A Madrasta
7 Capitulo 7
O toque quente e suave dos lábios de Emma em suas costas, despertaram Regina de uma das melhores noites de sono que tivera nos últimos dias. Remexendo-se sob as cobertas, ela sorriu e lentamente se virou para ela.
— Você é linda quando acorda — disse Emma, acariciando-lhe o rosto. — Bom dia, senhorita Mills, quer dizer, Regina.
— Bom dia, engraçadinha. Que horas são?
— Nove em ponto.
— Já? — indagou, sentando-se na cama.
— Pois é…as horas com você estão voando.
— Vou tomar um banho, está bem?
— Acho que vou aproveitar e ir junto.
Balançando a cabeça negativamente, Regina deu um tapinha brincalhão no braço dela enquanto arrumava o cobertor em volta do próprio corpo.
— Você já tomou banho.
— Dois banhos nunca é demais.
— Você é muito boba.
— Está bem…enquanto você toma banho, eu preparo o nosso café.
— Acho que agora estamos nos entendendo…
— Depois a engraçadinha sou eu.
Enquanto preparava ovos e bacon para o café da manhã, Emma chegava a conclusão de que estava disposta a sacrificar qualquer coisa para que ficassem juntas. Com isso em mente, ela pôs a mesa e sorriu quando Regina apareceu com os cabelos úmidos e os pés descalços. Aproximando-se com o corpo relaxado e em completo êxtase, ela foi logo recebida com um beijo suave, apaixonado e terno.
— Que cheirinho bom — disse ela.
— Nem pergunte o nome do meu perfume porque é segredo — Emma respondeu.
— Eu estava me referindo ao bacon.
— Como você é má, hein! Ih, olha só que nome perfeito: Regina Má.
— Palhaça.
Um sorriso infantil brotou nos lábios de Emma enquanto ela se servia de uma xícara de café. Um diálogo descontraído acompanhado de beijos e provocações tornaram a refeição mais longa do que deveria, e quase duas horas depois, Regina se acomodou no sofá da sala, colocou seus óculos de leitura e passou a corrigir os testes. Massageando-lhe os pés, Emma aproveitava para zombar das respostas sem sentido dos colegas de classe.
— Caramba, que galera sem noção.
— Emma, isso não se diz — Regina a repreendeu. — E lembre-se que você tirou zero.
— Tirei zero porque não tive tempo de responder. A propósito, como ficará a minha situação?
— Não sei. Preciso pensar no seu caso.
— Mudando de assunto…o que acha de vermos um filme juntinhas, hum? — sugeriu Emma. — E se o filme for chato, poderíamos reviver os acontecimentos da noite passada, que tal?
— Não me parece uma má ideia… — murmurou Regina, tocando o rosto dela com o dorso da mão. Encostando os lábios nos dela, Regina a beijou ternamente.
Colocando a papelada em cima da mesa de centro, Regina se inclinou para frente repousando seu corpo sobre o corpo de Emma enquanto a encarava. Mordiscando o lábio, ela sorriu e balançou a cabeça em sinal de alerta sobre o que estava por vir. Ela fez menção de retirar os óculos, no entanto, Emma a deteve.
— Não faça isso — disse Emma, agarrando-lhe o pulso. — Você fica muito sexy com eles — acrescentou, segurando-lhe pela nuca e grudando a boca contra a dela.
A ideia de assistir a um filme parecia ter ficado em terceiro plano. Com braços e pernas entrelaçados, elas acabaram adormecendo no sofá depois de fazer amor. Emma não fazia ideia de quanto tempo havia se passado, mas tinha plena consciência de que os minutos que ainda tinham juntas estavam voando. Fechando os olhos, sem querer acordar do que parecia ser mais um sonho, Emma tentou se apegar àquele momento, porém, os pensamentos eram atormentados pelo medo de Regina mudar de ideia quando Victor retornasse.
Suspirando, Emma tentou se levantar sem acordá-la, mas foi surpreendida quando Regina abriu os olhos e sorriu, trazendo-a de volta para junto do seu corpo.
— O que aconteceu com a parte de assistir a um filme? — indagou Regina.
— Se não me falha a memória, você pulou essa parte quando me atacou — rebateu Emma.
— Eu te ataquei?
— Sim senhora. Mas confesso que gostei desse ataque. Acho até que vou contra-atacar.
— Nem pense nisso. Temos que nos organizar para ir embora.
— Ainda é cedo. Além disso, estive pensando que poderíamos ir embora amanhã cedo.
— Emma…amanhã é dia de aula.
— Eu sei. Mas sua primeira aula será às nove, teremos tempo — segurando o queixo dela com delicadeza, Emma lhe acariciou o lábio com o polegar e sorriu, exibindo seu maravilhoso sorriso de covinhas. — Quero passar mais uma noite com você…
— Está bem. Mas vamos embora amanhã bem cedo, certo?
— Eu prometo, embora minha vontade seja de te algemar na cama e te fazer refém pelo resto da semana.
— Boba e palhaça.
— Obrigada, Regina Má. Adoro seus elogios — devolveu Emma, com naturalidade.
Durante as horas que se seguiram, Emma e Regina desfrutaram o máximo da companhia uma da outra. Em meio a beijos e provocações, finalmente assistiram a um filme, e quando a noite chegou, as duas dividiram a banheira, e ainda que água morna misturada ao calor do corpo de Regina fosse para Emma a definição do paraíso, ela fez a ducha e após secar os cabelos, se dirigiu à cozinha em busca de algo que servisse para o jantar.
Quando finalmente saiu do banho, Regina foi surpreendida ao chegar na sala. A lareira estava acesa e na mesinha de centro, agora deslocada de modo que ficasse em frente às chamas, estavam acomodados os pratos e talheres, uma espécie de jantar romântico improvisado que só Emma seria capaz de inventar, pensava Regina. Sorrindo, ela se aproximou e a puxou para um beijo, e antes de servir o próprio prato, ela agradeceu por todo aquele carinho e atenção que recebera dela nas últimas vinte e quatro horas.
— Eu te amo, Emma — disse ela, tentando afastar da cabeça a imagem de Victor e ao mesmo tempo a culpa que sentia preenchendo sua alma.
— Eu também te amo, Regina — Emma respondeu, embora tivesse notado uma súbita mudança de comportamento. E sem que pudesse evitar, um aperto no peito surgiu de repente.
Servindo ambas as taças com um pouco de vinho, Emma soltou a respiração e sorriu. Ela sabia o que incomodava Regina, mas preferiu evitar questionamentos, afinal, não queria desperdiçar as poucas horas que ainda restavam para ficarem juntas. O que aconteceria depois que cada uma pegasse a sua estrada na manhã seguinte a preocupava demasiadamente, mas, naquele momento, ela não abriria nenhuma porta para o medo ou suposições. Apreciar a companhia da mulher que amava era tudo o que ela desejava.
Depois de mais uma noite de pura entrega, o som do despertador afastou os corpos agarrados um ao outro. Era cinco e meia da manhã, e mesmo sem vontade, as duas levantaram, fizeram as malas e se prepararam para ir embora.
— Como consegue pilotar nesse frio? — indagou Regina.
— Estou acostumada — disse Emma, envolvendo-lhe a cintura com seus braços.
— Obrigada pelo fim de semana maravilhoso — sussurrou Regina, roçando seus lábios nos dela.
— Eu quem agradeço. Foi o melhor fim de semana da minha vida.
— Nos vemos mais tarde na universidade, então?
— É claro que nos vemos.
— Comporte-se, senhorita Swan.
— Prometo que não terá queixas de mim, senhorita Mills.
Com o corpo vibrando de emoção e o coração aos pulos, Emma não parava de sorrir repassando todos os momentos desfrutados ao lado de Regina. Sabia que parecia uma boba apaixonada, enfeitiçada com aquele amor diferente de qualquer coisa que já sentira. Sentindo-se nas alturas, ela não percebeu que o semáforo ficara vermelho, e ao tentar desviar para não colidir com os pedestres que atravessavam na faixa, ela acabou se chocando contra um carro estacionado.
[…]
Depois de tomar um banho quente, Regina começou a desfazer a bagagem enquanto chegava a conclusão de que aquelas noites, ou melhor, o fim de semana em geral, havia sido os melhores dias que passara com alguém nos últimos anos. Após um café forte, Regina se vestiu, retocou a maquiagem e dirigiu rumo à universidade na qual ela lecionava.
Às nove horas em ponto, ela entrou na sala de aula e se surpreendeu ao notar que a cadeira onde Emma geralmente sentava, se encontrava vazia. Esperou alguns minutos e como Emma não apareceu, ela resolveu dar início ao conteúdo.
Assim que explicou a matéria, Regina se acomodou em sua mesa e procurou o telefone na bolsa. Suspirando, ela abriu a caixa de mensagens e não havia nada de Emma. Percebendo que os alunos ainda estavam copiando, ela pediu licença por alguns minutos e saiu da sala. No corredor, tentou entrar em contato com Emma, mas a secretaria telefônica informava que o número discado estava desligado ou sem serviço. Imaginando que Emma pudesse ter adormecido e perdido a hora, Regina voltou para a sala e deu continuidade à aula.
— Regina, que bom que te encontrei — disse Mary, eufórica. — Vamos à lanchonete porque eu quero saber tudo nos mínimos detalhes — acrescentou, e as duas riram.
— Foi tudo…perfeito, Mary.
— Sério? Quer dizer que vocês estão oficialmente juntas e…
— Fala baixo, sua louca.
— Ai, desculpa! É que fazia tempo que eu não te via assim. Nem mesmo com…
— Victor? Pois é — murmurou Regina, a expressão perdendo a suavidade enquanto se lembrava dele. — Victor é um bom homem, carinhoso, atencioso…mas Emma consegue ser tudo isso e muito mais.
— Até intimamente ela é melhor? — questionou Mary, arregalando os olhos.
— Caramba, Mary! Isso é pergunta que se faça?
— Ué, nós somos amigas e já falamos dessas coisas várias vezes.
— Tudo bem, mas aqui não é o melhor lugar para falar dessas coisas. Além disso, tenho que conversar com o reitor porque as minhas férias estão sinalizadas no mês errado.
— O que acha que irmos a um café aqui perto? — Sugeriu Mary. — Você não tem mais aula essa manhã, tem?
— Não, apenas duas no período da tarde. Eu vou falar com Archie e nos encontramos no estacionamento daqui a pouco, certo?
Assentindo, Mary sorriu para a amiga e se foi. Depois de checar outra vez o celular, Regina atravessou a coordenação e se dirigiu à sala do reitor.
…
— Sim, sim…foi um erro dos recursos humanos que acabou trocando com outra professora o mês que você solicitou suas férias — Archie explicou — Não se preocupe, tudo já está sendo resolvido, inclusive, a questão da aposta. Se for comprovado, as alunas receberão uma carta de suspensão.
— Aposta? — indagou Regina, claramente confusa.
— Sim, a aposta que as alunas Emma Swan e Ruby Lucas fizeram envolvendo seu nome. Não vou permitir que os professores dessa universidade tenham seus nomes envolvidos em joguinhos de alunos problemáticos.
Percebendo que a confusão nublava o rosto dela, Archie se levantou da cadeira e se aproximou. Tocando-lhe o ombro, ele estreitou os olhos parecendo confuso.
— Você não sabia? — ele perguntou.
— Não…o que exatamente apostaram? — questionou Regina, com muita vontade de chorar.
— Bom…não acredito que valha a pena comentar…
— O que foi que apostaram, Archie?
— Algumas alunas vieram informar que as alunas Swan e Lucas fizeram uma aposta sobre quem… — ele pigarreou antes de continuar. — Bom, quem a “conquistaria” primeiro — acrescentou, alterando o discurso da denúncia na tentativa de amenizar o choque que ele mesmo acabara de provocar em Regina. — Sei que esses jovens tem o costume de fazer brincadeiras de mau gosto, mas como eu disse, elas serão advertidas.
— Com licença — murmurou Regina, levantando-se em seguida. — Obrigada — dito isso, ela abriu a porta e saiu.
Apesar de todo o seu esforço para controlar o pranto, Regina falhou. Com a ajuda dos óculos escuros, ela conseguiu disfarçar a dor estampada em seus olhos, se dissolvendo através de lágrimas. Ao chegar ao estacionamento, o vento frio a golpeou, mas não ofereceu nenhum alívio para a dor que lhe queimava a pele. As mãos trêmulas vasculhavam a bolsa em busca das chaves do carro, e quando as encontrou e entrou no veículo, perdeu completamente o controle e deixou que as lágrimas rolassem sem qualquer impedimento.
— Aonde pensa que vai sem mim, hein? — indagou Mary, num tom brincalhão.
O sorriso que ela trazia no rosto rapidamente desapareceu ao se dar conta do estado em que Regina se encontrava. Sem pedir permissão, ela abriu a porta do veículo e se sentou ao lado dela.
— Regina, o que aconteceu? Por que você está chorando? — ela perguntou, claramente preocupada.
Mary não soube dizer por quanto tempo ficou ali, afagando-lhe os cabelos, esperando uma resposta dela.
— Ela me usou, Mary — murmurou Regina, entre soluços. — Não posso acreditar que fui tão ingênua…
— Regina, você está muito nervosa. Vamos para o seu apartamento e você me explica o que aconteceu, está bem?
Assentindo, Regina pediu para que ela dirigisse, já que as mãos trêmulas e os olhos embaçados pelas lágrimas lhe tiraram qualquer condição de realizar aquela ação. Em menos de vinte minutos chegaram ao prédio onde Regina residia, e assim que entraram, Mary se dirigiu a cozinha e preparou um chá calmante para sua amiga.
Enquanto bebericava o chá, Regina relatava a conversa que tivera com Archie a respeito da aposta entre Emma e Ruby.
— Não posso acreditar que elas foram capazes disso, Regina…
— Eu sei o porquê disso, Mary. Emma não conseguiu ficar comigo desde o começo, então virei um jogo doentio e perverso para ela conquistar.
— Você já falou com ela?
— Não, e como poderia? Ela não foi para a aula hoje e ainda desligou o telefone. Covarde…
— Amiga, eu sinto muito… — disse ela, a voz cheia de preocupação enquanto puxava Regina para que apoiasse a cabeça em seu colo.
Arrasada, Regina se deixou acalentar pela amiga. As lágrimas escorriam sem parar enquanto ela tentava encontrar algum sentido no que acabara de descobrir.
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