Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos. Boa leitura!

— Emma, você sabe que eu não gosto de surpresas, principalmente se devo colocar uma venda nos olhos — dizia Regina enquanto Emma a conduzia pelo corredor.

— Credo, Regina. Sei que a gravidez está te deixando um pouco nervosa, mas você parece que não confia em mim.

— É claro que eu confio. E de olhos fechados!

Abrindo a porta do quarto de hóspedes, Emma tirou a venda dos olhos dela e Regina quase perdeu o fôlego ao contemplar o quarto do bebê. Ela transformara o cômodo pouco usado num verdadeiro paraíso para crianças. As enormes prateleiras estavam repletas de brinquedos, as paredes coloridas foram decoradas com desenhos paisagísticos, enquanto as cortinas da janela, a luminária do teto e o abajur ao lado do berço representavam a mais bela constelação que Regina já vira.

Depois de registrar cada detalhe, Regina finalmente se virou para ela e o corpo inteiro se aqueceu enquanto fitava aqueles sorridentes olhos verdes que haviam lhe roubado o fôlego e o coração no segundo em que a vira.

— Emma… — ela murmurou, levando as mãos às bochechas com covinhas. — Você me aceitou com meus medos, com cada fraqueza e fragilidade minha. Você está fazendo por mim e por essa criança aqui dentro, o que poucas pessoas fariam por um ente querido. Eu nem sei como agradecer.

— Todos os dias quando me acordo, e me deparo com esse lindo sorriso, meu coração se enche de alegria e eu compreendo que você é a razão da minha existência — disse Emma, puxando-a para mais perto enquanto roçava seus lábios nos dela. — É assim que você me agradece, Regina. Com a sua presença.

Sem palavras, Regina passou os braços em torno do pescoço dela e a puxou para um beijo. Os lábios se derretendo enquanto as línguas compartilhavam sabores. Empurrando-a para fora do quarto do bebê, Emma estava prestes a conduzi-la para o quarto delas bem ao lado, mas o som da campainha as obrigaram a se afastar.

— Vocês nem sabem o sexo da criança e já decoraram o quarto? — indagou Cora, percorrendo o cômodo com o olhar.

— Querida sogra, não me diga que a senhora é do tempo em que menino tinha que usar azul e menina cor-de-rosa?!

— O que é que você está insinuando, mocinha?

— Nada, minha sogra. Só estou querendo dizer que os tempos mudaram, e se essa criança que Regina está esperando for menino e quiser usar uma camisa cor-de-rosa, ele vai usar. Se for uma menina e quiser colocar na cabeça um boné azul, ela vai colocar. Não é, meu amor?

Olhando para Cora e depois para ela, Regina balançou a cabeça e sorriu. Certamente ela colocaria limites no seu filho, mas estava totalmente de acordo com Emma. Não pretendia ser uma mãe liberal, mas também não queria ser rígida. Ela só queria ser uma boa mãe e sabia que ao lado de Emma atingiria seu objetivo.

A pedido de Cora as três saíram para almoçar. Depois de aproveitar alguns instantes com a sogra e a mulher por quem era perdidamente apaixonada, Emma se despediu dizendo a Regina que teria um encontro com Ruby, mas, na verdade, a visita que ela faria naquele fim de tarde não tinha nada a ver com a amiga.

Alguns minutos se passaram e ela finalmente chegou ao lugar desejado. Olhando à sua volta, Emma massageou os músculos tensos da nuca com a palma da mão antes de tocar a campainha.

— Emma? Você aqui?

— Porque a surpresa, papai? Sou sua filha, não?

— Sim, você é. Mas não se comporta como tal.

— O que quer dizer com isso?

— Você ainda pergunta? Alias, o que você veio fazer aqui, Emma?

— Vim pedir para que você deixe Regina em paz. Você não tem porque estar presente nas consultas médicas dela.

— Está vendo? É disso que eu estou falando! Você está contra mim porque se diz apaixonada por ela — cuspindo as palavras, Victor sorriu com deboche. — Mas vamos esclarecer algumas coisas, Emma: primeiro, eu sou o pai do filho que ela está esperando, portanto, tenho direitos. Segundo, você está se aproveitando da situação para confundir a cabeça de Regina. Entenda que se ela gostasse do que você gosta, não teria se casado comigo.

— Acho que o único aproveitador nessa história toda é você, papai. Mas eu não vim aqui discutir porque apesar de tudo, você é meu pai. Enfim, quando a criança nascer, você terá os seus direitos como pai. Mas enquanto isso não acontece, deixe Regina em paz.

— Você está me ameaçando, Emma?

— Não, só estou avisando — disse ela, girando-se para ir embora.

— Sua mãe morreria de vergonha desse seu comportamento.

As palavras de Victor fizeram brotar lágrimas quentes e impotentes enquanto ela caminhava para dentro do elevador. À medida em que as portas se fechavam e as palavras venenosas dele ecoavam em sua cabeça, Emma se dava conta de que precisava mantê-lo afastado tanto dela, quanto de Regina.

[…]

Alguns meses depois…

No segundo em que Emma abriu a porta do apartamento, seus olhos encontraram os de Regina e ela percebeu que precisava se lembrar de respirar. Um sorriso surgiu em seu rosto enquanto observava a mulher que amava sentada no sofá com um livro nas mãos. Aproximando-se em passadas apressadas e ao mesmo tempo sensuais, poderosas e fortes, Emma se ajoelhou ao lado dela, sorriu afetuosamente e se pôs a lhe acariciar a barriga.

— Já está pronta? Hoje é dia de comprar roupinhas, lembra? — indagou Emma, fechando os olhos para receber o seu beijo.

— Mudança de plano, meu amor — sussurrou Regina, esboçando uma careta de dor. — Hoje nós vamos ter esse bebê.

Com os olhos arregalados, Emma engoliu em seco e se levantou sobressaltada.

— Você está em trabalho de parto?

Respirando de maneira lenta e profunda, Regina assentiu e fez menção de se levantar, no entanto, Emma a deteve.

— Calma, Regina. Fica aqui enquanto eu preparo tudo — disse ela, correndo até o quarto e retornando segundos depois. — Onde está a bolsa do bebê? Cacete, não acredito que não preparamos nada!

Tentando respirar em meio a dor, Regina balançou a cabeça e a fuzilou com o olhar.

— Dá pra você se acalmar e me levar à maternidade? — vociferou ela, a voz já não tão doce quanto antes.

Tentando agir de maneira impassível, mesmo em pânico, Emma ajudou Regina a levantar e a acompanhou com cuidado até o carro. Felizmente, Cora tinha acabado de chegar e a pedido de Emma, ela garantiu que as encontraria na maternidade em poucos minutos.

— Não esqueça a bolsa do bebê — disse Emma, depois de ajudar Regina a se acomodar no banco do passageiro.

— E você, mocinha…não esqueça de fazer tudo o que ela pedir. Não leve as ameaças e os xingamentos para o lado pessoal. Apesar de te amar, ela vai te odiar nas próximas horas.

Depois de quase tropeçar nos próprios pés, Emma assentiu enquanto observava sua sogra sorrir e caminhar na direção do elevador. Tão logo entrou no carro, ela olhou para Regina desconfiada e com o coração apertado.

— Respire, meu amor…

— Eu sei respirar, Emma — disse ela, voltando-se para Emma bruscamente. — Agora dá pra você pisar nesse acelerador?

Lembrando-se do aviso da sogra, Emma acelerou e achou melhor só falar quando lhe fosse dirigida a palavra.

Em questão de minutos, ela estava freando bruscamente em frente ao hospital. Saltando as pressas do veículo, ela abriu a porta desajeitadamente enquanto a ajudava a descer. Com o apoio de uma enfermeira, Regina foi colocada numa cadeira de rodas e levada ao andar da obstetrícia.

— Vai dar tudo certo, meu amor. Aguente firme… — sussurrou Emma, e Regina assentiu segurando a mão dela com mais força enquanto uma nova contração aumentava de intensidade.

— Não aguento mais… — a voz de Regina falhou quando outra contração irrompeu, e os gritos agoniados da mulher do quarto ao lado ecoou nos seus ouvidos. — Diga alguma coisa para me distrair dessa dor!

Sem saber exatamente o que dizer, e um tanto temerosa de tocá-la, Emma passou a mão carinhosamente pela barriga dela, rezando para não apanhar.

— Ainda não escolhemos o nome do bebê — disse ela, pigarreando, agarrando a mão dela enquanto a ajudava a se deitar na cama. — Se for menino, o que acha de João? E se for menina, pode ser Maria…

Afastando a mão dela com um tapa, Regina afundou a cabeça no travesseiro e rolou para o lado.

— Você pirou? — retrucou ela, asperamente. — É melhor você ir chamar o médico porque eu não aguento mais!

Girando-se, quase tropeçando na mesinha de cabeceira, Emma atravessava o quarto quando a porta se abriu e um médico acompanhado de duas enfermeiras abriu a porta. Depois de mais algumas horas de tortura, o momento finalmente chegou. Emma recebeu as vestimentas hospitalares e em poucos minutos estava pronta para enfrentar aquele doloroso momento com ela.

— Eu estou aqui, meu amor…vai dar tudo certo — ela sussurrou através da máscara cirúrgica. O coração se apertando no peito enquanto os olhos castanhos marejados, emanando medo e insegurança olhavam para ela.

Quando o médico anunciou que começaria o procedimento, Emma entrelaçou seus dedos nos dela, e o brilho em seus olhos verdes anunciaram o seu sorriso escondido por trás da máscara.

[…]

— É uma menina! — exclamou Emma, dirigindo um rápido olhar à sogra enquanto uma enfermeira colocava o bebê em seus braços.

Fitando calmamente o recém-nascido, Emma sorriu ao notar a semelhança com Regina: os mesmos cabelos escuros e os olhinhos castanhos. Com delicadeza, beijou o minúsculo nariz antes de entregá-lo a Cora.

— Ela é linda — sussurrou Cora, não contendo o sorriso quando ela bocejou.

Com lágrimas de felicidade escorrendo pela face, Regina sentiu o coração bater mais forte no peito diante da familiaridade de Emma com o bebê. Não estava surpresa, mas não conseguiu conter a emoção ao presenciar aquela cena.

Alguns dias depois…

Com a filha enroscada ao seu lado na cama, Regina passava os dedos pelos cabelos macios e escuros, próprios como os seus. Os primeiros dias com ela em casa estavam sendo os mais exaustivos, e ao mesmo tempo os mais lindos de sua vida.

— O burrito já dormiu? — indagou Emma, baixando o rosto em direção à bochecha gordinha.

— Emma, já disse para não chamá-la assim — Regina a repreendeu, recebendo igualmente um beijo.

— Mas a forma como você cobre ela, fica parecendo um burrito — disse ela, o sorriso mais luminoso do que nunca.

Regina desceu da cama, e com as mãos na cintura, revirou os olhos.

— Engraçadinha. Fique aqui com ela porque vou tomar um banho. Essa noite Mary virá jantar aqui conosco.

— Que bom porque eu convidei Ruby. Ela está louca pra conhecer esse burrito!

— Preciso pensar em algo para cozinhar essa noite.

— Não se preocupe, meu amor. Já falei com a minha querida sogra e ela se dispôs a cozinhar essa noite.

— Quando foi que você falou com ela?

— Ontem. Sua mãe cozinha muito bem e estamos precisando comer algo diferente e saboroso, não acha?

— Está dizendo que a minha comida é sempre a mesma e sem sabor, Emma?

— Eu não disse isso — Emma falou, deixando escapar uma risada rouca e sonora enquanto Regina lhe mostrava o dedo do meio e desaparecia banheiro adentro.

Quando a noite chegou, o apartamento se encontrava cheio. Cora terminava de preparar o jantar ao lado de Emma, Regina conversava animadamente com sua melhor amiga, enquanto Ruby andava de um lado para o outro com o bebê em seus braços.

— Como é possível que essa coisinha fofa ainda não tenha recebido um nome? — indagou Ruby, salpicando beijos pelo rostinho pequeno.

— É claro que essa lindeza já tem nome. Se chama Burritos — disse Emma, esquivando-se do travesseiro que Regina atirara em sua direção.

Em meio às risadas arrancadas mediante o comentário de Emma, todos se dirigiram à mesa e Regina revelou que o nome já havia sido escolhido. Sua filha se chamaria Lily.

Enquanto os elogios eram voltados à deliciosa lasanha caseira, às gargalhadas eram dirigidas à Emma depois de Cora descrever seu primeiro encontro com a nora, ressaltando que Emma nunca lhe explicara a história da sobremesa antes do jantar. Embora o rosto queimasse de vergonha, ela compartilhou do riso entre a família e os amigos. Apesar das horas terem passado mais rápido que um piscar de olhos, Emma achava que cada segundo não era menos do que magnífico.

Assim que todos foram embora, Regina amamentou a criança e depois de vê-la adormecida, se dirigiu ao quarto ao lado para se juntar à Emma.

— Obrigada por todos esses momentos de sorrisos e alegria, meu amor — disse Regina, beijando-lhe os lábios com delicadeza.

— Obrigada você por ter me escolhido para ser parte dos seus sorrisos e de sua alegria.

Enquanto as duas se beijavam, fortalecendo o amor inabalável em cada toque delicado, Victor recebia a notícia de que Regina já havia dado à luz e sequer o avisara.

— Regina teve o bebê? — ele perguntou, claramente confuso. — Isso já faz algumas semanas. Como é possível que eu só estou sabendo disso agora?

— Você só está sabendo agora porque é um idiota, Victor. Sua amada Regina e sua própria filha estão rindo de você nesse exato momento — afirmou Zelena, sorrindo com deboche.

— Isso não vai ficar assim — disse ele. — Regina vai se arrepender amargamente do que fez comigo.