A Little Piece of Hell
7 Resgate - Parte I
Notas iniciais
(POV Daryl)
Depois de algumas horas na estrada, Michonne finalmente nos avisou que era melhor pararmos para evitar que alguém da patrulha nos avistasse, então seguiríamos a pé a partir daquele ponto. Descemos do carro e pegamos nossas mochilas e armas no porta-malas.
– Qual é a distância? Está anoitecendo — indagou Rick.
– Talvez dois ou três quilômetros — Michonne respondeu, colocando sua espada nas costas, pronta para ser usada a qualquer momento.
Fechei o porta-malas quando terminaram de apanhar suas coisas, sempre olhando para trás. Meus olhos fixos num errante solitário que caminhava lentamente em nossa direção. Ás vezes não precisamos matá-los. Podemos apenas nos desviar de seu caminho, poupando assim munição e energia, principalmente quando tínhamos pouco (o que era nosso caso). Além disso, eu estava com pressa para salvar Melanie e não tinha tempo para perder com errantes. Adentramos na floresta e o perdi de vista, sem me preocupar com isso.
Enquanto andávamos, senti Rick apressando o passo para acompanhar o meu ritmo e ficar ao meu lado. O olhei rapidamente e logo voltei a minha atenção para as folhagens e árvores a nossa frente.
– Eu sei o que fez por mim. — ele disse — Pelo meu bebê, enquanto eu estava... Resolvendo tudo. Obrigado!
Aquilo significava muito para mim. A partir daquele momento eu percebi que não era mais como meu irmão, ou como ele desejava que eu fosse. Ali, naquela floresta, percebi que eu realmente valia algo para o grupo, mesmo que no fundo eu ainda estivesse duvidando um pouco disso. Naquele momento, eu senti Rick se aproximando como um velho amigo.
– É o que fazemos. — respondi simplesmente.
– Carl escolheu o nome dela. — ele revelou, e o olhei atentamente com real interesse — Judith. Judith Grimes. Mas se quiser chamá-la de pequenininha durona, podemos fazer desse nome um apelido oficial! — ele brincou, rindo comigo.
– Judith é um belo nome! — eu falei com sinceridade — Carl escolheu bem.
Rick parecia genuinamente feliz pela primeira vez desde que pedeu Lori na invasão da prisão. E ele realmente tinha motivos para ficar. Tinha um garoto maduro para a idade e uma linda menininha que precisava da proteção e do carinho de um pai.
Estávamos caminhando rapidamente quando escutei grunhidos. Sabia perfeitamente o que isso significava. Walkers.
– Rick! — chamei seu nome em sinal de aviso, já me abaixando.
– Abaixem-se! — ele sussurrou para os outros.
Havia mais de uma dúzia deles, todos vindo em nossa direção. Preparei minha besta deixei meus sentidos mais aguçados automaticamente, como eu tinha aprendido a fazer para caçar.
– Fiquem em formação! — Rick ordenou — Sem tiros!
Se levantou de uma vez e cravou o machado na cabeça de um deles, enquanto eu acertava outro com minha besta. Oscar golpeava repetidas vezes a cabeça de um errante, mas Michonne não conseguia se mover o bastante para lutar contra errantes, ainda estava se recuperando do tiro que havia levado na perna.
A cada errante que matávamos, dois apareciam em seu lugar. Logo não conseguiríamos nos manter longe de suas bocas famintas por nossa carne. Comecei a recuar e Rick fez o mesmo.
– Há muito deles! — eu falei alarmado, com minha faca em mãos.
Rick matou um último errante e nos apontou uma direção, na qual corremos tentando despistar os walkers. Fomos por um caminho entre as árvores e avistamos uma pequena cabana. Sem nem pararmos para pensar se era seguro entrarmos ali, Rick já abria a porta, que para a nossa sorte, não estava trancada.
Assim que o último de nós avançou casa adentro, Rick mandou que fechássemos a porta e fizéssemos silêncio, como se não soubéssemos como sobreviver nesse fim de mundo. Uma coisa me incomodou imediatamente assim que entramos.
– Que cheiro horrível! — eu comentei colocando a mão em meu nariz — Uau!
Aquilo não se comparava ao cheiro forte dos corpos apodrecidos ao qual já estávamos acostumados. Pelo fato da casa estar fechada durante muito tempo, tornou o cheiro mais insuportável ainda, e estava muito abafado ali dentro.
Deixamos esse incômodo de lado e começamos a vasculhar a casa, procurando uma saída ou algo que podia nos ajudar a sair daquela situação. Oscar apontou a lanterna para o chão e o feixe de luz mostrou algo estranho estirado no chão.
– O que diabos é aquilo? — Ele perguntou.
– Parece uma raposa... — eu falei me aproximando do animal morto — Ou o que sobrou dela. Parece que a Lessie voltou. — eu falei me virando para o outro lado.
O lugar, apesar de pequeno, parecia amplo. Não havia cômodos nem nada que pudesse dividir as áreas da casa como estávamos acostumados, e nem deveria ser, já que estávamos em uma cabana. Logo os errantes nos alcançaram e começaram a se debater e a se chocarem contra a porta e as paredes feitas com tábuas de madeira. Aquilo não iria aguentar por muito tempo.
Rick nos chamou num sibilo, e eu o segui, dando cobertura. Ele se aproximou de uma cama, onde parecia estar sendo ocupada no momento. O corpo estava oculto por um cobertor e Rick estava se preparando para puxá-lo. Quando o fez, um homem pulou de uma vez para fora da cama com uma espingarda nas mãos e segurei minha faca mais forte.
– Quem são você? — Ele perguntou assustado e irritado.
– Não queremos machucá-lo — Rick se apressou em dizer.
– Saiam da minha casa!
– Certo, nós iremos! — Rick se rendia, esticando as mãos — Mas não podemos agora.
– Agora! — O proprietário gritou.
– Cale-o! — Michonne pediu sussurrando.
– Saiam agora mesmo! — Ele continuava gritando.
– Há errantes lá fora! — Rick se explicou.
O cara me olhou, visivelmente confuso e assustado.
– Eu chamarei a polícia!
– Eu sou policial — Rick afirmou — Agora, preciso que abaixe a arma. Não faça nada precipitado.
Ele se abaixava, colocando a pistola e o machado no chão, mostrando que nenhum mal aconteceria ali, e tentando explicar que estávamos apenas nos escondendo dos Walkers.
– Está tudo bem. — Ele dizia enquanto se levantava — Vamos nos acalmar, está bem? — O proprietário olhava para cada um de nós — Olhe para mim. Hey, hey...
O homem engatilhou a arma e apontou para a cabeça de Rick.
– Mostre seu distintivo! — Ordenava.
– Está no meu bolso, está no meu bolso! — Dizia Rick — Agora, vou pegá-lo, bem devagar.
O homem estava olhando fixamente para o bolso e Rick, aproveitando essa distração, empurrou a arma em minha direção. Girei rapidamente para o lado, ação tal que me salvou de levar um tiro na cabeça.
– Solte-me! — O homem gritava — Eu vou matá-lo! Solte-me!
– Cale a boca! — Michonne pedia.
Rick estava agarrado ao homem, tentando inutilmente cobrir-lhe a boca. Mas ele estava sem controle, e tentava a todo custo se libertar dos braços do xerife. O mordeu, conseguindo enfim se libertar.
– Socorro! — Gritava enquanto corria em direção a porta — Eles me encontraram!
– Não abra a porta! — Rick ordenou quando percebeu o que o homem pretendia fazer.
– Socor...
As palavras foram interrompidas quando Michonne lançou sua espada contra as costas do homem, e o mesmo caiu para trás na hora, morto. Todos estávamos parados, em choque com a atitude de Michonne.
Aproximei-me da porta para ver se havia mais errantes atraídos pelos gritos, ou se, por um milagre, pudéssemos sair sem sermos percebidos. Infelizmente, um errante entrou no meu campo de visão, juntamente com mais dezenas de outros mortos. Mas uma ideia veio com a velocidade de uma bala.
– Lembra de Alamo? — Perguntei girando-me para trás.
– Ajude-me com a porta — Pediu Rick e imediatamente o fiz.
– Só pode estar brincando — Retrucou Oscar.
– Ele está morto! — Disse Rick, roubando as palavras da minha boca — Cheque os fundos.
Com pouca dificuldade, conseguimos levantar o corpo do homem e esperamos pelo sinal de Oscar.
– Tudo limpo!
– No três! — Avisou Rick — Um, dois, três!
Michonne abriu a porta e jogamos o corpo para fora, em cima dos errantes, e a fechamos logo em seguida. Fiquei olhando para ver se o plano tinha dado certo, e realmente funcionou. Praticamente todos os walkers estavam em cima do corpo, lutando para tirarem um pedaço de carne para sua fome insaciável.
Fui para os fundos e deixei a cabana para trás, como os outros. Corremos o mais cautelosamente possível para evitar chamar a atenção dos errantes que haviam se entretido com o corpo que havíamos jogado. Após estarmos a uma distância segura dos mortos que nos perseguiam, continuamos a andar num ritmo acelerado, indo direto para Woodbury.
Quando chegamos, já era noite, e podíamos ver as luzes por trás de um portão de ferro fortemente protegido por torres de vigia ao lado. Realmente todos estavam com armamentos pesados, e se nos vissem agora, com certeza estaríamos mortos antes mesmo de percebermos o que estava acontecendo. Nunca teríamos chance contra esses filhos da puta, então teríamos de apelar para a inteligência e o modo furtivo.
Michonne nos guiou por trás de alguns vagões de trens, que nos escondiam parcialmente. Ficamos atrás de um carro velho e abandonado, observando os movimentos de cada um e especulando como iríamos entrar naquela fortaleza.
Rick estava com os olhos fixos nos fortes ao lado do portão, obviamente preocupado tanto conosco quanto com Glenn, Maggie e Melanie que estavam lá dentro.
As luzes fortes iluminavam a rua e os arredores do portão. Não iria ser fácil entramos sem sermos notados por ninguém. E não sabíamos se todos ali dentro estavam armados como os que faziam a vigia naquela noite. Todos esses fatores comprometiam o nosso resgate.
Ficamos longos minutos pensando numa maneira de entrar, até que um feixe de luz se voltou até onde estávamos. Recuamos e então Rick finalmente se pronunciou.
– Okay, precisamos diminuir o peso.
Nos desfazíamos das coisas que não precisaríamos tanto e colocávamos nossas armas em seus respectivos lugares. Coloquei um rifle em minhas costas porque com certeza eu não conseguiria sobreviver apenas com minha besta. Ela poderia ser suficiente contra errantes, mas esses caras eram mais espertos e estavam armados até os dentes.
– Não conseguiremos procurar em todos os prédios... — Eu disse — Não com tantos guardas lá.
Ouvimos um barulho atrás de nós e posicionamos as armas. Nossos sentidos estavam a mil e estávamos mais atentos do que nunca. Michonne apareceu no lugar de um walker ou um dos guardas e suspiramos aliviados. Nos chamou com um aceno de mão e com cuidado fomos atrás dela, contornando a rua por dentro da floresta, onde não podiam nos ver.
Entramos por uma brecha nas placas de metal e adentramos numa casa, que agora podia ser um tipo de dispensa ou até um lugar para primeiros socorros, já que havia macas também de metal ali.
– Foi presa aqui? — Rick perguntou, sussurrando e virando-se para Michonne.
– Fui interrogada — Respondeu.
– Onde mais poderiam estar?
Rick perguntava enquanto avancei em direção a porta, que estava coberta por uma cortina clara e florida, para a nossa sorte. Empurrei-a levemente para o lado, apenas o suficiente para enxergar o movimento lá fora.
Havia muitas pessoas. Pessoas normais! Homens, mulheres e até mesmo crianças e idosos. Não vi mais ninguém ali com armas, mas sempre é bom não arriscar, não sabia se tinham alguma pistola no cinto, ou uma faca escondida.
– Pensei que houvesse um toque de recolher. — Falei incriminando Michonne.
– A rua fica cheia durante o dia. São retardatários. — Ela explicou.
– Estamos vulneráveis, precisamos nos mover. — Rick apressou.
– Poderiam estar no apartamento dele.
– É? — Eu disse indo em direção a Michonne — E se não estiverem? — Ameacei.
– Então vamos procurar em outro lugar. — Ela respondeu, não se importando com as minhas ameaças.
– Disse que podia nos ajudar! — Irritou-se Rick.
– Estou fazendo o possível!
– Então onde diabos eles estão? — Perguntou Oscar.
Rick se afastou da mulher, indo para os fundos. Oscar e eu o seguimos e ele nos contou o que pretendia fazer em relação à ela.
– Se isso der errado, vamos abandoná-la.
– Acha que está nos levando para uma armadilha? — Perguntou Oscar e automaticamente fiquei mais alerta que antes, meus instintos falando mais alto.
– É uma cega guiando os cegos! — Comentei — Vamos nos separar.
De repente ouvimos uma batida na porta e nos escondemos atrás de uma cortina que cobria os fundos, onde já estávamos. Um homem de mais ou menos cinquenta e tantos anos destrancou a porta e entrou.
– Sei que está aqui dentro! Vi movimentos lá fora.
Meu coração bateu mais rápido e senti a adrenalina correndo em minhas veias. Eu não queria matar ninguém inocente e esse cara parecia uma pessoa normal. Talvez nem imaginasse que fossemos estranhos, apenas alguns moleques da região querendo brincar e explorar. Sempre há esse tipo de adolescente.
– Não deveria estar aqui e sabe disso. — O tom de voz não mostrava que estava com medo ou que sabia que não éramos da comunidade.
Ele se aproximou, procurando e apontando sua lanterna para os lados. Assim que chegou perto da cortina, Rick avançou em cima do cara e o imprensou contra a parede, colocando uma pistola em sua testa.
– Cale a boca! Fique de joelhos! — O homem obedeceu — Mãos para trás, amarre-o! Onde estão nossos homens?
– Não sei — O homem respondia, com a voz trêmula.
– Estão prendendo nossos homens! Onde estão? — Perguntou mais uma vez.
– Eu não sei — Sua urgência era notada em sua voz.
– Abra sua boca!
Rick ordenou enquanto colocava um pano na boca do cara. Para evitar que tivéssemos de matá-lo ou que ele nos denunciasse, bati em sua cabeça com minha besta forte o suficiente para desmaiá-lo. Arrastamos o corpo para trás das cortinas, caso mais alguém entrasse ali em sua procura. Pelo menos ganharíamos uns segundos a mais, que poderiam ser suficientes para nosso sucesso ou fracasso.
(POV Melanie)
Ficamos esperando alguns minutos ao lado da porta, prontos para matarmos quem aparecesse ali. Ou pelo menos eles estavam prontos. Eu ainda lidava com a ideia de ter de matar alguém. Nem mesmo conseguia matar os mortos, quem diria os vivos, que eram tão raros de encontrar e infelizmente tão cruéis na maioria das vezes.
Não tivemos que esperar muito, o que me deu menos tempo para me preparar física e emocionalmente para aquele momento. Ouvimos passos e segurei mais forte o osso escorregadio em minha mão. Glenn estava na frente da porta e, assim que foi aberta, se jogou em cima dos homens, causando choque e surpresa.
Glenn lutava contra Merle, que segurava seu braço 'armado' com o osso acima de sua cabeça, impossibilitando-o de fazer alguma coisa. Maggie avançou no outro homem e enfiou o parte pontuda do osso em seu pescoço. Este caiu, apertando o gatilho da arma automática e atirando para frente. Assim como Merle, me joguei de barriga no chão, sentindo uma dor infernal depois disso.
Enquanto eu recuperava o ar ainda estirada no piso de concreto, Glenn pulou em cima de Merle, que o imobilizou rapidamente, colocando a lâmina de seu braço direito em seu pescoço. Maggie pegou a arma que estava na mão do morto e apontou para ele.
– Solte-o! — Gritou.
Merle viu que estava sozinho e levantou os braços em rendição enquanto eu me levantava lentamente.
– Está bem! — disse sorrindo ao ver reforços atrás de nós.
Todas as armas eram apontadas para nossas cabeças e eu realmente acreditei que iríamos morrer naquele exato momento. Merle se levantou num pulo e puxou a arma da mão de Maggie, que estendeu a mão e me puxou para perto de si.
– Levante! — Merle gritou para Glenn, que ainda estava deitado.
(POV Daryl)
Estávamos discutindo por onde começar a procurar quando escutamos tiros vindo de não muito longe. Corremos até a porta e Rick espiou pela cortina. Vendo que todos que estavam na rua corriam na direção oposta, abriu a porta e por sorte ninguém nos notou ali.
Ao vermos que estava tudo limpo, saímos com cautela e corremos na direção dos tiros. Entramos num tipo de galpão com as armas em mãos, olhos e ouvidos atentos. Rick ia na frente, em seguida eu e logo atrás Oscar e Michonne.
Ao entrar parecia um labirinto, e na primeira curva Rick parou, se escondendo. Olhou novamente e continuou avançando ao ver que não havia mais ninguém ali. Mais uma curva e mais uma parada.
– Que bom que pudemos conversar! — Ouvi uma voz dizer e um choro delicado, quase inaudível.
– Fique olhando para mim. — Pude ouvir a voz de Glenn.
– Eu amo você! — Maggie disse.
– De pé, movam-se! Vamos!
Olhei por uma janela fixada na parede de metal e me abaixei ao ver que eles estavam vindo em nossa direção.
– Droga! — Praguejei, pegando uma granada de fumaça e preparando para lançá-la.
Rick jogou a primeira e eu a segunda logo depois. Os caras ficaram desnorteados e então, ao vermos uma fumaça espessa e branca, corremos para tirá-los dali. Apontei minha arma antes e, ao me dar conta de que não podia ver nada, tateei até encontrar uma pessoa com um saco na cabeça, com certeza um dos nossos.
Segurei em seus braços e puxei em direção a saída. Começaram a atirar contra nós e eu dei um último tiro antes de deixá-los para trás. Tirei o saco da cabeça e vi Melanie com os olhos vermelhos e marejados.
– Está tudo bem. — eu dizia baixo para acalmá-la — Tudo vai ficar bem, confie em mim.
Ela acenou com a cabeça engolindo o choro e continuamos a correr. Todos estavam nas ruas, mas a maioria correndo na direção oposta, para suas casas. Oscar e Rick carregavam Glenn que mal conseguia ficar de pé e entramos em uma casa.
– Não há saída aqui atrás! — Rick avisou.
– Rick, como nos encontrou? — Maggie questionou.
– Está muito ferido? — Ele perguntou para Glenn, ignorando a pergunta de Maggie.
– Eu ficarei bem. — Ele afirmou, mas suas caretas de dor diziam que não estava em suas melhores condições no momento.
– Onde está aquela mulher? — Perguntou Maggie olhando a casa.
– Estava atrás de nós. — Rick disse, passando seus olhos pela casa na tentativa falha de encontrar Michonne.
– Talvez ela foi vista — Oscar opinou.
– Devo procurá-la? — perguntei e senti Melanie chegar mais perto.
– Não, precisamos tirá-los daqui. Ela está por conta própria! — Respondeu Rick.
– Daryl... — Glenn chamou — Merle fez isso.
No momento que ouvi o que o coreano dizia, fiquei paralisado. Sabia que Merle não era uma pessoa tão boa, mas eu sabia que ele não era capaz de uma coisa dessas, principalmente com alguém que já de seu antigo grupo.
– Foi... — Ele afirmou mais uma vez quando percebeu que eu não estava acreditando — Ele fez isso!
– Viu ele? — Perguntei. Ele podia ter confundindo com outra pessoa.
– Frente a frente. — Ele respondeu para o meu desapontamento e desespero, e ao mesmo tempo para a minha felicidade em saber que ele estava vivo. — Atirou um errante em mim. Ele ia nos executar.
– Meu irmão é o govenador? — Perguntei sentindo uma súbita raiva ao descobrir que Merle iria matar Melanie. E os outros é claro.
– Não. — Maggie disse para meu alívio — É outra pessoa. O seu irmão é o tenente ou algo assim.
– Ele sabe que estou com vocês? — Perguntei. Talvez se a resposta fosse negativa, ele pudesse estar fazendo tudo isso ao pensar que eu estava morto.
– Agora, sabe. — Glenn afirmou — Rick, desculpe. Falamos sobre a prisão.
– Eu falei — Melanie se pronunciou pela primeira vez, a voz doce, suave e delicada, mas embargada pelo choro que segurava.
– Não conseguimos resistir. — Glenn completou.
– Não precisa se desculpar. — Disse Rick voltando a olhar pela cortina da porta.
– Vão nos procurar! — Comentou Maggie.
– Precisamos voltar. Consegue andar? — Indagou Rick — Temos um carro a alguns quilômetros daqui.
– Estou bem — Glenn afirmou.
– Se Merle está aqui, preciso vê-lo! — Eu disse, o desespero na minha voz era aparente. Melanie soltou o seu braço e imediatamente quis sentir o toque da sua mão mais uma vez.
– Agora não — Rick proibiu — Estamos em território hostil.
– Ele é meu irmão! — Eu implorava — Ele...
– Veja o que ele fez! — Interrompeu Rick — Precisamos sair daqui agora!
– Posso conversar com ele — Eu tentei convencê-lo — Fazer um acordo...
– Você não está pensando direito! Não importam o que digam, estão machucados. Glenn mal consegue andar. Como vamos sobreviver se formos encurralados por errantes e esse governador nos alcançar? Preciso de você! Está comigo?
Olhei para Rick que acabara de dizer que precisava de mim. Olhei para Glenn, Maggie. Por fim olhei para Melanie. Ela estava num canto me olhando com seus olhos brilhando. Não sei como pude pensar que era perigosa, a garota parecia uma criança assustada e sem saber o que fazer. Todos sabiam se defender, ela não. Se fossem atacados, com certeza a deixariam para trás se isso significasse que sobreviveriam. E eu não deixaria que isso acontecesse.
– Estou. — Respondi olhando nos olhos de Rick.
Começamos a preparar uma fuga. Peguei mais granadas de fumaça e gás lacrimogênio e fui até Melanie.
– Não importa o que aconteça — Disse sussurrando enquanto chegava mais perto — Não saia de perto de mim e faça o que eu disser para fazer. Okay?
– Okay — Ela respondeu e balançou a cabeça, sua voz não mais embargada.
A puxei pela mão e fiquei ao lado da porta, ainda a segurando. Sua pele era macia e quente, e sua mão pequena e delicada. Olhei em seus olhos e ela fixou o olhar no meu. Passei segundos hipnotizado e depois voltei minha atenção ao Rick que falava.
– No três. Aguentem! Um, dois, três!
Abriram a porta e jogamos as granadas rua afora. Ao ver a fumaça cobrindo toda a extensão de que precisávamos, corremos para fora da casa. Soltei a mão de Melanie e segurei minha besta. Ela corria, mas mancava e precisei correr com mais lentidão para ficar perto dela.
– Lá estão eles! — Um dos guardas que faziam a vigia gritou, apontando para onde estávamos.
Puxei mais uma vez Melanie pela mão para mais perto de mim, já que atiravam contra nós. Atirávamos de volta enquanto fugíamos rapidamente. Matamos os homens que estavam nas torres e nos escondemos atrás de uma parede de tijolos, enquanto eu dava cobertura.
– Quantos? — Rick se referia aos homens que nos atacavam.
– Não sei, não os vi — Gritou Oscar.
– Não importa, virão mais! — Eu disse trocando o cartucho da arma — Precisamos ir!
– Sobrou alguma granada? — Afirmei com a cabeça — Preparem-nas! Precisamos atravessar o muro!
Tirei as granadas da bolsa e retirei o pino, preparando-me para lançá-las na rua. Os homens avançavam e percebi que estavam muito perto. Nunca conseguiríamos correr e nos defender de todos eles ao mesmo tempo.
– Vão na frente, vou dar cobertura. — Falei, já preparando o rifle.
– Não! Precisamos ficar juntos — Maggie retrucou.
– Muito complicado — Expliquei — Estarei logo atrás. Prontos?
Levantei-me e joguei a granada.
– Vão, vão! — Gritei indo atrás deles devagar, atirando contra os outros.
Estava atirando quando ouvi um grito. Olhei para trás e vi que Melanie havia tropeçado. Ela estava mais perto de mim que dos outros, então me virei, corri até ela e a trouxe para se esconder atrás de um banco. Ela ficou ao meu lado enquanto eu atirava.
– Consegue se levantar? — Perguntei aumentando a minha voz para que ela pudesse escutar.
– Acho que sim, mas meu tornozelo... — Ela respondeu colocando a mão sobre o tornozelo e reprimindo um grito.
– Fique aqui comigo — Eu disse, temendo que ela tentasse e acabasse levando um tiro.
– Daryl — Ela disse com urgência — Precisamos ir! Agora!
Seus olhos estavam arregalados e ela segurava meu braço de leve, para não me atrapalhar. Olhei para ela e parei um instante. Ela estava certa, precisávamos ir imediatamente. Mas eu não podia colocar sua vida em risco.
– Fique aqui comigo e só saia quando eu mandar! — Ordenei, voltando a atirar e sentindo-a balançar a cabeça e soltar meu braço.
– Daryl! — Rick gritou.
– Vá! — Gritei para os dois quando vi que os homens estavam nos alcançando.
Continuei atirando. Quando Melanie conseguiu se levantar e começou a correr, um cara chegou perto demais e esticou o braço para pegá-la. Sem pensar duas vezes a empurrei para o lado com cuidado para que não caísse de novo e entrei na sua frente. Poderiam me levar, mas não fariam mais mal algum à Melanie.
(POV Melanie)
Daryl me empurrou e continuei correndo, quase caindo novamente. Quando olhei para trás, vi dois homens o segurando e os tiros cessarem. Eu não queria que ele fosse levado por aqueles monstros. Poderiam estar com tanta raiva de nós que poderiam matá-lo de uma vez. Me senti arrependida e totalmente culpada. Mais uma pessoa estava sendo levada à morte por minha causa.
– Daryl! — Gritei com desespero.
Rick puxou minha mão e me levantou com facilidade, me passando para o outro lado do muro. Corremos, dando a volta pelos muros e chegando numa trilha de trem. Paramos atrás de um carro, na frente dos portões, a única entrada e saída de Woodbury.
Haviam colocado mais vigias no lugar dos que foram mortos e eles estavam totalmente alertas, olhando para todos os lados e gritando coisas que eu não podia compreender.
Ouvimos farfalhar de folhas e nos viramos rapidamente, eu ainda com a esperança de ver Daryl caminhando por ali. Mas não era. Uma mulher de pele escura e brilhante, coberta por sangue e ferida apareceu, e Rick apontou uma arma em sua cabeça imediatamente, destravando-a.
– Onde diabos esteve? — Ele sussurrava — Mãos para cima! Vire-se!
Ela obedeceu e ele desembainhou uma katana. Rick abaixou a arma e ela os braços. Relaxei na mesma hora.
– Conseguiu o que queria? — Ele perguntou, ironizando.
– Onde está o resto do seu grupo? — A moça perguntou.
– Pegaram o Oscar — Glenn respondeu.
– Daryl sumiu, você o viu? — Indagou Maggie, ainda apontando a arma para a mulher.
– Se algo acontecer... — Rick ameaçou.
– Trouxe-o aqui para salvá-los — Ela disse, ignorando a ameaça.
– Obrigado pela ajuda.
– Precisará de ajuda para levá-los à prisão! Ou voltar para resgatar o Daryl. De qualquer jeito, você precisará de mim! — Ela implorou, dirigindo-se a Rick com um olhar suplicante.
Não sabia se Rick a deixaria viva, mas eu precisava dela! Ainda tinha chance de salvar Daryl, e eu não jogaria isso fora!
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