Notas iniciais
Gente eu abandonei essa história, pelo mesmo motivo que sempre abandono as coisas pela metade, eu ainda não sei o porque já que eu estava muito empolgada com ela. Depois que eu excluí, eu continuei ela devagarzinho, três capítulos já estavam prontos, mas o monitor do meu antigo computador pifou e era nele que estavam a maioria das minhas histórias, eu vou tentar continuar de onde eu parei aqui, mas eu não posso garantir nada.

– Será uma honra servi-la, princesa. – disse Anna não percebendo os olhares a sua volta.

Com a classe de uma verdadeira dama, Georgie se recompôs e disse:

– Eu espero que sua estadia aqui seja agradável, e pode me chamar de Georgie. Agora Joana irá lhe mostrar os seus aposentos e o Manfred te ajudará com as malas e a conhecer o castelo quando estiver acomodada. – ela disse indicando um dos empregados que não tinha sido notado até o momento, ele já tinha muita idade, mas era possível perceber a bondade em seus olhos enquanto eles se enrugavam.

Com uma reverencia Anna se afastou e seguiu Joana, dando um rápido olhar para Will.

O silencio na sala estava desconfortável, e os dois pareciam ter perguntas, mas nenhum deles teve coragem para começar. Acostumada com aquele tipo de situação Georgie começou a conversa.

– Que cabeça a minha senhor Knight, sente-se, por favor. Creio que o senhor tenha termos para acertar comigo sobre a guarda de sua irmã.

– Termos?

– Sim, o que ela pode ou não fazer, o que lhe é permitido.

– Isso não cabe a mim, Anna é uma garota inteligente e esperta, sabe o que é melhor para ela, a minha única obrigação era protegê-la. Claro, enquanto ela estivesse sob a minha guarda. – Will disse com pesar na voz.

Georgie não pôde deixar escapar um breve sorriso, aquele jovem falava com ela como se fosse uma igual, e pela primeira vez viu alguém demonstrar interesse em outra coisa a não ser paparica-la.

– Parece que vocês são muito próximos, ela pelo visto vai sentir muito a sua falta.

– Sim, vossa alteza, mas espero que ela se adapte bem, esse sempre foi o sonho dela.

– Sonhos... – Georgie sussurrou, mas Will pareceu não ouvir.

Com mais alguns instantes de silencio Will resolveu perguntar a princesa sobre o ocorrido mais cedo.

– Então princesa, com todo o luxo e riqueza que tem aqui, imagino ser o lugar ideal para alguém da realeza.

– Certamente senhor. – Georgie disse, lembrando-se de uma piada interna.

– É realmente desconcertante para mim estar desatualizado sobre as novas tendências do reino, afinal eu e minha família residimos no povoado mais afastado dele, eu não sabia que princesas poderiam usar calças...

– O que está querendo insinuar senhor. Seja claro. – Georgie o interrompeu.

– Não precisamos continuar com esse tipo de conversa, princesa, então vou direto ao ponto: eu a vi lutando ao lado do castelo mais cedo, creio que não seja parte das tarefas de etiqueta. – disse Will divertido, quase petulante.

Com a voz mais altiva e do jeito que tinham lhe ensinado a fazer, Georgie o repreendeu.

– Espero que não tenha esquecido com quem está falando cavalheiro, ou devo lembrar-lhe que a sua frente não está somente uma dama e sim sua princesa? Creio que esteja passando dos limites.

– Absolutamente não, princesa. Peço perdão pela minha falta de cordialidade. – disse honestamente com uma gota de suor escorrendo por sua testa. Os efeitos colaterais estavam começando. O sarcasmo era um deles.

Georgie não gostava de usar aquele tipo de tom, mas aquele homem certamente tinha lhe tirado do serio, lhe afrontando e perdendo a noção de onde estava. Além do mais não poderia arriscar de algum dos serviçais a visse nessa conversa totalmente suspeita.

E quando menos esperavam Joana chegou ao recinto, seus sapatos ressoando no assoalho de mármore.

– Princesa Georgie, ficou sozinha todo este tempo com o senhor Knight sem supervisão? – disse escandalosamente calma a governanta.

– Não se preocupe Joana, estava tendo uma agradável conversa com o familiar da minha dama de honra. Estava me contando o quão bem fora educada.

– Se é assim, devo informar ao senhor Knight que sua montaria está bem acomodada nos estábulos do castelo, e se preferir passar a noite aqui sua estadia será providenciada. – Will levantou-se e antes que pudesse responder ouviu passos descendo a escada.

Sua irmã estava linda. Vestida com um vestido com tons neutros, mas ainda sim muito mais belo do que qualquer outro que já vestira outrora, seu cabelo armado e preso em um coque meio solto permitia mostrar as maças do seu rosto, que não acontecia com frequência, podia-se ouvir o som dos seus sapatos pela escada e todos no recinto estavam em silencio enquanto descia.

– Senhorita Knight, você está fantástica – Georgie disse com um sorriso sincero.

Ela retribuiu o sorriso e disse:

– Me chame de Anna – passou pela governanta Joana e foi até o irmão.

– Não vai dizer nada?

– Preciso? – ela sorriu – Esta linda, parecida com nossa mãe na verdade, exceto os olhos; os seus dão mais medo.

– Cale a boca – ela disse alargando ainda mais seu sorriso e em seguida murchou – É bom saber que tem alguma coisa dela em mim.

– Ei, não fique assim. – ele disse levantando o queixo de sua irmã. – Hoje é para ser um dia importante, se lembra? – e ela assentiu. – Você tem muito mais dela do que imagina.

Eles se abraçaram fortemente e então Will disse adeus. Pensou ter visto alguém na escada, mas estava com pressa. Saindo do castelo, já podia ver o sol se pondo, mas notou uma certa agitação nas ruas.

– O que está acontecendo aqui, senhor? – perguntou a um guarda.

– Forasteiro? – Will assentiu – Tome cuidado por essas bandas rapaz, há um perigoso bandido a solta, se o ver ou a sua gangue, faça este cavalo voar se for preciso. Ele é muito perigoso.

Will não pensou, apenas seguiu viagem. A cada hora os efeitos estavam aumentando e daqui a duas luas os efeitos iriam se consumar e se não estivesse em Heliodora a tempo... Nem queria pensar em tal possibilidade.

Nina, desde que chegou à cidade três anos atrás foi quem o ajudou com sua doença, ela era órfã, assim como ele e sempre dizia que sua mãe era uma curandeira que antes de morrer tinha passado seus ensinamentos para ela. Desde então ela prepara para ele na lua crescente uma poção que diminui os sintomas, mas ultimamente tem sido menos eficaz. Tudo vem piorado, tanto os dias de vigor, quanto os dias de fraqueza. Não seria bom continuar assim por mais tempo.

Já era noite e a estrada de terra havia acabado há alguns minutos, já estava na floresta e como estava sozinho poderia pegar atalhos sem se preocupar com sua irmã. O caminho era mais tortuoso, porém mais curto, e quando terminava uma área plana e sem muitas plantas rasteiras o abraçavam. Ouviu o som de água e resolveu parar para descansar, amarrou o cavalo na arvore mais próxima do rio para que ele pudesse se refrescar também. Ficou parado durante uns bons dez minutos apenas ouvindo o som da agua e dos animais ao redor, mas um som diferente o fez abrir seus olhos, parecia uma carruagem, vindo rápido, muito rápido, até que houve um forte estardalhaço em que até os animais se alvoroçaram. Will procurou a origem do barulho e avistou a carruagem meio tombada, encostada em uma arvore e um cavalo no chão, provavelmente morto com a queda ou impacto. Três homem saíram de dentro da carroceria e para a surpresa de Will era aquele mesmo homem polido que lhe deu abrigo na clareira há alguns dias atrás. Estavam com muita pressa. Havia muitos ruídos e todos estavam falando ao mesmo tempo, todos reclamando, até que houve um comando de ordem e todos se calaram e Will pôde ouvir claramente o que o homem disse.

– Não podemos ficar aqui por muito tempo, os guardas estão há apenas duas horas daqui, os despistamos, mas eles não parecem tão burros assim.

– Se essa danadinha não tivesse dado tanto trabalho já estaríamos na fronteira. – disse outro homem com claramente raiva em sua voz.

– Talvez se vocês não me sequestrassem eu não precisaria dar trabalho... – disse uma voz familiar.

– Vocês não conseguem fazer nada certo, ela deveria estar amordaçada! – o líder se exaltou.

“Mas que sorte a minha.” Pensava Will. “Dois sequestros em um dia, as coisas não poderiam ficar melhores, não?”. Como se por vingança um dor fina atravessou seu coração e ele arfou com a surpresa de ter vindo tão cedo. Mas isso não o poderia impedir de fazer alguma coisa, estava pensando em um plano quando um dos homens disse para pegar o cavalo de Will, que aparentemente para eles estava abandonado. Quando o homem se aproximou Will prendeu o seu pescoço em uma chave de braço silenciosa, ninguém notara quando o homem caiu desacordado na margem do rio. Aproveitando a distração dos outros que estavam ali, foi se esgueirando por entre as arvores até que chegou perto o suficiente de outro que estava sentado em um tronco, com o mesmo golpe o deixou desacordado. Agora só lhe restavam dois, seria inevitável não fazer barulho desta vez. O ultimo comparsa virou-se e viu a cena do colega desacordado e alertou o chefe e aos gritos avançou para cima de Will, ele veio tão afobado que nem foi preciso golpeá-lo, Will apenas desviou e ele mesmo terminou o serviço, tropeçando e caindo em algum lugar.

– Ora, ora se não é o caipira com a irmãzinha insolente. Suponho que desta vez não veio pedir ajuda. – disse o homem com um sorriso amarelo.

– Na verdade senhor, queria lhe perguntar o que faz na floresta tão tarde com esses homens tão violentos?

– Diz a pessoa que nocauteou dois dos meus homens.

– Não foram três? – o homem lhe sorriu malignamente.

– Definitivamente não. – pressentindo o perigo Will virou-se e teve que se esquivar de uma investida que um dos homens, agora de pé deu com um punhal.

Enquanto se esquivou levou uma rasteira por trás que o levou ao chão, o homem o imobilizou e levantou o punhal para fincar em seu coração. Mas em uma fração de segundo o líder estava no chão caído, totalmente desacordado, essa distração foi o suficiente para Will que segurou a mão de seu oponente jogando o punhal para longe e invertendo as posições, o homem se assustou com a investida e começou a implorar por sua vida.

– Vá seu rato, e nunca mais apareça. – ele assentiu e saiu correndo floresta adentro.

De soslaio viu mais uma figura masculina e de onde estava derrubou-o no chão, estava escuro e o outro homem parecia não poder usar as mãos, mas não ficava quieto e lutava contra as investidas de segurar seus braços, até que Will parou. Não era um homem.

– Princesa?

Notas finais
Ainda não tenho datas específicas para a publicação dos capítulos já que não tenho só uma, mas vou me esforçar para ser periódica e não deixar vocês esperando por muito tempo.