A Madrasta
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Regina soltou um suspiro sonolento e tentou se aconchegar ao corpo de Emma, mas quando tateou a cama e encontrou o espaço vazio, seus olhos rapidamente se abriram. Por um instante, ela chegou a pensar que Emma tivesse ido embora, mas tal pensamento desapareceu quando ela entrou no quarto com uma bandeja em mãos.
— Bom dia! — disse Emma, apoiando a bandeja em cima da cama. — Se sente melhor ou vai precisar que eu brinque de médico o dia inteiro? — ela pressionou seus lábios contra os lábios de Regina e depois se afastou.
— Embora eu esteja me sentindo melhor, acho que alguns cuidados extras seriam bem-vindos — murmurou Regina, fazendo sinal para que ela se aproximasse. — Eu me sinto feliz como há muito tempo não me sentia — disse ela, acariciando-lhe o rosto com o dorso da mão. — Quero ficar com você mais do que tudo nesse mundo…o que eu não quero é que você e seu pai…
— Regina — Emma a interrompeu. — Você é uma mulher livre e ele terá que entender isso. Não se preocupe com isso, certo? Agora come porque está quase na hora do remédio.
A expressão naqueles olhos verdes, combinada com o tom de voz impassível, deu a Regina a sensação de segurança que ela tanto precisava.
Após o café da manhã, Regina decidiu tomar um banho e assim que saiu do chuveiro, Emma massageou-lhe o pé machucado. O inchaço já havia diminuído.
De repente, o som da campainha ecoou na sala. Levantando-se, Emma observou pelo olho mágico e abriu a porta ao constatar que se tratava da senhorita Blanchard.
— Emma! Bom dia. Imaginei que estivesse aqui — disse ela, caminhando na direção de Regina sem esperar uma resposta. — Amiga, como está?
— Estou bem, Mary. Foi só uma torção.
— Bom, já que a senhorita Blanchard está aqui. Vou em casa tomar um banho e trocar de roupa.
— Emma…se quiser trazer alumas roupas…assim você não precisa ficar indo em casa todos os dias.
— Isso é um convite para que eu more com você, senhorita Mills? — indagou Emma, curvando a boca num sorrisinho.
— Não sei se vocês perceberam, mas eu estou aqui e não tenho o menor interesse em presenciar essa conversa — Mary interrompeu. Pigarreando, ela se levantou e foi até a cozinha.
— Só estou querendo facilitar pra você — sussurrou Regina.
— Ótimo. Nos vemos mais tarde então — disse Emma, no mesmo tom de voz. Grudando os lábios nos de Regina, ela só se afastou quando Mary retornou.
Depois de deixar o apartamento de Regina, em pouco mais de uma hora Emma chegou a sua casa. Abrindo a porta sorridente, enquanto pensava no tão desejado futuro ao lado de Regina, ela se retraiu quando deu de cara com Victor sentado no sofá da sala.
— Papai, o que está fazendo aqui?
— Fiquei sabendo que Regina sofreu um acidente e queria saber se ela está bem. Vocês duas tem se visto muito ultimamente, não? — suas palavras pareceram mais uma afirmação do que uma pergunta. Estreitando os olhos, ele se levantou e cruzou os braços.
— Não foi um acidente. Regina apenas torceu o pé enquanto caminhávamos no parque. E sim, nós temos nos encontrado algumas vezes…
— E posso saber a que se deve essa aproximação entre vocês? — ele indagou, olhando-a de cima a baixo. — No meu jantar de noivado você saiu sem se despedir de ninguém. Não foi ao meu casamento, e de repente se tornou a melhor amiga da minha esposa?
— Ex esposa — ela o corrigiu.
Enquanto a tensão dominava o ar, Emma pensava cuidadosamente no que dizer. Embora não tivesse conversado com Regina a respeito, ela não tinha a menor intenção de continuar escondendo os seus sentimentos.
— Eu estou apaixonada por Regina — ela revelou, registrando o arquejo imediato de Victor.
— O que é que você está dizendo? Você e ela…
— Regina não sabe que estou apaixonada por ela. Mas saberá em breve — Emma o interrompeu, mentindo na tentativa de preservar a mulher que amava.
Os olhos de Victor se arregalaram e ele fez menção de dizer alguma coisa, mas então olhou para baixo e em seguida para ela.
— Como foi capaz de se apaixonar pela sua madrasta?
— Dê um tempo, papai! Pare de falar como se vocês ainda fossem casados!
— Você sabe que eu a amo!
— Mas ela não te ama.
— Ela te disse isso?
— E precisa dizer?
Ele olhou para a filha com frieza, mas em seguida, a expressão se suavizou. Depois de afrouxar a gravata, Victor pegou o paletó em cima do sofá e caminhou em direção a porta.
— Não esperava isso de você, Emma.
— A gente não manda no coração.
Colocando a mão na maçaneta, Victor respirou fundo e abriu a porta, mas antes de sair, ele se girou e seus olhos azuis fitaram os verdes da filha.
— Adeus, Emma.
Com lágrimas nos olhos, Emma sentiu o coração se partindo e se remendando no exato momento em que ele fechou a porta. Ela imaginava que a reação dele seria parecida com isso, e esperava de todo o coração que o tempo aliviasse a sua dor, e que mais adiante, ele compreendesse que os sentimentos não são planejados, simplesmente nascem sem qualquer aviso prévio.
Sentando-se no sofá à sua frente, Emma apoiou o rosto nas mãos ao tomar consciência de que talvez ele nunca a perdoasse, mas apesar dessa verdade machucar o seu coração, ela não poderia renunciar à Regina nem por ele, nem por ninguém.
[…]
— Porque você fez isso, Emma?
— Regina, cedo ou tarde ele saberia. Além disso, eu só falei que estou apaixonada por você.
— O que eu estou querendo dizer é que nós combinamos que falaríamos as duas com ele.
— Foi melhor assim. Não quero que de algum modo você se prejudique no trabalho ou que…ele ou qualquer outra pessoa tenha ideias equivocadas sobre você.
— Emma, nós estamos juntas e temos que enfrentar as coisas juntas.
— Eu sei, mas foi melhor assim. Não me arrependo de nada do que fiz e nem me interessa a opinião alheia. Mas imagino o que as pessoas dirão se souberem que nos envolvemos antes de você terminar com ele — Emma explicou, tocando-lhe o rosto gentilmente. — E eu juro que seria capaz de quebrar o crânio de alguém caso te ofendessem por causa disso.
— Não diga isso…apesar de tudo, o que fizemos foi errado.
— Não, Regina. Não foi errado. Quando se faz por amor e com amor, nada é errado.
— Eu te amo — Regina quase engasgou ao pronunciar essas palavras, e estava prestes a chorar, no entanto, Emma lhe tomou o rosto nas mãos e a beijou lenta e profundamente.
O esboço de um sorriso surgiu nos lábios de Emma quando elas se afastaram. O olhar de Regina se abrandou, e encarando os olhos verdes tão devotos, ela se permitiu um sopro de esperança, torcendo para que de agora em diante, ela e Emma pudessem prosseguir pela estrada que fora interditada algum tempo atrás.
— Como vai esse pezinho delicado? — indagou Emma, acariciando-o por cima da faixa que o cobria.
— Bem melhor. Acho que amanhã mesmo poderei voltar ao trabalho. A propósito, conseguiu resolver a questão do seu diploma?
— Sim. Semana que vem farei algumas provas e se eu for bem, receberei meu diploma.
— Fico feliz, meu amor.
— O que acha de pedirmos algo para comer e depois ver a um filme? Essa manhã, enquanto você dormia, fiz o download do filme que você queria ver, mas que já não se encontra em exibição nos cinemas.
— A United Kingdom? — Regina indagou, surpresa e sorridente.
— Exatamente! Ah, já comprei também as pipocas e os lenços — ela riu, consciente de que Regina choraria tanto quanto no primeiro filme que assistiram juntas.
— Boba!
Bem-humorada, Regina a observou falar ao telefone com um atendente do restaurante próximo ao seu apartamento. Depois de fazer os pedidos, Emma colocou a mesa e em seguida foi até Regina e a puxou para os próprios braços. Uma cálida sensação de conforto se espalhou pelo corpo de Regina e por um breve segundo, ela sorriu.
— Você vai acabar me acostumando mal, espertinha — disse ela, roçando seus lábios sobre os lábios de Emma.
Sorrindo, Emma fez menção de dizer alguma coisa, mas o som da campainha bloquearam suas palavras. Puxando uma cadeira para que Regina sentasse, ela pegou a carteira e caminhou apressadamente até a porta. Certificando-se de que realmente se tratava do restaurante, Emma se aproximou do olho mágico e em seguida abriu a porta.
Antes de provar a salada de peito de frango grelhado que Emma pedira, Regina inclinou o corpo e a beijou, depositando cada partícula do seu amor naquele beijo. Depois de longos meses ela finalmente se sentia viva, completa e verdadeiramente amada como nunca tinha se sentido até então. Agora, não havia nada que ela não faria para se certificar de que os seus caminhos nunca mais voltassem a se separar.
[…]
Alguns dias se passaram e totalmente recuperada, Regina retomou suas atividades na universidade, e acabou acelerando o processo da entrega do diploma de Emma.
— Você agora é, oficialmente, uma engenheira ambiental muito espertinha — murmurou Regina, enlaçando-lhe o pescoço com seus braços.
— Acredito que seja um bom motivo para comemorarmos, não acha? — indagou Emma. Seus olhos verdes eram mais que um convite, e a expressão no riso dela irradiava desejo.
Depois de desabotoar a camisa branca de mangas longas que Regina usava, Emma lhe girou o corpo lentamente, e com a mesma lentidão, puxou o zíper da saia lápis cinza. Ainda que os cabelos de Regina fossem curtos, Emma os agarrou com firmeza, e deslizou a língua por toda a extensão da nuca dela. O corpo estremeceu sob o toque.
Com uma das mãos fechadas nos cabelos dela, e a outra deslizando suavemente pelo vale dos seios, Emma não pôde deixar de sentir prazer com os suspiros e arquejos dela levando-a à loucura. Com os batimentos acelerados e já molhada, Regina tentou se virar, mas recuou quando a mão de Emma se infiltrou por dentro da calcinha e fez menção de penetrá-la. Com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás, Regina não conteve o gemido quando os dentes de Emma mordiscaram-lhe a orelha e os dedos longos e habilidosos escorregaram para dentro dela. A mão que lhe prendia os cabelos, agora lhe massageava um dos seios ainda cobertos pelo sutiã.
— Nunca me senti tão apaixonada por alguém… — sussurrou Emma, ofegante, a respiração cálida de encontro a orelha dela. — Eu te amo como nunca imaginei ser capaz de amar…
Aquela voz tão carnal, tão cheia de tesão, de amor e desejo, fez o corpo de Regina vibrar. Com as palavras dela rodopiando em sua mente, Regina chegou ao limite do prazer, e se não fosse pelos braços de Emma que ampararam seu corpo, ela teria perdido o equilíbrio.
Girando-se devagar, ainda sem fôlego e com as pernas trêmulas, Regina sorriu ao fitar os olhos dela, e percebeu que continham tanta paixão e devotamento que o seu coração dilatou.
— Eu também te amo, Emma…mais do que você imagina…
Tocando o rosto dela com ambas as mãos, Regina a beijou, agradecida por seus caminhos terem se cruzado mais uma vez. Sem interromper o beijo, as duas atravessaram o quarto e desabaram sobre a cama, entregando-se a mais uma de tantas outras noites de amor que estavam por vir.
[…]
— Quer dizer que eles não se falam mais? — indagou Mary, enquanto olhava cuidadosamente o cardápio.
— Bom, depois da última conversa que tiveram, não houve mais contato entre eles — explicou Regina.
— Sinto muito pela Emma, e não compreendo o comportamento dele. Os pais geralmente torcem pela felicidade dos filhos, não? Mesmo que ele ainda seja apaixonado por você, os filhos vem em primeiro lugar.
— Não sei, Mary…só sei que as coisas poderiam ter sido piores se ele tivesse tomado conhecimento do que aconteceu entre nós duas quando ainda estávamos juntos.
Depois que o garçom anotou os pedidos e se retirou, Mary pousou sua mão sobre a dela e lhe sorriu.
— Foi um gesto muito bacana da Emma preservá-la de tudo isso, até porque ela foi a única responsável pelo que aconteceu.
— Quando um não quer, dois não brigam, Mary. Certo, ela me tentou todo o tempo, mas eu correspondi e me envolvi com ela porque quis, porque me apaixonei. Poderíamos ter evitado muita coisa, mas aconteceu.
— Tem razão, amiga. É melhor esquecermos de vez esse assunto. Vocês agora estão juntas e felizes, e acredito que o pai dela entenderá isso mais cedo ou mais tarde.
— Bom, ele ainda não sabe que estamos oficialmente juntas.
— Mas quando souber, terá que entender.
Regina assentiu e se preparava para dizer alguma coisa, mas no instante em que o garçom depositou os pratos na mesa, e o aroma do salmão grelhado chegou ao seu nariz, um ataque de náusea a atingiu fazendo-a se sobressaltar da cadeira e correr em direção ao toilete. Assustada e confusa, Mary olhou para o garçom igualmente confuso, pediu licença e caminhou apressadamente ao encontro dela.
— Regina? — ela a chamou. — Meu Deus, Regina…o que você tem? — indagou Mary, ao vê-la ajoelhada na frente da privada.
Com os nervos abalados, Regina se levantou e se dirigiu até a pia. Abrindo a torneira, ela respirou mais aliviada quando a água fria melhorou a queimação na garganta.
— O cheiro do salmão me deixou enjoada — disse ela, secando o rosto com uma toalha de papel. — Você poderia ir buscar minha bolsa?
Assentindo, Mary se dirigiu ao salão e depois de trocar algumas palavras com o garçom, ela retornou ao encontro de Regina.
— Obrigada — murmurou Regina, vasculhando a bolsa em busca de um anticéptico bucal.
— Regina, essa não é a primeira vez que te vejo vomitando. Essa semana, duas vezes na universidade, você se sentiu enjoada com o cheiro de alguma coisa.
Quando finalmente se livrou do gosto ruim na boca, Regina soltou a respiração e se virou para a amiga.
— Depois de tudo o que aconteceu, estou um pouco estressada.
— Não acho que esses enjoos tem a ver com estresse — disse ela, notando a tensão imediata no rosto da amiga.
— Não é o que você está pensando, Mary…não pode ser — ela murmurou, engolindo em seco. — Eu não posso estar grávida…
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