A Little Piece of Hell

12 Boa noite, pequena.


Notas iniciais
Meus amores, me perdoem por ficar tanto tempo sem postar e sem dar notícias. Eu acabei viajando esse mês e o meu notebook não conectava em nenhum wi fi, de jeito nenhum! Consegui um modem hoje com uma prima minha e estou dedicando todo esse tempinho aqui no nyah! Eu espero que não estejam zangadas ou que não tenham abandonado a fic. Juro que volto com tudo agora! Dois capítulos bem caprichados só hoje (eu espero haha) Muito obrigada a todos que continuaram aqui e um agradecimento muito especial à Thaaty e à Dixon Girl que recomendaram a fic! Eu não tenho palavras para agradecer à vocês e à todos que me apoiam! Muito obrigada mesmo gente! Boa leitura!

(POV Melanie)

–O que está fazendo?

Perguntei colocando a mão em minha boca e tentando afastar as sensações que o beijo provocara. Daryl me olhava com uma notável interrogação estampada no rosto. Por infinitos segundos ficamos ali parados, sem fazer e nem dizer nada. Eu tentava impedir que as lágrimas caíssem, mesmo que não soubesse o motivo delas.

– Porque fez isso? — perguntei, já que ele não fazia o menor esforço para responder.

Por alguns segundos ele continuou calado, mas depois acabou me respondendo.

– Foi automático — sua voz grossa fez com que meu corpo se arrepiasse. — Fiz porque quis e porque pareceu que você também queria.

– Eu não disse que queria nada e...

– Mas foi o que pareceu — me interrompeu. — Olha, eu não te forçaria a nada ok?

– Está se aproveitando do meu estado então?

Daryl se aproximou bruscamente, segurando meus braços e me imprensando contra a parede, deixando nossos rostos bem próximos sem quebrar o contato visual. Seus olhos azuis pareciam um mar em fúria, e estavam avermelhados.

– Eu nunca me aproveitaria de você! — ele falava sério. — Me enganei ao pensar que você gostaria disso. Nem sei o motivo de ter feito... Acho que é a falta de uma mulher depois de tanto tempo nesse fim de mundo.

Senti minha consciência extremamente pesada por tê-lo acusado com aquela pergunta. Mesmo me sentindo completamente vazia pelo motivo dele ter me beijado, me senti mal por ele. Era a segunda vez que o subestimava, mesmo não querendo magoá-lo.

– Me des...

– Eu é que peço desculpas — Daryl me interrompeu mais uma vez, soltando meus braços e apanhando sua besta no chão. — Não vai se repetir.

Ao pegar suas coisas, desceu as escadas sem se virar para mim. Fiquei parada no mesmo lugar com uma das mãos em meu peito e a outra em meus lábios, onde mais cedo estavam colados com os de Daryl.

Suas palavras atravessaram minha mente mais uma vez. Ele havia me beijado por que sentia falta de uma mulher. Não era por minha causa. Não era porque sentia vontade da Melanie. Era apenas a necessidade de um homem.

Deixei meu corpo escorregar pela parede até estar sentada. Aquele beijo mexeu comigo mais do que eu queria admitir, e suas palavras me machucaram. Eu não deveria estar me sentindo assim. Afinal, eu não gostava dele... Gostava?

Puxei meus cabelos na esperança de que meus pensamentos se organizassem como sempre acontecia. Mas eles continuavam me deixando confusa.

Eu queria que ele voltasse. Queria me desculpar pelo que eu disse e pedir que ficasse ali comigo. Precisava de sua companhia, de sentir sua pele em contato com a minha, de ouvir sua voz rouca e de ver seus lindos olhos azuis. Mas ele não se sentia da mesma forma. Então decidi que, para o meu bem, eu não me envolveria com Daryl Dixon por mais que fosse o que eu queria.

Sequei as lágrimas que caíram sem nem mesmo eu me dar conta e escutei passos subindo a escada. Meu coração acelerou na esperança de que fosse Daryl, mas era Maggie, com um sorriso meigo nos lábios.

– Está tudo bem? — ela perguntou sentando-se ao meu lado e segurando minhas mãos.

Afirmei balançando a cabeça e senti Maggie apertando minhas mãos em sinal de apoio.

– Sei que não está bem... Vi como Daryl estava quando desceu. O que aconteceu?

Olhei em seus olhos e abri o melhor sorriso que pude, mas tenho certeza que ficou mais parecido com uma careta. Não sabia como contar isso, mas senti que podia confiar minha vida em Maggie.

– Daryl e eu... — tentei. — Ér... Nós... Eu e Daryl, nós...

– Sem pressão — Maggie disse e sorriu, o que me deu o último empurrão que eu precisava.

– Daryl e eu nos beijamos...

Maggie arregalou os olhos e imediatamente me arrependi de contar. Ela não esperava por isso. Nem eu esperava pelo que havia acontecido.

Escondi meu rosto na palma das mãos e ouvi um "uau" vindo de Maggie. Eu estava completamente envergonhada. É claro que todos sabiam como era Daryl Dixon, menos eu. Ela deveria estar pensando no quanto fui boba e estúpida.

– O Daryl te beijou? — ela perguntou ainda surpresa.

– Bem... Acho que nós dois nos beijamos. Eu percebi o que ele iria fazer e não o impedi. Acho que no fundo eu queria isso. Não sei Maggie, estou tão confusa!

– Mas se vocês se beijaram, porque ele saiu daquela forma?

Ela me olhava, mas agora sem o olhar de surpresa. Só havia uma sincera e ingênua curiosidade em seu rosto.

– Eu o empurrei para longe quando me assustei com o que estava acontecendo.

– Porque? — perguntou delicadamente.

Eu me sentia uma adolescente novamente, compartilhando os segredos com as amigas.

– Eu havia acabado de contar sobre o Noan e minha família. Quando me dei conta do que estava acontecendo fiquei com medo de que ele estivesse apenas se aproveitando do meu estado emocional.

– Ele nunca faria isso! Ele pode ser um caipira e grosso, mas ele é um bom homem!

– Eu sei, eu sei, Maggie... Mas é que...

– Você precisa se desculpar! Se ele te beijou é porque gosta de você!

– Não! Ele deixou bem claro que fez isso apenas pela falta de uma mulher.

Maggie me olhou, mas não com pena ou pesar e sim com um sorriso escancarado no rosto. Eu não entendia como ela poderia achar graça numa situação como essa.

– Você gosta dele! — ela afirmou.

– Maggie! Eu acabei de dizer que...

– Eu sei o que você disse — ela me cortou. — Só estou dizendo que você gosta dele! Senão não teria ficado chateada com isso. E ele gosta de você!

– Maggie, por favor...

– Me escuta! Eu conheço o Daryl, sei que ele não beijaria ninguém só pela falta de uma mulher. Veja a Carol por exemplo. Ela está dando em cima dele desde que perdeu a filha e ele nunca tentou nada! Nunca se aproveitou da situação.

– Mas ele...

– Ele só está querendo se fazer de forte Melanie! Fale com ele depois.

Pensei no assunto e concordei com ela. Eu pediria desculpas pelos meus modos, mas não acreditava no que Maggie falara. Daryl podia ser um bom homem, mas vi em seus olhos como ele estava falando sério. Além disso, me sentia bastante confusa sobre tudo o que estava acontecendo e o melhor a fazer seria não se envolver com ninguém mais do que precisasse.

– Tudo bem... — respondi. — Vou falar com ele.

– Ótimo! — ela disse levantando-se. — Vou falar com Andrea antes que ela vá embora. Não quer vir?

Um arrepio percorreu toda a minha espinha ao me lembrar de que essa tal de Andrea estava com o Governador. Me encolhi automaticamente ao pensar nisso e Maggie entendeu o recado. Balançou a cabeça em afirmação e foi embora, deixando-me ali sozinha com meus pensamentos e sentimentos que eu tentava trancar dentro de mim.

(POV Daryl)

O que aquela garota estava pensando que eu era? Um cafajeste que sai por aí se aproveitando de mocinhas deprimidas e violentadas? Eu podia ser qualquer coisa! Um idiota, caipira, ignorante e grosso. Mas nunca me aproveitaria de ninguém!

Eu ainda não entendia como pude me meter numa situação como essa! Nem mesmo entendia o porquê de tê-la beijado. Parecia tão certo naquela hora, como se ela também quisesse o mesmo. Me senti tão bem fazendo aquilo! Era como se tudo tivesse voltado ao normal e ainda melhor. Naquele momento eu provei um pedacinho do céu.

Não importava mais. Ao ver como ela estava assustada com o que estava acontecendo foi como despencar do céu direto para o inferno novamente. Ela não havia sentido a mesma coisa que eu. Ela não compartilhava os mesmos desejos que os meus, que nem mesmo eu ainda entendia.

Eu não podia estar gostando da garota. Eu a conhecia há dias apenas! Não é possível que houvesse algum sentimento! Claro que não havia! Era como eu tinha dito para ela, apenas a vontade de ter uma mulher depois de tanto tempo sem. Apenas isso! Eu faria com que fosse apenas isso.

Após descer as escadas, fui direto para a "garagem", uma parte do pátio que usávamos para colocar os carros. A maioria do grupo estava ali reunida para a partida de Andrea, provavelmente. Maggie abria o portão da "garagem" para dar passagem ao carro que Glenn estava manobrando.

Rick conversava normalmente com ela, o que mostrava que estava tudo esclarecido ente eles. Isso era ótimo! A última coisa de que precisamos é um líder com coisas demais na cabeça bem no início de uma guerra.

Me aproximei do carro a tempo de ver Andrea encarando Michonne. O que será que aconteceu entre as duas? Pelo que eu tinha entendido elas eram amigas, mas Andrea preferiu ficar com o pirata estuprador. Ao me encarar, acenei com a cabeça.

– Bem — Andrea disse. — Cuidem-se!

Entrou no carro e fechou a porta com cuidado enquanto Rick ainda a observava.

– Andrea — chamou.

Rick se aproximou com cuidado e entregou para ela uma faca e a arma que foi confiscada quando chegou aqui.

– Tenha cuidado! — disse ele.

– Você também! — Andrea respondeu.

Rick se afastou do carro e assistimos Andrea partir. Nossa última esperança de tudo acabar sem uma guerra. Pude ver de longe Merle abrindo o portão e fechá-lo sozinho. Aquelas pessoas tinham que entender que agora ele era parte do grupo! Ele era meu irmão! E se não o aceitassem, não haveria espaço ali para mim também!

(POV Melanie)

Fiquei na torre e assisti o carro de Andrea se afastar pela estrada. Ao conseguir afastar os pensamentos sobre ela e sobre o Governador, deitei no chão e fiquei pensando sobre o que eu estava sentindo. Decidi ser sincera comigo e deixar essa história a limpo para mim. Para o meu bem.

Eu sentia uma atração pelo caipira Daryl Dixon, mas não sabia nada sobre ele. Parecia ser o tipo de atração que minhas amigas da escola sentiam pelos garotos da escola durante o ensino médio. Mas ainda era algo que eu desconhecia. Nunca me senti atraída por alguém. Pelo menos sem contar meus sentimentos pelo Noan.

Tudo bem, eu pensava muito sobre o Daryl e na maioria do tempo desde que o conheci, eu queria estar ao seu lado. Daryl parecia se preocupar comigo e querer o meu bem. Por algum tempo eu pensei que ele sentia o mesmo. Mas tudo havia sido esclarecido num momento depois que o empurrei. Era apenas necessidade.

Mas porque doía tanto em mim saber disso se era apenas uma atração? Eu também não poderia me aproveitar do seu desejo?

A verdade é que o meu sentimento pelo Daryl era muito mais complexo que isso. E embora eu o quisesse perto de mim do mesmo jeito que estivemos perto um do outro mais cedo, acho que o melhor a fazer é deixar isso de lado e aceitá-lo como um amigo, assim eu ainda o teria por perto.

O tempo passou rápido e só percebi que estava ali há horas quando o céu ficou escuro. Não era muito tarde, havia ficado noite há pouco tempo, mas decidi voltar para a minha cela.

Levantei e desci as escadas. Ao virar-me esbarrei em algo, ou melhor, em alguém. Suas mãos agarravam meus braços com força e meu rosto ainda estava para frente, encarando aquela camisa com uma jaqueta de couro por cima. Daryl.

Levantei minha cabeça a fim de olhá-lo. Seu semblante estava sério, e seus olhos estavam fixos nos meus.

– Olá — ele disse.

– Oi — respondi ao recuperar meu fôlego.

Ficamos em silêncio e Daryl me soltou, sem se afastar. Ele abriu a boca várias vezes, mas nada falava. Olhei para o lado já pensando em ir embora quando ouvi sua voz rouca.

– Vim te chamar para comer algo — disse lentamente, como se estivesse escolhendo bem as palavras. — Está aí em cima há um bom tempo.

– Obrigada.

Daryl se virou para ir embora ao perceber que eu não falaria mais nada. Foi quando segurei um de seus braços. Ele se virou com rapidez e eu tive a impressão de ver um brilho diferente em seus olhos, mas deveria ser coisa da minha cabeça. Arqueou uma sobrancelha e ficou me encarando.

Eu tentava formular um pedido de desculpas em meio a tantos que já tinha feito a ele, mas nada ficava bom o bastante em minha cabeça. Ele deu um sorriso sem graça e novamente se virou para ir embora, mas dessa vez não consegui segurá-lo.

– Daryl espera... — falei e ele parou de andar, mas sem se virar. — Me desculpe pelo que eu disse mais cedo. Eu sei que você é um bom homem e que nunca se aproveitaria de mim e nem de ninguém.

Ele olhou para o lado e apertou as mãos em punho. Recuei um passo por instinto, mesmo sabendo que ele nunca me faria mal algum. Ele mesmo havia me prometido. Caminhei até ficar de frente para ele e falei sincera.

– Eu estava confusa na hora. Eu não sabia o que estava acontecendo e nem o motivo de estar acontecendo. Mal nos conhecemos e foi tudo tão rápido... Eu...

– Tudo bem, Melanie — ele me cortou. Estou começando a achar que as pessoas gostam de me interromper no meio de uma frase. — Eu a assustei. Isso não vai acontecer. Esqueça o que disse, eu sou bem pior do que imagina. Então fique longe de mim.

Ele passou por mim e eu apressei o passo para ficar em sua frente novamente. Ele parou e olhou para o lado com impaciência.

– Olha Daryl, eu não quero ficar longe de você. É a pessoa que fez mais por mim do que todo mundo já fez, e eu não quero deixar isso passar em branco. Eu preciso de você por perto.

Daryl voltou seu olhar para mim. Seus olhos estavam confusos, pareciam gritar por respostas. Sua boca estava uma linha dura e reta, tentando conter algo. Colocou a besta nas costas e passou ambas as mãos em meus braços. Seu toque fez com que eu me sentisse quente e viva.

– Por favor, Melanie — ele pediu com um olhar suplicante. — Diga o que quer de mim.

– Quero você por perto. Quero saber quem você é e por que carrega tanta dor. Quero te ajudar a aliviar todo esse peso que carrega nos ombros. Quero ser sua amiga. Uma amiga verdadeira com quem possa contar sempre que precisar!

Ele me olhou e deu um sorriso de canto quase imperceptível seguido de um abraço que eu não esperava.

Mais que depressa o envolvi com meus braços e aninhei a cabeça em seu peito. Eu me sentia protegida como nunca havia me sentido antes mesmo de tudo começar. Impedi minhas lágrimas de descerem ao lembrar de suas palavras na torre. Eu ainda o tinha como uma pessoa que se tornaria minha amiga, se ele permitisse, e isso era o suficiente.

Eu o soltei antes mesmo que o fizesse. Daryl continuou me abraçando por mais alguns poucos segundos e, após me soltar, me deu um longo beijo na testa.

– Vamos — ele chamou. — Todos estão reunidos nas celas.

Concordei com a cabeça e fomos em direção às celas. O clima estava pesado, parecia que ia chover e de repente ficou frio. Me abracei tentando inutilmente não tremer. Olhei para o lado e Daryl também passava frio, sua pele estava completamente arrepiada. Ao desviar seu olhar para mim, voltei a olhar para frente até sentir seu braço me envolvendo.

– Não te entrego minha jaqueta porque não adiantaria muito, já que não tem mangas, mas isso deve resolver.

Olhei em seus olhos e sorri genuinamente alegre. Eu realmente me sentia um pouco mais aquecida.

– É melhor apressarmos o passo então — falei já andando mais rápido enquanto ele apressava o passo para se manter ao meu lado.

Ao chegar na entrada do nosso bloco, Daryl me soltou e deixou que eu entrasse primeiro, fechando a porta depois de entrar. Todos estavam nas celas de baixo, e me sentei ao lado de Beth e perto de algumas velas na esperança de ficar mais quente. Corri meus olhos pelas celas até encontrá-lo. Daryl estava encostado na porta de uma das celas em minha frente e me encarava.

Sorri para ele, que retribuiu com um dos mais belos sorrisos que eu já tinha visto.

Beth começou a cantar uma música que eu conhecia muito bem. ‘Hold on’ de Tom Waits. Era uma bela música e não pude me conter. Comecei a cantar junto com ela.

(POV Daryl)

Estávamos todos reunidos sem nenhum propósito em especial. Eu ainda estava ali porque meu olhar estava preso em Melanie, e ver aquele lindo sorriso me prendeu ainda mais! Hershel que estava ao meu lado sorriu ao perceber. Desviei o olhar de Melanie, mas logo pude ouvir sua voz junto com a de Beth, me atraindo novamente.

As duas cantavam muito bem, mas o que mais me chamou atenção foi como a voz de Melanie se propagava bem, e como ela era suave e forte ao mesmo tempo. As notas que pareciam impossíveis de serem alcançadas eram cantadas sem esforço algum por ambas as garotas.

Eu não conseguia mais desviar meu olhar de Melanie. Ela estava completamente entregue ao momento, à música. Cantava totalmente despreocupada e com os olhos fechados, enquanto Beth olhava para todos. É óbvio que ela tinha um dom muito grande, mas estava claro que Melanie e a música se transformavam em uma coisa só.

Rick desceu as escadas segurando a pequena durona e se juntou a mim e Hershel.

– Que reunião, não? — comentei.

– Elas estão confusas — Rick respondeu.

– Todos estamos — interveio Hershel. — Andrea é persuasiva. Esse cara está armado até os dentes, querendo nos matar.

À medida que Hershel ia falando, a voz de Melanie penetrava em minha mente. Eu precisava proteger aquela garota. Precisava proteger todos ali, minha família.

– E o que faremos? — perguntei na esperança de ouvir um plano.

– Nós o enfrentaremos — Rick disse com a voz firme. — Vou sair.

– Irei amanhã — avisei.

– Não, fique aqui. Vigie seu irmão.

Meu olhar foi direto a Merle, que estava na porta do corredor das celas.

– Estou feliz que tenha voltado. De verdade! — prosseguiu Rick. — Mas se ele causar problemas, você será o culpado.

– Eu cuido dele — afirmei, concordando com suas regras.

– Levarei Michonne comigo amanhã.

– É mesmo uma boa ideia? — perguntei.

– Eu descobrirei — respondeu ele. — E Carl — rapidamente me lembrei de que Carl e Michonne estavam fazendo a vigília naquela noite. — Ele está pronto. Você cuida daqui.

– Sem problemas! — respondi.

Senti a confiança que Rick estava tendo em mim e estava feliz por isso.

Todos nós ficamos calados ouvindo o resto da música e apreciando aquele momento que raramente acontecia. A letra se encaixava perfeitamente com o que estávamos vivendo. Precisávamos aguentar firme.

Quando terminaram de cantar, Melanie abriu os olhos e ficou vermelha. Sorriu para todos e subiu as escadas em direção à cela. Esperei alguns segundos e a segui, andando lentamente até sua cela.

– Toc, toc — falei ao ficar de frente com a porta.

– Ah, oi Daryl! — ela parecia surpresa a me ver ali. — Por favor, entre.

Entrei e fiquei de pé. Melanie chegou para o lado da cama para que eu me sentasse ao seu lado e foi o que fiz.

– Você cantou muito bem! — elogiei.

– Ah... — ela ficou vermelha. — Aquilo não foi nada, mesmo.

– Não não! — eu insisti no elogio. — Foi ótimo!

Ela sorriu e olhou para a parede, desviando-se do meu olhar. Pensei em algo que pudesse dizer para que aquele momento não ficasse tão constrangedor, mas nada vinha em minha mente.

Eu queria dizer tantas coisas para aquela garota. Mas eu nem sabia como organizá-las em algo que não fosse sem sentido. Eu não sabia como explicar o que eu estava sentindo ou o motivo de não ter gostado de saber que ela queria ser apenas minha amiga. Não que eu não quisesse a amizade dela, eu queria! Mas não gostei de ser limitado por ela. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Uma hora eu tinha certeza de que não queria absolutamente nada com ela. Mas agora, era completamente diferente. Eu necessitava dela.

– Eu não quis realmente dizer aquilo — falei de uma vez.

– Aquilo o que? — ela perguntou ao virar-se para mim.

– Eu não te beijei só porque sinto falta de uma mulher. Para falar a verdade eu nem ligo muito para isso, apesar de realmente sentir falta... — eu já estava me enrolando na pressa de explicar. — O que eu estou querendo dizer é que eu te beijei porque eu quis beijar você... Ah, esquece...

Quando pensei em me levantar ouvi o som da voz dela.

– Eu entendi Daryl.

Ficamos calados.

– Melanie? — perguntei após alguns segundos de silêncio. — Como você está se sentindo em relação a mim?

– Como assim? — perguntou, nervosa.

– Você sabe... O que você sente por mim?

Fiquei calado esperando que ela respondesse. Parecia pensar bastante numa resposta, mas eu esperava que fosse sincera e não automática. Quando ela falou, sua voz estava urgente.

– Eu não sei! Você me deixa completamente confusa. Eu não consigo me controlar quando estou com você. Eu sinto vontade de te ter por perto e eu gostei de ter te beijado. Eu me sinto atraída por você e eu não sei explicar como isso aconteceu em tão pouco tempo. Eu... eu... — ela gaguejava. — Eu não sei explicar, Daryl...

– Você quer me beijar? — perguntei rapidamente, sem nem esperar que ela terminasse de falar.

– O que? — ela exclamou sem entender.

– Você quer me beijar? — perguntei mais lentamente e me aproximando um pouco mais.

Ela me encarava com aquelas esmeraldas arregaladas e brilhantes. Sua boca estava entreaberta tentando regularizar a respiração. Fiquei impaciente com a sua demora em responder a pergunta.

– Melanie, voc...

– Quero!

Aproximei meu rosto até termos os nossos lábios colados. Sem pedir permissão, invadi sua boca com a minha língua e comecei a explorar novamente. Logo senti a sua, travando mais uma vez uma batalha invencível.

Dessa vez limitei-me e segurar em sua nuca com uma das mãos e a outra estava pousada em sua clavícula. Uma de suas mãos estava em minha perna e a outra em meu ombro. Seu toque me estimulava cada vez mais e decidi parar de beijá-la para não assustá-la novamente, mesmo sabendo que seus sentimentos eram os mesmos que os meus. Deixei nossas testas coladas e abri os olhos, mas os dela continuavam fechados.

– Eu tenho medo... — ela disse, sem abrir os olhos.

– De que? — perguntei num sussurro.

– De não ter esse sentimento esquisito correspondido.

– Não precisa ter medo disso. Eu também não consigo me controlar perto de você, o que é estranho, já que eu nunca me senti assim com ninguém. Você me atrai automaticamente! É como se fossemos como aqueles superimãs que é praticamente impossível de separar. Eu não sei Melanie, eu não sei como eu posso me sentir assim em tão pouco tempo, mas eu sinto.

Ela sorriu e abriu os olhos, me encarando com aquele lindo tom de verde. Seu sorriso logo sumiu e ela voltou a falar com uma voz triste.

– Mesmo assim acho melhor sermos apenas amigos — aquela frase me fez estremecer e infelizmente ela percebeu, me apertando mais forte. — Não nos conhecemos e fazer isso antes pode nos poupar de dores que poderiam ser evitadas.

– Então isso quer dizer que...

– Que não precisamos nos preocupar com isso — ela me interrompeu. — Vamos nos conhecer e deixar esse sentimento se desenvolver direito.

– Como saberemos que é a hora certa? — perguntei fechando os olhos, ainda com a testa encostada na de Melanie.

– Simplesmente saberemos.

– É melhor eu ir para a minha cela então... — eu disse descolando nossos rostos e me coloquei de pé.

– É melhor sim. Boa noite Daryl!

Me curvei em sua direção e dei um último beijo em sua boca, apenas um toque. Toque que gravou em minha mente a maciez de seus lábios e a doçura de sua boca por toda a eternidade.

– Boa noite! — disse ainda próximo de Melanie e me virei, saindo de sua cela e entrando na minha, sussurrando para mim mesmo. — Boa noite, pequena.

Notas finais
O que acharam, anjos? Espero que tenham gostado do capítulo! Podem ficar a vontade para falar o que acharam, reclamarem e darem sua opinião! Estou sempre de braços abertos para vocês! :3 Até o próximo capítulo, bambini! Bacioni =****