A Lua Que Te Dei

14 Visitando O Passado


Tudo estava em silêncio absoluto, as coisas estavam quietas e entravam pequenas rajadas de vento pela janela do quarto, que Kim acabara de abrir a fim de tentar deixar o ambiente mais arejado e menos sombrio. Martin havia sentado em uma cadeira que estava em um canto do quarto e agora observava detalhe a detalhe do quarto de Kim e o que pode reparar é que tudo ali lembrava o anfitrião, que agora andava de um lado para outro até sentar na cama, onde conseguia ter uma boa visão de sua visita.
– Então quer beber alguma coisa? Tipo água ou suco, já que não tenho bebida aqui — indagou Kim.
– Não. Eu estou bem, eu só estou aqui por que a Kathryn pediu. Ela acha que você deve saber... — falou Martin com um tom indeciso, levantando da cadeira, e se dirigindo até a janela que estava aberta, a fim de adquirir a maior quantidade de ar possível.
— Você vai logo falar ou vai ficar enrolando? — indagou Kim com certa impaciência.
Martin ficou novamente em silêncio, apenas olhando pela janela do quarto algumas plantas que estavam no jardim. O silêncio do mais velho estava começando a irritar Kim verdadeiramente, porém o garoto decidiu não falar nada apenas deitou em sua cama revirando os olhos em sinal de tédio.
— Você ... É o... Irmão que eu deveria ter sido... — falou Martin dando longas pausas entre cada palavra.
— O quê?
— É...O jeito que você protege o Anthony, o jeito que você cuida dele...E o jeito que vocês se gostam mesmo sem demonstrar.
— Você veio aqui falar do Anthony? — disse Kim, sem entender onde Martin queria Chegar com aquela conversa.
— Eu...Matei...o meu irmão. — falou Martin com dificuldade em dizer tais palavras.
Um longo silêncio se instalou naquele ambiente. Kim levantou de sua cama, e agora andava pelo quarto sem olhar para Martin, que continuava a observar o jardim, decidiu continuar a falar :
— Era aniversário da cidade, e eu estava com meu irmão...Ele fazia de tudo pra me proteger, e nesse dia eu estava me drogando com o Tyler — falava Martin enquanto tentava impedir que as lágrimas caíssem. — E ele foi pela milésima vez tentar me parar me levar pra casa...Eu dirigi...E acabei virando o carro e...matei o meu irmão....Essa é a história...Eu perdi o meu irmão.
Kim ouvia tudo ainda em silêncio, sem nenhuma reação, e então Martin, que estava com lágrimas em sua voz decidiu continuar a falar.
— O resto você já sabe...O Tyler me faz reviver essa história constantemente, e a última dele foi colocar a Kathryn nisso. — disse Martin virando em direção a Kim que estava parado ouvindo tudo atentamente.
— Eu realmente nem sei o que dizer. — disse Kim se aproximando de Martin e tocando em seu ombro.
— Não diz nada...amigo. Me dá um abraço...só isso.
Kim fixava seu olhar no rosto de Martin, e o que via era um homem que sofria, um homem que não sabia lidar com uma grande perda e que acabava errando, como um garoto que ainda não sabe diferenciar o certo do errado, ou talvez apenas como um humano, que erra e que precisa de apoio como qualquer outro.
Após alguns segundos olhando as lágrimas cairem sobre o rosto de Martin, Kim foi até ele e o abraçou forte assim como na noite em que o salvou da briga com Tyler, e nesse abraço Martin pode sentir o apoio, a vontade de ajudar que vinha de Kim.
— Você pode contar comigo pra tudo sim, meu amigo — falou Kim ainda no abraço.
— Você tem a mesma energia do meu irmão...ele se parecia muito com você — disse Martin deixando aquele abraço — Não fisicamente, mas o seu jeito protetor com o Anthony, essa mania de fazer tudo certinho, e até esse amor ao extremo que você tem pela Kath...
— O quê? O seu irmão também gostava da Kathryn?
— Não! Ele amou outra garota por uma noite apenas e...eu estraguei tudo. — disse Martin perdendo mais uma lágrima, lembrando de Megan.
— Martin foi um acidente — falou Kim sentado em sua cama e fazendo com que Martin fizesse o mesmo.
— Todas as pessoas do mundo podem dizer que foi um acidente, mas eu nunca vou pensar assim.
— Martin... — tentou argumentar Kim, sendo interrompido por Martin
— Chega de falar disso. Vamos falar da pessoa que nos uniu aqui.
— Kathryn — disse Kim parecendo não querer conversar sobre a garota.
— Sim... Você me desculpa por aquele dia que eu acabei te agredindo? — falou Martin com certa timidez.
— Eu acho...que eu mereci aquele soco. Afinal de contas eu não contei sobre mim e a Kathryn, e quando contei foi...daquela forma.
— Então estamos bem, já que todos cometemos nossos erros, mas...
— Mas...O que? — indagou Kim com curiosidade.
— Mas, eu quero te dizer que o que eu sinto pela Kathryn eu não vou deixar de sentir...nunca.
— Martin a gente não precisa...
— Sim a gente precisa Kim...Eu amo a Kathryn, e por mais que doa eu te dizer isso eu sinto que ela ainda sente algo por mim.
Kim ouvia tais palavras como se fossem balas perfurando seu coração, nem um soco que tinha levado de Tyler ou Martin, o machucou tanto como aquelas palavras. Kim ao ouvir tudo aquilo voltou a olhar a janela numa tentativa falha de não encarar Martin, porém o garoto tocou o ombro de Kim dizendo :
— Eu sei, eu tenho comigo a certeza de que a Kathryn ficaria bem melhor e segura ao seu lado, por que você é o melhor pra ela, você é o tipo de cara que eu deveria ser, o tipo de cara que o meu irmão sonhava que eu me tornasse, o tipo de cara que merece a Kathryn, mas com tudo isso eu não vou desistir do amor da minha vida...nem de ser amigo do cara...Mais fantasticamente certinho que já conheci. — falou Martin entre longas pausas.
— Bom desses seus dois desejos eu posso te garantir um...A minha amizade — falou Kim, puxando novamente Martin para um longo abraço, para depois continuar falando — Já o amor de Kathryn só ela pode dizer se ainda é seu, e mesmo que seja eu digo, eu também nunca vou desistir de Kathryn.
— Bom então estamos acertados. Amigos? — falou Martin estendendo sua mão até Kim.
— Com certeza amigos. — disse Kim apertando a mão de Martin.

— Bom então eu já vou indo. — falou Martin se dirigindo a porta de saída do quarto.
— Espera... — disse Kim — E seus pais? Onde eles estão?
— Eles me deram aquela casa para não terem que olhar pra minha cara depois do acidente — falou Martin com tristeza.
— Procura eles, quem sabe se eles te perdoarem, você se perdoa.
— Quem sabe... — falou Martin fechando a porta deixando Kim sozinho novamente em seu quarto.
OoO...

O céu parecia preparar uma chuva, as nuvens pareciam que iriam desabar, porém mesmo que chovesse canivetes Alex não iria deixar a praça de Flowers, não antes que Mari chegasse. O casal havia combinado de ver um filme na casa do garoto, depois de horas de pesquisa e brigas Alex e Mari haviam decidido o filme que veriam, a indecisão dava-se pelo fato da garota preferir filmes românticos e com final feliz, e Alex gostar de um pouco mais de ação e sangue. Alex então sugeriu " Jogos Vorazes", que de certa forma agradaria os dois pois tinha um bom romance sem deixar de ser sangrento.
Alex começava a sentir as primeiras gotas de chuva lhe moralhem, e não parava de olhar em seu relógio que já marcava 3 horas da tarde, exatamente a hora em que tinham marcado para se encontrarem na praça.
" Ai meu Deus, será que a Mari ficou com medo da chuva e não vem... Eu vou esperar mais 5 minutos e vou..."
Pensava Alex, enquanto começava a ficar bem molhado. Após se passarem os tais 5 minutos o garoto decidiu ir embora, começou a andar rapidamente para não se molhar, enquanto praticamente corria o garoto ouviu uma voz distante, que parecia gritar seu nome, foi então que o garoto virou-se para trás e viu a sua adorada namorada que corria em sua direção, aos olhos de Alex a garota parecia tão frágil que poderia ser levada pela ventania que regia aquela chuva. O garoto então correu em direção a loirinha que parecia tremer. Alex a abraçou e os dois deram um longo beijo ali mesmo debaixo da chuva. Depois não perderam tempo e iniciaram uma verdadeira corrida em direção a casa de Alex, após alguns quarteirões finalmente chegaram a casa de do garoto, que correu até a porta tentando abri-la, descobrindo assim que estava fechada, o garoto então tocou desesperadamente a campainha, e após alguma insistência a porta se abriu revelando a expressão de susto da mãe de Alex.
— Oi dona Jenna. — falou Mari tentando ser gentil.
A mulher não respondeu apenas começou a gritar com Alex.
— Alex você ficou maluco? O que você foi fazer nessa chuva? Você pode ficar doente, sabia?
— Ah mãe por favor sai da frente que a gente precisa ir para o quarto, a gente vai ver um filme. -falou o garoto puxando sua namorada em direção ao quarto.
— Alex... — gritou Jenna, vendo o casal subindo as escadas em direção ao quarto do garoto.
Alex não deu atenção a gritaria de sua mãe e em poucos instantes já estava em seu quarto com Mari.
— Bom meu amor, esse é o meu quarto! — falou Alex com entusiasmo.
Mari observava tudo enquanto o garoto parecia procurar algo em seu enorme guarda-roupa, em poucos segundos o garoto mostrava a Mari duas peças de roupa.
— Então amor, essas são as minhas duas blusas maiores, qual você prefere ? -perguntou Alex mostrando uma blusa azul e outra lilás.
— Ah pode ser essa Lilás.
— Ah então pode vestir — falou o garoto tirando sua camisa e depois a bermuda que vestia ficando apenas em trajes íntimos.
— Alex! — falou a garota tentando não olhar para o garoto.
— Que foi amor? Nunca viu ninguém de cueca? Se não, finge que a gente está na praia e isso é uma sunga.
— Você não tem jeito mesmo...- falou Mari timidamente vendo seu namorado colocar outra roupa.
— E você não vai colocar a blusa lilás?
— Não na sua frente.
— Ah...finge que você está na praia de biquíni.
— Sem chance. ..vira de costas. Agora Alex, eu não tenho essa falta de vergonha que você tem.
— Ai tá bom, eu viro de costas — falou o garoto revirando os olhos enquanto virava de costas para Mari — Já posso olhar?
— Não
— Vamos Mari a gente precisa ver logo o filme.
— Pronto.
— Nossa ficou mesmo um vestido em você — falou Alex observando sua blusa em Mari.
— Ah vamos logo ver esse filme — disse Mari com certa impaciência sentando na cama de Alex, enquando o garoto ligava a TV pra ver o filme.
Após tudo certo Alex sentou na cama para depois deitar abraçado tentando beijar Mari que falou :
— Alex já vai começar o filme vamos prestar atenção.

OoO...

Martin já estava tentando dormir há pelo menos uma hora, a claridade da janela, o barulho do ar condicionado tudo estava lhe incomodando, mas não era nada disso que o mantinha acordado. As palavras de Kim era que não saiam de sua cabeça, o garoto refletia se realmente o que lhe faltava era os seus pais, o perdão pelo qual ele tanto nescessitava, e vagamente a resposta que lhe vinha a cabeça era SIM. Era inegável a falta que o garoto sentia de sua família, desde que mora sozinho, as únicas pessoas a quem se apegou foram Kathryn e Kim, e é claro que ele sentia falta de toda a sua família reunida, apesar de já ter a plena certeza de que isso nunca iria acontecer novamente depois da morte de seu irmão.
Martin levantou de sua cama e procurou as chaves de seu carro, que estavam em cima do sofá na sala, e então seguiu em seu automóvel por um caminho bem conhecido, o caminho pelo qual seguiu durante toda sua infância e adolescência, era o caminho de sua casa, não a casa onde mora sozinho, mas sim o seu lar, onde pode viver com sua família, onde brincou com seu irmão e o viu crescer se tornando de fato um homem responsável, diferente dele mesmo, que agora tocava aflito a campainha de sua enorme casa, até a porta se abrir e revelar a figura sofrida de sua mãe, que aparentava ter 50 anos e tinha longos cabelos loiros e um olhar acolhedor.
— Filho que surpresa você aqui! — disse Meredith Bennet, a mãe de Martin, abraçada ao filho.
— Digamos que eu estava com muita vontade de lhe ver hoje mãe. — disse Martin deixando o abraço acolhedor de sua mãe. — Será que eu posso entrar?
— Claro meu amor, venha eu fiz aquele bolo de abacaxi que você adora. — disse Meredith puxando o filho para a cozinha.
A conversa fluia naturalmente, Meredith queria saber sobre toda a vida de Martin, que contava tudo com riqueza de detalhes, omitindo algumas partes desnecessárias, porém satisfazendo a curiosidade de sua mãe.
— Meu filho e aquela sua namorada, a filha dos Lockwoods, vocês se acertaram?
— Não...mas eu tenho esperanças, eu a amo demais.
— Mas eu vim até aqui pra falar de outro assunto, sobre. .. — falou Martin que logo foi interrompido por sua mãe que tentou mudar de assunto.
— Filho você está mais alto e forte, um homem feito...
— Mãe não vamos fugir do assunto, eu vim aqui pra falar da morte do Ed.
— Filho...Você sabe que ainda me doi falar sobre esse assunto...O seu pai não. ..
— Sempre o meu pai...Por favor mãe esquece ele. Eu vim pedir o seu perdão — falou o garoto tocando a mão áspera de sua mãe.
As lágrimas caiam sobre o rosto de Meredith que ficou um pouco em silêncio, sem saber bem o que dizer até que a campainha anunciava a chegada de mais uma pessoa na casa. Meredith levantou da mesa limpando suas lágrimas e disse:
— Espera um pouco filho eu vou ver quem chegou.
Martin ficou aflito sentado na mesa, pois ele tinha quase certeza de que era seu pai, e que provavelmente iriam discutir. As dúvidas se confirmaram quando Martin viu atravessar a porta um homem alto forte que tinha uma aparência severa, era Mayc, o pai de Martin.
— O que esse garoto faz aqui na minha casa? Eu já falei pra você não vir aqui. — falou o senhor que acabara de chegar.
— Por favor Mayc não trate nosso filho assim — pediu Meredith ao seu marido.
— Está tudo bem mãe...Eu já sabia que não era bem vindo aqui...Eu vou embora.
— Não, não vai...Já que já veio aqui você vai me escutar. — falou Mayc alterado.
— Filho é melhor você ir, depois eu te visito na sua casa.
— Você vai visitar um assassino? Por que é isso que esse garoto é. — falou o pai de Martin
— Eu vou embora.
— Antes você precisa saber...Que todas as noites eu vou no quarto do seu irmão, e...Só encontro uma cama vazia...Você sabe o que isso significa pra um pai?
Martin tentou falar, mas logo foi interrompido por seu pai que continuou a falar:
— Você sabe o que é para um pai saber que nunca mais vai poder ouvir a voz do seu próprio filho? Ou nunca mais vai poder abraçar seu filho? E sabe o que é pior é não ter mais o seu filho, e quando chegar em casa encontrar o assassino desse seu filho...Você matou o meu filho! — falou Mayc em um grito entre lágrimas.
Martin ao ouvir aquelas palavras, correu em direção a porta, ignorando o chamado de sua mãe. O garoto deixou a sua casa, e correu para a rua onde acabou deitando- se no chão.

OoO...

When I was a kid the things I did were hidden under the gridYoung and naive I never believed that love could be so well hidWith regret I’m willing to bet and say the older you getIt gets harder to forgive and harder to forgetIt gets under your shirt like a dagger at work The first cut is the deepest but the rest still flipping hurt You build your heart of plastic Get cynical and sarcastic And end up in the corner on your own "

" Quando eu era criança, as coisas que fizeram escondidas sob a grade.
Jovem e ingênuo eu nunca acreditei que o amor poderia ser tão bem escondido
Com tristeza, estou disposto a apostar e dizer que quanto mais você envelhece Mais difícil fica de perdoar e esquecer
Isso fica sob sua camisa como uma adaga a cortar
O primeiro corte é o mais profundo, mas o resto continuará a machucar
Você constrói seu coração de plástico Se torna cínico e sarcástico
E acaba sozinho em um canto "

"The Wrong Direction — Passenger"

Notas finais
Oi meus amores!!! Mil perdões pela demora, mas estou escrevendo pelo celular. E aí o que acharam do capítulo? Me digam o que acharam nos comentários. Bom sobre a conversa que tivemos no capítulo anterior, já decidi o rumo da história, ela terá outro volume que já começei a escrever. Vou postar com mais rapidez, provavelmente essa semana voces já teram os últimos capítulos desse volume, já estou escrevendo o último dessa " temporada" e não é pra me gabar mas está genial. Mudei a sinopse olhem lá. Bom é isso comentem...e volto logo com mais um capítulo.