A Little Piece of Hell
8 Resgate - Parte II
Notas iniciais
(POV Melanie)
Voltamos até onde Rick e os outros haviam deixado o carro e logo começaram a fazer um plano para salvar o Daryl. Colocaram todas as armas e munição que ainda tinham e dividiram para todos.
– Ele pode estar morto — Disse Glenn, e naquela hora, eu fiquei com raiva.
– Ela não está morto! — Falei com convicção e todos olharam para mim.
– A garota tem razão. — A mulher concordou comigo — Eu conheço o governador. Ele não vai ter toda essa piedade e misericórdia para dar um fim tão rápido no rapaz. Com certeza ele tem algo pior em mente, mas não vai matá-lo agora.
Encarei-a. Baseado no que tinha nos acontecido lá dentro, sabia que ela tinha razão. Rick começou a perguntar quem iria. Maggie e Glenn se ofereceram ao mesmo tempo, mas o xerife recusou Glenn. Do jeito que ele estava, só iria atrasá-los. Além disso, ele não poderia nem se defender ou correr.
Eu gostaria de ir, mas não sabia como usar uma arma ou alguma outra coisa contra aqueles homens. Eles eram milhões de vezes mais fortes do que eu. Só traria problemas para eles. E foi por minha causa que Daryl tinha sido pego. Não queria que mais alguém se arriscasse por minha causa. Então continuei calada, tentando engolir minhas preocupações.
– Tudo bem — Rick disse — Glenn, Michonne, Melanie. Fiquem aqui, e se qualquer coisa acontecer, eu quero que vocês voltem para a prisão imediatamente!
Eu acenei, concordando.
– Maggie, você vem comigo. Temos que entrar sem sermos notados.
– Okay. — Ela disse.
– Não podem ir sozinhos! — Glenn se opôs — Não vão conseguir enfrentá-los!
– Não vamos enfrentá-los. — Respondeu Rick — Teremos cuidado e não arriscaremos a vida de mais um dos nossos. Se qualquer coisa der errado, deixamos Daryl para trás.
– Não podem fazer isso! — Eu disse espantada — Ele salvou todos nós!
– Exato, não vamos deixar que a vida dele seja dada em vão. — Maggie me apoiou.
– Eles vão conseguir! — Disse Glenn, mais para si mesmo do que para mim.
Concordei com a cabeça e eles se foram floresta adentro.
(POV Daryl)
Fui levado para o mesmo lugar onde resgatamos Glenn, Maggie e Melanie, onde um homem bem arrumado e alto estava esperando ao lado de mais dois homens bem armados. Ele sorriu ao me ver e me examinou dos pés à cabeça.
– Então... — Ele começou a falar com uma educação sínica. — Você deve ser irmão do Merle. Muito prazer, eu sou o Governador.
Então esse é o filho da puta do Governador. Avancei em cima dele e os outros caras me seguraram mais forte e apontaram suas armas para mim. Ele riu, divertindo-se com tudo aquilo. Seu olho estava coberto por uma gaze, me lembrando piratas.
– Hey hey... — Ele disse erguendo as mãos — Não quer ver seu irmão? O trouxemos aqui para isso. Mas se quiser podemos...
– Onde ele está? — Gritei sem deixar que terminasse a frase — O que fez com meu irmão?
– Ele está bem, fique tranquilo. Mas ele ainda não sabe que está aqui. Que tal fazer uma surpresa para ele huh? Tenho certeza de que ele vai adorar ver o irmão de novo, são e salvo.
Fez um aceno de cabeça e os idiotas que me seguravam me levaram para fora, não antes de colocar um saco áspero em minha cabeça. Não podia ver para onde me levavam, mas pude notar as luzes piscarem. Depois de pouco andar, ouvi a voz do filho da puta que se auto titulava Governador. Só se for da casa do caralho!
Começou a falar sobre o medo que sentiram essa noite, que tinha falhado com eles ao prometer que os manteriam a salvo e não conseguir cumprir a promessa. Isso me lembrava de um caipira que não vale nada.
Continuou falando sobre o que houve, nos chamando de terroristas. E quando disse que um dos terroristas eram do seu grupo, ouve um vaiar alto de muitas pessoas, todos surpresos e com medo.
– Merle! — Ele disse e as vozes ficaram enfurecidas. — O homem com quem eu contava, o homem que eu confiava. Ele os atraiu até aqui e os deixou entrar! — Não entendia porra nenhuma do que aquele cara estava falando. — Foi você! Você mentiu! Traiu todos nós!
Nesse instante, os homens voltaram a apertar meus braços e a me arrastarem para um lugar um pouco mais claro. As vozes, os urros de raiva, os gritos de espanto, tudo estava mais perto e mais nítido aos meus ouvidos. Era a hora de aproveitar e tentar me libertar.
– Esse é um dos terroristas! — Gritou perto de mim. Não senti mais os dois homens me segurando, mas sim, a mão do Governador me puxando e me livrando do maldito saco — O irmão do Merle!
Eu estava numa arena. Uma multidão estava, não mais sentada e sim em pé, nas arquibancadas ao redor. Olhei em volta. Todos estavam armados e um idiota filho da puta estava com a porra da minha besta! Ele terá de rezar para que eu morra aqui. Ninguém toca na minha besta. Ninguém!
Merle estava na minha frente. A cara estava visivelmente alterada e cheia de surpresa. É claro que ele não sabia de nada do que estava acontecendo ali, não deixaria que fizessem isso. Ele estava com uma coisa de ferro no braço direito, que não identifiquei na hora, mas cobria o local onde a mão foi decepada. Sua testa estava franzida e ele estava nervoso e petrificado, só olhando para mim.
O Governador me soltou, mas eu nem pensei em correr. Merle estava ali na minha frente e era maravilhoso para mim, saber que ele estava vivo e bem, apesar de estarmos com nossos minutos contados.
Olhei mais para trás e vi Andrea. Ótimo! Mais uma pessoa que eu achei que estivesse morta quando, na verdade, estava só do lado errado. Ela me olhava como quem visse um fantasma, mas a princípio não fez nada.
Eu estava com meus braços amarrados atrás das costas e todas as armas estavam sendo apontadas para mim e para Merle. Se eu fizesse um movimentos brusco, tinha certeza de que ia ser metralhado no mesmo instante.
– O que devemos fazer com eles? — Peguntou o Governador gritando e atiçando a multidão. Seu olho sangrava, manchando a gaze de vermelho.
– Mate-os! — Gritaram de volta, com ira.
– O que? — Perguntou mais uma vez. Aquele imbecil estava começando a me deixar mais irritado. — O que vocês querem?
– Mate-os! — Repetiram.
Eu estava lado a lado de Merle, na esperança de que pudéssemos sair dali. Ele conhecia o lugar, provavelmente daria um jeito de nos livrar daquela situação. A multidão estava quase se jogando em cima de nós e Merle me olhava com desespero.
– Você queria seu irmão — Disse o Governador com a voz baixa, apenas para Merle — Você conseguiu.
Eu estava nervoso vendo toda aquela gente gritando pela nossa morte. Merle não fazia ideia de como escapar daquilo e eu também não conseguia pensar em nada. Tínhamos de ser rápidos, eles não iam nos manter vivos por muito tempo. Ou nos matavam, ou a multidão o faria.
Eu me mexia de um lado para o outro, tentando pensar em algo. Andrea começou a avançar em nossa direção, mas os mesmos homens que me pegaram mais cedo estavam bloqueando seu caminho.
– Solte-me! — Ela gritava — Philip... Ele é meu amigo!
– Eu perguntei a que você era leal. — Ele gritou, apontando para Merle enquanto um cara soltava minhas mãos. — Você disse a este lugar. Prove. Prove a todos nós! Irmão contra irmão, o vencedor estará livre! Lutem até a morte!
Todos começaram a vibrar e gritar por Merle. Ele era bem famoso por aqui hein! Mesmo sendo acusado de traição, ainda torciam por ele. Merle olhou para todos os lados, dirigindo seu olhar para as pessoas nas arquibancadas e para os atiradores. Olhou para mim e abaixou a cabeça.
Eu estava prestes a dizer que eu estava aliviado e feliz por vê-lo vivo e que não o mataria, que tínhamos de dar um jeito de fugirmos daquele lugar insano. Mas quando puxei o ar para falar, Merle levantou o braço e gritou para a multidão.
– Vocês me conhecem! Farei o que for preciso para provar...
Enquanto ainda falava, Merle se virou contra mim e de surpresa me acertou no estômago, me deixando sem ar e caído no chão.
– Que minha lealdade...
Estava recuperando o fôlego quando Merle acertou um chute, novamente no estômago, provocando-me tosse e mais falta de ar.
– É dessa cidade!
Ao completar a frase, continuou desferindo chutes enquanto eu estava caído e tentando respirar. Se abaixou e começou a socar o meu rosto. Eu tentava afastá-lo pois não queria machucá-lo, mas ele era mais forte e sempre ganhava de mim.
Enquanto me batia e me deixava sem forças, ouvi grunhidos e gemidos. Homens traziam errantes para a briga. É claro que o filho da puta não deixaria nenhum de nós sair vivo dali hoje. Eu precisava salvar Merle e voltar para a prisão.
Rolei para o lado e quando Merle se aproximou, dei um soco em seu rosto, me levantado. Ao vê-lo parado a alguns metros de mim, corri e me joguei contra ele, que facilmente me jogou no chão e sentou sobre mim, agarrando minha blusa. Apertei as minhas mãos contra seu pescoço, mas sem coragem de asfixiá-lo. Os errantes chegavam mais perto de nós.
– Acha que esse cuzão vai deixá-lo ir? — Perguntei tentando fazê-lo ver o que estava acontecendo por trás das palavras do maldito Governador.
– Colabore comigo, irmãozinho! — E então eu percebi que aquilo era uma encenação. Ou pelo menos era para ser, eu sentia golpes reais. — Vamos escapar disso... Agora!
Ele me puxou para cima e ficamos costa a costa, prontos para combater os walkers e dar um jeito de fugir dos atiradores. Estávamos sem armas então o único jeito era aguentar apenas empurrando cada errante para trás.
Estava prestes a bater em mais um mordedor quando vi uma bala acertar a cabeça do morto. Mais tiros vinham por trás. Olhei nessa direção e vi Rick e Maggie atirando e se escondendo atrás de uma caçamba. Uma granada de fumaça foi lançada e a correria começou.
Merle matava um errante com a parte de metal em seu braço direito e mandou que eu ficasse perto. Isso ajudaria na hora da fuga e um protegeria o outro. A fumaça estava começando a se dissipar.
– Merle, vamos!
Começamos a correr em direção a Rick e Maggie quando no meio do caminho vejo um homem atirar uma de minhas flechas num walker. Peguei a minha besta e saí correndo, minha vingança teria de esperar. Mas ainda pude ver Merle nocauteá-lo.
– Vamos! — Eu chamei com urgência.
Nos encontramos com Rick e corremos atrás de Merle, ele sabia o que estava fazendo e conhecia melhor o lugar do que nós.
– Todos estão na arena! — Ele disse.
– Você não virá conosco! — Rick disse, me deixando um pouco irritado.
– Quer mesmo fazer isso agora? — Merle Perguntou, sem parar de correr.
Achou uma brecha entre dois ônibus militares e começou a soltar uma placa de metal que formava a "muralha" em volta da cidade.
– Vamos cara! — Eu apressei, e ao ver que tinha conseguido abrir uma passagem, chamei atenção dos outros — Rick, precisamos ir!
Ao sairmos, Merle estava matando os walkers que estavam do lado de fora, apenas com a 'mão' direita.
– Uma ajudinha seria legal! — Ele gritou e fui ajudá-lo matando com minha besta mais um errante que chegava perto dele. Maggie acertou um e Rick mais outro — Nós não temos tempo para isso — Gritou e saiu correndo.
Rick e Maggie continuaram parados.
– Vamos! — Os chamei e seguimos Merle.
Caminhamos por um bom tempo até chegarmos no carro, onde os outros esperavam por nós. Estava amanhecendo quando os encontramos. Rick ia na frente, provavelmente para evitar confusões e desentendimentos entre Glenn, Michonne e Merle.
– Glenn! — Ele gritou.
Glenn e Michonne vieram até nós correndo e Melanie os seguia mais devagar e ainda assim, o mais rápido que podia.
– Graças a Deus! — Glenn continuava a falar.
– Temos um problema. — Rick falava na frente — Afaste-se!
Mas foi o mesmo que pedir para um errante que não nos devore.
– O que diabos ele está fazendo aqui? — Glenn perguntou apontando a arma para Merle.
– Hey, hey, espere! — Rick dizia para Michonne, que já estava com a espada na mão.
– Espera aí — Eu dizia para ela e Glenn.
– Ele tentou me matar! — Ela disse.
– Largue a espada — Rick gritava ao mesmo tempo.
– Se fosse por ele, nós não teríamos conseguido! — Gritava Glenn junto com os dois.
– Não, ele nos ajudou a fugir! — Eu afirmei.
– Sim — Completou Rick — Após te espancar!
– Hey, nós dois apanhamos! — Merle disse.
– Idiota! — Falei para meu irmão.
– Cale a boca! — Ele respondeu.
Michonne tentou avançar com a espada enquanto Maggie mirava a pistola nela, e Glenn chgou mais perto com a arma.
– Abaixe isso, agora! — Falava Rick.
– O que eu fiz? — Perguntava Merle encostado na árvore e levantando os braços.
– Relaxa! — Gritei para ele enquanto via Glenn com a arma virada para mim — Tire essa droga da minha cara! — Eu gritei com toda a força chegando mais perto de Glenn, que abaixou a arma lentamente. Vi Melanie me observado, um pouco mais afastada e Merle desviou meus pensamentos novamente, rindo.
– Cara, olhe para você! Parece que virou um nativo, irmãozinho.
Virei-me para trás com raiva.
– E você estava com aquele psicopata! — Gritei na sua cara.
– Sim. Ele é encantador, preciso dizer — Ele respondeu, sínico, virando-se para Michonne — Está metendo legal na sua amiga, Andrea.
– O que? — Rick perguntou espantado.
– Andrea está em Woodbury? — Se assustou Glenn.
– Bem ao lado do Governad0or — Eu respondi, desapontado.
– Você conhece Andrea? — Rick questionou Michonne.
– Sim, conhece — Merle respondeu por ela — Ela passou o inverno todo abraçada no mato com a loirinha. Isso aí. A rainha núbia tinha dois errantes de estimação. — Olhei para Melanie e ela arregalou os olhos ao escutar isso. — Sem braços, mandíbulas cortadas, acorrentados... Meio irônico, na verdade.
Merle estava assustando Melanie e eu tive uma súbita vontade de bater nele até que calasse a boca.
– Cala a boca, irmão! — Eu gritei.
– Elas estavam na floresta. — Ele continuou — Andrea estava quase morrendo.
– Por isso ela está com ele? — Maggie perguntou.
– Sim. Os dois estão coladinhos. — Ele provocou — O que vai fazer agora, xerife? Cercado de mentirosos, durões e covardes.
– Cale a boca! — Ordenou Rick.
– Nossa, veja só isso... Patético — Continuava provocando. — Tantas armas e nenhuma bala.
Eu não estava mais aguentando Merle falando sem parar. Ele estava assustando Melanie e eu estava me segurando para não revidar o que houve na arena.
– Merle — Eu gritei, grosso — Cale a boca!
– Cale você! — Ele gritou de volta — Bando de frouxos...
Antes que concluísse a frase, Rick bateu a arma contra o pescoço de Merle e ele caiu. Agradeci mentalmente por não ter que fazê-lo eu mesmo. Olhei para Rick agradecendo com o olhar. Rick olhou para Merle.
– Cuzão.
Caminhávamos até o carro e eu parei onde Melanie estava, me olhando.
– Você está bem? — Perguntei.
Ela me olhou e seus olhos ficaram marejados. Balançou a cabeça, afirmando, mas seus olhos diziam outra coisa.
– Não se assuste com Merle. — Eu disse — Ele sempre foi assim, mas não fará mal a você.
– Ele machucou Glenn. — Ela disse com uma voz suave e baixa — Tive medo de que você fosse igual ao seu irmão.
Cheguei mais perto e tirei uns fios de cabelo que caíam em seus olhos verdes.
– Não sou como ele. Não vou machucar ninguém, a menos que nos ameace! — Ela me olhava, prestando atenção em cada palavra.
– E Merle? — Perguntou olhando para meu irmão, que acordava.
– Ele não vai fazer mal algum. Eu não vou deixar nada de ruim acontecer.
– Já aconteceu — Ela disse enquanto uma lágrima escorria.
Melanie abaixou a cabeça e secou a lágrima com as costas da mão enquanto a outra ela pressionava fortemente contra a barriga.
– O que aconteceu? — Eu perguntei com raiva. Ela me olhou sem entender. Apontei para a barriga — O que houve?
Ela parou de pressionar o abdome e me olhou, engolindo o choro e erguendo a cabeça para igualar seu olhar ao meu.
– O Governador nos interrogou. — Ela disse com cautela — Me deu um soco e depois me chutou quando estava caída no chão. — Melanie estava com vergonha de me contar, mas agora ela iria ter de fazer, pois meu ódio estava aumentando a cada palavra dita. — Não sei o que houve, mas está doendo e ás vezes sinto falta de ar.
Ela desviou o olhar, como se estivesse conversando sobre o tempo e olhasse para o céu confirmando. Uma grande ira me tomou por inteiro. Eu iria pegar o Governador. Iria matá-lo tão lentamente! Arrancaria seus ossos ainda vivo e perfuraria a garganta lentamente com os mesmos!
– Ele... — Ela disse, hesitando um pouco — Ele te machucou?
– Não — Respondi e vi seus ombros relaxarem — Lutei com meu irmão, mas estou bem.
Mal terminei a frase e senti seus braços em volta de mim. Ela era pequena e se encaixava perfeitamente em mim. Demorei um pouco para retribuir o gesto, e quando o fiz, ela já estava me soltando.
– Me desculpe. — Ela disse — Por ter te colocado nessa situação.
– Não foi culpa sua — Eu disse.
Ela me olhou e sorriu. Foi aí que eu senti que tudo estava diferente. Virou as costas e saiu mancando até onde os outros estavam.
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