A Maldição: Cidade Do Horror.

2 Capítulo 2 - Garota Nova.


Não consegui dormir durante a noite. Os pesadelos e as vozes vieram. Eu esperava que elas ficassem no nosso apartamento de cobertura em Ohio. Mas não tive tanta sorte assim, pelo visto. Desde daquele dia eu não tenho uma noite de paz. Eu me lembro como se fosse ontem, o dia em que eu tentei me matar. Sonhei com esse dia.

Eu estava com os pés mergulhados no água limpa do lago. Meus pais haviam comprado aquela casa quando eu tinha somente 3 anos, e ela era muito importante para mim. Meu irmão mais velho, Joe, estava internado. Ele enlouquecera. Foi muito subitamente. Eu ainda nem me recupera-ra, mas consegui convencer meus pais a voltarmos para aquela casa onde tudo começou. Eu não me sentia bem naquele lago. So tinha 11 anos, meus pais ja pareciam não dar mais a mínima para minha existencia infeliz. Então tomei uma decisão rápida. Mergulhei ate o fundo do fundo do lago. Abracei os joelhos la embaixo e soltei todo o ar que estava em meu pulmão. Menos de 20 segundos depois eu estava me debatendo um pouco. Mas 5 minutos depois a dor era insuportavel. Eu estava com a visão nublada, mas me recusava a subir ate a superficie para pegar um pouco de ar e desistir dessa maluque-se de suícidio. Mas quando eu resolvo que vou fazer uma coisa, eu faço e o resto que se dane. Vi uma luz na frente do meus olhos. E a imagem de um homem muito lindo apareceu na minha frente. Ele era moreno, e tinha olhos azuis, quase prateados, como os meus, os cabelos eram escuros, e ele me lembrava muito o Joe. Ele sorriu afavelmente para mim.

— Preciso de você viva, meu amor. — Falou ele docemente. Depois se virou para outros pontos brilhantes perto de mim. Eles faziam meus olhos arderem. Eles brilharam mais intensamente, e eu desmaiei. Ou talvez tenha morrido, não tem importancia. So sei que quando acordei, na praia, eu me sentia morta. Meus dentes estavam batendo. Um pescador apareceu e chamou seus outros amigos, eles me levaram para o hospital, e foi a partir daquele dia que eu comecei a ouvir vozes. Onde quer que eu esteja. Principalmente a noite.

Argh. Por que eu tenho que ser tão anormal? Desisti de dormir e fui ler um pouco. Eu adoro livros sobre mitologia. Não importa que tipo, eu somente gosto. Não consegui deixar de pensar sobre como eu estava quando me olhei no espelho. Meus pais ficaram extremamente assustados, mas então quando perguntei a eles sobre o fato de que meus grandes olhos castanhos terem ficado prateados, e meus cabelos terem ficado pretos. Foi assustador aquele dia. Mas não preciso ficar lembrando disso.

Você precisa ficar viva, meu amor.

As vezes da vontade de me matar so por causa das vozes. Elas sempre me mandam ficar viva. Fique viva, fique bem, eu estou indo vós salvar.

Você não pode fugir de quem você é.

Quem sou eu? Essa e a minha pergunta. Provavelmente so uma garota problematica, com pais super ocupados e indiferentes, e um irmão psicotico, que esta internado, com medo das vozes. Eu deveria ser internada também, dessa forma. Antes que eu pudesse fazer mais objeções, o dia começou a amanhecer. Os primeiros raios de sol invadiram meu novo quarto, as vozes pararam de me perturbar. Fui tomar banho e fiquei enrolando no chuveiro para não sair. A água estava quentinha, e o clima, frio. Olhei no relogio do banheiro, (sim, temos um relogio no banheiro), eram exatamente 8:01. Me vesti e desci as escadas que levavam a sala e a cozinha, me escondi debaixo de umas almofadas no sofá. Eu faço isso so por falta de ter o que fazer mesmo, mas hoje, ter feito isso me rendeu umas informações... Meus pais estavam conversando sobre mim na cozinha.

— Ela não come mais nada, Jared! — Falou minham mãe preocupada para meu pai. — Nem dorme. Lembra de quando ela tinha 12 anos, e disse que tinha visões e ouvia vozes? E se era verdade?

— Rachel... Sabe como são os adolescentes de hoje, com suas dietas...

— Mas ela tem a grossura de galho de arvore! — Exclamou minha mãe, o que me magoou.Ta que eu sou magra, mas também tenho umas curvas, ne mãe?!

— Rachel... Ainda assim. E as visões e as vozes... — Falou em tom de ironia. — Devem ser por que o irmão dela foi internado naquela época. Sabe como a Rô gostava do Joe. — Rô foi um apelido que o Joe me deu, eu não gostava, mais... Quando o Joe foi embora, eu me agarrei a tudo que pudesse me lembrar dele. Inclusive esse apelido feioso. Rô.

— Deve ser por isso. Querido, temos que fazer a matricula na nova escola dela e... — Minha mãe continuou a falar sobre a escola e tudo o mais. Subi as escadas de fininho e desci novamente fazendo barulho. Eles olharam para mim.

— Oi minha filha! Dormiu bem? — Assenti, mas minha mãe não se convenceu. — Quer comer alguma coisa? — Perguntou.

— Não to com fome. Vou dar uma volta la fora, certo? — Ela assentiu triste, e eu sai dali rapidinho. Uma coisa branca miou atrás de mim. — Oi Doug. Como vai a vida? — Ficamos andando ate eu me bater com o mesmo idiota de ontem. O que me chamou de pirralha, fraca e magricela.

Eu vou te salvar, minha querida.

Decidi jogar duro e passei por ele ignorando-o. Mas ele não fez questão de me ignorar também.

— E ai, Randy.

— Pra começar, e Rosalya. — Resmunguei. Ele acertou o passo ao meu lado. — Por que não vai achar alguém para atazanar?

— Por que não tem ninguém aqui, fora você. Esse lugar e uma prisão. — Sorriu malignamente.

— O que você faz para matar o tempo aqui? — Perguntei curiosa.

— Ouço músicas, roubo coisas, escalo arvores, mato pessoas... — Zombou.

— Bem legal. Acha que consegue escalar aquela ali? — Perguntei apontando para uma arvore que era mais que alta, era altissima.

— Rápidinho. — E subiu na arvore. Primeiro ele somentei agarrou um galho e se balançou ate outro, e repetiu o processo várias vezes, ate ja estar numa altura de dar frio na barriga. Doug miou e subiu na arvore.

— Poxa Doug, não sobe ai não! Da ultima vez ficou preso! — Berrei. O gato deitou-se e chiou para o garoto. — Parece que eu vou ter que subir. — Sussurrei. O chato ficou fazendo coro para eu subir, então o mais graciosamente quanto o possivel, subi na arvore, primeiro eu somente achei uma parte no tronco que desse para enfiar o pé, e depois eu fui somente escalando os galhos, aqui e ali dando uma cabalhota. Meus antigos amigos viviam dizendo que eu ia ganhar alguma Olimpiadas quando tivesse idade e coragem.

— Devo admitir que estou impressionado. — Admitou ele quando cheguei no mesmo galho que ele.

— Isso aqui não vai desabar com nosso peso? — Perguntei preocupada. Doug estava a um galho abaixo de nós. Se desabarmos, adeus Doug.

— Talvez desabe com o meu, mas nem precisamos nós preocupar com o seu. Você pesa quanto, 50 quilos? — Perguntou ele.

— 47. — Resmunguei. Ele riu. — Vou pegar meu gato e descer. — Falei.

— Espera, me fale mais sobre você. — Pediu sem interesse. — Não existe nada mais chato que ficar sozinho. Ate ficar na cadeia e pior que estar aqui. — Resmungou. Cadeia?

— O que você quer saber? A cor verdadeira do meu cabelo? — Perguntei. — Eu nem sei seu nome.

— Meu nome e Alex, sua esquisita. — Retrucou. — Agora acho que a cor verdadeira do seu cabelo pode ser um bom começo. Aposto que e loiro.

— Argh. E preto e branco. — Ele arqueou as sobrancelhas, mas eu dei uma desculpa qualquer. — Deve ser uma mutação genetica.

Eu vou te salvar.

Eu não preciso ser salva.