A Madrasta
9 Capitulo 9
— Problemas com os alunos, Regina? Quer dizer, com uma aluna em particular…
Revirando os olhos castanhos, Regina cruzou os braços e olhou para ela.
— Problema nenhum. Mas obrigada pela preocupação — abrindo a porta do carro, ela tentou ignorar o sorrisinho de sua colega de profissão.
— Sei que está em família, mas se eu fosse você, tomaria cuidado com a sua “futura enteada” — alertou Zelena, com deboche. — Envolver a namorada do próprio pai numa aposta…
Regina não esperou que Zelena concluísse a frase, acelerou e partiu. Depois de passar alguns minutos dirigindo sem rumo, tentando absorver tudo o que acontecera nos últimos dias, ela parou na esquina do café a duas quadras da universidade. Discretamente, Emma que cumprira a promessa de esperá-la, entrou no veículo.
Um silêncio inquietante pairou sobre elas por todo o percurso, e só fora rompido quando Regina estacionou numa estrada de terra distante do centro e da movimentação de pessoas e veículos.
— Você acha que eu abriria meu coração para você por causa de uma aposta? — indagou Emma. — Acha mesmo que eu arriscaria meu relacionamento com meu pai por uma maldita aposta? Passamos um final de semana incrível e você acredita na primeira mentira que não sabemos sequer quem foi que inventou — ela disse, desprendendo o cinto de segurança.
— Coloque-se no meu lugar, Emma. Você desapareceu e quando apareceu, foi com aquele maldito pedido de desculpas.
— Eu sofri um acidente e perdi o celular. Mas, ainda assim te liguei do telefone do meu pai, só que você não atendeu — ela explicou, a voz alterada e as mãos impacientes correndo pelos cabelos. — Tive medo do babaca do reitor descobrir que passamos o final de semana juntas e por isso confirmei a história, pra acabar de vez com essa merda.
— Você não faz ideia de quem pode ter inventado isso? — Regina perguntou, a mudança de expressão em seu rosto acalmou os batimentos de Emma.
— Não, mas posso tentar descobrir depois, porque agora, eu só preciso que você acredite em mim, em nós.
Encostando a testa na dela, Emma fechou os olhos por alguns instantes e quando os abriu, Regina a encarava.
— Desculpa… — Regina disse, acariciando-lhe o rosto com o dorso da mão. Embora ainda houvesse muita confusão em sua cabeça, era o corpo que decidia por ela, e sem conter o desejo que sentia, Regina a puxou para um beijo. E Emma a beijou, como se já tivesse feito isso um milhão de vezes, como se Regina sempre tivesse sido sua.
— Eu te amo — Emma sussurrou. O pincelar lânguido de sua língua retornou à boca de Regina após as palavras.
— Amor…aqui não…
Recuando, com os olhos verdes dilatados e brilhantes de desejo, Emma estudou o rosto dela enquanto tentava esconder o sorriso, mas sem sucesso.
— Você me chamou de amor? — indagou Emma, o sorriso se tornou ainda mais largo quando Regina revirou os olhos.
— Você entendeu errado.
— Não senhora! Você me chamou de amor, sim!
— Se tem tanta certeza, por que está perguntando?
— Porque quero te ouvir dizendo de novo.
— Pois vai ficar na vontade.
— Não brinque com fogo, senhorita Mills. Você sabe que quando eu quero uma coisa, não descanso até conseguir…
— Isso é uma ameaça, espertinha?
— Pode apostar que sim. Quer dizer, nada de apostas pelo amor de Deus!
Regina lhe lançou um sorriso irônico e revirou os olhos mais uma vez. Em resposta, Emma lhe roubou um beijo, seguido de outro e mais outro.
O sol começava a se pôr quando elas finalmente foram embora. Regina parou alguns metros antes da entrada do prédio onde Emma residia.
— Então as coisas entre nós voltarão a ser como antes?
— Sim, Emma. Eu só preciso falar com o seu pai…desde que ele chegou de viagem que só falamos por telefone.
— Não quero te pressionar.
— Eu sei. Assim que nos encontrarmos, falarei com ele.
— Está bem…nos vemos na aula, senhorita Mills.
Um sorriso de covinhas se abriu e ela salpicou um beijo antes de descer do carro e se afastar. Parada na calçada, ela esperou o Mercedes de Regina desaparecer no tráfego.
[…]
Alguns dias se passaram e embora estivesse disposta a terminar de uma vez por todas o que havia começado com Victor, Regina se encontrava incapacitada de fazê-lo mediante a falta de tempo e o desencontro contínuo entre os dois. A semana de prova se iniciara na universidade, e as viagens constantes de Victor limitavam o aparecimento de uma apropriada ocasião para romper com ele.
— E se ele descobriu tudo e está evitando esse encontro porque já suspeita que ela pretende terminar? — questionou Ruby, enquanto copiava em pequenos pedaços de papel, as questões que provavelmente cairiam na prova.
— E qual seria a vantagem de adiar um momento que cedo ou tarde vai acontecer?
— Bom, não sei. Mas é muito estranho que um namorado passe tanto tempo longe da namorada, não acha? Você já se perguntou quanto tempo faz que eles não transam?
— Dá um tempo, porra! Isso não tem nada a ver!
— Tem tudo a ver, Emma. Mas relaxa, não precisa ficar com ciúmes.
— Não é ciúmes. Só não faz sentido essas coisas que você está dizendo. Ele está viajando a trabalho e ponto final. Quando voltar, Regina terminará com ele e fim de papo.
— Se você está dizendo…
— Mudando de assunto…descobriu alguma coisa sobre quem poderia ter espalhado aquele boato?
— Sinceramente…não. Mas a única pessoa que poderia ter feito isso não para de olhar pra gente — disse Ruby, voltando o olhar na direção em que se encontrava Zelena.
— A professora de Inglês? Por que ela faria isso?
— Descobri que ela odeia a senhorita Mills. Só não me pergunte o motivo.
— Seria muita baixeza pra alguém como ela, não acha? Ela é toda de nariz empinado.
— Essas são as piores, minha amiga. Agora vamos para a sala porque preciso de um lugar estratégico pra sentar.
Achando graça no desespero da amiga por causa das provas, Emma parecia mais preocupada e ansiosa com o final de semana que estava por vir. Victor estaria de volta domingo a noite, e dessa forma, ela só teria a sexta-feira e o sábado para dormir e acordar com Regina. Depois do que acontecera, os encontros entre elas tornaram-se menos frequentes e mais cuidadosos, e seguiria assim até o final do ano.
— Como foram as provas? — indagou Regina, mantendo-se atenta ao trânsito.
— Muito bem, não se preocupe. O próximo ano não serei sua aluna e poderei gritar aos quatro cantos do mundo que você é minha.
Os lábios de Regina se curvaram num sorriso e ela fez o que Emma tanto adorava: revirou os olhos. Em resposta, Emma soprou um beijo na direção dela e logo em seguida voltou a observar o navegador, dando-se conta de que faltava menos de cinco minutos para chegarem ao hotel chalé que Regina reservara para elas longe de tudo e de todos.
Era sexta-feira e passava das vinte horas quando finalmente chegaram. Embora não estivesse com fome naquele momento, Regina gostou de saber que o restaurante permaneceria aberto até meia-noite.
— Esse lugar é muito bonito. Você já esteve aqui antes? — indagou Emma, abraçando-a por trás assim que fecharam a porta.
— Sim, uma ou duas vezes.
— Com quem?
— Com Mary — disse ela, virando-se para encará-la. Sorrindo, ela notou a expressão inquisitiva de Emma e tratou logo de explicar. — Viemos a trabalho, não se preocupe.
As pontas dos dedos de Emma percorreram as faces dela com leveza, descendo pela curva do pescoço, deslizando pelos ombros e por fim, repousaram na cintura.
Com os lábios roçando sobre os dela, Emma a puxou para mais perto do seu peito.
— Queria que o tempo parasse aqui, e que nada mais existisse além de nós duas…
— Em breve as coisas mudarão, Emma…e seremos felizes sem medos ou receios. Agora que tal um banho? Depois podemos descer e tomar um drinque no bar do chalé, o que acha?
— Acho uma ótima ideia…embora eu prefira tomar um drinque aqui, na cama com você.
— Suas “preferências” não me surpreendem…
Ainda que Emma tivesse sugerido a banheira, Regina decidiu pelo chuveiro pois sabia exatamente o que significava entrar numa banheira com Emma. Embora o inverno estivesse próximo, o bar do chalé decorado no estilo havaiano dava a impressão de estar em pleno verão.
Com uma variedade de drinques exóticos correndo nas veias, elas se soltaram e dançaram ao som das músicas cantadas por um grupo local, e só voltaram ao quarto quando estava prestes a amanhecer.
[…]
Resistindo a tentação de tocá-la enquanto dormia, Emma a observou, quase hipnotizada pela sua beleza. A mente repassava as loucuras da noite anterior e sem conter o sorriso, Emma se levantou bem devagar para não acordá-la.
— Você realmente está indo tomar banho sem mim? — questionou Regina, erguendo-se sobre os cotovelos.
— É uma péssima ideia, não é? — respondeu Emma, fazendo o caminho de volta. O olhar dela percorreu o corpo parcialmente coberto antes de parar nos lábios. — Bom dia, Regina Má — ela murmurou, pressionando seus lábios contra os dela.
— Bom dia, espertinha…
Uma hora depois, após o banho, elas deixaram o chalé em busca de um bom restaurante na cidade mais próxima. A sensação de caminhar de braços dados com Regina, sem medo do julgamento dos olhares conhecidos fez aumentar dentro de Emma a certeza de que não precisariam de muito tempo para desfrutar de tudo isso outra vez.
Após o almoço, elas fizeram um passeio no centro da cidade onde acontecia um pequeno evento comemorativo que, embora não soubessem exatamente o que estavam comemorando, elas aproveitaram de forma descontraída a imensidade de barracas expondo seus produtos locais.
— Vem, Regina…só uma selfie, vai.
— Não acho nada prudente você ter fotos de nós duas no seu telefone.
— Ninguém vai ver. Além disso, não tem nada demais numa selfie.
— Está bem, Emma.
— Vamos, mostre esse sorriso lindo para a câmera — disse ela, sem conter o riso, e em seguida veio o clique.
De volta ao chalé, assim que Emma fechou a porta, Regina se manteve atrás dela. Com o hálito quente, beijou sua orelha, mordeu o lóbulo levemente, e em seguida, enterrou o rosto na curva do pescoço longo e macio.
— Cada minuto que passamos juntas será inesquecível — murmurou Regina.
Virando-se para ela, Emma sorriu tomando o rosto dela entre as mãos enquanto acariciava-lhe os lábios com o polegar.
— Isso é só o começo, meu amor — disse Emma, exibindo seu sorriso de covinhas.
Recuando, Regina arregalou os olhos e levou a mão direita ao peito.
— Você me chamou de meu amor? — indagou ela, relembrando a cena que Emma fizera dias atrás.
— Sim! Chamei, sim! Algum problema, Regina Má? — ela questionou, agarrando-a pela cintura ao mesmo tempo em que a empurrava na direção da cama.
— Nenhum problema, sua bobona…
— Vou te mostrar quem é a bobona aqui…
— Ah, é?
— É!
Antes que Regina pudesse piscar, os lábios de Emma roubaram os seus, num beijo quente e apaixonado. Arquejante, Regina envolveu o pescoço dela, agarrando-lhe os cabelos enquanto as mãos de Emma lhe arrancavam as roupas.
Em poucos segundos desabaram sobre a cama, e Emma fitou a mulher que amava por alguns instantes antes de tocar os exuberantes mamilos com a língua. Sentindo a maciez da língua dela em seus seios, Regina deixou escapar um suspiro fraco, arqueando as costas à medida em que as carícias que recebia se tornavam mais intensas.
Com os olhos verdes queimando de desejo e quase sem fôlego, Emma teve o seu corpo empurrado para o lado e logo em seguida, Regina se deitou sobre ele.
— Acho que é a minha vez de mostrar a você quem é Regina Má…
Emma não conteve o sorriso e fez menção de falar, mas fora silenciada quando Regina pousou o dedo indicador sobre sua boca. Arqueando uma sobrancelha, Emma entreabriu os lábios e acariciou o dedo dela com a língua. Não satisfeita, o capturou para dentro de sua boca e o chupou com maestria. Embora parecesse hipnotizada com a cena, Regina substituiu o dedo pela própria língua, tomando toda sua boca enquanto a mão direita se arrastava pelo corpo dela até se acomodar entre as coxas. Beijando-a com loucura, Regina parecia desnorteada e a única coisa que desejava era se afogar no beijo, e na intimidade dela.
Sentindo a umidade em seus dedos, Regina os empurrava cada vez mais fundo, mas com movimentos lentos.
Quase sem fôlego, Regina encerrou o beijo, no entanto, continuou com as carícias pelo corpo dela. Os ombros foram marcados por seus dentes, os seios pela língua e o abdômen vibrou com o calor que os lábios dela provocava.
Emma não conteve o gemido quando a boca de Regina pousou em seu sexo. Ela sabia que não precisaria muito para chegar ao seu limite, afinal, bastava olhar pra Regina e seu corpo subitamente reagia. Embora desejasse prolongar aquele momento o máximo possível, Emma não se conteve quando Regina intensificou a forma com que a saboreava. E no ritmo constante e implacável dos lábios e da língua dela, Emma se desfez por inteira.
Fale com o autor