Notas iniciais
Depois de um longo tempo sem escrever nada...espero que essa fanfiction agrade tanto quanto as outras agradaram. Boa leitura!

De acordo com o seu relógio de pulso, faltavam exatamente trinta minutos para que o voo de Storybrooke direto para Boston pousasse em terra firme. Embora Emma gostasse da sensação de estar nas alturas, literalmente, aquela viagem não lhe dava a menor alegria.

— Tudo bem, Emma? — indagou Victor, tocando-lhe o ombro gentilmente.

— Sim, papai. Só preciso de um banho e de algumas horas na cama. Não consegui dormir aqui — disse ela, observando a paisagem que pouco a pouco aparecia embaixo das nuvens.

Um longo tempo se passou e enquanto o avião aterrissava, Emma organizava em seu smartphone os horários e os títulos dos livros que deveria comprar, uma vez que as aulas já haviam começado. Seria seu último ano na universidade e tudo o que ela mais desejava era receber seu diploma em Engenharia Ambiental.

— Detesto chegar atrasada. Terei que colocar em dia tudo o que perdi e ainda dar conta dos conteúdos atuais — ela murmurou, suspirando pesadamente.

— Você não está tão atrasada assim, querida.

— É claro que estou, papai. O último período começou já tem mais de um mês.

— Emma, você está se transferindo. Não vai precisar estudar tudo o que já estudou na sua antiga universidade, então fique tranquila, está bem?

Tão logo se encontraram em terra firme, ambos decidiram almoçar no próprio aeroporto e quase duas horas depois, Victor chamou um táxi e eles se dirigiram ao apartamento em que viveriam de agora em diante.

A paisagem vasta e coberta de árvores em Storybrooke tinha sido substituída por aço e concreto. Ao entrarem no apartamento, Emma deixou escapar um suspiro.

— Mamãe gostaria desse lugar — ela falou, observando o apartamento elegante e moderno, com dois quartos, dois banheiros, cozinha ampla com armários brancos e eletrodomésticos em aço inoxidável.

— Eu sei, querida. Mas infelizmente ela se foi. Agora somos apenas eu e você.

— Vou tomar um banho e deitar um pouco, papai. Não estou nem um pouquinho a fim de colocar a bagagem em ordem agora.

— Vai tranquila. Eu também vou descansar um pouco…

Alguns dias depois…

— Boa aula, querida. Nos vemos mais tarde em casa.

— Obrigada, pai. Bom trabalho.

Tão logo desceu do veículo, Emma foi abrindo caminho pelos corredores amontoados de estudantes, os olhos estavam arregalados e a respiração entrecortada pelos passos apressados e ansiosos. Um suspiro de alívio escapou de sua boca ao abrir a porta da sala e encontrar apenas meia dúzia de alunos, o que significava menos olhares voltados a ela.

— Você é dessa sala? Nunca te vi aqui…

— Ah, sim…eu sou. É que mudei de cidade e por isso estou um pouquinho atrasada.

— Compreendo. Já passei por isso. Bom, meu nome é Ruby.

— Muito prazer, Ruby. Eu me chamo Emma.

Uma conversação agradável foi crescendo entre elas enquanto os demais estudantes preenchiam as carteiras vazias. Mas de repente, os zumbidos em torno cessaram, e o único som predominante naquele momento era proveniente de um belo par de sapatos de saltos altíssimos.

Os olhos verdes de Emma percorreram as panturrilhas à mostra porque a saia lápis preta escondia as coxas e os joelhos. Em seguida, seu olhar fitou a camisa branca de botões e mangas longas e então estudou os cabelos muito negros, bem curtos e penteados em discreto desalinho. E por fim se fixou diretamente no rosto dela, um pouco virado para o lado, e viveu aquela estranha sensação de quase reconhecimento, mas percebeu subitamente que não deveria acreditar nele, afinal, ela nunca vira aquela mulher antes. Se houvesse visto, teria podido esquecer?

— Quem é ela? — Emma perguntou.

— É a professora de legislação e direito ambiental. Muito gata, não é? — disse Ruby, sem conter o sorrisinho.

Antes que Emma pudesse dizer alguma coisa, Regina deu um passo a frente e sorriu.

— Você é nova nessa turma, não é?

Emma tentou não se mostrar inquieta quando o seu olhar encontrou o de Regina. Aquela proximidade só fez com que ela concordasse com a colega ao lado.

— Sim…estou um pouco atrasada, não é?

— Nada que algumas aulas extras não resolvam. Qual é o seu nome?

— Emma…

— Seja bem-vinda, Emma. Sou Regina, professora de legislação e direito ambiental — disse ela, de forma simpática, e logo em seguida se afastou. — Muito bem…abram o livro na página setenta e dois…

— Qual é o sobrenome dela? — Emma sussurrou, enquanto folheava as páginas do livro.

— Mills. Regina Mills…até o nome dela é gostoso de falar — respondeu Ruby, rindo e cobrindo a boca rapidamente.

— Você fala essas coisas de brincadeira, ou por acaso tem uma queda pela professora?

— Queda é pouco. Eu vivo aos pés dela — disse ela, e as duas abafaram os risos.

[…]

— E então? Como foi o primeiro dia na nova universidade? Já fez amizades?

— Você fala como se eu fosse uma criança da primeira série. Mas foi tranquilo, conheci uma garota legal na minha turma — dizia Emma, enquanto arrumava a mesa para o jantar.

— E os professores? São legais também?

Foi então que os lábios dela se curvaram num sorriso, e a imagem de Regina surgiu em sua mente sem aviso. Emma não queria admitir, mas a necessidade de vê-la outra vez era tão intensa, que ela se inscrevera em todas as aulas extras ministradas no período da tarde só para estar perto de Regina. Embora já tivesse lido bastante a respeito de amor à primeira vista, Emma acreditava que isso não passava de mito, no entanto, sua maneira de pensar começava a tomar outros rumos.

— São legais também — disse ela, mordendo o lábio inferior para abafar o sorrisinho.

— Ótimo! Agora vamos jantar porque eu estou faminto…

Acabado o jantar, Emma reservou parte do seu tempo para esvaziar o restante das malas jogadas em um canto qualquer do seu quarto, afinal, as primeiras aulas da manhã seguinte já eram, sem dúvidas, suas favoritas, e por esse motivo, ela detestaria chegar atrasada. Não tinha como negar que Regina era a professora mais atraente que já vira, e ficara alarmada consigo mesma por não ter conseguido parar de encará-la quando a vira pela primeira vez. Havia algo de misterioso naqueles olhos castanhos e no tom suave e rouco de sua voz.

No decorrer dos dias, Emma aproveitou cada segundo de aula ministrada por Regina. E cada vez que ela se inclinava para esclarecer uma dúvida que sequer existia, Emma aproveitava para aspirar o doce perfume que emanava de sua pele, ao mesmo tempo em que seus olhos estudavam cada centímetro do pescoço dela, imaginando como seria deslizar os lábios por aquela linda pele.

— Na minha opinião, o máximo que você vai conseguir é ter algum sonho erótico com ela — dizia Ruby, enquanto analisava o cardápio da lanchonete.

— Está enganada. Eu vou conquistá-la — disse Emma, ainda que fosse consciente de estar em território desconhecido, uma vez que ela não sabia nada a respeito da vida privada de Regina. Talvez ela fosse solteira, ou na pior hipótese tivesse namorado, já que seus olhos atentos em nenhum momento registraram a presença de uma aliança no dedo dela.

— Espere aí, Emma. Você tá falando sério? — Ruby questionou, inclinando a cabeça para o lado ao mesmo tempo em que franzia as sobrancelhas.

— O que te faz pensar que eu estou brincando?

— Oras…eu pensei que assim como eu e muitos outros estudantes, você estivesse apenas brincando. Quer dizer, quem não gostaria de uma aventura com a professora mais gata dessa universidade? Todo estudante, ou melhor, quase todos tem essa fantasia, não? Mas é só isso. Uma fantasia.

Remexendo-se na cadeira, Emma sorriu. Mas em meio ao sorriso escapou também um suspiro pesado. Respirando fundo, ela tentou parecer tranquila, mas a voz soou pouco natural e trêmula.

— Quer dizer que você não pensa nela quando vai dormir? Ela simplesmente não aparece nos seus pensamentos de repente, do nada?

— Sinceramente? Não, Emma.

— Mas é claro! Você tem namorado. Como poderia pensar em outra pessoa?

— Eu não tinha namorado quando a vi pela primeira vez e não fiquei pensando nela noite e dia como você anda fazendo. Além disso, é contra as regras o envolvimento amoroso entre estudante e professor.

— E quem foi que disse que eu sigo as regras? E mais, você nem gosta de meninas.

— Alto lá! Como amante, promovo a igualdade de oportunidades. Gosto de homens e mulheres, meu amor — disse ela, e Emma riu, porém, preferiu encerrar o assunto.

Enquanto retornavam para a sala de aula, seus pensamentos voltaram a Regina. Ela sabia que parte daquilo era atração sexual, até porque Regina era linda, não havia como negar. Entretanto, não era isso que alimentava o seu desejo por ela. Embora não conseguisse definir exatamente o que era, Emma tinha certeza que era diferente de qualquer atração que já sentira.

Quando a última aula finalmente acabou, Emma retornou para casa perdida em pensamentos. Essa noite jantaria sozinha porque seu pai teria uma espécie de encontro com uma mulher que conhecera semanas antes de se mudarem para Boston. Enquanto preparava um sanduíche de atum para o jantar, ela repassava a conversa que tivera com Ruby e jurou para si mesma que tentaria parar de pensar em Regina, mesmo sem ter certeza de que isso fosse possível.

— Te acordei? — indagou Ruby, na outra linha.

— Claro que não. Não durmo a essa hora.

— É que pensei que você estivesse sonhando acordada com a toda poderosa — disse ela, deixando escapar um sorrisinho.

— Nossa, que engraçado!

— Uau! Que senso de humor. Falando sério agora…eu te liguei pra saber o que você vai fazer no feriado.

— Você me ligou pra isso? Não poderia me perguntar amanhã na aula?

— Acontece que o meu namorado está organizando uma festinha e eu gostaria de saber se você quer participar. Então não, eu não poderia te perguntar amanhã.

— Não posso. Papai quer passar o feriado no campo, e como vai levar a namorada, quer que eu esteja presente para conhecê-la.

— Não acredito que você passará o feriado inteiro segurando vela.

— Que mané vela! Além disso, tenho muitas matérias pra colocar em dia. Vou aproveitar o feriado e estudar um pouco.

— Bom, caso mude de ideia, me avisa — dito isso, Ruby encerrou a ligação.

[…]

— São apenas três dias, filha. Pra que toda essa bagagem?

— Não sei de que bagagem você está falando. Uma mala e uma mochila com meus livros, oras. A propósito, você não me contou como foi o jantar com sua namorada…ou melhor, você não me contou nada sobre ela. Ela vem com a gente? — questionou Emma, enquanto jogava a mochila no banco traseiro do carro.

— Você nunca perguntou. De qualquer forma, eu te falei que nos conhecemos naquele evento sobre o meio ambiente.

— Tudo bem…mas e o jantar? Como foi?

— O jantar foi ótimo e ela está muito entusiasmada pra conhecer você. E não, ela não vem com a gente. Irá mais tarde com uma amiga.

— Que fique claro que não a chamarei de madrasta.

— Vai com calma porque ainda não falamos de casamento. É cedo, não acha? Embora eu tenha certeza que ela é a mulher com quem desejo me casar.

— Qual é o nome dela?

— O nome dela é…merda!

— Como? — indagou Emma, arregalando os olhos.

— Não! Não é esse o nome dela…estou me referindo ao pneu do carro, está baixo!

— Ah…é impressão minha ou você está nervoso, papai?

— Não estou nervoso. É que a casa deve estar uma bagunça e quero chegar a tempo para organizar tudo.

Durante as horas seguintes, Emma ficou observando a paisagem verde substituir o concreto da cidade grande. Adorava o mato, a natureza, e só aceitou deixar Storybrooke porque sabia que poderia escapar para a casa de campo sempre que precisasse de ar puro. O sol estava prestes a se pôr quando chegaram. Um amplo jardim realçava a frente da casa, e o contraste do gramado verde com os caminhos feitos de pequenas pedras se encontravam em perfeita harmonia.

— Adoro esse verde em torno — murmurou Victor, enquanto abria o porta-malas.

— Sim. É uma bela casa. Não me lembrava mais como era.

— Faz um bom tempo que não vínhamos aqui… — disse ele, se perdendo em pensamentos. — Bom, vamos entrar porque temos muito o que fazer.

Depois de deixar a bagagem no quarto, Emma voltou para a sala dando-se conta de que a casa se encontrava em perfeitas condições, na verdade, estava impecável. O nervosismo de Victor a fez sorrir, mas algo dentro dela se contorceu quando mais uma vez seus pensamentos buscaram Regina. Tanto esforço para tirá-la da cabeça e do nada ela surgia, sem aviso, sem demora. Obrigando-se a pensar em outra coisa, ela fechou os olhos com força, mas de nada adiantava. Regina estava gravada em sua memória.

— Elas chegaram! Ou melhor, parece que ela veio sozinha — disse Victor, tirando-a de seus devaneios.

Emma permaneceu onde estava enquanto seu pai caminhava apressado em direção à porta. Respondendo a última mensagem que Ruby enviara segundos atrás, Emma quase perdeu o fôlego quando ao lado do seu pai estava ela, a mulher que despertava todos os seus instintos.

— Não pode ser ela… — murmurou Emma, tentando disfarçar o pânico que a invadia.

— Emma? — indagou Regina, esboçando seu lindo sorriso.

— Espere aí, vocês se conhecem? — questionou Victor, claramente surpreso.

— Nos conhecemos há pouco tempo. A senhorita Mills é minha professora — Emma falou.

— Meu amor, porque não me disse que era professora da minha filha?

— Não me dei conta do parentesco. Principalmente porque tenho outras alunas que se chamam Emma.

— Bom, fico feliz em saber que já se conhecem, então deixarei de lado as apresentações — disse ele, num tom brincalhão. — Levarei sua mala para o seu quarto… — dito isso, ele se retirou.

Regina avaliou Emma com cuidado, o silêncio se estendendo entre as duas. Ela sentia os olhos de Emma em si, olhadelas rápidas e inquisitivas. Sentiu também que a deixava nervosa, embora imaginasse que esse fato tivesse relação com a sua “fama” de professora durona.

— Você não parece muito contente em me ver — comentou Regina.

— Está tudo bem, eu só fiquei um pouco…surpresa — disse ela, a confusão estampada em seu rosto.

Um nó se formava em sua garganta e sem conseguir desviar o olhar, ela continuou encarando a mulher que o seu pai acabara de declarar sua.

Notas finais
Espero que início tenha agradado. Até amanhã!