A Luz e a Noite
7 Renascer
Senti-me afogando, levantei minha mão direita e bateu no topo, soquei-o, ouvi algo quebrando (nossa que força). Saí de dentro do casulo (percebi que já tinha feito isso antes, em algum lugar), estava mudada, já não me sentia mais humana (como se eu tivesse sido algum dia). Inclinei para frente e caí, derrubando todo o líquido (depois percebi que era sangue, agora entendi o porquê a Priscilla disse que eu estava coberta de sangue naquela vez).Uma mão ajudou-me ajudou a levantar, segurei-a e senti um forte abraço. “Você deu-nos um maior susto, quando chegamos para ajudar-lhe, só lhe vimos deitada, com um buraco no peito, formando uma crosta sobre si, acho que era o casulo.” “Hope?”
As três pularam em cima de mim e sufocaram-me em lágrimas, senti uma forte sacudida, como se quisessem certificar que eu era real. “Pensamos que dormiria por quinhentos anos, mas, ainda bem, só foram quinze dias; — um soluço forte, depois me fitaram — não se preocupe, a única coisa que mudou foi à cor do seu cabelo, — franzi o ceno — agora é vermelho, mas você ainda continua sendo a nossa mãe querida.”Que droga, eu adorava aparentar a Alice, sorri, “não me importo, só queria estar com vocês”; ouvi passos ecoando na caverna, já sabia quem era; suspirei. Fui ao encontro dele, estava com um sorriso no rosto. Não gostei, ainda aparenta um convencido, quem venceu a guerra. “Ainda não lhe perdoei, Yoru”.Rosnei como aviso, ele parou. Riu, “Hikari, está virando um monstro ao tratar-me assim.” (será?) Tinha uma parede atrás de mim, abri um buraco batendo nela. “O que quer aqui?” Deu os ombros, “a reunião da família.”Em um segundo, já me estava encurralando na parede; senti o doce aroma do seu sangue, por isso torci meu nariz. Ele ainda tinha aquele sorriso cínico; não agüentei de raiva, quando vi, já o estava mordendo no pescoço.“Hikari, que canibalismo é esse? Bebendo o sangue da própria espécie.” Acariciou meu cabelo, “faremos com que volte ao normal, farei com que se torne minha.”Perdi o controle, peguei-o pelo pescoço e bati sua cabeça no chão; eu sorria malignamente, não queria ser de ninguém, não queria ser acorrentada novamente.“Já que é assim, quero que você seja todo meu”. Mordi meu pulso e dei um longo beijo nele. Parou de se mexer, levantei-me e fiquei contemplando enquanto meu sangue fazia o efeito de ele gritar, seu aroma estava mudando, como também a cor dos seus olhos.“Finalmente pode dizer que é da minha espécie”, sorri sarcasticamente, quando parou de se mexer. Cambaleei, senti-me tonta e enojada, o seu aroma de presa perdeu o efeito. Vi minhas meninas tremendo de medo. Por que quando me desperto sempre tenho que machucar alguém? Fiquei sem resposta.Acordei na cama da biblioteca, com o Yoru ao meu lado. Percebi-lho olhando com ódio e eu, com mais ainda. Levantei-me rapidamente e tropecei, ele segurou-me, assim, elas rosnaram.“Protegem-na como se fosse à coisa mais preciosa do mundo.” Yoru estava sorrindo, não como antigamente, mas mais sincero. Corei, sempre o pensei como inimigo, porém tive que encarar depois de recordar-me de sua origem, a de ser meu filho.“Desculpe-me por aparentá-lo, não queria trazer aquelas lembranças novamente, na verdade, minha intenção era-as apagar. Eu sempre quis estar ao seu lado, todavia o destino nunca deixou, agora que estamos equivalentes, podemos voltar ao que éramos?”Concordei, não tinha outra opção diante daquela cara de cachorrinho sem dono. Minhas filhas pararam de ficar ariscas e aproximaram-se. Eu juro que devem estar sintonizadas comigo, é anormal essa reação.“Vamos comer? Tem uma padaria aqui perto”, é outro anormal, tirou as palavras da minha boca, afirmei e fui levada. Fomos a pé, as meninas alternavam em ficar grudadas em mim, tentar conversar com Yoru (esquisito) e olhar para a paisagem semi-reconstruída.Senti um cheiro familiar, parei, virei para trás. Havia uma mulher com um olhar carregado de ódio sobre nós. Priscilla pulou em mim e derrubou-me, senti algumas costelas quebrarem, cuspi sangue.“Parem, se não a mato!” Olhando para os outros. Voltou-se para mim e aproximou-se. “Que bonitinho, um monstro tentando brincar de família.” Começou a me enforcar. Yoru rosnou.“Você roubou o Vladimir de mim quando nasceu (acho que é raiva amorosa). Ele só fala em transformar-lhe em humana e tornar sua noiva. Eu, a quem ele prometeu em casamento para ajudá-lo a roubar a múmia e o último ovo, não recebi nada em troca.”“Sabia que eu roubei a múmia do Dark, seu verdadeiro pai? Quando ele a encontrou, só havia restado um ovo, queríamo-la vender para qualquer colecionador, mas depois que o sangue de um ferimento acidental dele a fez nascer, não me deixou chegar perto.” Ela soluçou.“Sabia que fui eu quem lhe dopei e menti que o Yoru havia morrido? Como fui uma das criadoras da organização, tenho alguns privilégios, assim, classifiquei-o como um vampiro convertido subversivo.” O Yoru bufou. “Agora sabe o porquê nunca confiavam, em você, tinha que os segregar.”
“Só três pessoas sabiam da existência dele. Lembra daquele médico? Matei-o. Não me obedeceu em ocultar a existência do Yoru, contou para vários médicos seu paradeiro. Quase o consegui convencer, mas ele ainda tinha irritante vontade de lhe encontrar.”“Lembrou-se que eu sempre cuidei de você? Sempre lhe dei um remédio, que era feito dos sangues das três espécies juntos com o seu, obtive o da imperatriz a base de uma troca de informações; pensei que seria um bom veneno, mas parece que você só se adaptou. Foi uma burrice, já que tentei há anos atrás, na tigela.”“Tentei-o manter longe, mas depois que armou aquele ataque, não lho consegui esconder. Também o dava a mesma droga, porém só foram dois dias, não fez o mesmo efeito, ele conseguiu parar de tomar sem que soubesse. Além do mais, não era o sangue que havia na mistura normal e sim um resíduo do seu casulo.” Eu estava meio estupefata.“Posso-lhe dizer uma coisa? Aquela informação sobre sua reprodução, não era relacionada à sua família, suas irmãs não se podem reproduzir, só infectar. Tive uma informante que lhe conhece muito bem, a ponto de ser da sua mesma espécie, por isso, falei-lhe sua localização, se falharmos, ela vir-lhe-á buscar.” “Quem...?” Fui interrompida.Ouvi passos vindos de trás dela, eu conhecia aqueles dois, era a meia lobisomem e o vampiro convertido do meu grupo da organização. Pensei que haviam morrido no segundo ataque a organização. Priscilla deu um sorriso de vitória.“Acho que você deve-os conhecer, foram os que cuidaram de suas irmãs.” Cara, eu já estava ficando roxa e ela nem percebia. “Teremos que concluir nossa experiência, sabia? Tomamos a mesma droga que você, e pelos meus cálculos, a única coisa que ativará nossos poderes será seu sangue puro.”Ela levantou-me e mordeu meu pescoço, os outros, meus pulsos. Olhei com súplica para o Yoru, ele só sorria e gesticulou: “espere.” Que droga, esperar por... Comecei a sentir o doce cheiro deles. Excitei, não, de novo não. Descontrolei, já estava em cima da Priscilla com os outros jogados no chão pela minha força.Ela começou a gritar de medo, nem liguei, eu queria aquele cheiro bom. Ela percebeu seu fim, então, enquanto a mordia, chegou perto do meu ouvido: “um monstro será sempre um, eu tinha dito ao Vladimir que não dá para mudar a natureza de algo.” Assim, seu corpo virou pó entre meus dentes.Tornei-me uma aberração, nem sofri por matar os outros dois, acho que eles já esperavam que o plano falhasse. Parei quando o último esfarelou, comecei a chorar, Yoru veio-me acudir, “não quero”.Ele abraçou-me, comecei a sentir seu doce cheiro, não o de comida, mas um que mostrava que ele pertencia-me. “Pronto, agora vamos voltar para onde estávamos indo?” Esqueci totalmente que íamos para a padaria, senti minhas filhas me empurrando.
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