A Luz e a Noite
11 Casulo (versão Yoru)
Segui os rastros de sangue pela noite, engoli em seco, por todo o caminho sempre topava com corpos no chão, casas destruídas, um sinal claro que um dragão passou, mordi os lábios. Eu tinha pena do massacre de uma cidade inteira só por um, mas não queria ver se estivesse com o bando.Desde que a Hikari saiu correndo da biblioteca, houve vários massacres pela cidade. Pela sua condição, não era para menos que estivesse tão faminta, recriar o corpo original de dragão deve consumir muito sangue, sem falar que estava libertando toda a força. O rastro terminou perto de uma caverna, senti um forte cheiro de sangue. Tremi de vontade de provar, porém terminou pelo forte aroma de dragão recém nascido, bem perto do final, no qual havia um adormecido. Suas escamas negras brilhavam como o arco-íris mesmo sem luz; preparei para aproximar-me, o bicho não estava respirando, tremi, será que morreu? Ouvi um som estranho vindo dele, corri para perto, estava começando algo a quebrar o tórax.
Vi Hikari saindo, com sangue cobrindo seu corpo, olhava para o nada, depois se virou para mim como soubesse que eu estava ali, e sorriu contente por isso. Majestosamente, saiu de lá dentro, pulou no chão sem problemas de desequilíbrio, e veio até mim como se não tivesse feito nada de mais. Paralisei-me, senti que me iria morrer, meus instintos mandaram-me ir embora, um dragão vai-lhe matar! Ela aproximou-se até eu sentir sua respiração, e abraçou-me. Não sabia se desmaiava ou outra coisa.Percebi que seus olhos continuavam azuis, só que sem brilho, como se estivesse sendo controlada. Ela apertava-me, igual a não me querer perder, então me fitou. Sua primeira reação foi-me tentar beijar, afastei-me rapidamente, não queria que fizesse algo no qual se arrependesse depois. Olhou-me perplexa, quase chorou, achou que eu a tivesse rejeitado.Suspirei, vi que a faria sofrer se negasse, então abri os braços, ela sorriu meio maliciosamente, abraçou-me e voltamos à estaca zero. Peguei-a no colo, antes que tentasse outra coisa, e tentei carregar até nossa casa, mas, senti uma mordida no pescoço, depois uma ardência. Ela enterrou a cabeça no meu peito com um sorriso de vitória, como se dissesse “ele é meu.”Andei-a carregando até a biblioteca, um passo mais sofrido que o outro, e por causa do veneno, desabei no chão, acho que adormeci com ela agarrada em mim. Só me lembro da Yami abrir a porta e vir-nos acudir.
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