A Love That Has Withstood Time
10 Separação.
Tudo estava as mil maravilhas. Rancho e casa perfeitos, trabalhos bem sucedidos, família reunida, felicidade extrema. Nada, nada poderia estragar aqueles momentos. Nada... até que o pai de Laureen aparecesse, mais uma vez, na vida de Jack Twist.
Já era noite. Todos nós estávamos na sala, conversando, e bebendo Whisky, como de costume. A conversa durava, durante horas, até que foi interrompida, pelo fato de termos ouvido um barulho de motor. Me levantei e abri a porta da sala, observando o carro estacionado, de longe. Ainda estava com os faróis acesos, e o motorista ainda não havia saído do veículo.
O pai de Laureen, a ex mulher de Jack, surgira, diante de mim, fuzilando-me, com os próprios olhos.
- Onde está aquele desgraçado? — Ele me perguntou, furioso.
- Desculpe, mas quem é o senhor? — Perguntei, calmamente, esperando, inutilmente, que ele me respondesse.
- Não importa quem eu sou! CADÊ AQUELE DESGRAÇADO? — Senti aquele braço pesado em meu peito, num empurrão, que me lançara para longe. Ele andava a passos largos, e pesados, indo em direção à casa. O segui, rapidamente, sem entender o que estava acontecendo, então o vi deixar um bom murro no rosto de Jack, que caíra no chão, com a porrada.
Claro que não suportei ver Jack apanhar. Como um carma, as imagens de Jack morrendo surgiram, em minha mente, fazendo com que eu voasse em cima do velho, esmurrando-o, também. Pedi para que Alminha e Kurt fossem para o quarto, para que não precisassem ver aquilo, ainda mais Alma Jr., que estava grávida.
Caí no chão, sentado, enquanto o velho erguia Jack, pela gola da camisa.
- Então você largou minha filha por isso? — O velho berrava, fitando o rosto de Jack.
- Não a larguei! — Jack berrou, de volta. — Pedi divórcio civil! Não estava mais dando certo!
- PARA FICAR COM UM HOMEM? — A raiva estava, pavorosamente, estampada no rosto do velho, que ainda agarrava Jack pela gola da camisa. Eu havia perdido as reações, apenas notando o alto preconceito que havia com ele.
- A vida é minha, velho desgraçado! Ninguém, nem mesmo o senhor, tam haver com isso. — Jack berrou, tentando se soltar dos braços do rapaz.
- VOCÊ VAI VOLTAR PARA CASA, AGORA! — Apenas vi o corpo de Jack ser arremessado no chão, do lado de fora, então me dei conta do que estava acontecendo. Me levantei, parando diante do velho, segurando-o, para que não fizesse mais nada.
- Saia da minha frente, seu... bicha, nojento! — O velho tentava me empurrar, mas eu não deixava. Deixava a força vencer a minha vontade de correr até Jack, e abraçá-lo.
- Vá embora daqui! Me deixe em paz! — Jack disse, logo atrás de mim. Evitei olhar para trás, sabia que iria perder a concentração.
- Eu já disse que irá voltar, comigo, desgraçado! — O velho berrou, novamente. — Como pode deixar a minha mulher, por um homem? UM HOMEM!
- Você não tem nada a ver com nossas vidas! Deixe meus pais em paz. Vá embora daqui. — A voz de Alma Jr. surgira. Olhei, rapidamente, olhando-a parada, na escada. As mãos pousadas sobre a barriga, já grande. — Vá embora, por favor.
O velho olhou-a, e se recompôs, afastando-me dele. O olhei, calmamente, já aliviado, observando-o partir. Estava fácil demais para ser verdade. Apenas senti o baque, em meu rosto, e quedei-me, no chão da sala, e vi, sem ter o que fazer, o velho agarrar Jack, que se debatia em seus braços, levando-o para o carro, como um cachorro velho.
- Jack! — Gritei, de forma desesperada. Eu não conseguia me levantar. Apenas senti as pequenas mãos de Alma Jr. sobre meus ombros. — JACK!
Foi o fim, para mim. Jack fora socado dentro do carro, como uma sacola velha. E, sem muita demora, o veículo fora se distanciando da casa, deixando-me ver, pelo o que seria a última vez, o rosto de Jack, meio embaçado, através do vidro do carro.
- JACK TWIST! — Gritei, com mais vontade, como se ele estivesse me ouvindo. Abaixei a cabeça, colocando uma de minhas mãos sobre meu rosto, e deixei que as lágrimas caíssem, sutilmente.
- Papai... — Alminha não tinha o que falar, naquele momento. Kurt se juntou a ela, esperando que eu me acalmasse.
Me levantei, com a ajuda de Kurt, e segui, para o quarto onde eu dormia, junto a Jack Twist. Tomei um banho e me vesti, deitando-me na cama, fitando o teto.
P.O.V. Jack
Eu fechei os olhos, e só reabri quando senti que o carro havia parado. As mãos pesadas do pai de Laureen agarraram, novamente, a gola de minha camisa, puxando-me para fora do carro. Jogou-me, para dentro da sala de estar, atraindo o olhar dos presentes. Percebi que Laureen estava presente, sentada no sofá, ao lado de Bobby, que me recebera com um largo sorriso.
- Papai! — Ele veio correndo em minha direção, mas fora impedido de me abraçar, pela mão do avô.
- Não toque nesse desgraçado, Bobby. Ele está imundo demais, para você. — O velho comentou, afastando o garoto de mim. O olhei, seriamente, e voltei a olhar meu filho, que me fitava, sem entender.
- O que aconteceu, papai? — Ele me perguntou, ingenuamente.
- Eu caí, Bobby. — Respondi. — Papai caiu na estrada, e se sujou.
O diálogo entre Bobby e eu fora interrompido pelo leve barulho que o salto de Laureen causava, a cada passo que ela dava.
- O que faz aqui, Jack? — Ela me perguntou, um tanto assustada. Ela não estava com raiva, o que me espantou bastante.
- Eu o trouxe de volta, querida. — O velho impediu-me de responder. — Sabia que estava sofrendo com tudo isso e...
- Eu não estava sofrendo. — Laureen o interrompeu, e sua resposta arrancou um leve sorriso de meus lábios. — Quem lhe disse isso?
- Esse desgraçado, filha... Lhe trocou por um homem! — Ele fizera questão de dizer isso na frente de meu filho, que arregalara os olhos, sem reação.
Automaticamente, o olhar de Laureen seguiu, até meu rosto. Um sorriso sutil encontrava-se estampado em seus lábios, e seus braços cruzados, sob os seios.
- Foi o que imaginei. — Ela comentou. — Ennis del Mar?
- Ele mesmo. — Respondi, sério, e sem nenhum entusiasmo.
- Eu o encontrei num rodeio, faz um tempo. — Ela comentou, e estendeu-me a mão, para que eu a segurasse. Atendi seu pedido, e segurei tua mão, sendo guiado, por ela, até o quarto.
- Ele comentou que fora num rodeio. Só não comentou que havia lhe visto. — Falei. — Ennis não é de contar muito os detalhes.
Ela sorriu, e fechou a porta do quarto. Retirou o chapéu de minha cabeça, colocando-o sobre a cômoda. Abriu as portas do armário e retirou uma roupa, minha.
- Não pegou tudo, da última vez que viera aqui. — Ela comentou, sorrindo, entregando-me a roupa. — Vá se banhar.
- Obrigado. — Agradeci, enquanto pegava as roupas, e seguia ao banheiro.
Não demorei muito no banho e, quando voltei ao quarto, Laureen encontrava-se sentada na cama, ao lado de uma maletinha de primeiros socorros.
- Pra que isso? — Espantei-me, um pouco, enquanto me sentava ao lado dela.
- Seu rosto. — Ela me olhou, ainda sorrindo, levemente.
- Ah... — Coloquei, de leve, os dedos sobre meu rosto, passando-os por ali, sutilmente. — Seu pai me espancou.
- Já era de se esperar. — Laureen pousou um algodão, enxarcado de soro, sobre meu olho roxo, e o o segurei, prontamente.
- Você o mandou fazer isso? — Perguntei, observando-a com o olho livre.
- Claro que não! — Ela idignou-se, com minha pergunta, mas logo voltou a se concentrar no algodão que usaria para limbar a ferida dos meus lábios. — Ele sempre age por conta própria.
- Foi o que imaginei. — Comentei, com um sorriso no rosto.
- Você sempre esteve com ele? — Ela colocou o algodão sobre meu nariz, que também estava ferido. Com certeza não queria esperar pela minha resposta.
- O que você quer dizer com "sempre"? — Perguntei, ainda fitando seu rosto.
- Mesmo quando éramos casados. Estava com ele? — Ela explicou sua pergunta.
- Ah... — Pausei, por alguns segundos, mas logo voltei a falar. — Sim, eu já estava.
- Há quanto tempo? — Ela queria saber dos detalhes, e eu não tinha medo de os esconder.
- Eu o conheci no verão de 63. — Comentei. — Então já devia fazer uns 2 ou 3 anos.
- Se conheceram em Brokeback? — Ela palpitou, porém, demonstrou uma boa quantidade de certeza, em sua pergunta.
- Sim. Foi lá. — Respondi, dessa vez, abaixando um pouco a cabeça.
- Sempre se encontraram lá, então. — Ela afirmou, preparando outro algodão, para colocar em meus lábios.
- Aham. — Respondi, rapidamente.
- Tudo se encaixa, agora. — Ela sorriu, colocando o algodão em minha boca. — Pelo menos você soube fingir, até a sua suposta morte.
Eu não pude deixar de sorrir, com o último comentário dela. Retirei, depois de um tempo, os algodões de meu rosto, deixando-os em minha mão. Assim que ela guardou a maletinha, me levantei, jogando os algodões no lixo do banheiro. Voltei ao quarto, me sentando no lado da cama em que eu costumava dormir, quando éramos casados.
- Eu posso ligar pra ele? — Perguntei, educadamente, enquanto a observava pegar um pijama para si, no armário.
- Claro, fique a vontade. — Ela respondeu e me olhou, sorrindo, seguindo para o banheiro, logo em seguida.
Eu sorri, e fui ao telefone, sem demora alguma. Peguei o aparelho, e disquei o número da casa onde eu morava com Ennis. Ouvi a voz embaralhada, porém grossa, dele, e sorri, aliviado.
- Ennis! — Falei, despojando alegria.
- Ah, porra, Jack! Onde está, parceiro? — Ele me perguntou, também demonstrando completa alegria.
- Eu estou bem, fique calmo. — Comentei, afim de tranquilizá-lo. — Estou na casa de Laureen, não aconteceu nada demais, nem vai acontecer!
- Quero você, Jack! Quando vai voltar? — Ele me perguntou, mostrando o nervosismo que eu havia conseguido tirar.
- Não se preocupe, parceiro. — Eu sorri, ouvindo a voz dele. — Tudo vai ficar bem, eu prometo.
- Volte logo, Jack! Eu lhe imploro! — Ele pediu. Sua voz embargada. Estava querendo chorar, eu sabia.
- Eu vou voltar, Ennis! Ligo sempre que puder! — Me despedi, e então desliguei a o telefone, voltando para o "meu" lado da cama.
Passou-se uns 10 minutos, depois que desliguei o telefone, e, então, Laureen saiu do banheiro, ainda esboçando um leve sorriso. Sentou-se no lado livre da cama, encostando-se no travesseiro.
- Vai dormir agora? — Ela me perguntou, fitando meu rosto.
- Não sei, depende de você. Vai dormir agora? — Devolvi a pergunta, esboçando o mesmo sorriso que ela.
- Estou um pouco cansada. Vou colocar o Bobby para dormir e volto. — Ela comentou.
- Não, pode deixar, eu vou lá, ver o Bobby. — Não deixei que ela se levantasse, praticando o ato antes dela. Me retirei do quarto, e entrei no quarto ao lado, onde meu filho se encontrava deitado sobre a cama.
Ele sorriu, ao me ver, e estendeu os braços. Me sentei ao lado dele, abraçando-o, apertado.
- Você vai ficar aqui para sempre, papai? — Ele me perguntou.
Eu sorri, levemente, e soltei um breve suspiro.
- Não por muito tempo, filho. Mas você vai ver papai, sempre. — Eu prometi, e deixei um beijo na testa dele.
- Boa noite, papai! — Ele sorriu, e puxou a coberta para cima de seu corpo. Me levantei, e apaguei a luz, deixando apenas a luminária, acesa.
- Boa noite, filho...
P.O.V. Ennis
E quanto tempo eu aguentaria sem o Jack? Já não bastava todos aqueles anos, sem ele? Sofrendo, achando que ele tinha ido, enternamente.
Deitei, mais uma vez, na cama. Mais tranquilo, por saber que ele estava bem. Fechei os olhos e orei, depois de mais alguns bons anos sem praticar o ato. Orei, pedindo à Deus que protegesse Jack Twist e, além disso, o trouxesse para casa, o mais rápido possível.
Relaxei, deixando-me cair nos belos sonhos que me consumiam, esperando que o dia de amanhã fosse melhor, e que me livrasse dessa dor da separação.
Continua...
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