A Little Piece Of Heaven
1 Capítulo 1 - At The Store
Notas iniciais
P.S.: se puderem recomendar, seria muito bom, sabe? Kkkkk. Okay, parei. Até as notas finais :P
Anita’s POV
Era quase três da manhã de uma madrugada fria de sábado. Eu e Christopher passamos no mercado para comprar alguma coisa para comer, já que em casa nós não tínhamos nada. Estávamos voltando de mais uma festa como de costume, totalmente alcoolizados. Bom, eu ainda tinha um pouco de consciência, mas com certeza Chris já tinha extrapolado seu limite. Eu estava andando entre as estantes procurando algo leve e rápido para comer. Não tínhamos comido nada na balada, só ingerimos copos após copos de bebidas. Meu estômago chegava a doer de tanta fome. Estava concentrada em procurar a comida que acabei me esquecendo do Chris. Ele estava na ala das bebidas alcoólicas, para variar. Seus braços estavam cheios com garrafas de whisky e vodka, além dos 3 maços de cigarro. Olhei para todo aquele suprimento em suas mãos.
– Você vai mesmo levar tudo isso? – perguntei abismada. Ele não tinha noção do certo do errado sóbrio, imagina bêbado.
– Por quê? – ele veio para cima de mim. Ele cheirava a álcool e fumaça. Tentei ir para trás, a fim de impedí-lo que chegasse perto de mim, mas uma das estantes atrapalhou meu plano. – Eu faço o que eu quiser e você vai me obedecer. Entendeu? – ele apertou minhas bochechas com uma das mãos vazias. Ele estava fora de si. Aquele não era o Christopher que eu conhecia, mas passei a conhecer depois que nos mudamos para a mesma casa.
– Chris... – coloquei minhas mãos no seu peito e tentei afastá-lo, mas isso só vez com que ele viesse mais perto ainda. – Por favor, não faça isso. – ele ainda segurava meu rosto, me forçando a olhar nos seus olhos pretos e distantes. Sentia sua respiração pesada no meu rosto, ele estava prestes a me beijar, mas eu virei o rosto.
– Ah, então decidiu se rebelar contra mim... – ele apertou ainda mais forte meu rosto. Ele estava realmente me machucando. – Escuta bem o que eu vou te dizer. Você é a minha vadia e vai fazer o que eu quiser, entendeu? Não adianta ficar toda nervosinha, eu mando em você. Que isso não aconteça mais. – ele me beijou a força mesmo. No começo do nosso namoro, eu realmente o amava. Foi depois que nos mudamos que essa face dele começou a se mostrar. Antes eu o considerava o amor da minha vida, mas hoje eu sinto nojo, repugnância de estar no meu recinto que ele. Arrepiava-me só de ouvir seu nome. Tinha vontade de morrer quando pensava nele. Ele se tornou uma desgraça na minha vida. Mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Ele me soltou e foi em direção ao caixa. Eu o observei andar, enquanto tentava limpar qualquer resquício dele na minha boca com a minha blusa. Ele já estava cambaleando, de tão alcoolizado que estava. Estava em pé ao lado da mesma estante em que ele me prensou quando vi que ele fez um sinal para que eu me aproximasse. Fui apesar de não querer.
– Me dá o dinheiro. – ele disse olhando para as compras estendendo a mão em minha direção.
– Não. – eu disse com medo. Ele virou a cabeça em minha direção devagar fazendo com que um arrepio subisse pela minha coluna. – Não vou pagar por isso. – eu olhei para a moça do caixa em busca de ajuda. Chris continuava me encarando.
– O que você disse? Eu ouvi bem? Você não quer pagar? – ele estava furioso comigo.
– Foi isso mesmo. Não vou mais te sustentar. Cansei dessa vida. – eu tomei uma coragem que não sei de onde vinha. Foi só depois que eu disse que fui pensar no meu comentário.
– Me sustentar? – ele elevou ainda mais seu tom de voz e começou a gritar. – Desde quando você me sustenta? Eu que tenho que te sustentar porque o seu trabalho de puta não rende nada. – o seu olhar me metralhava. Sua respiração já não estava mais uniforme, estava alterada e rápida. Ele estava completamente furioso. E parecia que o tempo tinha parado. Eu olhei para ele e ele para mim. Eu não tinha reações como gostaria de ter. Meu corpo não se mexia, não obedecia as minhas ordens de dar o fora dali. Até que ele tomou uma atitude. Eu senti suas mãos fortes e quente me empurrem até que meu corpo estivesse no chão. E foi isso o que aconteceu. Ele me empurrou, me derrubou e foi embora. Fiquei sentada no meio do corredor do supermercado enquanto o vi entrar no carro e acelerar para longe de mim. Ele saiu cantando os pneus. Não teria pena dele se de repente ele batesse em uma traseira de um caminhão e não sobrasse nada. Ele não faria falta para mim, nenhuma. Seria um alívio me livrar dele.
– Quer ajuda? – uma jovem, do caixa ao lado me perguntou. Sua expressão mostrava que ela estava tão surpreso quanto eu.
– Não, obrigada. – eu disse, apoiando minhas mãos no chão e me levantando. – Estou bem. – tentei forçar um sorriso. Olhei para a esteira do caixa e vi que os produtos que ele havia pegado ainda estavam lá.
– Você... Ainda vai levar isso? – a moça que nos atendeu perguntou apontando para as garrafas.
– Vou levar só essa. – eu peguei a primeira garrafa que eu vi.
–- Vou precisar da sua identidade. – ele pediu com um sorriso.
–- Ah sim. – eu revirei minha bolsa e achei minha carteira. – Tá aqui. – entreguei aquele papel amassado a ela que demorou um pouco o observando, mas logo devolveu.
–- São 46 libras. – ela disse passando a garrafa pelo código de barras e a colocando dentro de uma sacola.
–- Hã... Não precisa de sacola não. Levo na mão mesmo. – eu falei enquanto ela retirava a garrafa da sacola. – Obrigada. – agradeci com um sorriso falso e sai pela porta automática. O ar continuava gelado igual de quando nós chegamos aqui. “Nós”. Eu precisava para de falar aquela palavra, “nós” não existia mais, agora era eu e ele. Peguei-me sorrindo de canto com o pensamento. Minha visão estava turva, por causa das doses ingeridas de álcool. Fui em direção ao estacionamento onde havia uma espécie de parede, que servia para dividir o terreno do mercado com os outros prédios comerciais da redondeza. A parede estava tão gelada quanto o ar e sua textura rústica fazia com que parecesse mais gelada ainda. Passei a mão nela com força, tentando esquecer tudo o que tinha acontecido hoje e todos os outros dias. Virei-me de costas para a parede, apoiando a minha cabeça e logo em seguida minhas costas. O contato da parede com a minha pele quente fez com que me arrepiasse novamente. As lágrimas insistiam em cair dos meus olhos. Toda a minha luta para que eu me mantivesse em pé foi em vão, minhas pernas estavam bambas e o salto agulha de 10 cm que usa não ajudava muito. Conforme fui me entregando, meu corpo ia em direção ao chão, minhas costas raspavam na parede rústica. Uma dor fez com que meu corpo estremecesse todo, alguma coisa escorria através da minha camisa, isso fez com que eu sentisse mais frio ainda. Passei devagar a mão na área da coluna e quando eu vi, era sangue. A parede tinha me ferido, mas as dores que os machucados causavam não chegavam perto dos meus sentimentos causavam. Abri a garrafa de vodka com os dentes e comecei a beber no gargalo. Queria afogar as minhas mágoas, mas parece que elas aprenderam a nadar. A luz feita pelos postes espalhados pela rua fazia com que ficasse cada vez mais difícil ficar com os olhos abertos. Fechei os olhos, me rendendo pelo cansaço. Já não tinha mais noção do que era real ou não. Comecei a ver unicórnios e arco íris. Comecei a chorar, do nada, sem motivo aparente. Estava completamente chapada. Alucinações e visões se tornaram constantes. Chris deve ter posto alguma coisa nas bebidas que tomei na festa. Só aquela garrafa não causaria tudo isso. Vozes ecoavam na minha cabeça, mas tentei não dar muita atenção só que elas pareciam reais demais.
–- Anita? É você? – uma voz me perguntou. Meus olhos ainda estavam fechados e se negavam a abrir. Legal, não tinha controle sobre a minha vida e agora sobre o meu corpo.
Notas finais
P.S.: eu sou maluca mesmo, melhor se acostumarem! :B
Beijos
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