Acordei com o sol batendo em meu rosto, senti minha cabeça girando. Não me lembro nada do que aconteceu no(s) último(s) dia(s) e para ver, nem quantos dias. Percebi-me a Yami observando como a fosse atacar a qualquer momento, será que ela agora me odeia?

Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa muito ruim, mas não lembrava o que, levei um susto quando o Yoru entrou com as meninas e com um café-da-manhã, fiquei mais ainda surpresa. Ele ficou medindo minha temperatura enquanto elas davam-me o café. “Yami, o que foi que aconteceu para você estar assim?”

Todos pararam imediatamente, o ar ficou pesado. Ela contorceu a boca como se eu fosse algo imundo. “Seu cheiro mudou, você não é mais minha Hikari”, ela rosnou com raiva, tremi pela reação arisca. “Não fale assim com a mamãe, ela não quis que isso acontecesse”, Clare contestou, pisquei sem saber do que estavam falando.

“Agora que finalmente revelou e assumiu sua natureza, não posso levar mais adiante, esse será meu adeus”, e Yami saiu. Comecei a chorar, o que foi que fiz, não sinto que mudei, “então, por quê? Yoru.” Ele mordeu o lábio, parecia tentar ter coragem para prosseguir.

“Na noite passada, você ouviu-nos falar sobre uma espécie chamada dragão, eles consideram-se uma evolução nossa, por não morrerem e tomarem nosso sangue. Na verdade, já foram da nossa espécie, acho; porém, beberam o sangue dos próprios companheiros e mudaram, ou pelo menos o que foi dito pela Yami. Vivem em um único bando, excluídos de tudo e na forma de dragões, quando alguém vira um deles, caçam até se tornar parte do bando. Não são canibais, mas bebem qualquer tipo de sangue. Nós temos um sistema de auto-fecundação, mas é só ativo para eles, pois não aceitam machos de outras espécies.” Suspirou pelo menos descobri que os paleontólogos basearam-se nos dragões.

“Quando Vlad deu-lhe aquela droga, o que aconteceu foi sua transformação gradual em um dragão, claramente que ele não sabia o que fazia. Logo que você hibernou, no momento que a Yami deu-lhe sangue, ela percebeu que havia algo errado, não queria que se transformasse em um monstro, mas, depois que nasci, ela viu que era tarde demais.” Ele baixou a cabeça.

“Foi muito sofrido não lhe poder contar, tínhamos medo de que você unisse ao bando e não voltasse mais. Ela e nós amamos-lhe, então, não vá embora.” Quer dizer que finalmente descobri o que havia de errado comigo. Mas, eu não mudei, eu não sou o monstro irracional que pensam ser, solucei, a Yami pensou errado sobre mim.

Suspirei, se agora eu revelei minha verdadeira natureza, significa que não irei mais me descontrolar; agora, pensando bem, significa que aquele bando vai-me caçar até me unir a eles, não gostei.

Outra coisa, se só os dragões podem se auto-fecundar, então é por isso que as duas irmãs da Yami transformaram humanos na espécie delas, deve ser também o motivo da Yami dar-me seu sangue, para tentar reverter minha situação.

Senti uma dor nos braços e percebi que elas estavam mordendo meus pulsos, tentei desvencilhar, mas o Yoru impediu-me, “não se preocupe, elas já são dragões desde que nasceram, igualmente serve para mim.” Ele parecia triste, então propus,“vamos sair um pouco?”

Demos de topa com a Anna e Erika na saída, fiquei um pouco temerosa, mas abraçaram-me. “Foi nossa culpa, se tivéssemos libertado mais cedo, você não teria se transformado.” Soltaram-me, Anna encarou-me, “agora terá o mesmo destino dela, por ordem da Yami teremos que lhe caçar.” e se foram, até minhas próprias irmãs?

Outra surpresa foi na nossa volta, quando uma das irmãs da Yami apareceu. “Olá, sobrinha, sua transformação foi tranqüila? Resolveu finalmente juntar a mim?” Era aquela cantora, “não, claro que não me juntarei.” “Que pena, logo lhe irão vir buscar, ela não deixará a única oportunidade de alguém da nossa família ter sido transformado não se juntar ao seu bando, você sofreu o mesmo destino dela.” Sorriu, seus olhos vermelhos cintilaram, até que desapareceu.

De tão perplexa que fiquei, fui dormir mais cedo, Yoru acompanhou-me. Coloquei meu pijama, olhei-o, já estava deitado, então fiz o mesmo. Comecei a ouvir uma canção, igual àquela do casamento, senti algo se despertar dentro de mim, aproximei-me do Yoru, beijei-o, ele tentou-me afastar, mas não conseguiu, também estava sofrendo sob a música. Depois o larguei e saí da casa ara meu banquete sem ser interrompida, quando percebi, era eu quem estava cantando.