A Maldição Da Morte

2 Capítulo I - MEMÓRIAS PRESENCIADAS PELA NOITE


Notas iniciais
Pra quem leu e gostou, vou continuando aqui... tive probleminhas com pc. Mas ai vai o primeiro capítulo... o/

A tristeza e a angústia enchiam o coração de Kenny que, naquele momento, estava sentado em um banco sob a luz amarela de um poste. Poucos carros passavam na rua àquela hora. Já passava das 11 horas, imaginou o garoto, ainda um pouco perdido em suas dúvidas:

-- Por que minha mãe me mandaria pra esse Acampamento Meio-Sangue assim, à essa hora, sozinho? – Falava para si mesmo, como se esperando uma resposta do vento – Será que eu realmente matei Paul? Mas como? E os monstros que minha mãe falou? Monstros não existem! Como podem nos perseguir? E porque me abandonar? Por que minha mãe me deixou só, já que há tantos perigos, segundo ela mesma? Será que ela enlouqueceu?

Os pensamentos circundavam a mente do garoto, que, cada vez mais, tinha certeza que aquilo só poderia ser loucura. Sua mãe havia enlouquecido. Mas quando tornava a pensar no padrasto misteriosamente morto, ele novamente perdia-se em busca de um sentido para tudo que estava ocorrendo.

Sua mãe também havia falado de seu pai. O homem que ele nunca conhecera em toda sua vida. Aliás, Kenny nunca havia conhecido ninguém da família de seu pai. Nenhum tio, avô. Nenhum parente. Sua mãe dizia que moravam longe demais e eram muito ricos para lembrar deles dois. Ela também contava que o pai do garoto fora muito bom para ela. Era gentil, carinhoso, porém viajava muito. Então, um belo dia, – nessa parte da história a mulher assumia um ódio tamanho nas palavras – ao descobrir que ela estava grávida do garoto, o homem dos sonhos simplesmente fugira, desaparecera, sem deixar nenhuma justificativa, abandonando ela sozinha para dar a luz e criar o bebê. – Já que ele a havia convencido a mudar-se para as proximidades de Long Island, onde passara viver desde então – Foi aí que Paul apareceu.

Segundo a própria mãe, ela estava em um bar, “afogando as mágoas”, quando um homem grande e forte sentou-se ao seu lado oferecendo-lhe uma carona para casa e elogiando-a. Ela, já bêbada, aceitou e, ao longo dos dias seguintes, os dois passaram a se encontrar outras vezes. Rapidamente, estavam morando na casa de Paul e, cinco meses depois, nascia Kenny. Porém, novamente, o destino não fora bondoso com a mãe do garoto que se viu atrelada a um homem grosseiro, mentiroso e que acima de tudo, a espancava constantemente com seus ciúmes doentios.

Os anos foram passando e mãe e filho tinham que suportar horrores dentro de casa. O menino planejava fugas, porém a mãe jamais aceitava, pois não via outra saída. Se abandonasse aquele homem, não teria como se sustentar. Seus pais já haviam morrido e o parente mais próximo vivia em outro estado. Foi então que, durante um dos ataques de ciúmes do padrasto, Kenny, enfurecido e transbordando de ódio ao ver o sofrimento de sua mãe, se pôs entre Paul e a mulher:

-- NUNCA MAIS TOQUE NA MINHA MÃE SEU MALDITO! NUNCA MAIS!

-- Saia da frente garoto! Isso é assunto meu e dela. SAIA! – Disse, pegando a cabeça do garoto e o jogando contra a geladeira. – Não vê o quanto você é inútil Amy? Precisa de um pirralho desse para te defender!

Paul começara a gargalhar. Kenny, mais enfurecido ainda, deu um grito de ódio, Paul voltou-se para ele. Olhos nos olhos. O garoto correu, jogando-se contra o homem. Porém antes de alcança-lo, parou e viu que o grande homem havia subitamente parado de rir e parecia um manequim, imóvel. Seus olhos viravam nas órbitas. Quem o visse, diria que estava sendo possuído por algum demônio ou tendo um ataque epiléptico pois seu corpo começara a debater-se freneticamente. Subitamente o corpo caiu e ali permaneceu, sem vida.

-- Olá, garoto.

Uma voz fria arrancava Kenny de seus pensamentos. O garoto, agora assustado, tomou coragem e disse, ainda receoso:

-- Q-Quem está aí? – Não houve resposta alguma, o que fez o menino imaginar que estava ouvindo coisas. Mesmo assim, tornou a perguntar – Quem está aí? Olá?

-- Ora, ora, estou tão evidente e ainda não consegues me ver? – A voz, agora, parecia estar ao lado do ouvido do menino

Kenny, apavorado, pulou do banco e virou-se de costas. Nada. Nenhum sinal de que havia alguém ali, só uma parede pichada. Voltou-se em direção a rua novamente e deu de cara com a dona da voz. Uma mulher de pele morena. Não, sua pele era cinza. Cabelos e olhos tão negros quanto os de Kenny. Vestia um manto negro. Porém, não parecia um manto realmente, era como se a escuridão da noite a envolve-se, ora estava coberta totalmente com um vestido negro, ora parecia estar somente com as roupas de baixo. O mais interessante eram os pontos brilhantes em suas roupas. Não eram comuns, pareciam... Estrelas! Pelo menos brilhavam como tal. A apenas um metro do garoto, a estranha mulher o observava com certo ar de superioridade.

-- Agora tenho certeza que podes me ver criança! – deu uma risada curta e logo voltou a mesma expressão seca de antes – Então, o que faz a sós comigo, garoto?

-- Na verdade foi você que veio atrás de mim. – O medo aumentava – Com licença, eu já estava indo embora...

Kenny saiu andando apressado. A mulher ficando para trás. A rua ficava cada vez mais escura, como se a luz dos postes não tivesse mais força. Ele olhou rapidamente e a mulher não estava mais onde havia ficado. Quando tornou a olhar para frente, ela vinha andando a seu encontro. O menino, realmente apavorado, parou e começou a andar para o lado oposto, mas a mulher estava a sua frente novamente. Ele saiu correndo, então, pelas ruas desertas, parando somente depois que o ar começou a faltar-lhe. Estava em frente a uma lavanderia, àquela hora já fechada. As luzes do interior, porém, estavam acesas, possivelmente um descuido dos empregados. Ficou ali encostado na vidraça, recuperando o folego...

-- Você não pode fugir de mim. Não enquanto Apolo estiver longe. – Ela voltara, não se sabe como, mas ela estava ao lado do garoto, que estava perplexo e paralisado.

-- C-co-como? Quem é você? O que é você? – A vontade de fugir dali era imensa, porém os membros não respondiam ao desejo. Ele não gritou por socorro, pois sabia que não adiantaria nada.

-- Quem sou eu? Eu sou a noite. Aquela que cobre o mundo quando o dia acaba e Apolo leva o sol com sua carruagem. Aquela que guarda os mais íntimos segredos dos homens. Aquela que embala os casais apaixonados. Aquela que esconde os piores medos de todos os viventes. Eu sou Nyx, criança, deusa da noite.

-- Eu só posso estar louco! É isso! – ele não acreditava no que estava acontecendo. Primeiro seu padrasto morre misteriosamente, depois sua mãe o expulsa de casa, ordenando que vá a um acampamento, agora aquela mulher, se é que podia ser chamada como tal, dizia ser uma deusa – Ou então estou sonhando. – beliscou o próprio braço. A dor era bem real.

A mulher riu intensamente do garoto, que perguntou:

-- O que você quer de mim? Por que está me perseguindo?

-- Não o estou perseguindo. Na verdade, não era essa minha intenção, mas foi bastante divertido – ela riu novamente – Na realidade vim ajudar-lhe.

-- Você sabe por que essas coisas estão acontecendo comigo? Você sabe que Acampamento é esse? Me diga!

-- Sei o que ocorreu hoje e posso dar-lhe as respostas que buscas, porém, estou aqui apenas para avisá-lo: Não guarde rancor. Não odeie. Não alimente sentimentos negativos dentro de si contra os outros e a Morte não o acompanhará. E, principalmente, não realize os desejos do senhor dos mortos! O resto das respostas que buscas, deverás descobrir sozinho. Agora, Kenny, vá para o Acampamento Meio-Sangue o mais rápido que puder. Não tente voltar para casa, apenas siga o mapa e não perca tempo. Monstros, coisas terríveis que se escondem sobre o meu manto estão em busca de pessoas como você e eles não darão a mínima chance de sobrevivência. Ainda mais no seu caso. Vá garoto. Rápido! Tentarei ajudá-lo

Kenny piscou e a deusa não estava mais lá, apenas a voz ecoando na cabeça do menino.

Não guarde o ódio, não alimente-o... Não faça o que ele deseja...

Ele se viu sozinho novamente, tirou o pequeno mapa do bolso e o abriu, olhando novamente para a pequena marcação em Long Island. Ele chegaria ao Acampamento. Era a sua melhor aposta. Por isso não poderia perder tempo e saiu correndo pelas ruas escuras.

Mal sabia o que o esperava até o amanhecer. As dúvidas só aumentavam. A voz de Nyx, ainda sem sentido, ecoando em sua cabeça. A ideia de contradizer o Senhor dos Mortos, alguém que ele não conhecia, nem tinha o menor desejo de conhecer. Ele corria rápido, pisando nas poças de água. Parecia confiante, afinal ele tinha noite como amiga.

Notas finais
Nyx, mesmo sendo uma deusa primordial aparece e fala com Kenny, isso será explicado num futuro próximo... aguardem o/ Vlw mesmo a todos o que leram