A Luz e a Noite
10 Visita
Eu estava atendendo os clientes enquanto Yoru e as meninas sussurravam. Começou a irritar-me, o que escondiam de mim? Desde ontem, pareciam assustados, ou melhor, temerosos com algo. Quando fui tentar ouvir, entrou uma garota e um senhor.Fui-os atender, franzi o ceno, eu já vi aquele senhor em algum lugar, cara, já tiveram tantos que entraram por aqui que nem sei. “Boa tarde, em que lhes poderia ajudar?” “Eu queria um livro de ficção sobre lobisomens.” A menina estava animada. Levantei as sobrancelhas, era estranho pedirem sobre lobisomens, a moda (que perpetuou) era de vampiros. Okay, é até compreensível, devem ser o avô e sua neta querendo um livro, o problema era-o encontrar. Depois de um tempo, trouxe cinco e os coloquei sobre o balcão. Enquanto ela lia o resumo, o senhor avaliava-me, já sei, aparento dezesseis, não é para menos que pense ser muito nova para bibliotecária. “Não gostei e nenhum, mas eu queria uma informação.” Levantei uma sobrancelha, perplexa.
“E qual tipo de informação deseja?” “Você sabe a localização das minhas irmãs, você tem um pouco do cheiro da Yami impregnado no seu corpo.” Primeiro, não era uma pergunta e sim, afirmação. Segundo, agora que fui reparar nos olhos vermelhos dela, então o senhor deve ser o paleontólogo que lhe deu o sangue. Mordi o lábio.Suspirei, “o Yoru deve saber”, subi e chamei-o. Ele desceu apressadamente, já sabendo o que queriam. “Sim, vou-lhe dar, — após escrever algo — aqui o papel.” Olhei-o desconfiada, por que ele sabia onde a Yami vivia? Ah, claro, mantinham contato quando estava na Central. “Qual é a relação suas com minha irmã?” Ela estava desconfiada. “Ela é sua sobrinha.” Olhou-me espantada, “não pode ser, mas ela tem o cheiro de...”Yoru tossiu; o que quer que fosse, já me estava irritando, subi para o meu quarto (mesmo deixando a visita, é grosseria, mas estava com raiva), troquei de roupa, só saí quando foram embora. Ele veio-me consolar, mas sabia que não iria apagar minha raiva. “Quanto menos souber, será menos sofrível.”Se eu soubesse do que estavam falando, saberia dizer o grau de sofrimento. Cambaleei, raiva? Não, senti uma fome tremenda, fui retira do momento logo que ouvi o sino tocar novamente, saí de perto dele, sem dizer nada, e fui atender, eram dois policiais, para o dia melhorar.“Você é Hikari?” “Sim, certamente”, eu queria perguntar o que queriam, mas pelo olhar, era grave. “Devemo-la levar a delegacia agora.” Levantei uma sobrancelha, preferi não discordar. Fui sem avisar a alguém.Quando chegamos, sentei na sala das testemunhas para ser avaliada. O delegado já chegou falando: “houve vários assassinatos de vampiros e lobisomens na região. – Uma pausa para eu absorver a informação — De acordo com sua ficha, tentou-se cadastrar como ‘ser que os devora’, foi você quem os matou?” Pensei por um minuto, realmente, foi direto ao assunto. Concordei, não podia mentir. Ele franziu o ceno, ainda não acreditava como uma menina inocente poderia matar monstros, suspirei, ele deveria ser mais cuidadoso. “Duvidamos, (isso já deu para perceber) por isso, faremos um simples teste.” Abri a boca para protestar, mas me detive, não quero ser presa. Colocaram na minha frente três taças contendo um líquido vermelho, na hora duas atraíram-me, bebi-as, por instinto (o que é errado, pois não se sabe se tem veneno) em cinco segundos. O delegado arregalou os olhos, principalmente quando o olhei, o reflexo da taça mostrava meus olhos vermelhos.Comecei a ficar sonolenta, calmante? “é ela mesma, a menina da lenda, a qual aqueles dois que capturamos contaram. A que acabaria com os monstros; os humanos voltariam à paz, e no final, a garota tornar-se-ia um monstro pior.” Levantei-me, “não quero ouvir mais baboseiras”, e saí cambaleando até a biblioteca, acho que tiveram medo de me impedir. Fui dormir, e o pessoal não me perguntou onde eu estava, com um único pensamento em mente – se continuar bebendo, serei um monstro para os próprios monstros.Voltamos a mais um dia comum na biblioteca, com muito trabalho a fazer, num de inverno com o sol ameno, estava com um mau pressentimento. Chegamos a uma noite fria, Yami havia-nos visitado, para variar.Yoru veio com uma desculpa de que o café tinha acabado; bufei ao pedido de comprar mais, eu sabia que não me queriam ali. Saí para a cozinha e claro que o achei, era só procurar um pouco, pois eles esconderam bem debaixo da pia.Quando o terminei de esquentar, subi as escadas até o cômodo, fiquei ao lado da porta, tentei escutar o que diziam de tão importante. “Você sabe o que pode acontecer, Yoru, ela já está passando da fase larval.” “É, tudo começou por causa daquela maldita Priscilla que lhe deu sangue errado. Sabe, quando tomamos, viramos algo além da compreensão.”“Sim, é chamado de ‘dragão’ por ter a mesma aparência do animal mitológico, sua fome é voraz, não há distinção da presa, atacam tudo pela frente. Perdem a humanidade por um tempo, — arfei alto, espero que não me tenham escutado — mas ficam malignos quando a recuperam; hibernam por quinhentos anos (e por que hibernam?) e gostam de evoluir. O pior é que ainda andam em bando. Aquela Clarise deve-a ter testado quando sentiu seu cheiro. Daqui a pouco tempo, Hikari não estará entre nós.”
Yoru suspirou, “não a deixarei mudar, e também não a matarei, acho que se eu cuidar dela, não nos irá deixar.” Eu também espero. “Você sabe que não podemos contar para ela, pois qualquer informação ruim pode desencadear o processo.”Derrubei a bandeja de café, quer dizer que tornarei um monstro pior? Comecei a tremer, chorei, minha forma estava-se distorcendo. O Yoru e a Yami abriram a porta quando me ouviram e acudiram-me, mas eu já não os escutava. Minha mão cortou o rosto perplexo dele por reflexo, meus músculos retesaram, eu senti minhas unhas e dentes crescerem, saí do meio deles, pois sabia que não seria seguro ficar por lá e depois não me lembro de mais nada.
Fale com o autor