à primeira câmara, foi instruído a ajoelhar-se entre os pertences reais.

Sorriu de cabeça baixa com os olhos marejados, em uma conformidade forçada. Daibidh estava morto, Tutankhamun estava morto e lembrava-se distintamente do desprezo escorrendo dos olhos de Anchesenamon e por suas palavras quando ela ordenou que tirassem-lhe a cabeça.

Logo, era sua vez.

Na câmara ao lado, o túmulo de Tutankhamun era posto em lugar, entre as pinturas divinas e três dos sacerdotes já começavam a citar palavras de passagem. Porém, logo, Sadiki notou que não eram palavras do Livro dos Mortos, o qual preparava a alma para o próximo mundo, e sim citações amaldiçoadas que incluíam sua traição.

Abriu os olhos espantado quando as palavras ganharam forma, saindo das bocas dos homens para o túmulo, envolvendo o corpo embalsamado de Tutankhamun.

Temeu cada sílaba que prometia a realização certa da vingança do rei, e logo seu tormento acabou quando os cinco dos homens importantes voltaram-se para si e um deles fez um sinal positivo para derramar-lhe o sangue.

~x~

Notas finais
Oi, amores. Demorei mil anos? Demorei, eu sei, e peço desculpas. Vou mandar a real, esse cap. tava pronto, na estrutura, há bastante tempo, o problema é que quando eu fui dar uma olhada, aquela revisada básica antes de postar, eu travei. Não tava satisfeita, não achei bom e não sabia como mudar. Consegui escrever outras coisas, até mesmo um pouco de outros caps, mas com esse não ia de jeito nenhum. Ainda não sei se estou completamente satisfeita com ele, mas uma hora ou outra eu teria que postar, espero que não esteja meio travado na leitura ou algo assim. Beem, eu queria dizer que fiquei surpresa com o número de pessoas que foram me procurar por MP, pra saber sobre a atualização da fic. Me deixou bem feliz, apesar da frustração de não conseguir andar com esse capítulo, por ver que realmente está interessando muita gente, vocês são uns amores s2 Agora, eu queria falar um pouquinho sobre o fim de Naruto. Mas se eu for começar, essa bagaça fica maior que o capítulo, porque não me falta palavras para mostrar a minha completa decepção com o fim que esse mangá de trezentos anos se deu. Aviso: Spoilers e palavrões rs Kishimoto cagou e MUITO. Ele conseguiu me distanciar totalmente dessa história que fez tanto parte da minha adolescência. Apesar de todas as falhas já presentes no decorrer do mangá, esse fim fechou com chave de ouro nesse quesito. Na boa mesmo: Um Naruto como pai ausente? SÉRIO MESMO? O filho dele teve que agir que nem ele quando criança pra chamar atenção porque o NARUTO era AUSENTE? O mesmo cara que passou o mangá inteiro correndo atrás de atenção e reconhecimento? Sasuke também pareceu ser um pai ausente, o que também não faz sentido. Se ele se “redimiu” (entre aspas, porque foi tipo um “sorry lol”) e tendo o mangá também focando a história de sua solidão, ele pega e vaza e a gente nem sabe o que ele tá fazendo. E ele casou com a Sakura. Vou contar uma coisa pra vocês, nunca fui muito fã dela e o Sasuke sempre foi meu sweet pumpkin (por algum motivo, tenho esse apego nele, provavelmente pela minha fangirl da puberdade) e eu achei uma merda Kishimoto colocar Sakura com ele. O cara que só tratou ela mal, tava pouco se fodendo pro bem estar dela, deu um tchauzinho com o dedo na testa, uma desculpinha e pronto? Eu sei, eu sei, ele também tratou Naruto mal e aqui estou escrevendo sobre eles. É diferente. Ele reconhecia Naruto, ele admitiu Naruto ser seu melhor amigo, ele se equiparava. Com a Sakura, nos últimos capítulos da guerra, ele deixava claro que não reconhecia sua força, suas habilidades e nem porra nenhuma. Sem contar que ele mesmo falou que não tinha nenhum interesse nela, com essas palavras mesmo. Na boa, aceitaria NaruSaku melhor. A relação deles cresceu bastante para uma amizade bonita. Sem contar, que a última imagem que temos de Sakura é como dona de casa. Sério? Poderiam mostrar ela em qualquer lugar. No hospital, por exemplo, fazendo o que sabe fazer melhor, mas não. Sem contar, minha gente, o completo descaso com a relação SasuNaru depois que eles perderam o braço um pelo outro. Sasuke saiu vagando pra “pensar” sobre suas ações, sem um braço e de boa, Naruto deixou isso quieto tranquilo. Sasuke não fica na vila, Naruto tá tranquilo também, muito ocupado sendo um Hokage nada inovador e ausente pros próprios filhos. Eu esperava realmente um fim bem mais aberto do que esse bando de casal sendo jogado na nossa cara e filhos pra toda parte, e com uma conclusão, porque não sabemos o que cada um tá fazendo e tem personagem que desapareceu. Vamos ver se The Last explica alguma coisa, mas não to animada pra esse filme não. Só uma última coisa: Kishimoto é meio ruim em fazer criança também. Tirando a Sarada, filha SasuSaku que na verdade, parece uma criança normal, qual foi a dos pivetes todos misturados pai e mãe, que coisa feia. NaruHina mó casal bonitinho com duas crianças estranhas pra caramba, kd criatividade, hein. Lembrando que são minhas opiniões, e vocês podem muito bem discordar, é claro, desculpem se eu ofendi alguém :3 E gente, agora saindo desse universo, apresento um episódio triste da minha vida: Perdi meu pendrive ;-; Cara, tuuuuudo tava naquela coisa. Meus textos, imagens, filmes. Sorte pura, porque uns dias antes que eu perdesse, eu passei os textos pro meu note, pra facilitar minha vida. Mas não muda o fato que perdi foto, e umas imagens para as histórias futuras, tanto originais quanto SasuNaruSasu. Perdi taaaanta imagem desses bostas, alguém me manda um site legal pra achar fanarts boas de novo, porque preciso de capas pra minhas histórias, socorro. Tão legal quanto escrever, é ficar montando as capas e eu aqui, perdi tudo. Desculpa, mas precisei desabafar hahahaha Galers, mais uma coisinha (a pessoa tá difícil de calar a boca hj). Acho que queria fazer um ask, mas não sei, leitores, apoiam a ideia? Tem gente querendo saber da minha vida? Como vcs tão vendo, aparentemente, eu gosto de falar, então por mim hahaha Bem, chuchus, vou ficar por aqui. Quero só agradecer cada um que comenta e me motiva, e podem ter certeza que não abandonarei AMdF, viu, pra todos que acharam que eu tava desistindo. Espero que tenham tido um ótimo Natal/Hanucá/o que seja que você leitor comemore! Qualquer erro, me perdoem e muito obrigada pelo carinho, vejo vocês no próximo s2