A Loba e o caçador
23 Capítulo 22 - O cerco
A floresta se tornara um campo de guerra.
O vento trazia o cheiro de metal, suor e sangue — e o luar, refletido nas lâminas, parecia observar em silêncio o destino se desenrolar.
Renesmee sentiu primeiro o ruído das botas cortando o chão úmido.
Depois, a presença familiar.
Caçadores.
Mas não apenas qualquer caçador — eram Sam e Quil, velhos companheiros de Jacob, agora soldados da Ordem.
Jacob firmou o punho sobre a empunhadura da lâmina.
— Eu devia saber que mandariam vocês. — disse, a voz tensa.
Sam ergueu o arco, sem hesitar. — Foi você quem escolheu o lado errado, Jake.
O silêncio durou apenas um sopro — depois, o som seco de um disparo que cortou o ar.
Jacob se jogou para o lado, puxando Renesmee junto. A flecha passou a centímetros de seus rostos, fincando-se em uma árvore.
O choque de aço e respiração se misturou em segundos.
Jacob e Sam se enfrentaram com golpes precisos, antigos reflexos despertando.
Quil atirava à distância, obrigando Renesmee a recuar, até que a fúria em seu peito se tornou impossível de conter.
Ela fechou os olhos — e a transformação veio como uma onda.
O som de ossos e músculos se moldando, a pele cedendo lugar à pelagem ruiva, viva como fogo sob a lua.
Em segundos, a loba ruiva rugiu para o céu.
Leah, observando das sombras, deixou que o ciúme e o ódio fizessem o resto.
Seu corpo se contraiu, a respiração acelerou, e a transformação foi brutal — a loba cinzenta emergiu, selvagem, faminta por provar sua força.
O impacto das duas foi devastador.
O chão tremeu quando se chocaram, dentes e garras faiscando à luz da lua.
Leah atacava com ferocidade desordenada, guiada pela inveja.
Renesmee respondia com precisão, mas o golpe veio — uma garra atravessou o ar e rasgou-lhe o flanco.
O sangue escorreu quente, e a loba ruiva cambaleou.
Leah rosnou, triunfante.
Mas Renesmee se ergueu de novo, os olhos âmbar incendiados.
Com um salto, cravou os dentes no ombro da inimiga e a lançou contra o chão.
Um rosnado final cortou o silêncio — e Leah, ferida, fugiu para a mata.
Jacob, exausto e ensanguentado, conseguiu desarmar Sam e o derrubou.
Mas quando se preparava para o golpe final, um som o interrompeu — um zumbido agudo, rápido como vento cortando aço.
Uma sombra atravessou o campo.
Um corpo caiu. Outro se ergueu.
E então, a voz fria e firme que ele conhecia desde sempre:
— Chegamos tarde. — disse Edward, limpando o sangue da lâmina prateada que segurava.
Atrás dele, Bella, Alice e Emmett avançavam em formação, os olhos dourados refletindo a lua.
O ar mudou — de repente, a floresta parecia se curvar à presença deles.
Quil recuou, assustado. — Vampiros…
Emmett sorriu, exibindo as presas. — Parabéns pela observação, gênio.
O caos recomeçou.
Alice se moveu tão rápido que os caçadores mal viram quando ela atravessou o campo, desarmando dois homens em um piscar de olhos.
Bella, serena, protegeu Renesmee, colocando-se entre ela e os caçadores que se aproximavam.
Edward manteve a mente conectada à batalha, guiando os movimentos dos irmãos como se previsse cada passo inimigo.
Jacob lutava ao lado deles — pela primeira vez, caçador e vampiros lutavam ombro a ombro.
Sam tentou uma última investida, mas Edward o interceptou, o olhar firme.
— Já basta. — disse ele. — Vocês foram enganados por uma causa que não entende o que persegue.
Mas Sam, ofegante e ferido, apenas cuspiu no chão e recuou, o olhar dividido entre raiva e pena.
— Jacob, quando tudo acabar, você vai lembrar que era um de nós.
O campo se acalmou lentamente.
A Ordem recuava, levando seus feridos.
A fumaça começava a se dispersar.
Renesmee, ainda em forma humana, cambaleava, o corte no flanco pulsando.
Bella correu até ela, as mãos frias segurando o rosto da filha.
— Você está machucada.
— Eu aguento. — respondeu, com a voz fraca. — Já passei por pior.
Jacob se aproximou, colocando o casaco sobre os ombros dela.
O olhar dos Cullen se cruzou com o dele — pesado, desconfiado, mas com algo novo ali… respeito.
Edward foi o primeiro a falar:
— Ela acredita em você, Jacob. Isso é o bastante… por enquanto.
Jacob assentiu, sem dizer nada.
Enquanto a lua subia sobre as copas das árvores, Renesmee se apoiou nele, o corpo trêmulo, os olhos distantes.
Sam e Quil desapareciam no horizonte, e Leah — ferida, humilhada — observava de longe, o ódio crescendo dentro dela.
A vitória era deles.
Mas ninguém ali sentia vontade de comemorar.
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