A Luz e a Noite
2 Despertar
Acordei numa cama de hospital (na qual nunca tinha visto antes na minha vida, mas eu ainda queria saber como eu sabia), com o soro na veia e uma enfermeira do lado, vendo meus batimentos cardíacos. Era uma sala branca, com cheiro de desinfetante, como a de um dentista. Movi-me e ela assustou-se, assustando-me mais ainda. “Não se levante, encontramos-lhe encharca de sangue (como?), com vários vampiros e lobisomens ao seu redor mortos, não sabemos como (vários o quê?). Creio que um deles deve-lhe ter raptado, tirado sua roupa (o quê?!) e lhe tentado transformar, mas um do nossos agentes conseguiu-a salvar a tempo”. Uma bela teoria, mas creio que foi algo mais sério que isso, pelo nervosismo dela na hora de me contar. Claro que me lembro dos monstros vindo para cima de mim, de uma fome insuportável e do agente me salvando. “Em que reinado estamos?” Olhou-me incrédula. “Do que está falando? Estamos no século XXI. Reinado foi há quase meio século atrás.” Não acreditei, se foi tudo isso, então o que andei fazendo por esse tempo todo? Tinha algo errado. A enfermeira saiu e encontrou-se com o médico do lado de fora. Levantei (junto com o soro), abri uma fresta na porta e escutei a conversa. “Ela acordou com um pensamento de 500 anos atrás! Mas os testes indicam que ainda é humana.” O médico coçou o pescoço, “no local onde foi encontrada nua, a maior parte dos monstros haviam morrido da mesma maneira que nos matam (ou seja, estraçalhados), além disso, foi encontrado um estilo de casulo, por dentro repleto de sangue, que nem a menina. De outra forma, descobrimos que o sangue dela foi feito para matar os monstros e é atrativo para eles. Testamos em alguns, foram petrificados quando o tocaram, o único inconveniente é a coagulação.” Segurei a respiração, “além do mais, a taxa de estrógeno e progesterona começou a aumentar, e apareceu o BHCG no exame de urina que fizemos agora pouco, no de sangue não houve resultado pela alta taxa de coagulação, deveremos acompanhar mais o caso, é possível que podemo-na usar como arma para a organização.” Na boa, não entendi nada do que disseram no começo, acho que deveria ser algo relacionado ao meu sangue, ao monstro que me devo ter transformado (maldita múmia). “Deve ser um menino, um dia só já equivalei há um mês, só continuar assim, em nove dias...” Apavorei-me, um menino? Um mês? Do que estão... PLAFT, o soro caiu saindo da minha veia e estava correndo sangue por toda parte. Os dois encontraram-me paralisada, com a face aterrorizada, perto da porta. O pulso já não sangrava mais. Olhei-os, chorando, “quero uma explicação, respostas”. Olharam-se e desviaram a lados opostos. A enfermeira me levantou e me abraçou; senti os músculos dela se contraindo. Medo? Não, restrição. Tinha cheiro de lobisomem e pelo que ouvi, estava tentando não me atacar; o médico já tinha cheiro de humano. Mas, afinal, como eu sabia? “O que aconteceu antes de você acordar?” Contei os episódios dos ataques até a hora antes de dormir. Novamente, troca de olhares. “É o seguinte, seu sangue mata os monstros, pois eles são a presa da sua espécie e estamos proibidos pela central falar qual é.” Adorei a explicação, foi bem instrutiva. “Agora, vamos para a parte mais complicada – um suspiro – você está grávida de um mês e creiamos que seja um menino.” Certo, agora meu coração literalmente parou de bater, uma coisa é ser um monstro, outra coisa é estar gerando, sem saber como, outro monstro. “Preferimos que não pense na idéia de abortá-lo, além de não ser segura, a criança poderá ajudar em nossa causa.” Certo, que causa? Não são vocês que serão tratados como rato de laboratório para descobrir a cura de uma epidemia, mas não liguei. No oitavo dia, acho que as únicas duas “pessoas” que me tratavam como humana eram a enfermeira e a coisa que estava dentro de mim. A maior parte dos médicos só viam minha pressão, meus batimentos, minha ração (não posso chamar aquilo de comida) e a coisa. Por outro lado, a enfermeira (agora nomeada como Priscilla[1]), perguntava como estava, se queria algo, ou até (e aconteceu hoje) como i-lo-ia nomear. Pegou-me de surpresa, ainda não tinha pensado no assunto, ela já tinha um em mente, Yoru*[2]. Realmente combinou com o meu*[3]. Agora, só queria saber três coisas: I — a que espécie eu pertenço; II – como sabiam que eu iria ter um menino? ; III – o que aconteceria com ele depois de nascer? Nono dia, doparam-me e não me lembro de mais nada, só a escuridão.
[1] Purishiira(プリシーラ) personagem do Claymore(クレイモレ)
[2] Yoru(夜) Noite
[3] Hikari(光) Luz
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