Notas iniciais
Quinto capítulo com imagem.

Gibson enfim suspirou aliviado após fechar o zíper de sua bermuda. Deu descarga, se aproximou da porta esbranquiçada da cabine onde estava e a empurrou. Saiu do pequeno cubículo quadriculado e olhou em volta, vendo que todas as portas dos demais “banheiros” estavam encostadas, parecia estar sozinho ali.

Chegou perante a pia, abriu a torneira e limpou suas mãos enquanto assistia a seu próprio reflexo no espelho diante dele. De repente, um pequeno baque foi dado em um dos sanitários atrás de si. Gibson se virou, curioso.

– Tem alguém aí?

É claro, não houve resposta. Após fechar a pia, o rapaz seguiu até a porta de saída, mas no meio do caminho cessou seus passos ao ouvir um novo barulho, que mais parecia ser um ruído.

– Oi? – Questionou novamente.

Voltou até o último dos banheiros, agachou-se no chão e tentou ver do outro lado por debaixo da porta. Obteve sucesso quando percebeu que na cabine não havia ninguém. Passou para a porta adiante e fez a mesma coisa.

“Trick”. Um vidro quebrou. Gibson se levantou quase tendo um enfarto, olhando para todos os lados a procura do que aconteceu: Só encontrou o espelho da pia quebrado parcialmente.

– Que droga... O que tá acontecendo aqui?

A última cabine se abriu sozinha, sua porta ruiu coisas terríveis enquanto se abria. O rapaz, percebendo a situação e notando que não tinha visto ninguém do outro lado, foi dando passos para trás, indo em direção a porta de saída do banheiro.

Passando pelas primeiras cabines, escutou novamente o ruído que vinha de trás de alguma delas. Sua curiosidade foi maior que o seu medo, chegou a perguntar se tinha alguém, mas ninguém respondeu nada, então chegou perante a primeira porta e...

– Tem alguém...

– Cala a boca, cara. – Um grito o fez saltar para trás. – Será que dá pra parar com essa falação toda? Tô tentando me concentrar aqui...

– Desculpe.

Gibson olhou suspirante para o espelho, percebendo que havia alguém naquele banheiro além dele. Puxou um último suspiro, foi até a saída, girou a maçaneta e se viu livre do banheiro.

De repente, ele sentiu algo muito forte tocar os seus pés, derrubando-o no chão. Com uma velocidade absurda, seu corpo foi arrastado para trás, o voltando para o último sanitário, enquanto gritava desesperado por socorro. Assim que entrou na cabine, a porta se fechou e estrondos iniciaram-se.

Alguns pequenos sussurros eram dados por quem tinha sua cabeça impactada na porta a cada segundo de suspiro. Um sangue rubro começou a lotar o chão da cabine, passando em gotas para o outro lado do banheiro.

– Ei, cara, está tudo bem aí? – Alguém perguntou de um dos sanitários.

O silêncio prosseguiu, os ruídos pararam. Uma das portas se abriu, dela saiu um homem que estava curioso, olhando ao seu redor. Notou pequenas poças de sangue no chão da última cabine, seguiu apressado até ela e... Quando abriu-a:

– AHHHH!

Deu de cara com um corpo todo esfolado e ensanguentando, pendurado na alavanca de descarga. Era Gibson, morto.

***

Alguns minutos tinham se passado.

Wallace tentava controlar as lágrimas de Helen enquanto viam um corpo sendo retirado da bolichearia sobre uma maca, por uma equipe de peritos e legistas. Alice estava próxima ao casal, evitando chorar, mas demonstrando uma enorme tristeza com a morte do ex.

– O que está acontecendo? – Helen quebrou o silêncio. – Primeiro foi a Daniela, agora o Gibson. O Tony e o Rian sumiram... Algo está errado!

– Relaxa, amor... – O ruivo tentava consolar. – Eles vão dar um jeito de prender quem fez isso.

– “Quem fez isso”? – Repetiu Alice desentendida. – Olha, me desculpem, mas eu já não acho que seja uma pessoa. Só pode ser algo anormal, um monstro ou do tipo. Por que, deixar tanta crueldade... Por quê?

Ela não conseguiu se segurar, também chorando. As lágrimas que brotaram em seus olhos não saíram sozinhas, palavras que culpa também vieram da sua boca:

– É culpa minha, tudo isso. – Ela disse. – Eu não devia ter duvidado do Gibson, ele ainda estaria vivo com a gente se não tivesse o deixado sozinho na mesa. Também, a Danny não morreria se não tivesse dado a ideia de fazer a festa.

– Alice, ninguém tem culpa de nada, viu. Tudo isso tem uma explicação. – Wallace explicou. – Seja qual for ela...

O trio foi surpreendido quando viram Rian entrando pelas portas do lugar. O pálido, atento a tudo, logo viu os três e foi o mais rápido que pôde até eles. Não deixou de observar aos carros de polícia e a uma ambulância que estavam encostadas do lado de fora.

– Que bom que encontrei vocês. – Indagou, mas breve percebeu que suas reações não havia mudado. – O que aconteceu aqui? Cadê o Gibson?

– Morreu. – Wallace foi o único que conseguiu falar.

– O quê? Isso é brincadeira, né?

– Acha que eu iria mentir sobre a morte do meu melhor amigo? – Retrucou um pouco nervoso.

– Calma, amor. – A sua namorada conteve-o. Em seguida, ela se virou para o outro e questionou-o: — Cadê o Tony?

Com o gesto de abaixar a cabeça, Rian deixou todos boquiabertos. Alice aprofundou-se a chorar, eram muitas perdas para uma só noite. Helen se abraçou fortemente em Wallace, enquanto ele acenava negativamente, não entendendo o que acontecia.

– Mas isso é demais... O que tá matando a gente? – O ruivo gritou.

– O Ouija. – Rian respondeu rispidamente. – Libertamos um espírito naquela sessão de mais cedo, por que encerramos errado o jogo. Agora, pra ele se libertar de vez, está vindo atrás de cada um que participou da sessão e matando-o.

– O quê? – A loira de Chanel ficou atônita. – Como descobriu tudo isso?

– Eu pesquisei. E também quase fui morto junto com Tony.

– E o que vamos fazer? Vamos morrer também? – Alice questionou limpando os olhos.

– Talvez não. O cara que vendeu a tábua para a Daniela quer nos ajudar a trancafiar esse demônio no tabuleiro de novo. Pra isso, temos que voltar para o lugar onde jogamos e jogar outra vez... Só que da maneira certa.

– O quê? A gente vai ter que voltar... na casa da... Daniela? – Helen se transtornou. – Não, eu não consigo voltar lá. O corpo dela não está mais lá, mas ainda vejo as marcas de sangue pelo chão.

– Se não fizermos isso, iremos todos ter o mesmo destino deles. – Rian apontou para a ambulância que acabava de sair com o corpo do amigo. – E então? O que vocês vão fazer?

Os três se olharam por um curto momento. Wallace então falou:

– Vamos no meu carro. – Então deu uma pequena pausa, seguindo: – Só espero que funcione!