A Maldição Ouija
9 Nove
Helen assistia o fracasso do namorado no boliche, quando percebeu que Gibson se distanciava deles, indo para um corredor onde ficavam os banheiros. Despercebida, só notou que Alice estava ao seu lado quando resolveu buscar pela amiga.
– Acho que estou melhor. – A loira falou com um pouco a mais de ânimo.
– Onde ele está indo? – Perguntou, apontando o pálido.
– Não sei, e nem quero saber. Ele veio falar comigo novamente, sobre aquela mesma coisa, mas interrompi a conversa antes de começar com toda a história outra vez. Já sabemos que nunca houve teatro nenhum, ele realmente me traiu...
– Não. – Helen se virou pra Alice. – Por que diz isso?
– Você mesma me falou, não se lembra? Naquela festa, há alguns meses...
– Eu estava com raiva com Gibson porque ele havia quebrado minha câmera. Não foi verdade, ele falou mesmo a verdade.
– Como assim, Helen?
– Realmente aconteceu um teatro, teve um ensaio e tals. Eu fazia parte do elenco, só que fui cortada da peça para não acabar beijando ele, pois sabia que vocês dois tinham um caso. Daí, encontraram uma substituta e quem correu foi o Gibson, mas o professor ameaçou e ele não teve como recusar.
– Mas... E porque só me disse isso agora? – Alice estava atônita.
– Desculpe, tinha me esquecido. E agora?
– Eu não sei... – Ela deu de ombros. – Já disse tanta coisa pra ele. Acho que não consigo olhar nos olhos e pedir desculpas depois de todas as desavenças...
***
O seu relógio apitou, despertando-o de um sono nada bom. Randall, o atendente da banca, dormia em uma poltrona, no meio da escuridão da sua casa, de frente para uma televisão que permanecia ligada. Abriu os olhos prontamente, se vendo em volta e olhando para as horas...
– Ainda faltam 10 minutos para as duas. – Limpou as orlas com suas mãos. Deu um longo bocejo, e nisso, se levantou da poltrona. – Acho que vou ir para a cama. Não sei se consigo dormir aqui depois de tantos pesadelos...
O gótico vasculhou a escuridão em busca do controle da TV. Achou-o sobre o ombro da poltrona, o pegou e, quando pretendia desligar o aparelho, viu uma foto ao fundo da mesma jovem que comprara a tábua Ouija horas atrás. Era um noticiário, a tv estava no mudo, então ele aumentou o volume.
“Ainda é um mistério para a polícia desvendar como a jovem de 17 anos, Daniela Blane, foi assassinada friamente em sua casa enquanto acontecia uma festa com alguns amigos. Testemunhas afirmam que, antes de morrer, Daniela afirmou ter visto alguém no segundo andar da sua casa, porém todos os seus amigos a faziam companhia no andar inferior. O corpo da moça foi lançado do segundo andar, e encontrado pelos seus amigos no gramado da casa, com estranhas queimaduras na pele(...)”
– Que droga. Não jogaram Ouija direito! – Randall deu um soco na poltrona. – Eu sabia que isso iria acontecer... Por deixei ela levar a tábua? Agora não é hora pra isso... Tenho que encontrar o resto desse povo... Sou o único que pode ajudá-los no momento.
O gótico, desligando a televisão, saiu apressadamente da sua casa. Como vira a foto da casa de Daniela no noticiário, não seria muito difícil encontrar uma igual. Até porque a área devia estar cheia de faixas.
***
No fundo da mente, ainda inconsciente, Rian sentia uma tremenda dor de cabeça e se imaginava morto. Apenas quando algum tipo de luminosidade muito forte atingiu seus olhos, que ainda estavam fechados, fora que ele acordou um pouco zonzo.
Notou que alguém se aproximava de si com uma lanterna nas mãos e se levantou rapidamente, vindo para trás. Sua cabeça doía como nunca, a queda devia ter sido bastante feia. Pelo menos ele estava livre de quem quer que fosse na casa...
– Está legal? – Alguém perguntou.
– Quem é você? Será que dá pra abaixar a luz dessa lanterna!
Assim que o aparelho desligou-se, o pálido viu um homem cheio de tatuagens, de cara era gótico. Tinhas piercings pelo rosto, nas orelhas e etc...
– Pensei que fosse mais um. – O estranho disse. – Por sorte ainda não morreu.
– O quê?
– Eu sei sobre você e seus amigos, sei o que fizeram e também sei sobre a morte da garota.
– Como descobriu?
– Reconheci ela na foto de jornal. Também reconheci as queimaduras em sua pele, feitas por algum tipo de demônio muito forte. Meu nome é Randall, sou o atendente da banca de jornal que vendeu a tábua para Daniela.
De repente, tudo recente veio na mente do pálido. Ele se recordou da casa, de Tony, do vulto...
– A culpa é sua, então. Não é só a Daniela, mais um amigo meu já morreu. – Então ele apontou para a casa atrás de si. – Ali dentro. E eu quase fui outra vítima, só que me atirei lá de cima.
– Não é culpa minha, eu avisei para a garota que o tabuleiro não é um jogo como Mercado Imobiliário, mas vejo que não me deu a menor ideia. O que está acontecendo é apenas a vontade do espírito.
– Como assim?
– Vocês jogaram com alguém, certo? Agora, esse ser que estava do outro lado foi parcialmente liberto com algum erro de vocês. Então, para se libertar de vez da tábua, ele precisa matar todos que o ajudaram da primeira vez. E percebo que já se foram dois.
– Eu preciso avisar o resto do pessoal... A propósito, o que você está querendo?
– Vim ajudá-los. Pois, nem a polícia iria acreditar nessa coisa de espíritos, certo? E... Onde vocês jogaram?
– Ali. – Ele apontou para a casa do outro lado da rua, cheia de faixas de proibido ultrapassagem.
– Ótimo. Vou entrar e preparar todas as coisas para uma nova sessão. Vocês precisam saber o que esse espirito quer e tentarei um “a deus” para ele. Enquanto isso, encontre o mais rápido possível os outros que não morreram. É só questão de tempo para você e eles acabarem como a garota.
– Tudo bem.
Assentindo, Rian saiu apressadamente. Randall viu o moço se afastando, então se virou para a moradia de Daniela. Era uma casa de dois andares, bonita. A única coisa que a estragava era o grande buraco na parede do segundo andar, onde devia ser uma janela, estava apenas um poço escuro.
– Ouija...
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