A Mais Vitoriosa
29 Capítulo XXIII.
Todos estavam na Sala de Visitas em Hampton Court, Anne, Frederik e seus filhos, menos Henry que deveria estar no jardim jogando algo, e a espera não poderia ser mais horrível.
Anne não tinha o desejo de falar nada, e pelo que parecia eles também não. Logo o duque de Manchester, junto com o conde de Carlisle iriam chegar, e com isso também iria chegar o destino dos Tudor-Habsburg. E esperar pelo destino estava sendo no mínimo cansativo.
Mas pelo menos esse momento servia para lembrar a Anne dos gostos de seus filhos. Todos eles estavam fazendo coisas diferentes.
Alfred estava sentado perto de Annie escrevendo em um pequeno caderno, era algo que Anne percebia que ele sempre fazia, pelo que Anne leu, falava simplesmente de sua vida, de seus pensamentos e de seus deveres, um modo de organizar a vida. Annie estava sentada também, mas ela estava lendo. Anne achava muito interessante o que sua filha lia, não era como os romances de Alice, mas eram livros mais intelectuais, que mostravam seu gosto pela natureza e que mostravam muito bem sua personalidade mais calma e intelectual.
Amélia já era muito mais diferente, ela estava no cravo tocando, era a nova paixão dela. Amélia era a mais nova de seus filhos, e Anne sempre se perguntava qual seria a particularidade dela, ela gostava de muitas coisas como astronomia, da vida marinha, da arte e da música. Mas talvez fosse a música o que ela mais gostava, levando em consideração que ela estava sempre tocando esse cravo.
E também havia Henry, seu Henry, que se mostrava o mais diferente de sua família, o mais parecido com Frederik. Como era de se esperar ele estava no lado de fora praticando algum esporte, talvez a criança mais agitada de Anne, e graças ao Divino, uma de suas crianças que também não gostava da vida militar, seja qual fosse ela.
– Eu me pergunto o que você está pensando Anne?- Era uma frase que Anne sempre ouvia de Frederik, uma que a cansava ou que a alegrava.
– Estou pensando em minha vida, e em como nossos filhos são muito preciosos.- Embora eles não tenham demonstrado reação com isso.– Nem parecem eu e minhas irmãs. Éramos tão diferentes e discordantes. Fazer elas se casarem foi um sacrifício, um que custou o amor de uma.
– Certamente foi um sacrifício, para ambos os lados.- Mas um sacrifício que lhes deu alegria, para Alice é claro, pessoas mortas não sentiam alegria.– Mas pelo menos Alice está bem em Saarbrücken.
Sim era uma alegria, estava ela muito bem com três filhos, vivendo em uma corte luxuosa, embora um tanto perdularia, e seu marido estava no lado francês da guerra. Mas ela estava feliz, era isso que importava.
– Eu me pergunto se nossos filhos também terão casamentos que os farão de alguma forma alegres.- Essa não foi uma pergunta muito bem recebida. Alfred e Annie fizeram caretas e Amélia errou um acorde no cravo.
– Mamãe todos nós sabemos que é nosso dever nos casar, mas somos muito jovens no momento e creio eu que devemos esperar.- Anne foi a única que conseguiu falar, ela era a única que conseguia lidar com esse momentos.
– Sim mamãe, tenho apenas onze anos, é ilegal se casar nessa idade.- E Amélia também encontrou palavras.
Isso era engraçado a certo modo, Anne e suas irmãs tiveram as mesmas reações, se casar não era ainda algo completamente alegravel.
– Não há necessidade de se preocupar meus filhos, os casamentos devem esperar. Por causa da idade e para que tudo se acalme.- Eles iriam esperar até que esse problema de traição se resolvesse. No continente ninguém desejava casar seus filhos e filhas com filhos de possivelmente uma traidora exilada.
Mas novamente a sala ficou em silêncio. Anne se perguntava o motivo dos lords ainda não terem chegado, eles disseram seis da tarde e faltava pouco para as seis. Isso apenas aumentava a ansiedade de uma forma horrível.
Todos os lords iriam logo voltar as suas propriedades de rurais, e era pelo menos de se esperar que eles tivessem alguma pressa nesse julgamento.
Mas a espera de Anne não iria demorar muito, antes de o relógio bater as seis, Henry entrou correndo na sala.
– A carruagem do duque de Manchester chegou.- Isso foi o suficiente para que todos fossem a seus lugares e esperassem.
E logo depois de alguns minutos Lady Carlisle, entrou na sala com o mordomo e informou a Anne da chegada dos lords.
Quando os dois entraram, Anne francamente não poderia esperar nada, a expressão deles era como sempre, não mostrava nem alegria nem pesar.
– Milordes eu espero que os senhores tenham boas notícias.
– Alteza, o parlamento se reuniu, passamos três dias vendo seu caso e depois de muita discussão, brigas e discursos, foi decidido o que vai acontecer com a senhora.- Lord Carlisle estava fazendo muito mistério.– Creio que o duque pode ler para minha senhora a decisão final.
– Depois de considerar tudo que foi falado e mostrado, foi decidido pelos cinquenta e dois pares aqui presentes, que as acusações contra, Sua Alteza Sereníssima, a princesa de Niedersieg e marquesa de Bristol, são baseadas apenas em mentiras, meias verdades e boatos, nada é concreto e sendo assim a marquesa é declarada inocente de traição.- O duque então deu a Anne a declaração emitida pelo barão Henley.
Anne não era uma traidora, Anne não iria para o exílio. Era uma alegria sem igual para Anne, ela sentia que poderia pular e gritar de alegria se os lords não estivessem na sua frente, então ela apenas se limitou a sorrir, ela entrou nessa luta e saiu vitoriosa.
– Eu agradeço milordes pela ajuda e por me defender. Não há palavras para descrever minha alegria, e isso acontece por suas causas.
– É nosso dever, minha senhora.- Lord Carlisle foi o único a responder, o duque não era a pessoa mais próxima de Anne. Talvez a ajuda dele fosse por ele fazer parte da casa do rei e ser amigo do conde.
Os lords não ficaram por muito tempo, logo eles foram embora, eles também precisavam aproveitar a alegria.
E as crianças logo também saíram para se alegrar, Anne apenas não imaginava como.
– Vencemos Anne. Não vamos para o continente.- Anne também logo iria sair, mas Frederik a impediu com um abraço, um que Anne apreciou muito.– Você está feliz.
– Estou muito feliz, tanto que nem posso descrever.- Eles estavam salvos da ruína, mas não havia acabado, infelizmente.– Mas ainda tenho que resolver muitas coisas, o povo britânico ainda me odeia.
– Seja como for você vai conseguir também Anne, você venceu, venceu muito.- Era uma grande verdade, Anne venceu e estava aqui.– E estou com você aqui para lhe ajudar e zelar.
Anne gostava muito disso, do sentimento de ser amada, de alguém cuidar dela.
– Eu não poderia viver sem você Frederik, eu amo muito você.
– E eu você. Minha vida é você Anne.- E o abraço também teve um beijo, calmo e frágil.
Não havia acabado, ainda se tinha muito a resolver, muito a cuidar. Mas Anne iria conseguir.
– Eu também tenho um presente a você Frederik. Acho que agora vamos ter um príncipe Frederick.
Frederik olhou para ela nos olhos, sorriu e a beijou novamente. Talvez fosse um sinal, a vida deles estava um caos, o povo britânico a odiava, odiava a família Tudor-Habsburg, mas o nascimento de um novo bebê, uma nova esperança, poderia mudar minha coisa.
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