Eu despertei sozinho, do meu sono, e isso me causou um vazio extremo. Eu era acostumado a acordar com o barulho causado pelo chuveiro, enquanto Jack tomava banho. Pelo o que me lembro bem, eu não me levantava na hora. Jack ainda vinha me cutucar, ou me tirar so sério, gritando em meu ouvido, ou jogando o chapéu dele sobre meu rosto. Claro que eu não me estressava, de fato, com aquilo. Eu soltava dois ou três resmungos, mas sorria, a partir do momento em que ele deixava, ao meu alcance de vista, teu corpo nu, sendo secada por uma simples toalha.

Eu sabia que não ficaria com a melhor cara do mundo, naquele dia, afinal, eu estava sem ele ao meu lado. E nem sabia quando ele iria voltar. Quando cheguei na sala, Alminha já havia preparado meu café, e Kurt já estava no rancho, alimentando os animais e brincando com os cães, vez ou outra. Eu comi, sem muita demora, e logo saí de casa, para ajudar Kurt no rancho e, depois de feito, celei dois cavalos, para que eu pudesse dar uma volta com ele, pela cidade.

Nós voltamos um pouco depois do almoço. Alminha já havia comido, e tinha ido se deitar, para repousar a barriga. Conversei com Kurt na sala, durante algumas horas, e fui para o quarto, na esperança que Jack me ligasse mais uma vez. Iria me animar muito, ouvir sua voz mais uma vez e, mesmo que eu soubesse, queria ouvir dele, que ele estava bem.

Me deitei sobre a cama forrada, sem retirar as botas, e cruzei os braços sob minha cabeça, passando a olhar o teto branco. A casa era silenciosa e calma, o que me dava vontade de chorar. Com Jack aqui, sempre havia gritos. Ele passava a maior parte do tempo xingando os cavalos, e reclamando com os cachorror e, quando montava, gritava, imitando um interlocutor de rodeio.

Fechei os olhos e esperei que o tempo voasse, na esperança de que ele me trouxesse, assim, o meu velho e bom costume de sorrir.

P.O.V. Jack

Eu acordei cedo, como de costume e fui me banhar. vesti a mesma roupa que eu havia dormido, afinal, eu não tinha mais nada naquela casa. Quando Laureen acordou, segui com ela para a sala, para que tomássemos café junto com Bobby, e os pais dela.

Não me agradava nem um pouco, o fato de eu estar sentado na mesma mesa que aquele velho rabugento. Ele sorria, satisfeito com minha desgraça, de estar ali, sem a pessoa que eu queria do meu lado para o resto da minha vida. Como ele estaria agora? Essa pergunta não se calava em minha mente, em momento algum.

Enquanto eu comia, os gritos que Ennis dera, na noite anterior, tentando impedir que eu fosse levado, invadiram minha mente, fazendo-me parar por alguns segundos, qualquer movimento que eu estava fazendo. Balancei a cabeça, tentando espantar qualquer lembrança daquele tipo, e voltei a comer, lentamente.

Depois que a refeição foi encerrada, eu segui com Laureen para a venda de colheiteiras, do pai dela, onde trabalhávamos juntos. Voltei ao meu antigo posto de vendedor de colheiteiras, enquanto Laureen permanecia na sala interior, fazendo contas e mais contas, ouvindo todas as opiniões escrotas do pai dela, sobre mim. Eu o ignorei, a vida toda, e continuava ignorando. Agora mais, pois eu não tinha mais nada com a filha dele.

Na hora do almoço, eu prefer não comer nada. Encostei-me numa sombra, e coloquei o chapéu sobre meu joelho, fechando os olhos, e pensando em quando eu voltaria para o lado do rabugento Ennis del Mar. Não demorei muito ali. Ficar parado não me agradava nem um pouco. Voltei ao serviço, mas logo desisti daquilo, seguindo à salinha interior, e me sentando ao lado de Laureen.

- Quer ajuda? — Perguntei, enquanto pegava uns papéis sobre a mesa.

- Pode ser. Me ajuda com os zeros? — Ela riu, observand-me sentar, ao lado dela.

- Claro! — Eu concordei, sorrindo. — Sempre os zeros.

- É, eles dão um pouco de trabalho. — Ela comentou, voltando a se concentrar na calcularoda, enquanto ouvia-me contar cada zero que havia nos lucros de venda.

O tempo passou rápido, enquanto contávamos valor em cima de valor. Quando chegamos em casa era, na faixa de, 11:30 da noite. Me banhei e, contra minha vontade, vesti um pijama do pai de Laureen. Ela insistiu, para que eu não ficasse dormindo com uma calça apertada. Nos deitamos, lado a lado, como na noite anterior e, dessa vez, quem fora dar boa noite ao Bobby foi ela.

- Como é lá? — Ela perguntou, enquanto lançava a coberta grossa sbre nossos corpos.

- Lá aonde? — Olhei-a, enquanto me acomodava na cama.

- Lá, na sua casa. — Ela comentou, fitando meu rosto.

- Em que aspecto você tem curiosidade? — Perguntei, esboçando um leve sorriso.

- Em todos. — Ela comento, sorrindo mais largo que eu.

- Ah, me pergunte de um em um, é bem mais fácil explicar. — Eu ri, um pouco alto, dessa vez, mas minha risada fora abafada pela dela, que fora mais alta e mais fina.

- Bom, a moradia. — Ela sugeriu, olhando-me.

- Ah, está ótima. — Eu comentei, sorrindo largo. — Ennis e eu conseguimos ajeitar o rancho, e a casa. E a filha dele, Alma Jr. , fora morar conosco, junto com o marido, Kurt. Então, a casa é alegre, podendo-se dizer.

Ela sorriu, por notar minha felicidade sincera.

- O trabalho. — Outra sugestão escapou de seus lábios.

- Eu frequento muitos rodeios, e o Kurt tem me acompanhado bastante. Ele sempre ganha em segundo lugar, e eu em primeiro, então levamos os melhores prêmios. Alminha trabalha num mercado, e ajuda o Ennis lá no rancho. Ennis, como sempre, trabalha no nosso rancho, e no rancho do Charles, ganhando um bom salário, também. E, quando estamos todos em casa, em dias de sexta, sábado e domingo, tocamos, nós quatro, o rancho da gente. — Respondi, ainda sorrindo.

- Que bom, que está tudo dando certo, Jack. — Ela sorriu, alisando meu cabelo preto. — E seus pais, ainda estão lá?

- Ah, não... eles já faleceram, tem alguns anos. — Comentei, retirando um pouco do sorriso de meu rosto.

- Ah.. eu sinto muito! — Ela desculpou-se.

- Não tem problema. Eles já estavam bem velhos, não foi muito difícil suportar. — Eu comentei, voltando a fitar o rosto dela.

- E.. você e o Ennis? — Se rosto corou, com a pergunta.

- O que tem nós dois? — Intriguei-me.

- Como é, vocês dois... — Ela explicou, ainda corada.

- Ah.. em relação a? — Sorri, perguntando-a.

- Sexo. — Ela foi direta, e riu, de si mesma.

- Ah... bom... é normal. — Eu não tinha muito o que falar, sobre aquilo. Afinal, não era nada monstruoso. — Uma das melhores sensações que eu já pude sentir.

- Nossa. — Ela sorriu. — Não acha estranho?

- Ele e eu? Não, não acho. — Comentei, enquanto um sorriso satisfeito se formava em meu rosto.

- E o que as pessoas falam? — Ela tinha curiosidade sobre aquilo, não era difícil notar.

- Ah, no início a cidade comentava bastante. Ennis e eu servíamos como motivos de chacota. Mas depois que Alminha e Kurt foram morar conosco, as piadinhas e os comentários pararam. Não é tão ruim. — Respondi, fitando a porta do quarto.

- Pelo menos você está feliz, agora. — Ela disse, enquanto retirava a mão de minha cabeça, pousando-a sobre a própria perna.

- É, eu estou. — Eu sorri, e me ajeitei na cama, mais uma vez.

Ela me desejou boa noite, e eu fiz o mesmo com ela. Fechei os olhos, e pedi à Deus que o dia de eu voltar para casa chegasse logo. Eu já estava sentindo falta de tudo. Dos meus sorrisos, e dos sorrisos dele. Da minha vidinha acostumada. Do meu costume de amá-lo, mais do que tudo.

Ah, costumes... sempre nos causando uma saudade imensa no peito.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.