A Little Piece of Hell

14 Próximos - Parte II


Notas iniciais
Gente, me perdoem pela demora. Eu estava passando por uns problemas e acabei no hospital... Quase vocês ficam sem A Little Piece Of Hell para sempre hauhsauhs Mas estou melhor agora =] Bom, aqui as coisas começam a mudar bastante e espero que gostem das mudanças que haverá ao longo da história. Esse é o capítulo mais comprido que eu já escrevi, e temo que esteja muito cansativo. Mas será o último, eu prometo xD Bom... Espero que gostem. Boa leitura meus anjos. E me desculpem!

(POV Melanie)

Durante todo o caminho de volta à prisão ficamos calados. Um silêncio solene e que parecia necessário para os dois. Daryl seguia mais a frente, olhando para todos os lados para garantir nossa segurança. Meus olhos seguiam seus movimentos como se ele fosse um Deus para mim. Parecia sempre flutuar, andando agilmente mas sem nenhum barulho.

Apesar de tudo o que ele provocava em mim e meu coração clamar seu nome, eu ainda achava que o melhor seria esperar mais um pouco. Eu ainda precisava de mais tempo para ter certeza de que era isso mesmo o que eu desejava.

Ao chegarmos na prisão já começava a anoitecer e todos já estavam de volta: Rick, Carl e Michonne. Houve um certo burburinho quando chegamos devido a nossas roupas encharcadas de sangue e nossa aparência mais suja que o normal.

– O que aconteceu?! — perguntou Maggie em exclamação.

– Vocês estão bem? — Beth perguntou ao se aproximar de mim e ignorou o sangue, me abraçando.

– Alguém foi ferido ou mordido? — Hershel se aproximava também, pronto para nos examinar caso fosse preciso — O que aconteceu com vocês dois?

– Fomos atacados — respondeu Daryl — E Melanie nos salvou.

Imediatamente todos voltaram o olhar para mim, e senti meu rosto ficar mais vermelho a cada segundo.

– Não foi assim, eu só...

– Eu teria morrido se não fosse por ela! — ele completou.

Virei para ele, que me encarava com seriedade. Por trás de seu rosto sério, vi um brilho de serenidade. Ele estava calmo e feliz por contar isso, e não tinha vergonha de confessar que eu salvara sua vida.

– Eu estava assustada e só segui meus instintos. Não é lá grande coisa...

– Salvou minha vida — ele continuou, abrindo um discreto sorriso no canto da boca — E eu vou fazer de tudo para te manter salva também.

Fiquei olhando seu sorriso de lado, totalmente encantada. Até que alguém me tirou de meus devaneios.

– Venha Daryl, querido! — Carol disse, se metendo no meio e puxando-o para longe. — Vamos trocar essa roupa e te alimentar. Creio que essa menininha nem pôde cuidar de você direito! Vamos para minha cela e...

A medida que iam andando para longe deixei de ouvir o que Carol falava. Parei de encará-los e voltei minha atenção para os outros, que também estavam boquiabertos com o que havia acabado de acontecer.

Dispensei qualquer ajuda e fui direto para a minha cela. Ao passar pela de Daryl, não pude deixar de espiar por um momento. Ele não estava lá. Deixei um suspiro alto escapar e não demorei mais ali. Fechei a porta da minha cela e a cobri com um lençol desgastado para trocar de roupa despreocupada. Deitei-me e caí imediatamente no sono.

(POV Daryl)

Carol foi muito gentil quando chegamos. Por mais que eu quisesse ficar com Melanie e conversar com ela sobre algo importante, não pude dizer não à Carol. Ainda mais com tanto carinho que ela se dispõe a dar. É algo diferente de quando estou com a Melanie. Bem menos intenso, mas ainda assim, um grande carinho de amigos. Ouso dizer até de irmãos.

Ela foi comigo até minha sela, onde peguei uma nova muda de roupa e fui rumo aos chuveiros. Eu me mantinha calado durante todo o percurso, me perguntando mentalmente quando ela me deixaria sozinho. Carol não parava de falar um segundo sequer, de como as coisas ficavam quando eu saía e de como ela se importava e ficava preocupada comigo.

Parei em frente ao vestuário e a encarei, esperando que ela se tocasse e deixasse que eu tomasse um banho em paz. Parecia que nunca se cansava de tagarelar.

–... sabe? E é tão difícil lidar com isso...

– Se não se importa — falei, sendo mais grosso do que pretendia. — Vou tomar um banho agora. Obrigado por me acompanhar até aqui, Carol.

– Não há de quê... — ela disse e me encarou profundamente. — Daryl, você está assim por causa daquela garota.

Me espantei com o que ela havia dito. Será que estava tão na cara que eu estava cedendo à Melanie? Ou pior, será que estava na cara que eu estava gostando dela?

– Não sei o que quer dizer — disse coçando a cabeça.

– Desse jeito. Está cansado, mal tratado e grosso. Está assim porque ela o irrita.

Nesse momento eu realmente não estava entendendo nada, e nem sabia o que dizer para ela.

– Eu te avisei que essa garota só iria lhe fazer mal, querido.

– Escute, Carol...

– Não precisa dizer nada — ela disse colocando o dedo indicador sobre os meus lábios. — Sei do que você precisa... Sei do que você quer agora.

De repente, Carol quebrou a distância entre nós e selou minha boca num beijo perturbado. Fiquei estupefato no momento, mas assim que percebi o que estava acontecendo, coloquei minhas mãos firmes em seu ombro e a empurrei com dureza.

– O que pensa que está fazendo?

– Eu... eu não entendo...

– Eu é que não entendo — disse com raiva. — Não pode simplesmente sair por aí beijando seus amigos!

– Você me vê como uma... amiga? — ela perguntou, parecendo chocada.

– Claro que sim, Carol! — eu disse sem entender a que ponto ela queria chegar. — Você é quase como uma irmã! E não quero misturar as coisas.

Seus olhos começaram a transbordar e logo um choro silencioso se formava. A abracei, sem saber que esses eram meus verdadeiros sentimentos por ela. Tenho que admitir que, por alguns antigos momentos, eu também achei que a amava de outra forma. Mas vejo como eu estava enganado, e me sentia culpado por ter dado essa falsa esperança à Carol.

Ela rapidamente se desvencilhou do meu abraço, me empurrando para longe. Eu podia ver o ódio faiscando em seus olhos marejados. Seu rosto estava transtornado, num misto de dor e ira. Uma ira mortal.

– Como pôde fazer isto comigo Daryl? — ela gritava. — Tudo por uma vadiazinha que você encontrou morrendo por aí. Você acha que ela gosta de você? Ou melhor, acha mesmo que você gosta dela? Só está atraído por um monte de carne, Dixon! Aquela criança idiota realmente conseguiu te tirar de mim! Mas eu não vou deixar que ela escape assim de mim! Ela não sairá impune dessa!

– Está louca? — eu gritei, a interrompendo. Tanta era a raiva em meu coração por ter escutado essas coisas sobre a Melanie que não me contive. — Você não sabe o que está falando, Carol! Nós nunca daríamos certo! Você nunca me teve, e eu também nunca a tive! Houve uma época que eu achei sentir algo especial por você! Mas hoje sei que é o sentimento de um irmão!

– Não me venha com essa, Daryl! Só está louco para transar com uma garotinha virgem e com tudo no lugar! Fique sabendo que logo logo esse bando de carne pelo qual você está desejoso será jogando aos errantes!

– Cale a boca! — gritei mais alto, me segurando para não avançar nela. — Como ousa falar assim de mim? Como ousa insultar a Melanie desse jeito?

– Como eu ouso? — ela riu com desdém. — Ora, Dixon! Não consegue ouvir a verdade? Ainda mais sobre aquela puta? Acho que nem tudo está perdido. Talvez depois que você a comer e usá-la de todas as formas, você perceberá que a sua felicidade está ao meu lado e...

Me aproximei bruscamente, segurando-a pelo rosto e empurrando-a até a parede do outro lado do corredor. Ela soltou um gemido, protestando de dor pela minha brutalidade.

– E depois, Daryl — ela continuava a dizer num sussurro. — Depois disso tudo acontecer, eu ainda vou jogá-la aos errantes! — minha raiva explodia a cada palavra dita. — E vamos assistir à sua morte dolorosa e insignificante, juntos...

Coloquei meu braço em seu pescoço e apertei, até poder ver a agonia em seus olhos. É claro que eu não ia matá-la, por mais que ela tivesse dito tudo aquilo. Percebi o que estava fazendo e a larguei no chão.

– Vá embora — eu disse, com a cabeça encostada na outra parede de costas à ela, tentando controlar toda minha raiva. Podia sentir meus braços tremerem. — Vá embora e nunca mais fale assim da Melanie! Não ouse nem chegar perto dela. Ou eu mato você, irmã!

– Gosto de quando você fica agressivo assim! — ela disse com malícia na voz, se aproximando de mim.

– Saia daqui! — Berrei em plenos pulmões.

Ela se virou e voltou pelo mesmo caminho pelo qual viemos.

– Aquela vadia me paga! — ela disse, alto o suficiente para que eu escutasse.

Assim que foi embora, esmurrei a parede sem ligar para a dor. A raiva espairecia lentamente a cada murro, a cada impacto que eu sentia por toda a extensão de meus braços. Encostei a testa e tentei ignorar o desespero pela ameaça à Melanie.

Eu sentia um grande carinho pela Carol, que infelizmente estava abalado pela pessoa que ela se mostrou ser nesse momento. Mas se ela tocasse num fio de cabelo sequer de Melanie, pode apostar que seu destino não será muito diferente do que terá o maldito Governador.

Entrei no vestuário e não demorei muito para sentir a água caindo sobre o meu corpo. Aquilo era relaxante, apesar da temperatura estar muito baixa. Ouvi passos de longe se aproximarem lentamente. Uma toalha foi jogada no banco onde a minha também estava e o chuveiro ao lado foi ligado.

– Parece que está tendo problemas no paraíso, irmãozinho!

– Merle... — falei sem emoção. — Veio até aqui só para encher meu saco?

– Falando assim nem pareço ser seu irmão mais velho, que está sempre tão preocupado com seu irmão mais novo...

– O que quer? — perguntei virando-me para ele.

– Saber o que foi essa ceninha que acabou de acontecer — disse como se estivesse querendo saber as horas.

Fechou os olhos e deixou que a água caísse sobre seu rosto. Parecia realmente só querer saber o que houve. Não sei porque eu ainda acreditava que tudo podia melhorar entre nós dois, mas lembrei de tudo o que a nanica me falou na pequena casa amarela e decidi dar uma chance à Merle, minha família.

– Carol... — falei suspirando.

– Pelos berros eu descobri que era ela — ele disse rindo. — Quero saber o que deu na louca.

– Primeiro ela me beijou — falei encarando o olhar surpreso de Merle. — E depois que a afastei ela percebeu quer era por causa da Mel e...

– Nossa — ele disse me interrompendo. — Já estão assim tão íntimos? O que eu perdi em um dia? Hahaha — perguntou, dando uma gargalhada alta em seguida.

– Cale a boca — eu disse sem paciência para suas piadinhas.

– Continue!

– Bom, ela começou a falar sobre a Melanie e depois a ameaçou.

– E você partiu para cima dela — ele afirmou. — Eu assisti essa parte, escondido é claro.

– Ela ameaçou matá-la! — eu disse alto, virando-me bruscamente e desligando o chuveiro.

Merle imitou minha ação, vestindo a roupa sem nem mesmo se secar.

– Eu acho, irmãozinho, que você deveria ignorar o ciúmes de uma mulher. É por isso que eu sempre te falei para nunca ficar com uma mulher definitivamente. Isso só nos traz problemas.

Eu o encarei, sem acreditar no que ele estava falando. Não estava sugerindo que eu simplesmente me aproveitasse da Melanie, estava? Ele percebeu o que eu estava pensando e logo tratou de se explicar, levantando as mãos como um refém.

– Hey, hey! Eu sei que você não vai fazer isso, espere eu terminar minha conclusão sobre o assunto! — eu assenti, realmente disposto a escutar o que ele tinha para me falar. — Ignore o que a Carol sente, e simplesmente faça o que te faz bem. Ela é uma louca, só quer sexo com você irmãozinho. Ou você não tem bolas para conseguir perceber que ela está no cio?

– Está confusa — a defendi. Apesar de tudo ela ainda era minha 'irmã'.

– Não acredito que ainda a defende, não entendo o que se passa pela sua cabeça de cima... Bom — ele disse se retirando do vestuário. — Te vejo por aí amanhã irmãozinho. Boa noite muchacho!

Depois de ter saído, ainda fiquei um tempo sentado e pensando em Carol. Não queria que uma amizade acabasse por causa de um ciúmes idiota. Ainda mais quando não tenho tantas amizades assim.

Levantei do banco, estendendo a toalha no fio improvisado com a toalha de cada um e fui até o pátio. Rick estava fazendo a vigília da noite e eu esperava que pudesse conversar comigo. Tínhamos coisas sérias para resolver e eu não via momento mais apropriado para conversarmos sozinhos.

(POV Melanie)

Fui acordada no meio da noite com leves empurrões. Olhei para o lado e vi Maggie sorrindo gentilmente para mim, com um olhar de desculpas brilhando em seus olhos claros. Dei um sorriso torto, ainda desnorteada pelo sono.

– Está muito cansada para conversar? — ela perguntou num sussurro.

– Tudo bem — eu disse ao me sentar. — Aconteceu algo, precisa de ajuda?

– Na verdade... — ela disse sentando ao meu lado. — Eu vim até aqui lhe fazer a mesma pergunta. Eu vi como o clima ficou pesado quando Carol apareceu. Por mais que tenha chegado há tão pouco tempo, acho que já te conheço demais para saber que tem algo errado...

– Acho que eu encontrei uma amiga de verdade, finalmente — eu disse rindo baixo, sendo acompanhada por ela. — Já me conhece bem!

– Você também me conhece bastante — ela disse, e eu esperei que fosse verdade. — Agora, quer contar o que houve? — perguntou segurando minhas mãos, me incentivando.

– Eu não sei como te contar, ou como explicar que não quero que você fique contra ninguém, sabe? É só que eu acabei de chegar aqui e já...

– Quer parar com isso? — ela perguntou esboçando um lindo sorriso no rosto, um sorriso de compreensão. — Pode me contar tudo sem medo! Sou sua amiga, e gostaria que confiasse em mim.

Respirei fundo, sem parar de encarar seu rosto, e me preparei para contar tudo o que tinha acontecido.

– Carol... Você tinha razão sobre ela e o Daryl...

– Não estou entendendo...

– Ela realmente sente algo por ele. E bem forte! Ela me ameaçou na madrugada passada, um pouco antes do sol nascer — vi seus olhos arregalarem. — Ela me jogou conta a grade do pátio e disse que um acidente poderia acontecer...

– Ela não pode fazer isso! — ela disso um pouco alto demais, totalmente indignada.

– Shhh, fale baixo! — pedi sussurrando — Ninguém pode saber disso, entendeu?

– Como não? Não é algo que se ignore tão facilmente Mel!

– Por favor, não diga nada...

– O que o Daryl disse sobre isso? — me calei e desviei o meu olhar do seu. — Melanie?

– Ele não sabe do que aconteceu.

– Ele vai surtar quando...

– NÃO! — eu disse colocando minha mão sobre sua boca. — Prometa que não vai falar nada para ele. Para ninguém!

– Mas e se ela fizer... — perguntou, sua voz sendo abafada pela minha mão que, em seguida, pousei em meu colo.

– Ela não vai fazer nada. Prometa para mim.

– Mel...

– Prometa!

– Tudo bem, tudo bem — ela disse, rendida. — Eu prometo!

Depois de alguns minutos em silêncio, Maggie se pronunciou.

– O que vai fazer a respeito?

– Não quero pensar nisso agora Maggie...

– Tudo bem, me desculpe.

– Não, está tudo bem, sério! É só que...

– Só que o quê Melanie? — ela perguntou parecendo preocupada.

– Tenho coisa mais importantes para pensar. Tenho medo de estar fazendo a escolha errada e me arrepender mais tarde, quando ver que tudo não passara de um sonho que eu inventei em minha cabeça.

– Se está falando sobre o Daryl, acho que suas preocupações estão sendo em vão. Já disse que o Daryl é um cara muito bom. Tem lá o seu jeito grosso e solitário, mas nunca deixou de fazer o que era justo e sempre pensou no melhor para o grupo. Ele não mede esforços para proteger quem é importante para ele, e sempre se coloca atrás das outras pessoas. É um cara humilde, Mel. Nunca teve nada na vida, e está aprendendo a se relacionar com as outras pessoas agora.

"Ela não vai parar de falar?" Pensei.

– E confesso que nunca o vi tão bem e tão prestativo desde que você apareceu. Só você ainda não percebeu como ele está louco por você! — ela concluiu com um sorriso de orelha a orelha.

– Você falando assim me faz ter dúvida dos seus sentimentos pelo Glenn — eu disse rindo.

– Boboca! — ela disse jogando o lençol em mim e acompanhando minha risada.

– Você sabe se Daryl está... — perguntei com o semblante sério e preocupado.

– Com a Carol? — Maggie completou minha pergunta, negando com a cabeça em seguida, me dando um grande alívio no coração. — Eu o vi lá fora com Rick. Estão fazendo a vigília essa noite. E é melhor irmos dormir.

Ela se levantou da minha cama e me deu um beijo estalado na bochecha. Antes de sair chamei sua atenção com um pigarro.

– Obrigada Maggie — eu disse, um pouco tímida. — Obrigada por ter vindo até aqui conversar comigo, por guardar meu segredo e... — olhei em seus olhos e dei um sorriso. — E por ser minha amiga!

– Eu tenho que te agradecer mil vezes mais por isso Mel! Amigos são assim. Agora vá descansar e boa noite.

– Boa noite!

Maggie deus as costas e saiu, fechando a porta da cela e arrumando o lençol como estava antes. Sorri involuntariamente por tudo aquilo e deitei minha cabeça na mochila, que estava servindo de travesseiro para mim. Mal tive tempo para pensar no que estava acontecendo entre Daryl e Rick, apaguei no mesmo instante. Eu estava mesmo muito cansada.

Infelizmente, quando Maggie me acordou mais uma vez, parecia que eu não havia dormido nem um pouco e que uma manada de rinocerontes tinha passado em cima de mim na noite passada.

– Ah, vamos Maggie! — eu pedia enquanto ela me puxava para fora da cama. — Só mais um pouquinho não vai matar ninguém!

– Você vai me agradecer por estar fazendo isso! — ela disse séria.

Desisti e acabei seguindo-a pelos corredores até o pátio, onde um grupo de pessoas estava reunido em volta de um carro. Daryl estava lá, mas me contive ao olhar Carol do outro lado me fuzilando com o olhar. Ela parecia mais raivosa que o normal, e tive medo de provocá-la, então aguardei na porta que dava para as celas.

Ninguém sorria ou fazia piadinhas sobre buscas e até mesmo não brigavam por onde começar a procurar mantimentos, o que me deixou desconfiada e preocupada ao mesmo tempo. Maggie havia saído do meu lado e caminhado até Glenn, o que me deixou sem outra escolha a não ser esperar.

Depois de alguns minutos, o grupo se dispersou, cada um pegando suas coisas e entrando no carro. Até mesmo Hershel estava indo, me deixando completamente confusa. Daryl olhou para todos os lados até que meus olhos encontraram os seus e veio em minha direção.

– O que está acontecendo? — perguntei assim que ele se aproximou.

– Vamos nos encontrar com... — ele hesitou. — Vamos procurar mantimentos.

– Não minta para mim, por favor...

– Não quero que fique preocupada — ele disse segurando minhas mãos.

– Então me diga o que está acontecendo, Daryl.

Ele olhou para os lados e abaixou a cabeça em seguida. Estava claro que ele não queria contar, e eu não entendia o motivo. Antes que eu pudesse dizer algo ele levantou a cabeça e suspirou.

– Prometa que isso não a fará mal! — ele pediu com um olhar suplicante.

– Não posso prometer o que eu não tenho certeza — eu disse com doçura.

Ele suspirou mais uma vez, impaciente.

– Está bem... Vamos nos encontrar com o Governador — ele disse, gelando-me da cabeça aos pés. — Está vendo! Por isso não queria contar.

– Eu estou bem — menti.

– Não, não está. Mente muito mal e está apavorada — ele tinha razão.

– O que vão fazer lá? — perguntei engolindo em seco.

– Vamos apenas conversar — ele disse entredentes — Pelo menos Rick vai, eu não prometi me controlar.

– Daryl por favor, fique longe dele!

– Está defendendo aquele filho da puta? — ele perguntou alterando a voz e soltando minhas mãos. — Ele quase te...

– Não estou defendendo ele! — falei mais alto antes que ele completasse o que ia dizer. Daryl parou e me encarou. — Só não quero que ele faça mal a você também.

Falei e me virei, pronta para entrar e afundar em minha cela. Daryl me segurou e me abraçou. Eu não esperava aquela atitude e me deixei ser abraçada por ele.

– Me desculpe, não queria ter dito aquilo — ele pediu.

O envolvi com meus braços, retribuindo o abraço finalmente.

– Tudo bem, esqueça isso — me afastei sem deixar de abraçá-lo e o encarei. — Prometa que vai voltar!

– Não posso prometer o que eu não tenho certeza — ele disse repetindo minhas palavras.

– Prometa que vai voltar pra mim. — insisti. — Por favor!

Ele se inclinou e pude sentir seus lábios em minha orelha.

– Prometo que se eu voltar vivo te digo algo muito importante! — ele sussurrou com a voz rouca.

O apertei naquele abraço, desejando que ele não fosse para aquele encontro. Daryl se afastou lentamente, olhando fixo para mim. Seus olhos estavam presos nos meus, mas logo desceram até minha boca.

Antes que ele pudesse fazer algo, olhei para baixo e sorri da minha covardia.

– Quando você voltar — eu disse enfatizando o "quando". — Prometo te contar algo importante também!

– Tudo bem — ele disse rindo, satisfeito.

Senti seus lábios em minha testa e uma de suas mãos em meu cabelo. Engoli meu medo e segurei forte em seu braço, fechando os olhos e aproveitando aquele momento como se fosse o último. E parece que ele fazia o mesmo.

– Até mais tarde, nanica — ele disse bagunçando meu cabelo.

– Até, pau de cutucar estrela — eu disse e ele riu divertido.

O segui com o olhar até ele chegar em sua moto. Virou para trás e me deu um aceno com a cabeça, esboçando um sorriso torto que aqueceu meu coração e me encheu de esperança.

(POV Daryl)

Para a minha surpresa eu já havia estado naquele lugar. Alguns errantes jogados no chão, perto de uma barra de ferro me lembraram daquilo e de como Melanie nos salvara. Mas eu não podia me distrair pensando nela. Tinha que me focar no que estava acontecendo naquele instante caso quisesse voltar a vê-la.

Rick e eu íamos reconhecendo o lugar com armas na mão e o silêncio reinando no local. Hershel ficara no carro com armas pesadas para se defender. Não sabíamos do que aquele desgraçado era capaz de fazer, mas quando se trata do Governador, é melhor estarmos de orelhas em pé.

Rick entrou no local combinado: um pequeno galpão, enquanto eu fiquei do lado de fora dando cobertura à ele. Eu só esperava não chegar a ver o Governador, caso o contrário ele não sairia de lá com os dois olhos.

– Nós temos muito o que conversar — pude ouvir a voz do filho da puta de longe e apertei minhas mãos em volta da besta, me segurando para não ir até lá e cravar uma flecha em seu crânio.

Enquanto os dois conversavam, procurei alguma brecha pela qual poderia enxergar o que estava acontecendo e, quem sabe, ter a oportunidade de acabar com aquele idiota. Pensei que a sorte estava ao meu lado quando achei uma janela com o vidro quebrado.

Rick apontava a arma para o Governador e eu implorei mentalmente para que não o matasse. Esse vagabundo era meu, e desejaria nunca ter se metido com Daryl Dixon. Depois de um tempo com a arma apontada em sua cabeça, o Governador deu a ideia de se livrarem das armas e assim o fizeram.

Cansei daquela babaquice toda e fui até Hershel, me controlando para não entrar ali e acabar com a raça daquele bastardo. Pouco tempo depois uma van chegou e Andrea com alguns dos cachorrinhos do Governador desceram do carro, com caras amigáveis. Minha besta estava pronta para ser disparada na cabeça de alguém.

Ela entrou no galpão e começaram a conversar. Horas se passaram e nada acontecia. Havia uma certa tensão no ar, que foi quebrada quando Hershel decidiu se pronunciar.

– Talvez eu deva entrar.

– O Governador prefere falar a sós com o Rick — o engomadinho falou.

– Quem diabos é você? — perguntei.

– Milton Mamet — ele respondeu sem tirar sua atenção do que estava escrevendo.

– Ótimo — eu disse. — Ele trouxe o mordomo.

– Sou o conselheiro dele.

– Que tipo de conselhos? — perguntei.

– Planejamentos, mordedores... Quer saber, não preciso me explicar para os capangas.

– Olhe a boca, raio de sol — eu falei ameaçadoramente.

– Olhe, se ficaremos o dia todo apontando armas... — o outro cara moreno falou — Faça-me um favor. Cale a boca.

Após um tempo Andrea saiu da sala com uma cara cansada e preocupada. E o cara moreno fechou a porta do galpão. Mais horas se passaram e nada dos dois saírem de lá. Atacamos um bando de mordedores e achei um maço de cigarros, que fumei junto com o cara moreno que eu não sabia o nome, enquanto conversávamos.

A tarde já estava no final quando finalmente abriram o portão e saíram de lá. Minha raiva ficou incontrolável quando o vi passando por todos e sorrindo. Seus olhos estavam pousados em mim e quando passou ao meu lado, apenas eu pude escutar o que disse.

– Quando chegar a hora, farei tudo que não fiz com a ruivinha naquela sala. E você vai assistir tudo. Depois eu enfiarei a mão em seu coração diante de seus olhos e o esmagarei. Ela virará uma daquelas coisas e te devorará vivo. E eu estarei rindo, apreciando a sensação de ter estado dentro dela...

Acertei um soco em seu olho coberto pelo tapa-olho, escutando o grito fino de Andrea. Enquanto ele cambaleava para trás avancei em seu pescoço, apertando ambas as mãos. Senti sua mão em punho vindo com toda força e acertando meu estômago. Imediatamente o soltei, tentando recuperar o ar.

Olhei em volta e todos estavam parados, sem saber o que fazer. O Governador se aproximou, dando um chute no meu ponto sensível e depois pegando minha cabeça com as mãos e a levando em direção ao seu joelho.

Eu não conseguia mais distinguir onde doía. Meu ódio era tão grande que eu nem tentava mais guardá-lo dento de mim. Levantei-me ignorando todas as dores e cambaleando até ele. Puxei minha faca rapidamente e joguei-a contra o bastardo filho da puta. Ele conseguiu desviar, mas não a tempo. A faca passou em seu braço abrindo uma grande ferida e sujando toda sua blusa de sangue.

Aquele brilho vermelho só aumentou ainda mais a minha fúria. Quando peguei minha besta, os capangas dele começaram a atirar, e logo Rick e Hershel também atiravam, se escondendo atrás de barris de ferro. Eu estava cego, e só conseguia enxergar o Governador se arrastando para longe do fogo cruzado.

Senti uma mão me puxar pelo colete. Estava pronto para meter uma flecha na cabeça da pessoa quando notei que era Rick falando alguma coisa que eu não conseguia entender devido ao alto som das balas sendo disparadas.

– Deixe a vingança para depois — finalmente consegui entender. — Temos que sair daqui. Agora!

Concordei com a cabeça e saímos correndo. Era incrível como tínhamos uma sincronização adequada para o momento. Quando estávamos chegando no carro e prontos para irmos embora senti algo quente molhando minha camisa e depois uma dor intensa.

Olhei para Rick que estava na minha frente. Ele estava com os olho arregalados e fixos em mim. Tudo acontecia em milésimos de segundos, mas para mim parecia minutos. Olhei para meu peito. "Filho da puta". Pensei ao ver meu peito manchado de sangue e olhar para trás. O Governador estava com a arma apontada para mim, e um sorriso se espalhava pelo seu rosto.

Minhas pernas não aguentaram meu peso e me deixei cair. Todos pararam de atirar, mas o Governador ainda disparava a arma para cima, gritando de felicidade. Senti as mãos de Rick sobre mim e ouvi a voz de Hershel.

Mas minha mente se desligou de tudo aquilo. Minha vista escureceu e a última coisa que eu vi foi o sorriso da Melanie.

(POV Melanie)

Eu estava com Maggie e Beth na minha cela, depois de ter feito a vigília com a mais nova. Maggie contava como ela e Glenn estavam se dando bem agora, depois que tudo o que se passou naquela sala com o Governador foi posto em pratos limpos entre eles. Judith estava dormindo tranquilamente e Carl estava prestando atenção nela.

De repente ouvimos exclamações e gritos desesperados. Maggie saiu correndo da cela e mandou que ficássemos ali. Beth e eu nos olhamos sem entender. Um tumulto se formava lá embaixo e não consegui ficar parada. Saí da cela e desci as escadas, sendo acompanhada por Beth.

Assim que nos viu, Maggie saiu do meio das pessoas com as mãos vermelhas de sangue. Olhei em volta e vi Rick falando com Carl e Hershel no meio da confusão. Mas onde estava Daryl?

Maggie veio até mim com os olhos cheios de lágrimas, pedindo para que eu esperasse lá em cima até que tudo estivesse mais calmo e dizendo para Beth cuidar de mim. Como na velocidade de um raio entendi tudo o que estava acontecendo, mas não queria acreditar.

Empurrei Maggie e Beth para o lado e corri até Hershel. Estavam colocando Daryl em sua cama. Ele estava todo ensanguentado e seu rosto estava pálido como a neve. Senti minhas pernas tremerem e meu coração se desesperar, mas eu deveria ser forte para ele.

– O que aconteceu? — perguntei num tom alto, que saiu mais desesperado do que eu havia previsto.

– Ele levou um tiro no peito — respondeu Rick, que agora tentava estancar o sangramento.

– Ele vai ficar bem? — perguntei tentando impedir que lágrimas se formassem em meus olhos.

– Por sorte não foi do lado esquerdo — respondeu Hershel.

– Sabe mais ou menos a profundidade da bala? — perguntei entrando na cela e tentando permanecer calma.

– Por sorte a arma era de pequeno porte e a distância nos favoreceu — Hershel disse, me dando espaço ao seu lado. — Com uma faca conseguimos tirá-la daí. Vou providenciar os materiais necessários.

Assim que Hershel e os outros saíram eu perdi o controle e me deitei sobre o corpo inerte de Daryl, sem parar de pressionar o local onde a bala se alojara. Deixei minhas lágrimas caírem livremente. Aproximei minha boca de sua orelha, assim como ele tinha feito comigo mais cedo.

– Você prometeu que me contaria algo importante se chegasse... — eu disse sussurrando e sentindo minhas lágrimas molharem meu rosto. — Você chegou. Fique comigo e cumpra a sua promessa para que eu também cumpra a minha. Não me abandone, eu... Eu preciso de você!

Notas finais
Me digam o que acharam nos comentários. E se acharam algum erro de concordância ou ortográfico, por favor me avisem hauhsau Desculpem por tudo gente! De coração. E muito obrigada por todo o apoio que recebo de vocês! Beijos e até o próximo capítulo! =******