Notas iniciais
Gente, me desculpem pela demora do capítulo! Me confundi com os dias e pra piorar a situação, o cristal líquido da tela do meu notebook vazou. Mas agora já está tudo certo e eu estou livre para escrever e ler minhas fanfics preferidas! Eu espero que esse capítulo seja bom o bastante para me redimir hushauhs Foi muito especial para mim escrevê-lo, e espero que seja especial para vocês também! Ah, viram a capa nova? Eu preciso agradecer muito à DiconGirl por ter feito uma coisa tão incrível assim! Ficou muito perfeita! Muito obrigada! Muito obrigada a todos vocês, por tanto carinho! Eu amo muito cada um de vocês! Boa leitura, meus anjos! PS: Colocarei o link do Noan nas notas finais, para vocês verem como ele era.

(POV Daryl)

Corri para a cela de Melanie para avisá-la que estava tudo bem mas antes mesmo de terminar de subir as escadas eu ouvi grunhidos vindos da minha própria cela. Minha respiração parou por um instante. Se havia algum errante ali Melanie estava em perigo, isso se não já estivesse... Não! Afastei aquele pensamento e corri para minha cela com a faca em mãos.

Ao entrar na cela nada mais vi do que Melanie sentada no chão, encolhida com a cabeça apoiada nos joelhos e arranhando os braços. Seu choro estava baixo, mas não era imperceptível para mim. Larguei a besta que estava em minhas costas e a faca no chão, correndo até Melanie. Me ajoelhei em sua frente e segurei seus braços com força, impedindo que continuasse a se ferir. A princípio ela puxava os braços e se debatia gritando.

– Não me toque! — ela gritava. — Deixe-me ir, por favor!

Ela tinha muita força para uma nanica, e eu estava usando quase toda a minha para mantê-la parada.

– Melanie! — eu gritava mais alto. — Melanie me escuta! Para com isso, para! Sou eu, Daryl!

– Me larga! Não encoste mais nenhum dedo em mim! — ela ainda gritava e se debatia, deixando as lágrimas correrem pelo rosto.

Puxei os seus braços com força para baixo e mais perto, os soltando logo depois e segurando o seu rosto, forçando-a a olhar para mim. Seus olhos estavam vermelhos e perdidos mas logo se acalmaram. Afrouxei minhas mãos que seguravam o seu rosto, mas sem deixá-lo ir. Fiquei ali ajoelhado e encarando-a, recebendo seu olhar de volta.

– Está tudo bem, sou eu! — sussurrei.

Seus olhos pareciam duas esmeraldas lapidadas. Seu brilho me atraía e me hipnotizava. Mesmo cheios de lágrimas ainda pareciam perfeitos para mim, embora doesse vê-la assim. Seu nariz era fino e arrebitado. Suas bochechas vermelhas e com sardas estavam marcadas pelas lágrimas. Meu olhar caiu para seus lábios. Eles tinham um lindo e delicado formato, o qual qualquer pessoa invejaria. Não eram grossos mas também não eram finos, tinham o tamanho perfeito.

Sua boca estava entreaberta e sua respiração estava acelerada, logo a minha acompanhava o seu ritmo. Eu ainda segurava seu rosto, e sua visão estava presa em mim. Sequei as lágrimas com meus dedos e visualizei o seu rosto por inteiro. Seus olhos acompanhavam minhas ações, mas ela não falava nada.

E como se ela fosse um imã, senti meu corpo se inclinando para frente, chegando mais perto e sentindo o calor do seu corpo. Eu não conseguia parar de olhar em seus olhos e levei uma de minhas mãos até sua nuca. Meus dedos se perderam em seus cabelos de fogo, e com uma lentidão enorme senti meu corpo indo mais para frente.

Minha outra mão desceu até seu ombro. Sua pele era macia e parecia fazer carícias em mim, era uma sensação que acalmava todo o meu corpo, mas ainda assim era eletrizante. Tive uma imensa vontade de tocá-la ainda mais, sentir toda a sua pele. Minha mão passou por todo o seu braço, e inexplicavelmente fiquei tenso.

Melanie tremeu e se encolheu, apertando os olhos e deixando uma lágrima escapar. Me afastei subitamente e entendi. Eu estava fazendo ela se lembrar do que houve na sala com o Governador. Puxei-a para mim, abraçando-a em seguida.

– Me desculpe — pedi acariciando seus cabelos.

Ela se aninhou em meu ombro e eu apoiei o queixo em sua cabeça, pensando no quão idiota eu havia sido. A garota tinha acabado de passar por um trauma e lá estava eu, a lembrando de tudo. Além disso, o que eu estava pensando ao me aproximar daquele jeito? Eu não entendia o que acontecia comigo quando eu ficava perto dela.

– Agora vai me contar porque estava fazendo isso? — perguntei depois de perceber que ela havia parado de chorar.

– Isso o que? — ela perguntou num sussurro.

– Isso! — eu disse enquanto a soltava e segurava seu braço a fim de fazê-la olhar os arranhões. — O que estava fazendo?

Ela me encarava de uma forma inocente, mas o meu olhar era duro. Eu não estava brincando. Vê-la ferida me dava raiva, ódio. Mas vê-la se ferir me desesperava completamente. Era estúpido alguém se machucar daquela forma, e eu queria ter certeza de que não se repetiria.

– Melanie, o que houve? Porque estava fazendo isso? Ficou louca?

Ela ficou calada por um tempo, me encarando, mas logo ouvi sua voz.

– Você não entende? — perguntou. — Será que não percebe?

– Eu não entendo? Do que está...

– Eu estou suja Daryl — ela me interrompeu. — Estou suja, e ainda sinto que estou sendo tocada por ele! — aquilo foi como um soco no estômago. — Eu quero me livrar disso! Eu quero parar de lembrar, quero parar de ver a cena repetidas vezes na minha cabeça... Quero parar de sentir!

Ela já chorava de novo e passava suas unhas contra os braços. Segurei-os novamente, mas dessa vez ela não mostrou resistência alguma. Pelo contrário, deixou os braços moles e abaixou a cabeça.

– Você não sabe como é...

– Mel...

– Não me chame assim! — ela gritou e fiquei perplexo.

Melanie se levantou e saiu em passos rápidos. Fiquei ali ajoelhado, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Eu me sentia péssimo. Mas porque? Vê-la daquela forma me machucou como eu nunca imaginei que seria possível.

Levantei e fui até o refeitório, onde um clima tenso se instalava, principalmente por causa de Rick e Andrea. Ela perguntava sobre Shane enquanto eu me sentava numa das mesas. Aquele idiota... Ainda bem que Melanie não o conheceria. Melanie...

Cruzei a sala com o olhar e lá estava ela, encostada na parede e apoiando o tornozelo quase curado numa cadeira. Seus olhos ainda estavam vermelhos e agora ela cobria os braços com um casaco amarelo bem clarinho.

Fiquei encarando-a quando percebi que seu olhar também não se desviava, mas logo tentei ocupar a cabeça com outra coisa. Se ela não quer ajuda, que se dane. Eu tenho mais coisas para fazer do que simplesmente ficar dando uma de babá dessa garota. Merle me encarava com um sorriso cínico no rosto. Babaca!

– Vocês moram aqui? — a voz de Andrea me trouxe de volta dos meus pensamentos.

– No bloco das celas — Glenn respondeu, já que Rick apenas a encarava, sem baixar a guarda por um segundo.

Andrea tentou entrar no bloco das celas, mas Rick a impediu antes mesmo que eu fizesse. Sei que Andrea foi do nosso grupo e nunca nos deu razão para a acharmos uma traidora, mas eu não podia deixá-la entrar. Era como uma invasão. Uma invasão não à prisão, mas sim à nossas vidas agora. Eu estava preocupado principalmente com o estado da Melanie, e como essa visita mexeria com ela.

– Eu não sou um inimigo Rick! — Andrea afirmou, cara a cara com Rick.

– Nós tínhamos aquele campo. O pátio. Até o seu namorado atropelar a cerca e atirar em nós!

Olhei para Melanie. Ela estava tensa. Qualquer um que a olhasse perceberia que algo não estava certo. Até então eu não tinha ideia de quantas pessoas sabiam o que realmente tinha acontecido com ela e Maggie naquela sala. Mas eu sabia que eu seria a pessoa que a ajudaria. Não entendia como eu poderia saber, mas eu tinha certeza.

– Ele matou um presidiário que havia sobrevivido! — Hershel disse.

– Nós gostávamos dele! — eu disse lamentando nossa perda. — Era um de nós!

– Eu não sabia disso... — Andrea parecia realmente não saber do que realmente havia acontecido. — Vim assim que soube que estiveram em Woodbury após o tiroteio!

– Isso foi dias atrás! — Glenn comentou.

– Eu já disse! — Andrea virou-se para Glenn. — Vim assim que pude!

Todos a olhavam como se fosse uma traidora. Como se ela soubesse ou até mesmo tivesse participado no que o Governador fez contra nós. Mas eu sabia que não era verdade, a partir do momento em que ela tentou salvar a mim e Merle naquela arena eu soube. Andrea aproximou-se de Michonne.

– O que disse à eles? — perguntou em tom de acusação.

– Nada — Michonne respondeu simplesmente, sem deixar-se intimidar pela amiga.

– Não entendo — Andrea desabafou. — Saí de Atlanta com vocês e agora sou excluída?

– Ele quase matou Michonne — Glenn tomou a frente na conversa — E teria nos matado.

– Com o dedo dele no gatilho! — Andrea apontou para Merle. — Não foi ele quem os sequestrou? Quem o espancou? Quem estuprou a garota?

– Na verdade foi o seu namorado, loirinha — Merle limitou-se a dizer.

Meu olhar rapidamente se voltou para Melanie, assim como todos os outros. Seu rosto imediatamente ficou vermelho e ela olhou para o outro lado. Esperou até que todos a parassem de encará-la para deixar a sala em silêncio, de cabeça baixa e se abraçando. Maggie foi logo atrás dela.

– ... Estão treinando para atacar — minha atenção se voltava para Andrea.

– Façamos o seguinte — eu disse, cansado de esconder toda minha ira. — Quando vir Phillip de novo, diga a ele que arrancarei o outro olho! — levantei e cheguei mais perto de Andrea, olhando em seus olhos. — E o farei engolir!

Dei as costas ao grupo ali reunido, mas antes de sair falei em alto e bom som para que todos pudessem escutar, principalmente ela.

– E Andrea... Diga a ele que vai se arrepender de ter nascido — olhei para ela. — E de ter tocado em Melanie! Ele não sabe com quem se meteu.

Saí da sala com pressa. Eu não tinha me explicado direito à Melanie antes dela deixar a cela. Eu queria ajudá-la, por mais que ás vezes pensasse que seria melhor me afastar. Eu não queria piorar a situação, queria entendê-la.

Passei em frente as nossas celas, mas ela não estava em nenhuma das duas. Fui até a de Maggie, mas também não estavam lá. O pátio. Coloquei minha besta nas costas e guardei minha faca no bolso, nunca se sabe o que nos espera lá fora. Tínhamos acabado de recuperá-lo, mas poderia haver alguma falha e eu queria estar pronto para defender a Melanie e a pequenininha durona.

Atravessei todo o pátio, mas não a encontrei em lugar algum. Eu já estava ficando nervoso sem saber onde mais procurar. O único lugar limpo onde havia restado para procurar era a torre. Subi sem hesitar e no meio da escada pude escutar a voz de Maggie. Continuei a subir, mais rápido que antes e, ao chegar, as duas me encararam.

– Maggie — eu disse. — Será que posso conversar só com a Melanie por um instante?

Ela olhou para Melanie, esperando uma permissão da parte da pequena. Com um leve aceno de cabeça, Maggie a abraçou e levantou-se, indo para as escadas logo depois.

– Eu já volto — ela se despediu com um sorriso dirigido a nós dois.

Após Maggie descer as escadas e eu ter certeza de que ela não podia mais nos ver e ouvir, me aproximei de Melanie e sentei ao seu lado. Ela mexia as mãos e as encarava sem desviar o olhar. Virei a cabeça a fim de tentar desvendar o que se passava pela sua cabeça. Ela era a única pessoa que despertava esse interesse incomum em mim.

Seu rosto de perfil ainda era mais encantador do que qualquer outra coisa, mas logo afastei meus pensamentos e tentei formular um pedido de desculpas, o que não era nem um pouco fácil para mim.

– Desculpe por ter gritado daquela forma com você — ela pediu, sem que eu esperasse que o fizesse. — Eu não deveria ter exigido aquilo de você, mal nos conhecemos...

– Não peça desculpas, por favor — me apressei em dizer, tentado inutilmente não atropelar as palavras — Eu não soube me expressar muito bem, não sou muito bom com esse tipo de coisa... Conversar... Dar conselhos... Se relacionar com alguém... — ela me olhava com atenção. — Eu deveria te entender! Aliás, eu quero te entender. Quero saber o que está sentindo agora e como ajudá-la.

Melanie me olhava sem piscar e deu um sorriso sem graça e forçado.

– Você não precisa, mesmo Da...

– Eu quero! — eu a interrompi, recebendo um sorriso sincero dessa vez. Pequeno, mas sincero.

– Eu não sei porque eu estou contando tudo isso — ela disse olhando em meus olhos. — Mas eu confio em você! — não pude deixar de sorrir. — Não sei como contar, eu...

– Não pense — eu disse. — Só desabafe comigo! — cheguei mais perto, encostando nossos braços.

– Tudo bem... Eu não sei se estou sendo estúpida, mas não consigo esquecer. As mãos dele em meu corpo, o que ele disse, como me desestabilizou emocionalmente... Eu só me sinto suja. Como se isso fosse tudo culpa minha, como se eu fosse responsável por Maggie e pelo meu corpo. Eu só... — eu podia perceber que ela estava sendo forte para não chorar mais uma vez na minha frente. -Só quero tirar isso de mim, entende? É horrível Daryl!

– Pode chorar — eu disse após um momento de silêncio.

– O que?

– Eu sei que você quer chorar. Pode chorar. Eu vou te ajudar!

Ela sorriu e deixou as lágrimas caírem silenciosamente.

– Eu nunca pensei que você fosse assim — ela disse, ainda chorando.

– Assim como?

– Paciente — ela riu. — Geralmente os homens não têm paciência com mulheres choronas. Bom, eu não sou uma delas, mas com certeza estou parecendo.

– Fique tranquila, eu aguento — eu disse rindo no começo da frase, mas parando ao lembrar das coisas que eu tive que aguentar. Se aquilo era insuportável, eu não consigo pensar em uma coisa pior do que aconteceu com a Melanie. — Eu sei que é difícil.

– Como pode saber? — ela sussurrou.

– Acredite, não vai querer saber sobre minha vida, pois é dela que vem a certeza de coisas horríveis. Mel eu...

– Não me chame assim! — ela disse ríspida. — Nunca mais me chame assim!

– O que? — eu não estava entendendo aquela mudança brusca de humor. — Porque? Seu nome é muito grande para uma nanica, eu só quis encurtá-lo e...

– Como?

– Nanica — eu disse devagar. — Você é uma nanica. E seu nome é muito gran...

– Não importa — ela me cortou. — Só não me chame mais assim. Nunca mais.

O clima ficou um pouco pesado e ela olhava para frente. Eu havia trabalhado para muitos caras ricos com filhas lindíssimas e mimadas, e tinha que ouvir todas as conversas de telefone dessas garotas. Não que ela fosse mimada e patricinha, mas logo entendi o que estava acontecendo ali.

– O que aconteceu com ele? — perguntei.

Melanie me olhou com uma cara de espanto, com os olhos verdes arregalados e brilhantes para mim. A princípio ficou confusa e sem saber o que dizer, pude perceber. Mas pouco tempo depois ela decidiu abrir a boca e falar.

– Morto. Está morto.

– Quer me contar como você ficou sozinha? Acho que ele entra na história.

– Sim... — esperei pacientemente até que ela tomasse seu tempo e me contasse o que tinha acontecido. — Depois disso tudo começar, meus pais e a mãe dele, do Noan, estocaram comida que durou por um tempo razoável. Quando tudo acabou, tivemos que sobreviver indo até os supermercados mais distantes. Meu pai e... Noan iam, já que os dois tinham muita noção de sobrevivência e caça.

"Eu não suportava ver os dois saindo pela porta, sabendo que eles poderiam não voltar mais. Eu queria ser útil, queria ajudá-los e protegê-los. Então implorei para que me levassem com eles e me ensinassem a ser forte, a sobreviver. Eles então concordaram. Mas... as coisas não saíram como planejado. Por culpa minha perdi meu pai nessa viagem.

"Eu não pude suportar a dor que insistia em me abater. Minha mãe passou a me odiar, por mais que eu quisesse me redimir, explicar que eu estava arrependida. Mas eu não tive a chance, nunca mais terei. Minha mãe gritou por dias, e isso chamou muitos errantes, uma horda... mais do que poderíamos aguentar. E somente Noan sabia como combatê-los da maneira correta e mais segura possível. Então decidimos partir.

"Passamos muito tempo na estrada, sempre correndo pelos lados fugindo da morte em pessoa. Numa dessas fugas, um errante me alcançou e me jogou no chão, ficando em cima de mim. Minha mãe viu a cena e correu para me ajudar. Ela sabia que não conseguiria. Sabia que eu era a responsável pela morte do meu pai. Mas mesmo assim ela me ajudou, deu sua vida por mim.

"Mais uma vez a dor assolava meu coração, e confesso que até hoje não desiste em me abandonar. Minha família havia desaparecido. Simplesmente não existia mais. Por meses eu, Noan e Mary, mãe dele, sobrevivemos sem tranquilidade.

"Para piorar, Mary adoeceu. Pneumonia. Noan estava completamente louco atrás de antibióticos para sua mãe. Por dias saímos atrás de clínicas, farmácias ou qualquer outro lugar onde poderíamos achar os antibióticos. Finalmente encontramos uma clínica veterinária. Com certeza teria antibióticos, que eram os mesmos que tomávamos. Noan estava tão desesperado que não quis esperar nem mais um segundo, então à noite entramos na clínica.

"Havia corpos de volta à vida por toda parte. Antes que conseguíssemos sair despercebidos, Noan tropeçou e esbarrou numa prateleira, que caiu, quebrando todos os vidros postos ali. Todos os errantes se viraram para nós e começaram a nos seguir. Corremos para o lado de fora e fechamos a porta, mas eles eram muito fortes e não se comparava a nossa.

"Noan me empurrou para o lado e mandou que eu corresse. Jogou um vidro para mim e o agarrei. Antibiótico. Ele mandou que eu o levasse até a mãe dele, e mais tarde ele se juntaria a nós. O planejado era ele despistar os errantes e nos encontrar num emaranhado de arbustos. Então eu corri. Corri como nunca havia corrido na vida, nem mesmo durante as antigas fugas. Ao olhar para trás por um instante, vi Noan sendo jogado no chão e os errantes indo para cima dele."

Melanie chorava, e não conseguia esconder mais a dor que sentia. Eu não imaginava que tinha sido tão difícil assim para ela. Também não sabia que existia alguém em seu coração. Mas ela precisava de mim, disso eu tinha certeza. E eu estava ali, ao seu lado. A abracei com força, sentindo seus braços em volta de mim e me sentindo aquecido e completo.

– Eu não aguente assistir e então eu corri para onde Mary estava nos esperando. Ela me olhava com um sorriso no rosto ao ver que eu estava com o antibiótico, mas logo esse sorriso desapareceu de seu rosto. A princípio eu achei que fosse pela falta de seu filho. Mas eu estava enganada. Havia um errante atrás de mim. Ela gritou, mas eu não fui rápida o suficiente. Mary correu e me puxou para si, ficando em meu lugar. O mordedor a abraçou, com os braços de Mary também em sua volta, e a mordeu no pescoço. Ela gritava e seu sangue espirrava para longe, mas ainda assim conseguiu pegar uma faca e cravá-la na cabeça do errante.

"Corremos para longe. Eu arrastava Mary pelo braço até não conseguir mais. Ela começava a se sufocar com o sangue. Se jogou no chão e ficou encarando as estrelas e dizendo que a noite estava linda. Eu tentava conter a hemorragia colocando ambas as mãos na mordida. Mas eu sabia que já estava tudo perdido.

"Antes de morrer, Mary me pediu para cuidar de Noan, fazê-lo feliz. Essa foi a pior parte. Eu já tinha estragado tudo, mas ainda assim prometi, para que ela tivesse uma partida tranquila em nossas condições. E então eu estava sozinha, como eu nunca havia ficado antes. Arrastei Marry até um lago e a joguei ali dentro. Voltei para onde Noan disse que me encontraria, ainda na esperança de encontrá-lo. Mas depois de quase três dias, minha esperança morreu, assim como minha vontade de sobreviver, e fui embora. Então você me salvou."

Ela terminou de contar e parou para respirar. Seu nariz estava vermelho, assim como seus olhos. Coloquei minha mão em cima da sua e entrelacei meus dedos nos seus. Ela me olhou e encostou a cabeça em meu ombro.

– Tive que deixá-lo Daryl... — ela sussurrou. — Deixei a pessoa que sempre fez de tudo para me proteger para trás. Nunca poderei me perdoar por isso...

– Agora você tem a mim para fazer de tudo para protegê-la.

Mais uma vez a proximidade com seu corpo me fez perder o controle. O imã estava ali novamente. Nossas mãos ainda estavam entrelaçadas e eu as encarei. Desviei o olhar para seus olhos. Eram de um verde impressionante, e eu não me cansava de admirá-los! Era como se eu quase pudesse ver sua alma através deles, mesmo que fosse um mistério para mim desvendá-los. Mais uma vez minha visão pulou para sua boca.

Melanie também encarava a minha e nossas testas ficaram coladas. Visualizei novamente as duas esmeraldas pela última vez, antes de se fecharem. Meu corpo se inclinou para frente eu meu nariz encostou no dela. Mesmo se eu quisesse não conseguiria me afastar de Melanie.

Segurei o seu rosto com a mão livre delicadamente, e acariciava sua bochecha. Sua mão pequena se posicionou em cima de minha, acompanhando meus movimentos em seu rosto. Seu toque foi o que faltava para o imã me puxar por completo, colando nossas bocas.

Senti seus lábios macios em contato com os meus e suas lágrimas molhando o meu rosto. Sua respiração estava acelerada assim como a minha, descompassada. Sua mão se soltou da minha e pude senti-la em minha nuca, seus dedos entre os fios.

Eu me sentia estranho. Era como estar em queda livre. Eu nunca havia sentido nada igual, e a minha vontade era de continuar caindo mais e mais.

Passei a língua em seus lábios, pedindo permissão. Senti sua boca entreaberta e a invadi, explorando cada pedaço. Sua língua travava uma luta árdua contra a minha, mas ao mesmo tempo era como se dançávamos em sincronia. Era incrível como aquilo estava mexendo comigo

Minhas mãos passeavam pelo seu rosto, memorizando com o tato cada pequena coisa, cada detalhe que passaria despercebido à qualquer um, menos para mim. Melanie puxava o meu cabelo de leve e sua outra mão passou pelo meu braço, indo até o meu pescoço, descendo e acariciando minha clavícula, e finalmente parando em meu peito.

Meu coração estava completamente acelerado e o beijo se aprofundava mais, tornando-se mais íntimo. Levantei-a junto comigo e a coloquei contra a parede, sem parar de beijá-la. A segurei pela cintura, me aproximando ainda mais e sentindo seu corpo colado ao meu.

E então eu senti suas mãos contra meu peito, me empurrando bruscamente para trás. Eu não entendi aquela atitude inesperada. Eu não havia feito nada errado. Havia? Melanie levou os dedos até a boca e me encarou com os olhos arregalados. Pude ouvir sua voz saindo abafada pela mão.

– O que está fazendo?

Notas finais
E então? O que acharam do capítulo? Por favor, dê sua opinião, isso me alegra muito e me motiva mais ainda a continuar escrevendo. Gostaram do POV Daryl de hoje? haha Ah sim! O link do Noan é esse aqui em baixo: http://img1.wikia.nocookie.net/__cb20131107020113/degrassi/images/e/e8/Aaron_Paul_-_GIF.gif QUEM AÍ CURTE BREAKING BAD, BICTH?? Eu estou fazendo uma fic nova, com o Avenged, com uma grande amiga. Aqui esta o link para quem quiser vê-la: http://fanfiction.com.br/historia/510211/Reach_Your_Dreams/ Muito obrigada por tudo, meus amores! Até o próximo capítulo e bacioni!