A Little Piece of Hell
2 Pequena Durona.
Notas iniciais
(POV Daryl)
Eu não posso deixar a pequena durona na mão. A urgência aumenta a cada segundo que passa, e a minha pressa fica cada vez maior. Tenho que levar logo essa fórmula para ela, o mais rápido possível. Eu e Maggie já estamos na moto quando ouço um baque alto atrás de nós. Do lado da construção onde pegamos os suprimentos para o bebê, vejo um prédio, e foi da lateral dele de onde veio o som. Pego minha besta e me preparo para matar mais daquelas coisas.
— Fique aí — falo firme para Maggie.
Vou cauteloso em direção ao barulho, pronto para enfiar uma flecha no primeiro errante filho da puta que se metesse no meu caminho. Mas não vejo nenhum morto-vivo como eu esperava.
Uma garota está caída no chão e por pouco não a confundo com algum andante. Aproximo-me com cuidado, olhando em volta para saber se ela está com algum grupo ou não. Procuro por mordidas ou arranhões, mas ela está cheia de sangue e ferimentos, o que dificulta a minha busca. Quando finalmente consigo ver que não há nenhuma mordida, checo o pulso da garota para ver se está morta.
— Ainda está viva! — sussurro olhando o estado da garota — Por pouco tempo.
Fico tentando imaginar como ela sobreviveu até agora, seu estado é deplorável. Uma armadilha para ursos está firmemente presa em seu tornozelo direito, parece mal nutrida e seu corpo maltratado, com machucados por todos os lados. Seus cabelos ruivos estão com certeza molhados de sangue, muito provavelmente dela mesma, não tinha como não notar como estava pálida.
— Hey, está me ouvindo? – pergunto sacudindo levemente a garota — Se não der nenhum sinal de vida, vou te largar aqui no meio da cidade para servir de comida para eles!
Ela não diz nada, mas o seu peito continua a se mexer por causa da respiração, ainda está viva. Penso seriamente em deixá-la ali, afinal eu não sei quem ela era ou se é perigosa e se está com alguém que possa representar uma ameaça ao grupo. Eu já tenho problemas demais na prisão com um bando de idiotas aparecendo e ferrando com tudo lá dentro, e a experiência com os prisioneiros há poucas horas atrás me fizeram querer largá-la no meio da rua. Mas algo na minha cabeça não me deixa parar de pensar que isso não está certo. Que eu preciso daquela garota.
Sacudo a cabeça para dispersar meus pensamentos. Mas que idiotice a minha, desde quando Daryl Dixon precisa de alguém? Não precisei de ninguém quando minha mãe colocou fogo na casa e matando a si mesma. Também não precisei de ninguém quando Merle foi embora e meu pai me espancava sempre que tinha vontade. Aprendi a caçar com ele e eu mesmo me alimentava. Não precisei de ninguém quando esse inferno começou e não vai ser agora que você começar a precisar.
E mesmo assim não consigo simplesmente deixar essa garota aqui, indefesa e talvez até morrendo.
— Não seria humano se eu te deixasse aqui, seria? – pergunto retoricamente, olhando o rosto calmo da garota.
Olho para os lados tentando pensar no que Merle faria se estivesse comigo aqui agora. Mas ele não está mais comigo. Foi ido embora mais uma vez, e escolheu esse caminho antes mesmo de subir naquele prédio. E, além disso, Merle nunca viria comigo pegar a fórmula para a pequena durona... Não sou mais a sombra do meu irmão.
Finalmente chego a conclusão de que não a deixarei no chão para que os andantes acabem devorando a menina antes mesmo de conseguir acordar. Pego a garota no colo com cuidado e a carrego até Maggie, pedindo para que ela espere um pouco. Mas sinto seu corpo vir correndo atrás de mim. Será que eu não posso fazer nada nesse maldito mundo sem ser seguido por um curioso?
Não posso culpá-la, o mundo está perdido.
— Quem é ela?
— Não sei — digo enquanto coloco a garota no tapete da creche, ou sei lá o que é esse lugar — Ela vai ficar aqui dentro onde é mais seguro e, talvez, depois que te deixar na prisão eu volto para buscar a garota.
Viro as costas e saio sem esperar uma resposta de Maggie. Faço uma barricada com uns berços que acho logo ali perto da porta e com sacos de areia que havia no lado de fora. Fecho as janelas e as cubro com as cortinas rasgadas. Depois de ter certeza de que, a menos que fizesse barulho, ela não chamaria atenção, me viro e deixei o lugar para trás, tentando ser mais rápido. Subo na moto e espero Maggie, que ainda encara a porta. Será que ela não pode otimizar o tempo que temos?
— Daryl, não podemos deixar essa garota assim! Temos que dar um jeito de levar ela conosco agora! — ela diz com ar de superior, vindo na minha direção e erguendo o queixo como se eu fosse seu pai.
— E se ela for perigosa hein? – falo já irritado e descendo da moto. Odeio quando alguém quer se mostrar superior a mim. — Já passou pela sua cabeça que ela pode não ser uma boa pessoa? – sei que estou sendo grosso com ela, mas quero que ela entenda logo. A pequenininha depende de mim e precisamos ser rápidos. — Vai querer ela deitada no mesmo lugar que seu pai? Que a sua irmã? — penso mais uma vez na bebê que deixamos com Hershel. Eu definitivamente não vou deixar que nada aconteça à ela. — No mesmo lugar que a pequena durona? – pergunto indignado voltando a subir na moto — Vamos, os outros estão nos esperando na prisão. Temos que levar a fórmula logo!
Maggie olha para trás pela última vez e enfim sobe na moto. Sem nem hesitar acelero e vamos direto para a prisão. Me sinto satisfeito por ter conseguido achar a fórmula para a pequena, mas porque eu sinto como se estivesse faltando alguma coisa? Olho para trás, para a cidade que já estava longe e quase imperceptível e me pego pensando na garota que deixei trancada. Balanço a cabeça e me concentro na estrada, com cuidado para não bater em algum carro abandonado, ou até mesmo em algum walker.
Quando finalmente chegamos perto da prisão, Glenn nos vê e manda os outros distraírem os errantes para abrir os portões. Assim que os abrem, corro até o Carl, que está com a recém-nascida. Pergunto como ela está e a pego em meus braços, esperando Beth terminar de preparar a mamadeira, pegando de sua mão e encaixando na boca daquele anjinho.
Não condigo descrever a sensação que sinto no momento, alimentando aquela coisinha, que logo parou de chorar. Olho para todos em volto e sorrio como uma criança boba ganhando um presente de natal.
Como um pai bobo alimentando pela primeira vez a sua filha.
É definitivamente a melhor coisa que eu já tinha sentido! O meu medo de perdê-la e a minha vontade de protegê-la a todo custo tomou conta de todo o meu ser. Ela é a minha esperança. A esperança do grupo.
— Ela já tem um nome? — pergunto ao Carl.
— Ainda não — ele diz me encarando, e depois passando o olhar por todos na sala. — Mas eu estava pensando em Sofia, mas também podia ser Carol. E... Andrea, Amy... Jacqui, Patricia... – qualquer um pode ver a dor nos olhos do Carl. Dor que nenhuma criança deveria conhecer — Ou... Lori. Não sei.
Não consigo ficar olhando para o garoto, então desvio meu olhar para a bebê que eu acalento nos braços, devorando todo o conteúdo que tem na mamadeira.
— Gostou disso? Pequenininha durona – digo pela primeira vez o apelido da pequena em voz alta e decido aliviar a tensão ali na sala com uma gracinha. — Não é mesmo? — pergunto olhando para todos — É um bom nome, certo? — Todos riem e concordaram — Pequena durona. Gostou docinho?
Eu falo com ela e excluo o mundo ao meu redor. Não tenho palavras para tudo isso, mas eu não quero que acabe!
— Pode deixar comigo agora Daryl — Beth se aproxima e eu entrego a pequena para ela.
— Daryl... – me viro para trás e vejo Maggie se aproximando. — Você não vai atrás da garota?
— Que garota? — pergunta Hershel olhando diretamente para mim.
Percebo que não quero voltar naquele assunto, não quero nenhuma ameaça dentro da prisão, ainda mais agora com a pequena durona aqui conosco. Eu me divido entre a vontade de buscar a desconhecida ou deixa-la bem longe para o caso de ser uma ameaça. Me sinto estranhamente vazio, e só volto ao presente quando Maggie volta a falar.
— Uma garota que encontramos na cidade pai! — ela diz indo para mais perto de Hershel — Ela estava quase morrendo, e Daryl disse que iria buscá-la depois que entregasse as coisas para a filha do Rick.
— Eu não vou colocar uma pessoa que pode ser perigosa aqui dentro com vocês! — digo enquanto me dirijo para o lado de fora. — Já basta esse tanto de gente que tenho que ficar de olho, não vou ficar dando uma de babá dessas pessoas. – falo antes de sair definitivamente da sala.
Enquanto me dirijo até onde a minha moto estava, escuto Hershel dizendo que iria falar comigo. Boa sorte, não vai me fazer mudar de ideia, vou proteger todos aqui já que Rick enlouqueceu. Me ajoelho para ver a moto, já sentido a proximidade do velho, quando o mesmo me alcançou. Ele até que está bem rápido para um perneta.
— Filho, ninguém quer alguém que nos ameace — Hershel começa a falar, dando mais um de seus famosos discursos. — Mas ela pode ser uma pessoa justa, pode nos ajudar. Como saberemos se não a dermos uma chance? Temos carros, você tem uma moto... Pode ir buscá-la e voltar antes que qualquer um daqui perceba, e sem chamar atenção — encaro o velhote e deixo que continue a falar. — Não é humano deixá-la sozinha, não se o estado dela for mesmo como a Maggie descreveu.
— Eu pensei o mesmo – me pronuncio depois de um tempo — Mas não é humano trazer sobreviventes estranhos para dentro quando temos um bebê para cuidar.
— Daryl...
— Tudo bem Hershel – digo me dando por vencido, mas também porque quero buscar a garota. Algo está me atraindo até lá como um imã. — Eu vou, mas ela será sua responsabilidade, não minha!
Levanto vendo um sorriso vitorioso na cara dele.
— Mas não posso ir com a moto, vou precisar de um carro. Diga aos outros que estarei de volta daqui a algumas horas.
— Vá com cuidado filho.
Balanço a cabeça concordando e vou atrás de um carro com gasolina suficiente para a viagem, nem mais e nem menos do que o necessário. Passo um bom tempo do percurso pensando no porquê de voltar até lá e salvar a garota. Se Merle me visse agora, com certeza ele diria que eu virei um frouxo. Mas algo que eu não sei explicar, que eu não entendo me fez ficar inquieto.
E como num passe de mágica deixei que isso falasse mais alto do que a minha preocupação com o grupo, como se um voto de confiança mudo tivesse partido de mim sem permissão. Fico inquieto o resto do caminho, até finalmente chegar na cidade. Eu preciso salvar essa garota.
A cidade está completamente escura quando chego na construção em que a deixei. Paro o carro numa distância boa para não chamar atenção de errantes e entro pela janela da sala onde a deixei, do mesmo modo que fiz quando cheguei com Maggie atrás da fórmula. Assim que estou do lado de dentro, fico parado olhando pela janela a espera de alguma daquelas coisas. Depois de um tempo pude ter certeza de que está tudo limpo por enquanto e me viro para pegar a garota.
Ela não está mais ali.
No tapete há um rastro de sangue.
— Não! — sussurro apontando a minha besta para frente e seguindo o rastro ainda fresco. — Não, você não pode ter morrido!
Por um segundo o desespero toma conta de mim e do meu corpo, e eu não me importo em fazer silêncio ou não. Corro até uma porta e sem pensar duas vezes abro de uma vez. Ela está lá, sentada num canto e com a cabeça encostada na parede, mas desacordada. Ando até ela e me agacho, colocando a besta do lado e de um jeito fácil e rápido de pegar.
— Hey, hey – digo segurando seu rosto com minhas duas mãos. — Pode me ouvir, está acordada?
Em resposta escuto um gemido e uma respiração rápida. Ela mexe a cabeça de um lado para o outro murmurando coisas que eu não consigo entender. Olho para os lados, mais uma vez procurando por algum sinal de que está acompanhada.
Nada. Então ela está sozinha, ou então não voltaram para buscá-la.
Mesmo tendo se arrastado até aqui, vejo que ela ainda está com a armadilha presa no tornozelo. Aquilo provavelmente faria algum barulho até chegar ao carro, e eu não posso arriscar que errantes nos notem naquelas condições. Resolvo tirar o equipamento aqui mesmo, e eu torço internamente para que ela não acorde ou pior... Grite.
— Me desculpe, mas eu tenho que fazer isso.
Começo a desarmar aquela coisa. Sempre fui habituado com esse tipo de armadilha, mas me sinto surpreso e preocupado ao ver que ela está quebrada. Meu coração gela e minhas mãos começam a suar frio só em pensar que terei de puxá-la a força.
Respiro fundo e puxo um dos lados enquanto empurro o outro ao mesmo tempo com o pé, até sentir a carne desprendendo das pontas afiadas. E então ela começa a gritar.
— Shhh, shhhh — eu tento acalmá-la sem jeito, enquanto ela continua a gritar e se debater. — Cala a boca garota! Você vai nos matar!
O seu corpo treme e então acabo com isso, puxando o equipamento de uma vez. Jogo a armadilha para o outro lado do quarto e pulo em cima da garota colocando a minha mão em sua boca e olhando em volta, atento a qualquer coisa. Assim que ela para de gritar eu volto a olhar para a menina embaixo de mim e só então percebo como quente. Ela tem que ser levada até Hershel.
A coloco em meus ombros e pego minha besta um pouco desajeitado, preocupado em derrubar a garota. Saio com o máximo de cuidado corro sem dificuldade até o carro. Com rapidez deito a desconhecida no banco de trás e fecho a porta com um pouco mais de força do que eu deveria, vendo pelo vidro a menina ficar inquieta. Entro logo pela porta do motorista e dirijo na velocidade máxima que o carro suporta.
Meus pensamentos estão num misto tão grande que eu não consigo distinguir como eu me sinto sobre tudo isso. Eu a encaro pelo o retrovisor a cada minuto para ver se estava tudo bem com ela. O cabelo acaba manchando um pouco o estofado do carro, com certeza ela deve ter batido a cabeça com muita força. Seus cabelos estavam duros por causa do sangue que já havia secado e seu corpo exibe hematomas espalhados em todos os lugares, isso sem falar em seus ferimentos.
E sem que eu perceba, o meu foco muda e passo a prestar atenção nos detalhes de seu rosto. É um rosto delicado e com sardas e sua pele era branquíssima, o que me preocupa já eu não sei se é o seu tom de pele normal ou se está desse jeito por perda de sangue. Ela não tem cara de sobrevivente. Seja lá quem estava cuidando dela, não fez um bom trabalho. De repente sinto uma fúria ferver em meu sangue, a vontade de matar quem quer que a tenha deixado desse jeito me sufocando.
Mal percebo que estou perto da prisão quando avisto os portões já abertos para mim. Nem mesmo desligo o carro e a pego no colo, levando-a direto ao Hershel, encontrando Maggie e Beth com a pequena durona no meio do caminho até as celas.
— Oh meu Deus, Daryl... — exclamou Maggie — Você voltou mesmo! Pai! — ela gritava.
— O que houve com ela? — perguntou Beth chocada.
— Eu não sei — respondi tentando passar pelas duas – Saiam logo da frente!
Grito rudemente com elas, já com a paciência zero. Ando rapidamente com a garota nos braços até a cela do Hershel.
— Coloque-a aqui — Hershel manda num tom calmo. — Ela estava consciente quando a encontrou?
— Não – respondo deitando-a na cama — Nas duas vezes ela estava desacordada. Mas ela resmungou durante a viagem inteira.
— Muito bem — ele disse olhando os machucados da garota. — Sabe me dizer a origem dos ferimentos?
— Hum, o tornozelo direito – digo apontando com a minha besta para ela — Armadilha de urso. Eu tirei pouco antes de voltar, ia fazer muito barulho para passarmos por tantos deles — olho mais uma vez para ela e aponto para a cabeça — Acho que ela bateu a cabeça com força.
Hershel balança a cabeça concordando comigo e continua a examiná-la. Dou uma última olhada na garota e caminho lentamente até o lado de fora da cela, acho melhor esperar aqui até saber se estava tudo bem com a garota. Depois de algum tempo os ferimentos já estão limpos e cobertos por bandagens, e assim que termina, Hershel vem falar comigo sobre o estado da desconhecida.
— Ela está desidratada e mal nutrida, sem nem falar nos ferimentos e na perda de sangue. Nada com o que se preocupar – ele diz erguendo as mãos, tentando me deixar tranquilo. – Mas todas as condições dela somadas me deixam um pouco alerta. A febre já está passando, mas amanhã tenho de ir buscar uma erva lá fora para fazer um chá que é um ótimo antitérmico. O que temos de fazer agora é esperar que acorde e alimentá-la bem quando isso acontecer. Ela vai ficar bem.
— Obrigado Hershel – agradeço automaticamente, entrando na cela e sentando no chão.
Hershel ainda está parado em pé do lado de fora da cela e se vira para mim com delicadeza.
— Você queria buscá-la não é mesmo, Daryl? — ele pergunta, mas sem tom de acusação — Sabe, não há problema em se preocupar com os outros, filho. Não precisa tentar parecer insensível quando não é.
— Ela pode ser um perigo para a pequena durona — digo sem desviar meu olhar da garota.
— Olhe para ela Daryl, você acha mesmo que ela pode ser perigosa? Até eu estou impressionado com o fato dela ter conseguido sobreviver até agora – Hershel chega mais perto. — Já disse que não tem problema em se preocupar com os outros. Ainda mais com uma menina tão bonita quanto ela.
Olho para ele e vejo um sorriso meio malicioso em seu rosto.
— Não sei do que está falando – respondo enquanto abro minha mochila e pego uma lata de sopa que levei para a garota, caso ela estivesse acordada. — A pequena durona precisa de você. Não deixe nada acontecer com ela. Eu fico de olho nessa aqui.
Pego minha besta e fico apontando na direção da garota até Hershel sumir da minha frente. Quando não consigo mais ouvir os seus passos pelo corredor, chego mais perto da cama e tiro os fios de cabelo que estão no rosto da garota. Passo a mão pela sua testa, suas bochechas, seu queixo... E por fim passo meus dedos em sua boca.
E como se algo houvesse me queimado, volto a me encostar na parede ainda sem parar de encará-la. O que diabos eu estava pensando? Esse definitivamente não sou eu. Decido ignorar todos os meus impulsos e fico parado, apenas aguardando a garota acordar.
Talvez ela também seja uma pequena durona.
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