A Little Thing

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Hey! Demorei muito dessa vez né?!
Bom eu acho que esse capítulo ficou meio grandinho, enfim desculpem a demora e qualquer errinho
Boa leitura...

Capítulo 6

Sarah Pov.

- Logan?!...

Foi tudo que eu consegui dizer enquanto encarava o moreno de olhos castanho chocolate á minha frente, eu estava com um sorriso torto nos lábios bem diferente do dele que sorria abertamente para mim. Logan Hastings, meu ex-namorado estava aqui, justo aqui me encarando como se esperasse eu dizer alguma coisa, então eu fiz, sem pensar no que dizer, mas disse.

- O que você esta fazendo aqui, Logan?

- O que todo mundo faz em um colégio, eu acho _ ele disse caminhando junto comigo em direção ao meu armário. Ele estava lindo hoje, Logan sempre é lindo pela manhã principalmente quando acorda, não que eu tenha dormido com ele, é claro.

- Ah, é claro. Perdeu algumas aulas hein _ disse lançando meu olhar para meus tênis enquanto enrolava uma mecha do meu cabelo com a pontado dedo, só para passar o tempo (lê-se: não olhar para Logan).

- Eu sei... Você esta bem? O pai do Liam ficou louco mesmo _ ele disse parando perto de um armário qualquer – Onde é seu armário?

- Perto da maquina de refrigerantes! _ eu disse sorridente, minha voz saiu um pouco aguda — não me perguntem “por quê?” – como quem quer se gabar de algo. Ele soltou um risinho. Logan sempre aturou meus momentos “Quem venceu hein?!”, bom desde a sexta série nós dois apostamos para ver quem conseguiria o bendito armário perto da maquina de refrigerantes... Era tão bom aquela época em que minha única preocupação era que eu iria vencer a aposta e não ter que pagar US$ 40,00 para Logan, se eu a perdesse.

- Não acredito que ainda lembra disso. _ ele disse em direção a máquina de refrigerantes, meu armário ficava bem ao lado da mesma. Logan sempre foi e sempre será um cara legal, mas eu simplesmente não queria ter nenhum contato com ele, por que uma traição você nunca esquece, pode até perdoar, mas não esquece e eu não esqueci.

Sabe quando você esta magoada e sabe que se tiver muito contado vai acabar ficando pior, mas você simplesmente não consegue ficar longe?... Eu poderia ter dado uma desculpa ou dito um simples “Estou bem e obrigada por se preocupar”, mas eu não disse.

Passei na frente dele e destravei meu armário o abrindo e me deparando com minha pequena bagunça de post-its. Quando eu vou tomar vergonha na cara e arrumar isso? _ me perguntei mentalmente

- Aconteceu alguma coisa? _ Logan perguntou atrás de mim, ele notou minha corrida por distancia dele até o armário. Engoli seco de costas para ele, me controlando para não dizer umas coisas para aquele idiota que eu ainda gosto, parado agora ao meu lado. Cadê sinal quando eu preciso dele, hein?

Ah Claro! Você me traiu com sua prima e eu presenciei isso tudo no aniversario da sua irmã e ainda por cima você vai e desaparece de Nova York e vai para Los Angeles e agora simplesmente volta do nada e ainda pergunta se tem alguma coisa errada. É CLARO QUE TEM ALGUMA COISA ERRADA NISSO TUDO, NÉ! _ como eu queria dizer, na verdade gritar, essas palavras na cara dele. Respirei fundo e mordi o lábio inferior na intenção de não dizer tudo o que eu queria, nunca fui conhecida por não ser impulsiva.

— Nada. Ta tudo bem _ disse antes de soltar uma bela desculpa — É que ontem eu passei um tempão naquela delegacia e cansa ter que depor. Próxima vez eu fujo assim que ver uma confusão

Eu não sei como, mas Logan e eu nos conhecemos desde a sexta série e começamos a namorar só no segundo ano e ele ainda não entendeu que o meu “Nada. Ta tudo bem” na verdade quer dizer que tem algo por trás disso e com certeza eu não estou bem, só queria que alguém me abraçasse e me dissesse a verdade, a qual eu não estava bem. Mas Logan nunca aprendeu isso, só espero que uma dia ele aprenda e faça a coisa certa.

- Tudo bem, acho que não tenho nenhuma aula com você agora. Tchau te vejo no intervalo _ ele disse saindo de perto de mim e indo em direção à secretaria, eu acho. Assim que ele saiu do meu campo de visão, fechei o armário com força fazendo um barulho que se eu estivesse calma não teria feito, só queria descontar minha raiva em alguma coisa com quase todos fazem, mas eu infelizmente costumo guardar tudo para mim e se tiver se sofrer que seja em silêncio.

O sinal finalmente tocou e eu tive que abrir o armário novamente, tinha esquecido o livro da aula de Literatura Inglesa que iriamos ler dessa vez, até onde me lembro esse mês seria Orgulho e Preconceito. Peguei o livro e fui para a sala, cheguei lá rapidamente e me sentei na última cadeira, aonde eu venho me sentando ultimamente.

— Você viu quem esta na porta? _ Melissa disse de supetão despejando sua bolsa tira colo Louis Vitton sobre a mesa. Franzi a testa, ela se sentou em me encarou por um segundo antes de revirar seus olhos azuis.

- Não eu não vi, não da pra ver quem esta na porta daqui _ eu disse abrindo minha mochila em busca do estojo, só faltava eu ter o esquecido.

- É claro que sabe e sabe muito bem que é o Logan, parece que ele e o Nate já fizeram amizade. _ ela olhou para a porta, observando Nate e Logan conversando acompanhado de Vacaline, quer dizer... Caroline — Ah falar em Nate, como foi ontem depois que você para a delegacia? Eu não consegui te ligar por que minha mãe chegou lá em me arrastou pra casa.

- Um tédio eu tive que depor e ai minha mãe teve que ir lá por que eu ainda tenho 17 e não posso depor sem a assinatura do responsável. Ela deu um treco quando contaram para ela que o Sr. Hampson apontou uma arma pra mim e pro Nate, ela xingou a Lilian e o Sr. Hampson até não poder mais _ eu disse, ela riu. A mãe dela também é assim, solta o verbo se preciso.

- Acabou que a gente nem cantou parabéns pro Liam, eu tive tanto cuidado pra organizar essa festa pra termina nisso. Tipo eu não passei horas escolhendo o melhor DJ para terminar na delegacia e com uma arma apontada para minha melhor amiga _ ela disse um pouco decepcionada pelo estrago da festa que ela organizou, acho o fato da mãe dela ser uma das melhores cerimonialista da cidade a influencia em relação a festas.

- Adivinha quem foi na minha casa _eu disse, ela franziu a testa pensativa.

- O fantasma da ópera... sei lá, tenho que pegar emprestado o caldeirão da Caroline para essas coisas de vez em quanto _ ela disse rindo

- Bom a vassoura você já pegou né agora só... _ nem consegui terminar a frase por causa do tapa que Melissa me deu na cabeça, por sorte desviei rindo – Brincadeira, brincadeira..

É claro que era brincadeira, Melissa é a melhor amiga que eu poderia ter, as vezes ela meio louca principalmente se ver um liquidação da Dolce Gabanna, sua marca preferida. Nós nos conhecemos desde os cinco anos, quando eu sem querer pisei no pé dela na aula de balé que mamãe me obrigava a fazer, enfim desde então somos melhores amigas. Eu gostaria de dizer que eu conto tudo para ela, mas eu sei que existem coisas que eu não contei para absolutamente ninguém e sei que ela também tem coisas que não me contou, mas eu não ligo. Somos do tipo: se não quer contar, não conte, mas saiba que se precisar de alguém eu estou aqui, nós sempre dizemos isso e eu sinceramente acho melhor, por que às vezes nada nem ninguém pode nos ajudar, então é melhor simplesmente tentar esquecer.

Logo o Sr. Donovan chegou à sala com sua maleta de sua xicara de chá preto, de sempre. Ele mandou todos os alunos se sentarem e Melissa virou para frente rapidamente, peguei meu material e tentei ao máximo prestar a atenção na aula que já começara com um pequeno marketing do livro pelo professor, mas foi praticamente impossível com Logan me encarando na carteira ao lado. Infelizmente nós tínhamos essa aula junto com Nate e Logan.

- Bom o trabalho é o seguinte, primeiramente eu gostaria de avisar a todos que as duplas sorteadas não serão mudadas em hipótese alguma _ o professor começou a dizer se virando para a turma, porém foi interrompido por Finn Harrison, o um jogador do time de Lacrasse do colégio que perguntou na carteira a frente de Nate – Sim Sr. Harrison. Diga

- Se um dos componentes da dupla morrer? _ ele perguntou debochado olhando risonho para sua corja de “amigos” que prenderam risos

- Então você vai lá buscar o defunto no cemitério e fazer o trabalho com ele, aproveita e morre junto seu idiota _ Nate disse ríspido para Finn que murmurou um “Vai se fuder Nate”, mas Nate apenas riu voltando a escrever as anotações do quadro em seu caderno. E eles eram “amigos” hein!. Nate é insuportável, porém consegue ser amigo de praticamente a turma inteira, exceto eu e os nerds, do qual eu me encaixaria bem se um dia prestasse mais atenção na aula.

- Bom Sr. Harrison, eu espero realmente que isso não aconteça _ o Sr. Donovan se apoio na mesa, tomando um gole de seu chá, que parece nunca acabar – Voltando ao assunto, as duplas não poderão ser mudadas e muito menos contestadas, por isso eu vou fazer um sorteio com os nomes de todos os alunos, na semana que vem. Esse trabalho eu quero que vocês leiam o livro, assistam ao filme Orgulho e Preconceito e depois façam uma resenha de no mínimo dez páginas sobre o que vocês entenderam, enfim isso é uma forma de todos estudarem para a avaliação daqui a na próxima quinta. E um aviso para aqueles que não gostam de fazer os trabalhos, isso vale 40% da nota de vocês esse bimestre, eu acho que para aqueles que não têm nada além de F é bastante coisa _ ele explicou enquanto eu tentava não dormir com seu pequeno discurso com o trabalho.

- O que? Isso é não uma resenha é uma segunda versão do livro _ Melissa comentou se virando rapidamente para mim, eu assenti com uma careta olhando para a folha branca do meu caderno que continha apenas um rabisco, que na verdade era o desenho que estava usando com pretexto de estar copiando a matéria e para tentar não dormir.

Realmente no mínimo dez paginas para uma resenha é um absurdo. Isso não é uma resenha é uma critica das melhores, pena que ele não indicou palavras em vez de paginas, se fosse por páginas eu provavelmente iria escrever trocentas vezes isso: “Eu odeio sua aula Sr. Harrison...”.

Meu celular vibrou no bolso do jeans, como um choque eu dei um pulinho na cadeira enfiando a mão no bolso, tirando papeis de chicletes, balas vazios e meu Black Berry preto que fiz quis questão de por no meu colo o mais próxima possível da parte e baixo da mesa, aquela onde os vândalos que não tem nada mais interessante para fazer colam chicletes, para o Sr. Donovan não ver.

Era uma mensagem do idiota do Logan, olhei instantaneamente para o lado onde ele estava sentado com seus olhos castanhos vidrado no quadro negro, enquanto o Sr. Donovan escrevia com o giz alguma coisa sobre o trabalho que eu futuramente teria que copiar, ou iria para a diretoria por não ter copiando, infelizmente aqui na Trinity eles te deixam suspensos até se você falar um pouco mais alto na sala.

Abri a mensagem e suspirei pesadamente quando olhei as palavras digitadas na tela do meu celular. Fechei a mensagem sem nem ao menos responder, apenas guardando o celular no bolso. Aquela mensagem estava na minha cabeça, eu realmente discordava de Logan nós não precisávamos conversar, eu precisava era gritar umas coisas na cara dele e ele ouvir calado esperando eu deixar as lágrimas caírem, assim como eu fazia depois de uma discussão entre nós, nas poucas e sérias vezes que aconteciam.

“Acho que precisamos conversar... Te encontro no Shake Shack as oito?”

Pov. Narrador

Olhos azuis se abriram, encarando o teto creme do quarto da casa de Nate, aquele era seu quarto. O quarto de Nate não era como o da maioria dos meninos, ou seja, totalmente bagunçado e impossível de se passar, mas o quarto dele era perfeitamente arrumado e rustico, afinal não tinha como ele o bagunça-lo já que ele mal ficava ali. As paredes azuis deixavam o quarto mais escuro possibilitando Caroline de dormir mais um pouco ao lado de Nate.

- Merda!_ ele resmungou, olhando o relógio na cabeceira. Eram nove da noite e daqui a meia hora ele teria que ir ao coquetel que David havia o obrigado a ir, apenas formalidades, apenas para tentar reconquistar sua antiga reputação de milionário bonzinho que ajuda os pobres e não tira as casas deles, como ele tinha feito.

Nate bufou encarando Caroline deitada ao seu lado, encolhida feito um bebê apenas com seu jeans preto e sua bata azul celeste toda amarrotada e deixando uma parte de sua barriga à mostra, seus fios loiros estavam jogados pela cama enquanto seu peito subia e descia conforme sua respiração, o quarto estava tão silencioso que era possível ouvi-la.

Caroline se mexeu na cama se espreguiçando soltando um gemido baixinho, seu corpo estava dolorido e sua cabeça doía graças a Nate e a bebida, respectivamente. Nate se sentou na cama e passou a mão no cabelo, observando Caroline se mexer ao seu lado, de rabo de olho.

- Oi..._ ela disse baixinho, com a voz rouca por causa do sono. – São que horas?

- Nove horas _ ele respondeu se levantado apenas de jeans indo para o banheiro de sua suíte. Caroline sorriu maliciosamente mordendo o lábio inferior enquanto se espreguiçava novamente na cama macia de Nate.

Nate e Caroline estavam saindo a uma semana, saindo do colégio direto para a cama, seria mais apropriado para o que eles estavam fazendo. Essa noite eles não haviam feito nada, apenas dormiram depois de beber uns drinks em um pubs há uma hora atrás. O irmão gêmeo de Caroline, Jeremy, estava ensaiando em um pub para o primeiro show da sua banda, hoje à noite e digamos que eles fizeram uma competição de quem bebia mais e quem venceu? Bom à ressaca com certeza.

A loira se levantou sentindo sua cabeça latejar. Ela ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado e sentiu uma vontade de ir tomar um banho junto de Nate, mas ela precisava ir embora. Na sua família ela era única que apoiava essa ideia de seu irmão de tocar em uma banda, já que para sua mãe uma socialite isso era uma perca de tempo e seu pai o senador Clark Stanley pouco se importava, estava ocupado demais cuidando da cidade e de como tornar Nova York uma cidade melhor enquanto Caroline apenas queria que ele pudesse chegar a tempo para o jantar. Mas Caroline cresceu e queria mais que todos eles fossem para o inferno, exceto seu irmão Jeremy.

Ela ajeitou sua blusa azul, vestiu sua jaqueta preta, se sentou na cama novamente e calçou seus saltos tamanho 15, nos qual combinava muito bem com ela. Caroline se levantou, pegou sua bolsa em cima da poltrona e foi até a porta entreaberta do banheiro. Ela abriu um pouco mais a porta, deixando um pouco da luz do banheiro iluminar o quarto escuro, e pôs sua cabeça para dentro o cômodo.

- Já vou, Okay? _ ela disse para Nate.

- Tudo bem vai _ Nate disse do Box do banheiro, sua voz rouca por ter acabado de acordar sobre o barulho da agua caindo em seu corpo. Caroline reparou o espelho embaçado sobre o balcão da pia. Ela não ia perder a oportunidade de passar mais uma camada de rímel, retocar o batom e arrumar seu cabelo.

- Nossa essa água deve muito quente hein! _ ela comentou passando a mão no espelho embaçado, tirando a camada de vapor podendo ver seu reflexo e começar a sua arrumação de sempre.

- Esta fazendo o que aqui ainda? _ Nate questionou desligando o chuveiro, Caroline riu passando o rímel nos cílios quase cor de mel, os deixando negros. Ela gostava desse jeito meio rude de Nate, essa mascara de quem não se importa com a vida alheia, mas ela não ligava por que ela o conhecia a tempo suficiente para saber que ele é um cara maravilhoso sob uma capa de bad boy.

- Só estou me ajeitando, acho que não estou incomodando _ ela disse guardando o rímel e começando a ajeitar seu cabelo em um rabo de cavalo alto para logo retocar o batom vermelho.

- Esta achando errado. Pensei que fosse mais inteligente _ Nate saiu do Box com uma tolha enrolada na cintura e sacudindo seu cabelo molhado. Caroline nem olhou para ele enquanto ajeitava a posição do rabo de cavalo.

- Tchau Nate, até amanhã ou segunda quem sabe _ ela disse acenado de sua forma mais patricinha possível, balançando os dedos freneticamente. Caroline ia dar um beijo em Nate, mas ela não queria se molhar então saiu rapidamente. Ela era tão fresca às vezes.

Ela saiu do banheiro acompanhado de Nate, atrás dela.

- Até segunda _ ele disse fechando a porta do quarto que Caroline havia deixado aberta.

Nate caminhou até o closet sorridente. Ele gostava de Caroline, como amiga, sua amiga colorida. Aqueles dois eram farinha do mesmo saco, boas pessoas debaixo da triste e entediante realidade de ambos, mas eles compensavam com sexo.

No andar de baixo era possível ouvir o barulho dos saltos altos de Caroline bater contra a escada. David Crawford estava sentado em sua poltrona no canto da sala com um jornal dessa manhã em mãos cobrindo seu rosto, apenas olhando as baixas e altas do dólar na Down Jones, isso afetava bastante em sua construtora, a maior de Nova York. E ele tinha a estranha mania de só ler o jornal à noite

- Tchauzinho! _ Caroline desceu as escadas acenando do seu jeito de sempre para David. O homem de terno sentado na poltrona abaixou o jornal categoricamente e ergueu uma sobrancelha, mas logo a abaixou fingindo um sorriso educado.

- Tchau _ ele disse voltando seu olhar para o jornal, se concentrando agora na seção de noticias de todos os tipos, principalmente aquela sobre a confusão na festa de Liam. Seus olhos se arregalaram quando ele viu o nome do filho no meio do texto. David tentava ser um pai presente, mas nem sempre dava certo.

Ele iria perguntar a Nate o que havia acontecido, mas ele não iria responder mesmo então ele preferia permanecer calado.

Caroline saiu rapidamente do apartamento batendo a porta, ela estava com pressa. Jeremy iria a matar se ela não fosse naquele show. Ela não estava de carro hoje então fez um sinal apressado para um taxi amarelo, que logo parou para a loira...

Ainda dentro do prédio do qual Caroline havia acabado de sair Nate já estava pronto em menos de vinte minutos, vestindo o blazer do smoking. Ele fechou a porta do seu quarto e desceu a escada até a sala onde seu pai estava, mas ele nem o viu, agora a seção de noticias estavam bem interessantes.

- Quem era? _ David perguntou ao filho, Nate franziu o cenho confuso. – A loira que passou aqui

- Ah não se lembra? Ela não mudou tanto _ Nate disse se jogando no sofá, só estava esperando seu pai para ir ao tal coquetel no antigo prédio da Barney´s. David negou com a cabeça – É a Caroline _ Nate disse finalmente.

- Aquela filha da amiga da sua mãe? _ David insistiu. Caroline estava realmente irreconhecível. Nate assentiu

— Sim, ele é filha de uma amiga da Kristen _ Nate disse se levantando.

Ele insistia em chamar sua mãe pelo nome ao em vez de mãe ou mamãe como todo mundo, mas Nate ainda sentia raiva da mãe por algumas coisas que ela fez e por causa disso seu pai mentiu para ele desde que sua mãe desapareceu, mas ele descobriu uma parte da verdade e seu pai nem fazia ideia disso. No fundo David nunca esqueceu Kristen, a mãe de Nate, porém ele não podia negar que em partes ela foi uma grande decepção.

- Vamos ou não? Tem certeza que eu preciso ir nessa porra? _ Nate perguntou de pé em frente ao pai. David olhou o relógio, eram 21h30min. David se levantou deixando seu jornal de lado.

- Tenho.

David respondeu sério indo em direção à porta, Nate foi atrás dele sem o mínimo ânimo, mas mesmo sua cara de tédio iria fazer Caroline rir só de vê-lo naquele terno no qual ele ficava um perfeito lorde americanizado. Mas não foi em Caroline em que ele pensou e sim em Sarah, ele ainda queria saber o porquê dela ter ficado do lado dele e nem queria saber por enquanto.

Se tinha uma coisa que Nate não vivia era de passado, exceto por sua mãe...

Sarah Pov.

Eu hesitei um pouco em empurrar a porta da lanchonete, mas ainda sim a abri sentindo o cheiro maravilhoso das comidas gordurosas que provavelmente me deixariam dois quilos mais gorda, mas que eu amava. Suspirei pesadamente e dei mais um passo para dentro da lanchonete fechando a porta da mesma atrás de mim. Eu amava aquela lanchonete, eles tem as melhores batatas fritas de toda Nova York, na minha opinião.

Logan estava sentado ao lado de um banco vazio em volta do balcão onde uma morena de cabelo curto passava rapidamente um pano, tirando as machas d´agua do mogno.

Eu queria dar meia volta e voltar para casa, isso seria uma opção sensata, afinal eu não queria muito contato com Logan, mas mesmo assim continuei e fui até onde ele estava encarando o porta guardanapos, feito um cara que levou um bolo da garota. O que tecnicamente é verdade.

Eram nove e meia da noite, e Logan havia marcado as oito, mas quem liga? Isso não é um encontro mesmo, não pra mim. Nós iriamos apenas conversar civilizadamente e eu esperava que ele realmente dissesse um “Me desculpe”, já nem isso ele teve coragem de dizer para mim há sete meses atrás.

A morena de cabelos curtos começou a puxar papo com Logan que na maioria das vezes só assentia com a cabeça. Ele parecia triste e arrependido, mas nem tudo é o que parecer ser. Eu nunca imaginei que Logan me trairia com ninguém, muito menos com sua própria prima, mas ele fez.

- Oi _ fingi um sorriso para ele, me sentando no banquinho vazio ao seu lado e ao lado de um cara que agora estava do meu lado. A morena me olhou e sorriu

- Bom, não é dessa vez que você leva um fora hein _ ela disse e se dirigiu a mim – Gostaria de alguma coisa?

- Não obrigada _ disse

- Tudo bem, qualquer coisa é só me chamar _ ela saiu de perto de nós indo atender o rapaz ao meu lado.

- Pensei que não vinha _ ele disse quando eu me sentei de frente para ele – Tudo bem?

- Tudo. Eu disse que vinha, então... Tudo bem com você? Como esta a Jenny? _ eu disse brincando com o porta guardanapos, para ver se o tempo passaria mais rápido. Ele assentiu

– Então o que você quer conversar? Eu sinceramente acho que a gente não tem nada pra conversar _ disse ríspida

- Quer uma bebida? _ ele perguntou mudando de assunto, eu o fuzilei com os olhos. Ele não queria conversar? Não era pra isso que ele havia me mandado aquele bilhete idiota?

- Não eu não quero _ disse no mesmo tom de antes, ele bufou. – Vai Logan o que você quer conversar, hein?

- Eu queria te pedir desculpas, por que eu acho que eu sou... _ ele abaixou a cabeça, Logan sempre era assim na hora de se desculpar. Eu sorri fraco abaixando olhar, na verdade só queria ouvir isso.

- Gay! _ uma voz rouca e grossa tanto quanto a de Logan disse, quase que na minha frente como se Logan tivesse dito isso. Eu arregalei os olhos e se tivesse tomando algo já teria cuspido no mesmo instante.

- O que? _ indaguei. Logan me olhou confuso, franzindo a testa. – Você é gay? Como?

- Sarah do que você ta falando? Você esta se drogando por acaso? _ ele perguntou prendendo um riso da minha cara é claro. Eu suspirei soltando um riso.

- Desculpe é que eu ouvi alguém falar “gay” ai eu não ouvi o final e pensei que você tinha dito isso, me desculpa pela confusão. Mas a voz parecia muito com a sua, chega a ser engraçado _ ele riu, junto comigo – Enfim, o que você queria dizer?

Ele limpou a garganta e bebeu um gole de sua bebida, que parecia ser algum suco de frutas. Logan nunca foi muito de beber, ele raramente bebia e quando acontecia era formalmente.

- Tudo bem, cabecinha confusa! _ ele disse sorrindo, desviei olhar para o cardápio no balcão a minha frente. Meus olhos passeavam pelas seções de aperitivos, com certeza se eu pedisse algo seria uma porção bem grande de batatas fritas – Enfim, eu queria dizer que eu acho que sou e fui um pouco idiota por não ter tido nem coragem de falar com você depois do aniversário da Jenny. Me desculpa de verdade. _ ele disse sincero, fazendo sua melhor carinha de cachorro que caiu da mudança.

Ele acha que foi um pouco idiota? Um pouco? _ pensei pronta para dizer isso a ele, mas guardei o pensamento pra mim. Eu sorri

Na verdade, eu não estava mais apaixonada por Logan, eu apenas sentia que eu precisava terminar isso direito. Eu tenho essa pequena mania de que se eu começo algo não consigo deixar no meio e fugir. Eu sou covarde às vezes, mas quando eu entro eu vou até o fim, então na maioria das vezes prefiro nem chegar perto.

- Tudo bem, eu te desculpo. Acho que essa era única coisa que eu queria ouvir em todos esses meses _ disse soltando um suspiro aliviado.

Eu estava sendo o mais sincera possível por que na realidade eu não precisava e nem queria que Logan rastejasse aos meus pés por causa de um erro, como algumas garotas fazem, eu só queria um pedido sincero de desculpas.

- Eu fiquei feliz que você veio, pensei que ia me dar um fora. _ ele disse, eu ri. Como ele adivinhou o que eu estava pensando em fazer a horas atrás?

- É... Eu demorei um pouco então eu acho que tenho que ir pra casa, sabe eu e você somos exs pra mim é estranho. Eu não quero muito contato com o passado... Sinto muito, mas é assim que eu penso. Se você pensa que vamos ser melhores amigos acho que você... _ me levantei.

Eu estava sendo incrivelmente sincera, até demais pra mim que geralmente não digo muito o que sinto. Ele me interrompeu se levantando junto comigo deixando uma nota de dólar sobre o balcão.

Logan riu

- Calma. Acho que você ainda esta com raiva de mim _ ele disse segurando meu braço, que eu fiz questão de me soltar.

- Eu não estou com raiva de você, eu só não esqueci _ eu disse o olhando. – Queria que você não tivesse feito isso. Sabe, isso decepciona. Você conhece uma pessoa desde os doze anos e ai vocês tipo já tem dois anos de namoro, pra terminar desse jeito com uma traição, algo que na minha opinião é uma grande burrice! _ controlei minha voz para não gritar.

Realmente traição é uma grande burrice, e eu podia dizer isso com toda certeza por experiência própria.

- Eu também não queria, mas eu fiz e eu não posso voltar no tempo. Então se você não quer me desculpar eu não posso fazer nada, Sarah _ ele disse passando na minha frente e saindo pela porta dupla da lanchonete.

- Hey Logan! Espera _ gritei saindo da lanchonete batendo a porta atrás de mim. Ele estava indo em direção ao leste com as mãos no bolso. – Hey Logan!

Eu gritei mais uma vez, minha voz ecoou na rua vazia o que era estranho já que aquele lugar era bem movimentado, mas eu não liguei e corri atrás dele que se virou e me encarou por um segundo enquanto eu recuperava o fôlego ficando de frente para ele. Logan andava bem rápido quando queria.

- O que foi? Pensei que não queria mais falar comigo _ ele disse num tom sarcástico, eu umedeci os lábios revirando os olhos, logo dando um riso sem som.

- Não é que eu não queira, mas falar com você é que eu só fiquei decepcionada, nunca esperava que você fosse me trair com a sua prima nem com ninguém, tudo bem que e sei que nosso namoro não ia durar mais tanto tempo, mas eu não esperava... _ eu disse olhando pra minhas botas.

— E ainda esta com raiva de mim? _ ele perguntou, continuei a olhar fixamente as botas que devo dizer, nunca foram tão interessantes.

- Um pouco _ murmurei, dessa vez eu disse a verdade. Minha raiva por alguém geralmente passava no dia seguinte, mas Logan era diferente. – Amigos?

Nosso namoro estava desgastado, estava se tornando em dois anos de pura monotonia e aparência. Nós dois parecíamos mais amigos do que namorados, enfim eu sabia que não sentia nenhum sentimento romântico por Logan, não mais. Porém eu não podia negar que estava com raiva dele ainda, na verdade decepção e raiva.

- Sarah _ ele me chamou, eu o olhei rapidamente voltando meu olhar para minhas botas – Se eu te beijar você promete que não vai me bater.

O que estava se passando na cabeça desse cidadão? Eu realmente não deveria ter vindo, eu deveria ter deixado ele lá parado com cara de quem levou um fora de uma garota.

- Não posso prometer o que eu não vou... _ murmurei dando uma olhada rápida para ele que me encarava, porém nem tive tempo de terminar a frase já que logo os lábios de Logan estavam contra os meus.

Eu apenas fiquei na ponta dos pés, já que Logan era uns dez centímetros mais alto que eu, e taquei meus braços em volta de seu pescoço brincando com seu cabelo liso enquanto ele envolvia minha cintura, me trazendo para mais perto de si.

Nossos lábios faziam uma dança meio confusa, como algo urgente simplesmente necessitado de algo para se prender. E era assim que eu me sentia como se aquele beijo, fosse simplesmente algo para deixar mais que provado para mim mesma que Logan Hastings para mim agora, era só meu ex-namorado e meu mais novo amigo. Nada mais.

Eu não sentia nada além de sua língua pedindo passagem, que eu rapidamente concedi. Nem um frio na barriga, ou até uma corrente elétrica conforme nossas línguas brincavam automaticamente uma com a outra. Era algo tão físico, que chegou a ser estranho e absurdo.

O que eu estava fazendo? Eu não queria manter distancia dele?

Arregalei os olhos, parando o beijo sem folego. Logan se separou de mim rapidamente, como se tivesse levado um choque e se ligado para o que estava fazendo. Ele riu malicioso olhando para seus tênis.

Não pensei duas vezes e dei um tapa em seu rosto automaticamente, fazendo Logan me encarar confuso com o mão no local onde eu havia batido.

- O que? Por que você me bateu? _ ele perguntou confuso alisando o rosto. Ah qual é? Nem deve ter doido muito, meus tapas são fracos.

- Você não deixou me terminar a frase lembra? _ indaguei sarcástica – A propósito não deve ter doído muito ta!

Ele riu tirando a mão do rosto, que não tinha ficado nem vermelho. Eu ri passando sua frente, caminhando pela calçada onde apenas um cachorrinho que parecia ter se perdido caminhava cabisbaixo. Eu iria pega lo, eu amava cachorros e sentia muita falta do meu labrador preto, Thor, que havia sumido quando eu tinha quatorze anos. Porém minha mãe ia me chutar para fora de casa junto com o cachorro.

Desviei o olhar para trás, onde Logan já me alcançava caminhando tranquilamente com as mãos no bolso do jeans.

- Esta me seguindo? _ perguntei

- Não. Err... Foi mal aquilo _ ele murmurou, eu desviei o olhar para o outro lado da rua.

- Foi péssimo! _ corrigi, ele fingiu se engasgar com algo.

- Nossa foi tão ruim assim me beijar? Sabe ninguém nunca reclamou, mas enfim eu só queria dizer que isso não significou nada, foi estranho eu senti como se tivesse beijando minha irmãzinha _ ele disse, eu sorri.

Se eu não tivesse sentido a mesma coisa que ele disse, eu teria considerado isso uma ofensa.

- Ah pra mim também não significou nada e foi estanho mesmo _ disse sentindo um cansaço, como eu queria ir para casa, me jogar na cama e me dormir até o sol me fazer cócegas.

- Bom eu já vou. Tchau Logan _ eu disse fazendo sinal para um taxi que passava lentamente pela rua.

- Tudo bem. Tchau _ ele sorriu entrando em seu prédio que era perto da lanchonete, apenas uma quadra.

Me acomodei no banco de trás do taxi e fechei a porta.

- Para onde senhorita? _ o taxista perguntou pisando no acelerador, pronto para dar partida.

- Madison avenue _ respondi

Notas finais
Então? O que acharam?
Até a próxima...