Notas iniciais
Eu nem sei como agradecer à cada um de vocês pelo carinho e pelo apoio que vocês estão me dando por meio de comentários, acompanhamentos e tudo mais. Quero agradecer muito! E um obrigado muio especial à Cassie, B8Z e à Dixon Girl por terem favoritado a fanfic e pelos seus comentários que sempre me motivam a escrever mais! Muito obrigada à todas vocês, minhas bambinas! Amo muito vocês e Boa Leitura!!

(POV Daryl)

Oscar, Carl e eu fomos limpar os níveis superiores. Havia muitos errantes, mas nada com que não déssemos conta. Continuamos andando e encontramos uma porta de ferro barrada com o corpo de um walker, provavelmente uma solitária. Parecia que havia mais um ali dentro. Oscar leu minha mente e comentou sobre a mesma.

– Olhe só, cara! — Ele disse apontando a lanterna para a porta. — Acho que não vimos ontem à noite.

– Provavelmente há só um ou dois deles. — Eu comentei, pensando que a força de um ou dois não seria suficiente para abrir a porta, e com certeza ela não ia segurá-los se houvesse mais deles ali dentro. — Não parece que resistiram muito. — Falei enquanto empurrava levemente a porta. Olhei para Carl e logo fiquei preocupado. — Eles não vão a lugar nenhum. Nós os pegaremos na volta.

Fui até onde ele estava, olhando fixamente para o chão. Assobiei para chamar sua atenção, e ele olhou para mim.

– Vamos. — Eu queria poder fazer algo para ele melhorar. Sei que perder uma mãe é muito difícil, eu mesmo já tinha passado por isso e sabia como era. — Sabe, minha mãe... Ela gostava de vinho. — comecei a contar a minha história, ou parte dela. — E de fumar na cama. Virginia Slims... — Eu disse lembrando da marca que ela adorava enquanto eu continuava a busca por errantes. — Estava brincando com as crianças da vizinhança. Eu podia, quando Merle não estava. Eles tinham bicicletas, eu não. Ouvimos sirenes se aproximando. Eles pularam nas bicicletas e foram atrás, esperando ver algo que valesse a pena.

Eu podia lembrar de tudo claramente, como se tivesse acontecido há pouquíssimo tempo. Mas eu estava me obrigando a não sentir nada. Eu havia feito uma promessa, um acordo comigo mesmo. Mais um. Não deixaria as emoções me atrapalharem. E eu as tranquei tão fundo, que ninguém seria capaz de trazê-las de volta. Nem mesmo eu.

Queria que Carl se sentisse melhor, mas eu ainda tinha de me manter atento à qualquer movimento e barulho. Continuei contando a minha história.

– Eu corri atrás deles, mas não consegui acompanhá-los. Eu virei a esquina e... Vi meus amigos olhando para mim. Vi todo mundo olhando para mim. Caminhões de bombeiro por toda parte. Pessoas da vizinhança... Eles estavam lá pela minha casa. Era minha mãe na cama, queimada até virar cinzas. Essa foi a parte difícil, sabe? Ela tinha sumido. Foi apagada. Não sobrou nada dela.

Ele não falava nada, apenas continuava caminhando ao meu lado, olhando para o chão. Eu não sabia se estava ajudando em algo, mas eu tinha que tentar.

– As pessoas disseram que tinha sido melhor desse jeito — Eu ri com desdém. — Não sei. Para mim não parecia real, sabe?

– Eu atirei na minha mãe. — Ele disse olhando para mim. O encarei sem saber o que dizer. — Ela tinha morrido. Não havia se transformado ainda. Eu acabei com isso, coloquei o ponto final... Foi real. — Carl me encarou. Não consegui sustentar o olhar e olhei para baixo. — Sinto pela sua mãe! — Falou encarando o chão.

Olhei para o garoto novamente e o encarei esperando que olhasse para mim, e assim o fez.

– E eu pela sua! — Eu respondi com sinceridade. Coloquei a mão em seu ombro como sinal de apoio e comecei a andar. — Vamos.

Estávamos passando pelas celas, procurando por errantes e por alguma coisa que pudéssemos usar para a sobrevivência do grupo, ou até como conforto ou interesse pessoal, como no caso de Oscar. Ele entrou numa das celas abertas sem nenhuma cerimônia.

– É disso que estou falando!

Eu e Carl nos viramos e fomos até o seu encontro.

– Isso, amigão! — Ele disse enquanto se abaixava e pegava um par de chinelos.

Entrei na cela com certa diversão, mas não quis deixar transparecer.

– Por que precisa de chinelos? — perguntei.

– Você sabe, para relaxar no fim do dia.

Ouvimos grunhidos familiares e nos viramos. Ao mesmo tempo Carl e Oscar atiraram e eu disparei uma flecha. Olhei para Carl, balancei a cabeça em sinal de aprovação e soltei um pesado suspiro de alívio.

– Certo. — Eu disse enquanto saía da cela para checar o errante.

– Deve ter vindo da última cela. — Comentou Oscar. — Checamos todas as outras.

Me abaixei, curioso e atraído por um objeto fincado no pescoço do walker. Puxei a faca e sangue espirrou do corpo apodrecido.

– É a faca da Carol. — Eu disse intrigado.

Limpei a faca na roupa do errante enquanto a encarava, me perguntando o que teria acontecido com Carol. Eu deveria tê-la protegido! Mas agora ela estava morta. E eu ainda não havia encontrado seu corpo.

Depois de termos verificado todo o nível superior, Carl e Oscar decidiram se juntar aos outros. Eu estava parado, olhando para o chão, sem dar uma palavra desde que encontrei a faca da Carol. Eu estava me sentindo o cara mais inútil que poderia existir. Uma vida estava em minhas mãos e eu simplesmente a deixei ir embora, sem nem mesmo ajudá-la.

– Você não vem Daryl? — Carl perguntou parando de andar e olhando para trás.

– Podem ir, eu vou voltar para matar aquele errante que encontramos preso.

– Não precisa de ajuda?

– Não, eu consigo sozinho. Podem ir, daqui a pouco estarei com vocês.

Eles assentiram e desceram. Voltei até a porta que estava mantendo os walkers presos, mas não a abri. Me sentei e comecei a fincar a faca no chão. Eu precisava descontar a raiva e frustração de mim mesmo em algo. Ainda não conseguia me perdoar pela Lori, pela Sofia e principalmente pela Carol, e acho que nunca me perdoaria. Agora que ela se foi, eu percebia o quanto me apeguei a ela de uns tempos para cá. Do quanto ficamos próximos e do quando eu a queria bem. Não estava conseguindo suportar a culpa de tê-la deixado desprotegida... De tê-la deixado morrer.

Me levantei de uma vez e comecei a andar de um lado para outro, irritado com o barulho da porta e desesperado, sem saber o que fazer. Chutei a porta e continuei andando para lá e para cá. Minha respiração estava acelerada. Sem nem pensar no que estava fazendo, puxei o corpo de um errante que obstruía a passagem da porta e a abri de uma vez, levantando meu braço com a faca na mão, pronto para enfiá-la na cabeça de algum walker.

Antes de abaixá-la com toda força, parei bruscamente. Eu não estava acreditando no que estava vendo. Toquei em seu queixo para ver se era real. Foi real.

Ela me olhava, cansada e sem forças. Creio que não tinha forças nem mesmo para emitir algum som. Meio sem jeito, peguei Carol em meus braços com cuidado e a levei para a cela de Hershel.

– Fique aqui, vou buscar ajuda. — Falei segurando seu queixo.

Fui até a sala nomeada de "sala de reunião", atrás de Hershel e de Rick. Podia ouvir suas vozes ao chegar mais perto do portão da sala. Não estavam sozinhos.

– Nós não vamos te machucar! — Rick dizia calmamente. — A não ser que tente algo estúpido primeiro, certo?

– Rick! — Chamei, entrando na sala.

Ele estava abaixado, ao lado de uma mulher negra. Ao olhar melhor a situação, pude perceber que a mulher havia sido baleada. Mas quem era ela? Porque eles estavam acolhendo uma estranha?

– Quem diabos é essa? — Perguntei.

Rick se voltou para ela e perguntou:

– Quer nos dizer seu nome? — Ela não respondeu. — Quer nos dizer seu nome? — Ele perguntou, sussurrando agora.

Vi que ela não iria responder, e eu precisava logo que alguém fosse dar uma olhada em Carol.

–Venham aqui. — Eu pedi.

– Está tudo bem? — Rick perguntou, levantando-se e virando-se para mim.

– Você vai querer ver isso!

– Vão em frente. Carl, pegue a bolsa. — Rick deus as ordens e pegou uma katana. — Nós a manteremos segura! — Ele disse referindo-se a katana. — As portas estão trancadas, você está segura aqui. E podemos tratá-la.

– Não pedi sua ajuda! — Ela retrucou. Então um gato não havia comido sua língua a final de contas.

– Não importa! — Disse Rick dando um ultimato e dando as costas em resposta. — Não posso deixá-la ir.

Rick saiu da sala e eu a tranquei. Fomos até a cela e ele não acreditou no que viu. Ele ficou parado por um tempo, encarando Carol. E então ela se levantou e o abraçou.

– Oh Deus! — Ela disse.

– Graças a Deus! Graças a Deus! — Rick repetia.

– Como? — Perguntou Hershel.

– A solitária! — Ela respondeu se soltando do abraço de Rick.

– A pobrezinha se trancou em uma cela. Deve ter desmaiado, desidratada. — Eu contei enquanto assistia o reencontro de cada um.

Beth chegou com a pequena durona nos braços e eu fiquei assistindo Carol se apaixonando por ela, assim como foi com cada um de nós. Mas ela não sabia realmente o que tinha acontecido no dia que ela veio ao mundo.

Carol olhou a pequena nos braços de Beth e eu vi, naquele instante, como ela se apaixonou imediatamente pela bebê. Ela se virou para Rick, rindo. E então, como se estivesse lendo minha mente, ela olhou com pena para ele, perguntando por Lori. Rick abaixou a cabeça e negou, balançando-a.

Carol colocou a mão na boca e começou a chorar. Eu pude sentir a tensão no ar, apesar da felicidade de termos encontrado-a. Ela segurou o rosto de Rick com as duas mãos, tentando reconfortá-lo.

– Eu sinto muito! — ela sussurrou para ele.

Então ela se virou e pegou a pequena durona nos braços, e parecia simplesmente que ela virou mãe outra vez.

– Hershel, Daryl! — Rick nos chamou. — Precisamos cuidar de algo importante. Venham comigo.

O seguimos até a sala de reunião, onde a mulher estava trancada. Entramos no local e Rick começou a dirigir-se a ela.

– Podemos cuidar da sua ferida, dar-lhe comida, água e deixá-la ir. — Ele disse. — Mas terá que dizer como nos encontrou. E porque trouxe fórmula.

Eu estava com a minha besta em mãos, caso ela tentasse algo contra nós. Não confiava nela. Não ainda.

– Os suprimentos foram deixados por um asiático. — Ela respondeu. — Com uma garota bonita e uma ruiva que mais parecia uma boneca.

Quando ela falou sobre a garota que eu tinha salvo, fiquei com o meu coração na mão. Não que eu sentisse algo por ela, nem a conhecia direito e ela parecia uma garota mimada e teimosa, como uma criança. Mas eu a tinha salvo, e disse ao Glenn que se algo acontecesse, seria culpa dele.

– O que aconteceu? — Rick perguntou.

– Eles foram atacados? — Hershel questionou.

– O que aconteceu com eles? — Perguntei irritado para a mulher.

– Foram levados. — Ela respondeu.

– Levados? Por quem? — Rick interferiu.

– Pelo mesmo filho da puta que me baleou! — Respondeu com notável ódio em sua voz.

– Hey, eles estão conosco. Diga o que aconteceu agora! — Rick falou se aproximando e em seguida apertando o ferimento dela.

Ela fez um movimento brusco e mirei minha besta em sua cabeça.

– Nunca mais toque em mim!

– É bom começar a falar! — Eu disse com raiva e preocupação. — Ou terá um problema bem maior do que uma ferida de bala.

Seu rosto estava a poucos centímetros de minha besta. Se ela tentasse qualquer coisa, seria uma flechada certeira em sua cabeça!

– Encontrem-nos você mesmo. — Ela disse, me desafiando.

Quando eu estava prestes a gritar e enfiar uma flecha em seu cérebro, Rick mandou eu abaixar a besta. Eu o obedeci, com certeza ele saberia como fazê-la falar, e eu precisava saber onde estavam.

– Você veio aqui por um motivo. — Ele disse.

Ficamos encarando-a, enquanto ela olhava para os lados, decidindo se ia ou não nos contar o que aconteceu. Depois de segundos, que para mim pareceram horas, ela decidiu nos contar.

– Há uma cidade. — Ela começou. — Woodbury. Cerca de 75 sobreviventes. Acho que foram levados para lá.

– Uma cidade inteira? — Rick perguntou preocupado.

– É de um cara que se chama de "governador". Bonitão, charmoso... Do tipo Jim Jones.

– Ele tem armas? — Perguntei já pensando em como tirá-los de lá.

– Aspirantes e paramilitares. Há sentinelas armados em todos os muros.

– Sabe como entrar lá? — Rick questionou.

– Os errantes não conseguem, mas podemos achar uma brecha para entrar.

A encaramos por um tempo. Eu não sabia se o que ela estava falando era verdade ou se era apenas um truque para nos ferrar. Mas Maggie, Gleen e Melanie podiam realmente estarem em perigo, e era um motivo bom o suficiente para me mandar para lá.

– Como soube como chegar até aqui? — Rick perguntou.

– Eles mencionaram uma prisão entre si. Disseram em qual direção e que era só segui-la. — Ela explicou pacientemente. — E a propósito. — Acrescentou — Meu nome é Michonne.

Rick a encarou e depois disse:

– Michonne, este é Daryl, ele salvou a vida de uma das garotas que foram levadas. Esse é Hershel, pai da outra garota . Ele cuidará disso. — Ele disse apontando para o local onde ela fora baleada. Me encarou e eu entendi que deveria segui-lo, e foi o que eu fiz.

Fomos até o final do corredor das celas. Carl ficou na sala de reunião para vigiar Hershel e Michonne, e Rick chamou os outros para discutir sobre o que tínhamos acabado de descobrir.

– Como você sabe se ela é confiável? — Rick indagou.

– São a Maggie e o Glenn! — Beth disse exasperada. — Porque estamos discutindo?

– Não estamos! — Eu disse decidido. Melanie também estava lá — Eu irei atrás deles. Trarei Maggie, Glenn e Melanie. — Falei, lembrando-os que ela também fazia parte do grupo.

– Esse lugar parece bem seguro. — Rick comentou, obviamente preocupado. — Não pode ir sozinho!

– Eu irei. — Beth se ofereceu.

– Eu também. — afirmou Axel, um dos prisioneiros.

– Estou dentro. — Oscar decidiu.

Rick nos olhou, analisando cada um de nós e nos mandou arrumar as coisas para a viagem. Todos estavam apressados para sairmos logo e buscarmos Glenn, Maggie e Melanie. Pouco tempo depois estávamos no pátio, colocando as coisas dentro do carro. Decidimos que seria seguro irmos num único carro, então acabei concordando e deixando minha moto para trás.

– Peguei as granadas de luz e o gás lacrimejante. — Falei para Oscar enquanto ele me ajudava a guardar as mochilas no porta-malas do carro. — Nunca se sabe quando vamos precisar.

Vesti minha jaqueta com as asas atrás e peguei uma das mochilas das mãos de Carl, que estava nos ajudando a arrumar as coisas para a viagem.

– Hey, não se preocupe com o seu pai. Eu ficarei de olho nele! — prometi para o garoto.

Beth abriu o portão para sairmos enquanto estávamos terminando de nos preparar. Não podíamos deixar passar nem mesmo um pequeno detalhe. Aqueles caras estavam armados até os dentes, e a única coisa que nos dava vantagem era o elemento surpresa.

Rick se afastou dos outros para falar com Carl. Já estava na hora dos dois se entenderem. Desde que saímos da fazenda, noto que o Carl fica cada vez mais distante do pai, principalmente depois da morte de Lori. Rick precisava reconquistá-lo, e só conseguiria isso se voltasse a se aproximar dele.

Quando terminei de aprontar tudo para a nossa partida, fui me despedir de Carol e da pequenininha durona. Carol a olhava e a mantinha sempre muito perto de seu peito, talvez com medo de perdê-la assim como perdeu Sofia. Eu não a culpava, ela estava tendo a chance de se sentir mãe outra vez. E a culpa era minha.

Cheguei mais perto e fiquei ao seu lado, observando-a brincar com as mãos da pequena menina aconchegada em seus braços.

– Cuide-se. — eu disse.

– Nove vidas, lembra? — Ela disse com certo humor.

Olhei para a bebê e dei um leve sorriso para ela, só para ela. Eu voltaria para aquela pequenininha e a manteria a salvo. Dei as costas para as duas e fui em direção ao carro.

– Traga-os de volta! — Hershel pediu para Rick que acenou com a cabeça afirmando.

E então entramos no carro. Eu, Rick, Oscar e Michonne, deixando a prisão para trás junto com nossos medos. Não poderíamos sucumbir aos nossos sentimentos. Tínhamos de ser frios, estratégicos e fortes, pelo bem de Glenn, Maggie e Melanie.

Eu não entendia e não sabia o motivo, mas a minha maior preocupação era a garota Melanie. Eu não sabia porque me sentia responsável por essa garota idiota e teimosa, mas eu simplesmente não conseguia me manter sossegado sabendo que ela estava correndo algum risco lá fora. Era praticamente automático! Eu nem percebia que estava preocupado e pensando se ela estaria bem, eu simplesmente sentia.

É claro que também me importava com Maggie e Glenn, mas eu não conseguia parar de imaginar que uma menina como ela estava suportando qualquer tipo de situação ruim que poderia estar acontecendo. Eu tinha que salvar os três! Era mais uma promessa que eu estava fazendo a mim mesmo, mas dessa vez eu daria meu sangue para cumpri-la.

Notas finais
Capítulo pequeno né? Mas o que acharam? Estou pensando em postar mais um seguido, porque tenho até o décimo já prontos. Então vou postar um por dia, mas como recompensa pelos meus atrasos aqui, vou postar dois seguidos xD Então até o próximo capítulo bambinos!! Amo muito vocês!