A Luz e a Noite
9 Casamento
“Quem lhe arrancou o coração?” Assustou-se Yami. “Uma das suas filhas, a Clarise.” Ela arregalou os olhos, depois riu nervosamente, “eu estava brincando quando falei que tive filhas, vocês três foram minhas únicas.” “Então, quem era a menina?” Yami ficou pensando, “não sei, quem será que era a mãe dela e por que lhe queria capturar?” Yami tremeu, ainda temos inimigos, e parece que são poderosos, ou ela percebeu algo mais.“Deixe para lá até depois do casamento, então nos preocuparemos.” Eu estava lambendo o resquício de sangue que havia no ferimento, percebi seu nervosismo, ela estava escondendo algo. “Será quando?” Clare animou-se, “amanhã, desculpe por ser tão em cima, mas não os conseguia rastrear pelo cheiro, o da Hikari parece mudar a cada dia. Boa noite, queridos.” E sumiu, junto com o carro.
No dia seguinte, a Yami já estava com nossas roupas em mão. Eu queria saber onde ela ganhou tanto dinheiro para comprar essas roupas caras. Até certo tempo, apareceram dois carros para nos levar, pareciam muito caros, acho que quando você vive demais, consegue ganhar muito dinheiro, pois não o precisa para suprimir coisas básicas humanas.Chegamos a uma mansão enorme, entramos pela porta da frente, estava, por dentro, decorada. Indicaram o caminho, então chegamos a um salão. Ele já estava lotado, eu não estava passando bem. Claro, a maioria era humana, mas os poucos monstros que tinham já me descontrolavam.Reparei que os noivos já estavam lá, numa espécie de palco, como se fosse uma orquestra, sentamos. Para minha surpresa, a noiva começou a cantar. Era uma boa melodia, lembrava-me o sangue doce, caraca, isso não vai acabar bem, o sinal que eu estava quase babando já respondia meus temores.Senti os monstros ao meu lado ficarem inquietos, eu estava duas vezes mais, se eu sentisse cheiro de sangue, quem iria se divertir mais seria eu. Quando estava no ápice do meu autocontrole, a música parou. Como é possível ela libertar nossa sede só com a voz e depois fazer com que nunca a tivemos?Ainda bem que ninguém morreu, mas o silêncio que se fez no recinto era mortal. A menina, vendo que não houve estragos, voltou a cantar com um sorriso maligno estampado. Levantei-me, tinha que impedir uma catástrofe, mais minha do que dos monstros.Assim que já estava no meio do caminho, fui acorrentada com as mãos nas costas, era o noivo. Olhei em volta, o Yoru e as meninas já se haviam descontrolado e sumido, o Dark e a Yami não estavam sobre minha visão. Novamente, sozinha. Conduziu-me, impotente, até onde ela estava, a cada vez que chegávamos mais perto, mais perdia minha sanidade.“Finalmente você voltou para mim, Hikari.” Mas eu nem conheço essa mulher. “Por que fugiu de mim por esses anos, — ela passou a mão no meu rosto, cara, ela está-me dando medo – aqueles malditos transformados nunca me deixaram sair para lhe encontrar.” Ela olhou-me com pena.Parei de contorcer-me. “Espere aí, Priscilla e os outros?” “Eu sou a original dona da organização, criei-a com o intuito de matá-los, — apontou aos monstros ao nosso redor — só que um dia me envenenaram, prenderam-me por muito tempo, enfraquecida, e assumiram o controle. (explicação pequena, ainda não sei como me descobriu)”Essa é boa, ela nem se importa em caçar os próprios parentes — olhe quem fala. “Tive-lhe tentando recuperar depois da destruição da central, não posso perder minha sobrinha, principalmente para monstros como minha irmã.” Ela deu um sorriso irônico quando avistou a irmã fazendo uma chacina. Eu pensei, se ela parou de cantar, por que ainda estão matando?“Quais são suas intenções?” “Esses monstros estão matando muitos humanos, devemo-los exterminar.” “Eles não são os únicos.” “Eu sei do seu passado, e por isso, quando foi descoberto seu casulo, mandei-lhe um agente resgatar.” Bem afetivo, ela aproximou-se, apontando ao pescoço.“Pode-me morder, meu sangue será usado para uma causa boa, você ainda não sabe para que o precisa tanto?” Eu não estava ouvindo, já havia avançado, sem perceber, só me concentrava no doce sangue (sendo que é amargo) na boca. “É porque irá...”Yoru puxou-me, com um rosnado, minhas filhas seguravam-me com medo, o sangue correu pela minha boca perplexa. “Garoto, não tem como deter a natureza, você sabe que ela ir-se-á transformar naquilo. Eu só a queria tornar uma arma, da maneira que sempre desejava – baixou a cabeça – não a queria perder para ela.” A Yami?Seus olhos estavam ficando vermelhos, ele estava rosnando ainda mais alto. “Bem, irei embora, já fiz o que queria, mostrá-la o que era o que ela chamava de família (como se os considerasse uma). Veremo-nos de novo, Hikari.” Desapareceram, ficamos feito dois de paus, olhando o resto se recuperar da canção. Ainda havia alguns focos de batalha que tivemos que intervir, mas, no final, a maior parte humana morreu, e os monstros mais se divertiram do que sofreram (como eu quer-me-ia ter descontrolado para ver o que aconteceria com a cara de gosto deles). Depois que ajudamos os sobreviventes, voltamos para a biblioteca, todos estavam com cara de culpados e eu de perplexa. Foram dois dias de informações chocantes, ainda não me havia recuperado. Quando chegamos, e a Yami partira, fomos dormir sem trocar uma palavra.
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