-Sabe Clara? — disse Paola chamando a amiga para perto de si. — Esse novato é meio estranho.

Clara olhou nos olhos negros de Paola e disse:

-Nada a ver. Ele só é um pouco tímido, Lola. Você tira conclusões precipitadas das pessoas. Precisa parar com isso!

A mesma suspirou fazendo a franja do seu cabelo se atrapalhar. André ficou um tempo observando as meninas conversando, enquanto a professora passava a matéria no quadro. Logo o sinal bateu. Paola não havia gostado do novato. Tinha certa desconfiança dele, mas a amiga estava muito segura de si. Até parecia que o conhecia. Será que é verdade?

Os primeiros horários daquela manhã passaram rapidamente e logo se iniciou o intervalo. E como sempre, Clara e Paola andavam juntas no recreio com um grupo de amigos que eram de outra classe. Infelizmente haviam separado todos os grupos existentes no colégio, mas apesar de serem de salas de diferentes, o assunto era mesmo. A viagem de formatura.

-E então galera, vocês vão a essa viagem?- interrogou Clara aos amigos.

-Mas é claro que vamos. È nossa formatura praticamente. E pra dizer a verdade, eu prefiro uma viagem, a formatura. — disse Antonio, um dos amigos.

-Todos nos preferimos assim. Sem contar que da pra aprontar um monte de coisas! — exclamou Natan sorrindo.

-Vocês só têm merda na cabeça. Só pensam bobagem. Não vamos ter tempo pra essas coisas. Você acha que a professora não vai pegar no nosso pé? — falou Raquel.

-Disso todos nós sabemos Raquel. O Natan só estava brincando! — exclamou Clara. — E vou indo nessa. Vou ver se compro alguma coisa pra eu lanchar. Vem comigo, Lola?

Paola acenou com a cabeça positivamente e se despediu dos amigos, caminhando ao lado de Clara. As duas foram comprar merendas e como a fila estava grande, Paola deixou que a amiga pegasse para a mesma, que ficou encostada na parede, observando o recreio, até que André se aproximou.

-Oi. — disse ele. — você está na fila?

Ela se assustando com o garoto respondeu:

-Hã oi. Não. Só estou esperando uma amiga.

-Ah tudo bem. — ele disse. — Mas qual é o seu nome mesmo?

Paola nesse instante olhou dentro dos olhos do garoto, fazendo com que ela ficasse paralisada. Como se estivesse em outro mundo. Parecia estar prevendo alguma coisa, e pelo formato de seu rosto, as coisas não pareciam ser muito boas. André vendo que a mesma estava em transe, disse:

-Está tudo bem com você?

Ela nesse exato momento voltou a si e um pouco zonza afastou-se do rapaz e sentou-se em um banco na sombra, deixando André desconcertado. Assim que Clara pegou o lanche, foi até Paola.

-Porque você não continuou na fila? — interrogou a amiga.

-Eu estou me sentindo um pouco mal. — justificou.

-Eu vi você conversando com o André.

-E daí?

-Daí que você ficou assim depois que vocês conversaram.

-Pois é. Mas não fiquei assim por causa dele. Pelo menos eu acho.

-Então foi por qual motivo?

-Eu acho que tive uma visão. Vai acontecer algo nessa viagem, Clara.

-Virou uma paranormal agora, Paola? — debochou Clara gargalhando.

-Não sei. Mas eu não estou com um bom pressentimento em relação a essa viagem! — exclamou Paola séria.

-Deixe de ser boba, garota. Vamos comer. Estou com muita fome.

Clara entregou o lanche da amiga e as duas lancharam por ali mesmo. A visão que Paola teve não foi nada amigável. Será que algo ruim vai acontecer nessa viagem?

Notas finais

Deixar um review não mata ninguém