A Little Thing

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Oie, voltei depois de um ano e meio, mas voltei.
Bom, me desculpem por ter demorado tanto dessa vez, mas eu tive um choque de criatividade e mudei o capitulo umas cinco vezes até ficar bom.
Enfim, boa leitura e desculpem qualquer erro.
OBS: Charlotte(Charlie) _ http://data.whicdn.com/images/15532983/tumblr_lsgbstVylq1qccrjio1_500_large.jpg
Lilian _ http://img2.timeinc.net/people/i/2006/celebdatabase/camerondiaz/cameron_diaz1B_300_400.jpg
Logan _ http://images4.fanpop.com/image/photos/21800000/May-07-Pirates-of-the-Carribean-On-Stranger-Tides-Premiere-steven-r-mcqueen-21838065-445-600.jpg
... Agora sim, Boa leitura

Capítulo 5

Pov. Narrador

Na longa pista de asfalto e milhares de gotas da chuva de horas atrás da Madison ave, poucos carros passavam lançando uma cortina d´agua nas pessoas que caminhassem ali, o que era um pouco restrito pelo horário. Eram precisamente 04h55min a.m. e por mais que Nova York seja a cidade que nunca dorme, as pessoas estão alerta o dia inteiro e a noite elas aproveitam para terminar o sono da manhã anterior, como qualquer um faz.

Uma BMW prateada parou na calçada do palace hotel, sua pintura perfeitamente brilhante agora estava envolvida por gotículas d´agua que ultimamente vinham tomado conta da cidade, esse estava sendo um outono diferente, já que as pessoas mal podiam ver as cores amadeiradas que as arvores do central Park exibiam nesse período de inicio das aulas até o Halloween, e a partir daí as camadas brancas, gélidas e fofas de neve tomavam conta da cidade como em todos os anos.

Sarah fez uma careta enquanto olhava através do vidro do carro, a garota se espreguiçou mais uma vez no banco do carona, onde ela cochilou por todo o caminho, do New York City Police Departament até sua “casa” provisória, ou simplesmente o Palace. Sarah esfregou os olhos com as costas das mãos, as manchando com resto da maquiagem feita de delineador e rímel que a deixaram parecida com um ursinho panda. A pele pálida, o cabelo castanho e agora a pequena mancha preta em volta dos olhos, um perfeito ursinho panda.

Michelle soltou um riso quando viu o rosto borrado da filha, que devolveu com uma careta e saiu rapidamente do carro com um pulo, ela pisou em uma poça levantando um pouco d´agua que molhou boa parte de suas pernas. Desastrada, como sempre.

- Cuidado com a poça, hein _ Michelle avisou atrasada, sua desastrada filha já tinha se molhado – Ursinho Punk. Olha eu vou estacionar o carro decentemente antes que eu leve uma multa e entra logo pra não pegar um resfriado.

Pov. Sarah

Minha sempre preocupada em não levar multas, acho que se tivesse puxado essa preocupação toda dela não teria levado uma a um mês atrás.

- Ta _ Sarah fechou a porta do carro e sacudiu o pé para a mãe não perceber que ela já havia pisado na bendita poça. – E não me chama de ursinho punk

Fingi uma cara emburrada enquanto fechava a porta do carro e corria para o saguão do hotel debaixo do meu Burberry que eu tentava colocar sobre a cabeça. Acenei para James – que eu tenha certeza que não viu, por que aparentemente ele estava dormindo sobre o balcão – e peguei o elevador vazio, fato. Aquele elevador quase sempre estava vazio e agora às cinco da manhã não seria diferente não é?

Parei em frente à porta da suíte em que eu estava hospedada e girei a maçaneta só para conferir se estava aberta, já que eu não estava com minhas chaves e tenho certeza que elas também não estão debaixo do tapete da entrada. Entrei e fechei a porta atrás de mim tomando cuidado para não fazer barulho – o que foi uma perca de tempo, já que minha mãe não estava em casa -, tirei os saltos e os joguei no canto da sala.

Atirei minha pequena bolsa no sofá e trilhei o caminho da entrada até a cozinha descalça, sentindo o carpete fofo e quente – graças ao aquecedor – em meus pés. Abri a geladeira de inox no canto da cozinha e peguei uma garrafinha d´agua de dentro da mesma.

Meu celular vibrou no bolso do casaco, fazendo a tampinha da garrafa já aberta cair no chão, mais precisamente debaixo da geladeira. Bufei pondo a garrafa sobre o balcão e pegando o celular no bolso com a mão vaga. Encarei o visor, eram varias mensagens incluindo uma de Logan, que foi a única que eu me interessei e abri.

“Oi, fiquei sabendo do que aconteceu. Vc esta bem? Fiquei preocupado

Boa noite. Até mais tarde “

O que ele quis dizer com “até mais tarde”? _ me perguntei pondo o celular de volta no bolso, eu não ia responder a mensagem dele por que... Por que eu nem sei, talvez só não quisesse muito contado com ele. É difícil assumir, mas eu acho que ainda gosto dele e eu não quero nem ser amiga do mesmo, por que como sempre no final que se ferra sou eu.

Minhas pálpebras pesaram graças ao sono, mas minha cabeça estava a mil tentando por na mesma que era só uma mensagem estupida e que eu não gosto do Logan, não gosto mais dele!... Bom, eu sei é infantil, mas faz uns sete meses que terminamos e ele simplesmente sumiu e só apareceu na festa e agora fica mandando essa mensagem perguntando se eu estou bem, como se estivesse preocupado. Além de tentar por tudo que tinha acontecido noite passada, eu ainda não estava acreditando que o Sr. Hampson teve a coragem de apontar uma arma para mim e para Nate, por causa da vadia da Lilian.

Terminei de beber a agua em poucos goles e fui para o quarto dormir, hoje não teria pipoca e nem Bob esponja de madrugada, com certeza não. Eu estava com muito sono pra isso...

Pov. Narrador

Do outro lado da cidade, em uma das centenas de cafeterias do Starbucks em Nova York , na ultima mesa estava Nate. O lugar estava praticamente vazio, exceto pela presença de Charlotte Hudson e sua mãe, Jenna, as proprietárias da pequena filial do Starbucks no Brooklyn, que inaugurara a menos de uma semana, então por enquanto ela ficava aberta quase 24 horas trocando diversos funcionários de acordo com os turnos. Agora era o turno de Charlie e sua mãe.

Nate não ia muito ao Brooklyn, mas essa noite ele precisa conversar com alguém e esse alguém era Charlie. Charlie era filha de sua ex-babá – que fora mais praticamente uma mãe para ele – Jenna, além de ser uma das poucas amigas dele.

- Hey Nate, a gente já vai fechar e para de beber tanto café assim ou se não você não vai dormir mais _ Charlie espalmou as mãos as mãos em seu avental branco que cobria sua roupa favorita, jeans e uma camiseta com frases engraçadas, tipo, “Você finge que não me vê... mas sabe o que está escrito na minha camiseta”, como a que ela esta usando agora.

- Essa é a intenção, pelo menos assim eu não vou dormir na aula, se eu for _ ele disse pondo o copo vazio de café sobre a mesa. – E a proposito esta me expulsando, é isso?

Charlie riu e se sentou na cadeira vaga de frente para Nate. Eles eram como irmãos, já que foram criados juntos, mas há três anos Jenna e Charlie se mudaram para o Brooklyn e eles não tiveram mais tanto contato.

- Não, mas vamos fechar daqui a cinco minutos e se quiser pode ficar aqui de segurança eu agradeço. _ ela disse pondo uma nota fiscal na mesa de Nate – Toma sua conta, aproveita que tem desconto.

- De quanto?

Nate pegou o pequeno papel branco em cima da mesa e fingiu arregalar os olhos quando viu a conta, US$ 54,00 em café. Ele umedeceu os lábios e olhou para Charlie, que prendeu um riso graças à expressão dele.

- Eu faço por US$ 50,00 e isso é um abuso Nate, você é filho de um milionário, não precisa de desconto. Eu aposto que isso não é nada _ ele se levantou tirando os copos vazios de café da mesa e os atirando no lixo perto do balcão.

Nate deu um riso sem humor pegando a carteira e entregando o dinheiro, sem desconto, para Charlie. A morena de olhos verdes e cabelos encaracolados acenou para ele do outro lado da lojinha, ela sabia que ele não iria ficar de segurança como ela supôs ironicamente. Charlie lembrava um pouco a baixinha Sarah, só que Charlie tinha a pele morena ao contrario de Sarah, que por mais que tente não fica com um bronzeado por muito tempo, pra falar a verdade elas não tinham nada a ver, fisicamente. E Nate não podia negar que Sarah e Charlie realmente se pareciam, ambas eram corajosas, petulantes – às vezes – e um pouco infantis demais para Nate; porém ainda sim Nate estava curioso para saber por que Sarah não o deu um chute e saiu correndo, pois ela ainda podia correr se quisesse, mas não correu e ficou ali ao seu lado de frente para um louco segurando uma arma que o mesmo não tinha medo de atirar. Ele queria pergunta-la o porquê de ter ficado ali, mas ele não ia por que o mais simples “Oi!” entre os dois muitas vezes acaba em uma competição de elogios – para não dizer ao contrario.

- Tchau, a gente se ver por ai _ Nate disse acenando para Charlie enquanto sai da lojinha quente e aconchegante bem diferente de como estava à noite, totalmente fria e escura.

Nate pôs as mãos no bolso enquanto ia até seu carro, no estacionamento. Ele destravou o alarme e entrou em seu Porsche preto e deu partida em direção a Broadway, seu apartamento fica a duas quadras e meia dali, em Manhattan.

Nate logo chegou em casa, ele dirigia muito rápido mas ainda sim nunca levou uma multa por alta velocidade ou coisa parecida. Ele é um perfeito motorista, de rali.

— Boa noite. Sr. Crawford. Tem uma moça na sala... _ Mary a mais nova governanta da casa anunciou assim que Nate pôs os pés dentro de cobertura. Nate se perguntou o porquê dela estar acordada à uma hora dessas, enquanto seu pai deveria estar no quinquagésimo sono, já que nem teve a capacidade de ir na delegacia onde Nate estava.

- Sabe que pode me chamar só de Nate, não sabe?... _ ele interrompeu, mas foi interrompido quando viu quem estava sentada de pernas cruzadas e bebericando um chá em seu sofá.

Quem a deixou entrar? _ Nate pensou, amarrando a cara e a encarando.

Pov. Sarah

Corri mais um pouco na tentativa de ser mais rápida em pegar minhas coisas, que estavam espalhadas pelo quarto. Hoje eu acordei atrasada, fato, porém tem motivo, ontem eu dormi muito tarde então.

Terminei de me vestir pondo um suéter cinza da Minnie e desci carregando minha mochila em um ombro só e segurando um par de all star preto. Enfiei a mão dentro do bolso da calça e troquei a musica que eu estava ouvindo por Turn up the music. Eu estava muito sonolenta e ouvir musica quase no volume máximo para despertar é uma boa opção, não uma opção saudável para os tímpanos, mas uma boa opção.

Sentei-me no sofá jogando a mochila no canto do mesmo e calcei um dos tênis.

- Se vestindo desse jeito você não vai conseguir arranjar um namorado _ uma vozinha docemente infantil e debochada comentou, e foi um milagre eu ter ouvido por conta do fone.

- Quem disse que eu preciso de um? _ retruquei tirando um dos fones e olhando na direção da voz enquanto enfiava o pé no outro tênis.

Eu praticamente não a reconheci de primeira, parada no batente da porta da cozinha comendo um bolinho de chocolate. Seus cabelos castanhos estavam maiores e seus olhos no mesmo tom verde de minha mãe estavam delineados e a com aquela roupa ela parecia ter no mínimo vinte um anos sendo que ela só tem dezessete e meio. Charlie era mais velha do que eu seis meses.

- Charlie?!_ eu gritei correndo em sua direção. Ela abriu um sorriso e me abraçou, ela estava do meu tamanho e sinto dizer, iria me passar, mas isso não é surpresa afinal ela é mais velha, seis meses. — Olha quem diz a dona da camisa escrita..._ me separei um pouco pra ver qual era a frase da vez — ... Tirei um raio X e sabe qual foi o resultado?... — um coração apaixonado!!... Own, isso foi fofo! _ soltei um risinho.

- Oiee. Como esta? Além de atrasada, é claro. _ ela disse se separando, eu sorri.

- Bem e você? _ comentei a observando dos pés a cabeça, ela sorriu convencida. – O que esta fazendo aqui? Nossa quanto tempo Charlie, então como esta aquele pequeno filme que você estava dirigindo?

- Seja bem vinda à Nova York seria bom e vez de tantas perguntas _ ela disse. – E bom aquele filme foi por agua abaixo e acabei ganhando um B, enfim minha mãe me matriculou na Trinity, lá tem aulas de cinema não tem?

Charlie é filha da amiga da minha mãe, Jenna. Elas eram colegas de quarto e ficaram muito amigas quando ficaram grávidas praticamente juntas, depois da formatura mamãe foi trabalhar como estagiaria em uma revista e Jenna começou a trabalhar em uma livraria e depois como babá, então elas perderam um pouco o contato, mas ainda sim são grandes amigas e consequentemente Charlie e eu somos também.

Charlie sempre teve esse sonho de ser cineasta, quando éramos pequenas as poucas vezes que nos víamos era para montar um pequeno filme, que nós criávamos roteiros e personagens e por fim obrigávamos Chaz, o irmão mais novo de Charlie, a filmar o “projeto” para nós ou ajudar em alguma coisa. Nunca tive muita vontade de ser uma cineasta, como Charlie, mas era muito divertido criar pequenos filmes, que rendiam muitas risadas e às vezes algumas broncas também.

- Acho que sim. Mas que bom que você vai estudar lá e quando vai começar as aulas já começaram a umas duas semanas _ disse sorrindo, seria bom mais uma amiga estudando no mesmo colégio. — Cadê a tia Jenna? E o Chaz?

- Ah minha esta na cozinha, conversando com a tia Michelle e o Chaz foi passar uma temporada com o papai lá no Canadá _ ela explicou dando mais uma mordida em seu bolinho de chocolate.

Terminei de amarrar os cadarços – para não cair, o que seria algo bem fácil — e fui até a cozinha. Nunca tinha visto aquele lugar tão cheio e animado – pra ser sincera eu mal ia à cozinha daqui e quando ia era somente eu no local -, Mamãe e Jenna estavam cozinhando ovos e bacon e estavam conversando e rindo enquanto Jason meio que dormia em cima do seu livro da universidade. Entrei na ponta dos pés e instrui Charlie a fazer silencio da porta da cozinha.

-Acordaaa! _ gritei no ouvido de Jason. Ele sempre fazia isso comigo e hoje eu não ia perder essa oportunidade.

- Bom dia Sarah! _ Jason disse depois de resmungar alguma coisa enquanto se levantava a cabeça mostrando seu rosto sonolento. Jason é o irmão caçula da minha mãe, ele tem 22 anos, nós fomos criados mais como primos do que tio e sobrinha, por isso eu nunca o chamo de tio Jason.

- Então como eu disse ontem a Charlie e eu mal dormimos por causa do cafeteria que eu estou meio que administrando junto com o Peter... _ Tia Jenna disse antes de se virar e sorrir para mim. – Bom dia! _ eu disse.

- Bom dia! _ Jenna e mamãe disseram educadamente – Filha eu acho que você esta atrasada, sabia? _ mamãe disse derramando um pouco de calda de amora sobre as panquecas.

- Sarah, como esta? Você cresceu hein! _ tia Jenna disse educadamente, é claro. Eu sabia que ainda estava com meus 1,60 m.

- Ah tia eu sei que ainda estou baixinha _ eu sorri pegando um bolinho da caixa que tinha sobre o balcão.

Cumprimentei a todos e voltei para a sala com o bolinho de chocolate nas mãos enquanto pegavam minha mochila apressadamente. Meu Deus como eu estou atrasada, disse depois de olhar as horas no celular. Preciso urgentemente mudar o meu horário de acordar ou desse jeito vou acabar levando uma advertência por causa disso.

- Boa aula_ Charlie disse me dando um tchauzinho. – Semana que vem eu estou lá hein!

- Humm... To te esperando no inferno Trinity, quer dizer colégio. Tchau até mais tarde _ eu disse mandando um beijo no ar para ela, eu sempre fazia isso.

Abri a porta e parei instantaneamente – e isso estava acontecendo bastante ultimamente, ontem a noite foi com a cena que eu vi, mas agora eu me surpreendi com quem estava ali. Pisquei rapidamente como se tivesse esquecido de por lentes de contado e engoli seco encarando a figura loiramente péssima ao minha frente, com a maquiagem borrada o braço enfaixado e uma mala ao seu lado.

- Lilian? O que esta fazendo aqui? _ indaguei a encarando. Ela limpou o rosto com as costas das mãos, provavelmente estava chorando. Falsa!

- É Sarah não é? _ ela perguntou em um fio de voz, assenti. – Sua mãe esta ai?

- Sim ela esta _ respondi passando os dedos na maçaneta da porta. O que será que ela queria?

- Bom acho que você já sabe por que estou aqui... _ ela começou, mas eu ignorei, não a respondendo nada – Enfim, o Liam me colocou para fora de casa.

- E esperava que ele fizesse o que? _ deixei escapar, ela me encarou incrédula com minha pergunta. Será que ela pensou que eu dizer “Oh Coitadinha!”? – Quero dizer, prossiga.

Ela limpou a garganta, limpando sua voz embargada por causa de um provável choro a deixando grave e segura, como sempre – como se nada a abalasse, o que não era verdade. Ela tinha chorado provavelmente o tiro de raspão que levou doeu ou ela se arrependeu de ter traído o Sr. Hampson, mas honestamente acho mais provável à primeira opção.

— Então como eu disse, Liam me colocou para fora de casa e eu estou sem dinheiro nenhum por que ainda não entrou o processo, enfim eu fui para a casa do Nate a governanta deles, Mary, me recebeu muito bem, mas ele não. Ele me pôs para fora e disse que eu não poderia ficar lá _ Surpreendente, pensei sarcástica; ou “Pobre coitada!” seria mais apropriado? — Então será que eu posso ficar umas noites aqui? Eu não conheço ninguém na cidade, por que eu nãos ou daqui.

De onde será que ela saiu para vadiar aqui?... Brincadeira. Confesso que eu senti um pouco de pena dela.

- Mas Lilian isso aqui é um hotel, não podemos ficar hospedando quem a gente quer como em uma casa normal _ interrompi – Acho melhor eu chamar minha mãe, além do mais eu preciso ir para o colégio.

- Ah claro. De todo jeito, obrigada _ ela disse, fazendo cara de vitima. Eu deveria fazer aquela cara, eu quase fui uma vitima (fatal) da brincadeirinha dela com o idiota do Nate.

Deixei Lilian esperando na porta e corri até a cozinha. Era hoje que eu ia levar uma bela advertência por chegar extremamente atrasada, isso se não fosse obrigada a voltar para casa, o que realmente não podia acontecer já que minha mãe ia dar um piti se eu fosse para o colégio e foi obrigada a voltar. Minha mãe sempre me disse uma coisa quando eu queria faltar o colégio: “Se você pode ouvir enxergar, falar, andar, pensar e respirar então você pode muito bem ir para a escola!”, ou seja, segundo minha mãe você só pode faltar à escola se estiver morto e enterrado.

- Mãeeeee! _ chamei entrando na cozinha, mas recuei sentindo que tinha gritado em vez de ter chamado. Ela largou o garfo que se preparava para enfiar na boca com um pedaço de bacon e me encarou, com uma sobrancelha erguida.

- Err... Quer dizer, Mãe! Tem uma pessoa querendo falar com a senhora lá na porta _ disse num tom bem diferente do de antes.

- Tudo bem. Com licença _ ela disse se levantando, mamãe é educada e formal até na hora do café da manhã.

Eu fui até a porta e mamãe me acompanhou, falando alguma coisa que não entendi muito bem, mas pelo o que eu entendi como: “Cadê a educação? Não se grita assim na frente dos outros, é falta de educação. O que aconteceu? Tem um bandido na nossa porta por acaso?”.

- Lilian? O que esta fazendo aqui? _ ela disse encarando Lilian. Elas eram meio amigas, mas nada além de formalidades.

- Olá Michelle! _ Lilian acenou sem graça, deveria estar envergonhada da sua aparência no momento. Pelo que mamãe me dizia – nas poucas vezes que conversávamos – ela eram muito vaidosa e acordava sempre vinte minutos antes do Sr. Hampson para ficar impecável, mas é segredo.

- Bom, eu estou muitoo atrasada. Tchau _ eu disse dando um beijo no rosto de mamãe e sorri para Lilian antes de sair dali correndo para pegar o elevador que já estava fechando.

Por sorte consegui pegar o elevador que hoje não estava vazio, tinha uma babá com duas crianças, uma garotinha – que pelas pequenas broncas da babá se chamava Zoeh – e um garotinho de colo, que dormia feito um anjinho no carrinho de bebê. Já disse que eu simplesmente amo crianças? Elas são tão fofas – mas tem suas exceções, é claro – e inocentes, às vezes eu gostaria de voltar a ser criança, mas prefiro acreditar que algumas pessoas tem a síndrome do Peter Pan.

Peguei o primeiro taxi vi, na verdade eu peguei o primeiro e único que parou para mim, já que uns três passaram direto e ainda me jogaram um pouco de água de chuva da noite passada. Olhei a hora enquanto saia do taxi apressada, eram 7: 48. Graças a Deus eu não estava tão atrasada quanto pensei estar. Não é dessa vez que eu volto para casa com uma advertência de atraso!

- Senhorita, seu casaco _ o taxista avisou, eu olhei para o banco e lá estava meu Chloe que eu já iria esquecer. Eu sorri para o taxista, ele parecia ser um bom homem, muitos poderiam deixar aquele casaco ali e depois simplesmente vender para um brechó, já que é um Chloe. Peguei o casaco e fechei a porta amarela do taxi, dizendo um “Obrigado!” antes de ele dar partida no carro.

O campus da Trinity estava com uma quantidade considerável de alunos passando tempo enquanto o sinal não tocava o que era algo normal, porém pensei que não teria ninguém ali já que o céu branco e fosco estava pronto para deixar uma bela chuva cair. Um vento forte balançou meu cabelo no meu rosto enquanto eu subia as escadas, deixando minha visão embraçada por causa dos fios um pouco azulados nas pontas em meus olhos. Estava odiando esse outono chuvoso e cheio de ventanias. Cheguei ao segundo prédio, onde ficavam as salas onde eu teria aula hoje, enfiei a mão no bolso da mochila e peguei um pequeno papel com os horários das aulas, que devo dizer que tinha que conferi os horários todo hora naquele papel, cujo eu ainda não tinha decorado o conteúdo.

- Adivinha quem é? _ uma voz disse atrás de mim junto com duas mãos que tamparam meus olhos. Quem apagou as luzes? _pensei sarcástica enquanto soltava um riso.

- Bom, eu tenho certeza de que não é o Brad Pitt _ eu disse risonha, pondo minhas mãos sobre os do dono da voz, pronta pra tira-las e descobrir quem era o palhaço. A pessoa riu e eu senti sua respiração em meu pescoço, mas precisamente no ouvido. Será que era o Liam? Não provavelmente não, ele não é de fazer isso e a voz dele não é tão rouca assim, a única voz rouca e grave que eu conheço é...

- Quase que você acertou? _ a voz disse tirando as mãos dos meus olhos que logo se abriram junto com o sorriso que o convencido me faz dar. Me virei rapidamente e engoli seco com a figura que vi a minha frente.

Você já ficou feliz em ver alguém e ao mesmo tempo com uma vontade danada de voar no pescoço da mesma por simplesmente não dar mais noticias e aparecer justamente agora e principalmente... Aqui?

- Logan?!...

Notas finais
Então? Reviews?
Até mais...