A Maldição: O Herdeiro
4 Um Quase Sequestro
Notas iniciais
“Dizem que coisas ruins acontecem por um motivo
Mas, nenhuma palavra sábia me fará parar de sangrar”
– Break Even
3 anos depois...
_ Acorda! Acorda! É hoje! É hoje! – dizia Miranda pulando em cima de Will que algum tempo atrás estava dormindo profundamente.
_ O que você quer Miranda... Eu estou com sono. – ele ouviu quando ela bufou de irritação e disse:
_ Hoje é o dia em que a Anna vai para o castelo, você vai nos acompanhar ou não? – tinha esquecido. Quando o avisaram estava com a cabeça muito cheia, mas era verdade. Sua irmã Anna agora com 17 anos havia sido sorteada para ser a dama de companhia de uma das princesas do castelo real – já estou indo me esperem lá fora.
Parecia que havia se passado tanto tempo... Uma de suas irmãs se tornara uma adulta e estava deixando a casa. Levantou da cama e se lavou. Olhou seu reflexo no espelho e viu suas expressões de cansaço que não conseguia mais esconder. Além de ter que trabalhar o dobro, seu corpo estava passando por mudanças estranhas, se sentia fraco e adoecia com muita facilidade e em outras horas, tinha energia em excesso e ficava forte e saudável como um touro e isso causava um desgaste enorme. Mas teria que continuar vivendo.
Saiu pela porta da casa e encontrou suas irmãs conversando com Nina, sua amiga:
_ Bom dia Nina. – Will a cumprimentou.
_ Bom dia Will, pronto para deixar essa garota voar? – Anna deu um sorriso mínimo ao canto de boca.
_ Claro que não, mas o que eu posso fazer... – Will disse com pesar em sua voz. – era isso ou ela iria sozinha, do jeito que ela é teimosa. – Anna e Miranda deram risadinhas.
_ Você não vai com a gente? – disse Miranda subindo em um cavalo.
_ Não, vou deixar para que você me conte quando voltar.
_ Como assim quando voltar e quem disse que você pode ir Miranda? – ela olhou incrédula para o irmão que não parecia estar brincando, então bufou e desceu do cavalo emburrada – sabe que se pudesse leva-la comigo levaria, mas a viagem é longa e muito arriscada – disse e deu um beijo em sua testa. Ela por fim se conformou e foi dar um abraço apertado na irmã que apenas a veria nas festas de final do ano.
_ Tem certeza de que não quer ir com a gente? – disse Will para Nina – Seria bom você ficar de olhos em... Você sabe.
_ Tenho de quem cuidar aqui lembra? – olhou para Miranda – e além do mais você já é bem grandinho para que eu tome conta de você.
_ Mas e se... – Nina o calou.
_ E se nada, você vai acompanha-la num momento importante da vida dela, que será em família.
_ Mas você é praticamente da família – disse Will insistindo em achar alguma brecha para que Nina os acompanhasse.
_ Ser da família envolve laços de sangue e isso eu tenho certeza que não tenho com vocês. – vendo que ele ainda continuava apreensivo completou – tenho certeza de que você se sairá bem, você tem muito tempo ate o dia chegar.
Sendo convencido finalmente por Nina, Will se despediu dela e da irmã caçula e montou em seu garanhão negro e antes que anunciasse o começo da viagem olhou para sua irmã Anna e lhe deu um sorriso. E então começaram a cavalgar. Não havia necessidade de pressa já que o prazo era bem longo, mas sempre era melhor do que chegar em cima da hora, além do mais daqui a poucos dias seria a lua nova e com ela desagradáveis momentos.
Depois de passar por toda a vila finalmente haviam chegado à fronteira, o único caminho para chegar ao castelo era passando por aquela floresta. Essa era uma das desvantagens de morar em um lugar quase isolado, mas isso não era problema os dois conheciam muito bem aquele lugar, principalmente Will que caçara muitas vezes ali, atravessara muitas vezes para ir á aldeias vizinhas, mas a floresta parecia diferente. Não tinha o ar encantado das clareiras, os animais estavam calados e não estava nem perto do inverno, achou estranho, mas pensou que pudesse ser sua mente lhe pregando uma peça. Ultimamente isso vem acontecendo com frequência, anda vendo coisas, pessoas e sonhos muito esquisitos, e a sensação de sempre estar sendo seguido não lhe abandonava a cabeça. Durante meio dia de cavalgada atravessavam a densa floresta a trote, parando apenas uma vez a margem de um rio para os cavalos se refrescarem e nesse meio tempo, uma Anna muito curiosa tem como objetivo aborrecer o pobre Will, não que fosse de proposito, mas aquela conversa já estava ficando irritante:
__... Porque você não me conta? Sou sua irmã! Não confia em mim? – todo aquele drama desnecessário dava dor de cabeça, mas tinha muita paciência.
_ Quantas vezes vou ter que dizer que não aconteceu nada e nem vai acontecer Anna?
_ Até você parar de mentir – muita paciência.
_ De onde você puxou essa teimosia?
_ Acho que essa pergunta é meio óbvia. – disse ela – Ora, quem você acha que me ensinou a ser teimosa?
_ Ai, o que eu faço com você Anna...
Ela insistiu muito, mas não havia nada a dizer. Se manteve firme e continuaram a pequena viagem.
Ainda tinham algumas poucas horas de viagem quando anoiteceu, insistiu para terminar logo a viagem pernoitando pela mata, mas Anna negou e disse que estava cansada, afinal o palácio não iria sair do lugar. Combinaram de acordar cedo e chegar pela manhã. Chegando até uma clareira que estava ocupada por um grupo de viajantes, Anna tomou a frente e disse:
_ Com licença cavalheiros poderiam compartilhar o seu fogo e abrigo com humildes colegas de viagem? – aquilo foi muito ruim Anna não tinha muita experiência com as pessoas de fora, fora com muita inocência. E no mundo afora mulheres não dão a primeira palavra.
O homem nem teve a decência de respondê-la, apenas ignorou. Quando Will se aproximou e assumiu a frente de Anna o homem finalmente falou:
_ Boa noite.
_ Boa noite, meu senhor. É com extrema humildade que peço ao senhor para emprestar-me seu fogo e refugio pera meus animais e irmã. – com certeza não era um aldeão qualquer, não surpreenderia se fosse da nobreza. – E me desculpe por aquilo, espero não tê-lo aborrecido.
Com apenas um olhar Anna entendeu o recado e se pôs no lugar em que eles acham que ela deveria estar. Submissa.
_ Ora, não há nada homem, esta clareira é grande o suficiente para nós. Porem, não há o conforto necessário para a jovem dama. – tentou disfarçar o olhar que deu a ela e Will tentou disfarçar a vontade de ataca-lo. Até o momento ele tinha sido cortês, não queria ser o primeiro a terminar com a confraternização. Além de tudo, não encontrariam um lugar tão bom quanto aquele para passar a noite.
Além do homem que falou com eles haviam mais quatro, mas aquele parecia ser mais polido, talvez pudesse ser o líder deles. Will não teve uma boa impressão deles, Anna muito menos, ficou ofendida com a forma que foi tratada, mas sabia que teria que manter as aparência e ficar calada, mas dormiu logo. Will dormiu ao seu lado, mas demorou um pouco a dormir, todos já estavam adormecidos, mas uma dor de cabeça terrível lhe tomava a mente. Depois de muito custo conseguiu pegar no sono.
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Por dormir tarde Will acordou um pouco depois do esperado, não encontrou nenhum dos homens a vista, nem sua carroça, nem seus cavalos, tinham apagado a fogueira e partido mais cedo. Com a cabeça ainda um pouco dolorida continuaram o pequeno percurso que faltava até o castelo das Províncias do Sul. Logo chegaram até a capital e viram a extrema diferença que há entre morar em um vilarejo afastado e tranquilo, e uma grande cidade que está sempre em movimento.
Anna ficou maravilhada com tudo que encontrava ao seu redor, todas as coisas que se podia comprar, as pessoas, as casas, absolutamente tudo. Já Will que ficou um pouco assustado, mas não falou nada, ficaria pouco tempo ali, apenas levaria sua irmã até o castelo e poderia ir embora. Algumas pessoas olhavam para eles, mas as damas em particular ficavam dando risinhos quando ele passava, mas assim que viam Anna suas expressões mudavam para raiva. Deixem-me explicar o mal entendido que ocorreu enquanto passavam pela cidade:
A família Knight com certeza era a mais bela de Heliodora, mas como viviam desde pequenos neste lugar e nunca saíram, as pessoas não estavam acostumadas com isso. Então as damas queriam cobiça-lo, apesar de não aparentar ter mais dinheiro que elas, e os rapagões babavam em Anna, porém esta era muito focada para prestar atenção nessas futilidades. Will reparou, mas preferiu continuar calado.
Exatamente no centro de tudo aquilo e cercado por altos muros de pedra se encontrava o castelo, ao redor de todo o muro se encontravam bandeirolas azuis com o desenho de uma lua, que brilhava e ricocheteava com o vento e logo ao lado um grande estandarte amarelo com um sol da mesma cor. O símbolo do norte. Todos os reinos serviam ao reino do norte, que era o mais poderoso. A enxaqueca de Will pareceu piorar um pouco quando os portões foram abertos para dar a vista de um imenso jardim. Seus cavalos foram pegos e mandados parar o estábulo e eles foram encaminhados até a porta e lá ficaram esperando. As portas continuavam fechadas e Anna parecia já estar impaciente quando ouvi algo.
Parecia uma luta.
Ele deu a volta no castelo e som foi aumentando cada vez mais. Escondido atrás de um dos arbustos conseguiu ver o que estava acontecendo. Um homem estava sendo sequestrado. Ele se debatia enquanto três homens tentavam segura-lo e um outro colocava um pano preto em sua cabeça, estava tudo muito confuso todos brandiam furiosamente ao mesmo tempo, mas de relance pude ver quem estava sendo sequestrado. Era um homem de estatura pequena, mas para estar sendo sequestrado deve ser importante.
Quando Will resolveu deixar as explicações para depois e resolveu ajudar viu que o garoto já tinha deixado no chão dois deles ainda com o pano na cabeça. Com apenas um movimento ele escalou os outros dois e com apenas um golpe deixou-os no chão. Quando tirou aquilo da cabeça Will teve uma surpresa.
Era uma garota.
Uma garota vestida de homem.
Antes de conseguir dar mais um passo ela o viu e saiu correndo. Iria demorar algum tempo até que Will conseguisse processar tudo aquilo, mas resolveu voltar para a frente do castelo quando viu que os guardas chegavam para prender os sequestradores, não ficou lá para ver o que aconteceria.
Encontrou Anna ainda na frente do castelo e ela lhe pergunta aflita:
_ Onde você estava?... – não houve tempo para responder quando a porta finalmente foi aberta.
_ Sejam bem-vindos! – disse uma moça simpática que parecia ser a governanta da casa. Ela apresentou o castelo e os deixou na sala de visitas, que era enorme, sentaram num grande sofá com almofadas cobertas de seda e ficaram um olhando o outro, de frente para o outro.
_ Estou nervosa. – disse Anna.
_ Mas não estava com pressa de conhece-la até agora a pouco?
_ É, mas e se ela não gostar de mim, e se eu fizer alguma coisa errada?
_ Não tem como ela não gostar de você Anna fique tranquila.
Passaram-se mais 5 minutos quando a governanta traz uma moça em seu encalço. Anna se levantou e fez uma reverencia. Will fez o mesmo sem olhar para quem reverenciava. Então a governanta falou:
_ Minha princesa essa será sua nova dama de companhia, senhorita Knight, essa será sua dama a partir de hoje, vossa alteza real Georgie.
As apresentações feitas Georgie disse:
_ Podem se levantar, por favor.
Então os dois se endireitaram e viram uma garota ruiva cumprimentando-os:
_ Muito prazer. – assim que seus olhos se levantaram encontraram os de Will e ficou espantada ao ver que era o mesmo homem que a havia visto nos fundos do castelo, e ele também a reconhecera.
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