A Luz e a Noite

6 Lembranças I, II, III


Lembranças I Estava acorrentada, minha pele ardia. Era um local escuro, mas ainda conseguia ver. A única coisa que havia na minha frente era uma tigela de ferro seca com uns respingos de sangue. Eu não sabia há quanto tempo estava nessa condição, acho que foi desde que nasci. Ouvi alguém entrando, animei-me, já estava sentindo fome. Por sasukenagem[1], o homem colocou a tigela num local onde a corrente do meu pescoço enforcar-me-ia, não liguei. Comecei a me estrangular só para beber aquele sangue batizado (eu sei que colocaram algum tipo de droga). Terminei minha tigela lacrimejando, ele puxou meu rosto para frente. “Você está ficando mais humana, seus olhos não estão mais vermelhos, a droga está funcionando (eu disse que estava batizado, tinha um gosto estranho que meu instinto falava que não era normal)”, falou Tio Vlad. “Sabia que é feito do seu sangue?” Ele tirou um tubo e retirou sangue (eu já não tenho muito, ainda vai tirar o que resta?). “Agora, torná-la-ei minha.” Vi-me uma mulher olhando (claro, parecia um elefante andando), era Priscilla. Seu olhar estava carregado de ódio (CIÚMES). Tremi, ele já me tratava mal, eu não me quero tornar seu. “Provavelmente agora você deve crescer e morrer como uma humana normal, um monstro a menos. Nunca pensou que seu sangue poderia ser usado contra você, não é? Uma mistura interessante para uma droga, o seu com outro monstro.” Aí, eles se foram, deixando-me sozinha na escuridão. Ao longe ouvi a Priscilla falar “por que não a mata logo? Ela não servirá mais para nossos propósitos depois da droga funcionar por completo, não seremos eternos, nem vingaremos nossos pais depois do ataque dos...” Os passos afastaram-se Comecei a chorar, por que eu? O que fiz de errado, nasci? Claro, culpar uma pessoa por nascer seria tão racional quanto matar uma formiga que passeia tranquilamente pela parede. Ouvi uma explosão atrás de mim. Vi duas meninas de olhos vermelhos, uma de cabelos negros e a outra, castanhos. Cortaram minhas correntes com suas garras e abraçaram-me. Instintivamente, sabia quem eram, por isso não as temi, mesmo que queira. Tiraram-me do local, andamos pela rua e vi-os. Eles estavam incrédulos, Anna chegou perto do meu ouvido: “agora tem tua vingança.” Sorri empolgada (vai ser um belo de um massacre, seus sorrisos pareciam melhores/mais assassinos que os meus) Cheguei perto do Tio Vlad e o mordi, nunca senti algo tão bom quanto aquele sangue (até chorei de alegria), depois fiz a mesma coisa com a Priscilla (estavam com tanto medo que nem se mexiam, legal, facilitou muito). Virei para a Erika e falei para transformá-los, já que odeiam tanto os monstros, a melhor vingança sê-los-á transformar em um (não sei o porquê, mas sabia que os iria afetar mais que os matar). Depois (de todo o massacre na aldeia, pessoas gritando e a fome saciada), fizemos uma promessa de que ficaríamos juntas para sempre depois de tudo o que passamos (o passado delas é quase o mesmo que o meu), que procuraríamos pela nossa origem e descobriríamos quem era nossa mãe (que mais tarde seria minha pior inimiga). Fomos até a aldeia (mais próxima, para outro massacre, não tínhamos nada o que fazer mesmo) e banqueteamo-nos com os malditos humanos que nos oprimiram, só que, por alguma razão, eu hibernei. Lembranças II Estava andando sobre a neve, encharcada de sangue, minha cabeça doía. Eu não me lembrava de nada, só sabia que devia andar até encontrar umas meninas, que também não sei quem são. Tropecei num bolo de neve e caí, não sei por quanto tempo fiquei deitada, sangrando na neve (que até tinha um cheiro bom). Ouvi passos apressados e vozes. “Querido, olhe, tem uma menina caída, está machucada, vamo-la cuidar em casa.” Depois disso, senti-me sendo carregada por um longo caminho. Quando dei por mim, estava limpa, deitada em cima de panos, gemi alto pela dor na cabeça, ouvi passos. “Filha, nunca mais nos deixe preocupados, nunca soube que teria tanto medo na vida depois de ver tanto sangue.” Olhei-o espantada, eu não me lembro dele ser meu pai, franzi o ceno, será que perdi a memória também? “Você foi-me ajudar na lavoura, pegou a enxada, caiu para trás e bateu com a cabeça em uma pedra, ficou dormindo por três dias.” Estranho, como poderia estar trabalhando, se estamos em pleno inverno, mordi os lábios, ele está mentindo. Pedi desculpas como cortesia. “Dou-lhe três dias para recuperar-se e voltaremos ao trabalho, você sabe que necessito de ajuda.” Concordei alegremente. Foram os melhores três anos da minha vida que curti com eles antes de morrerem. Lembranças III Depois de acabar com os monstros na caverna, fui para uma Igreja abandonada. Já fazia seis dias que me havia despertado e comia mais que o necessário para nós três. Na cidade ainda havia sobrado muitos, agora que eu estava no meu modo “instinto”, meu sangue era mais atraente ainda (ueba, mas comida). Ouvi alguém entrar, fiquei alerta, conhecia o cheiro. Dark encontrou-me debaixo do banco, levantou pela garganta e apertou na parede mais próxima. Cuspi sangue, olhei-o com ódio. “Que bonitinha, despertou-se?” Arreganhei os dentes. “Só está instintivamente se protegendo? Uma maneira certa de se chegar ao despertar. Então, é melhor levá-la agora antes que volte naquela forma desprezível e queria-se matar.” Senti-lo passar a mão na minha barriga, meu braço contraiu, arranhei o seu rosto, ninguém as deve tocar, elas são somente minhas, ele largou-me. Eu ri demoniacamente, até parece que me vai levar desse jeito patético. Ele arregalou os olhos, “Hikari, por quê? Você não me consegue reconhecer, sou seu pai!” Pulei furiosamente para cima dele, desviou-se. “Prefiro-lhe na forma desprezível a sem consciência” e sumiu. Voltei ao lugar (debaixo do banco) que estava para limpar minhas feridas e pensando se aquela biblioteca seria um bom lugar para protegê-las.

[1] Sacanagem, Sasuke(サスケ) é o personagem do Naruto(ナルト) que só faz besteira.