A Lenda dos Santos de Atena
27 Roupas & Lutas
Shion executava alguns exercícios físicos, Dohko aproximou parando ao lado.
– Podemos treinar Shion?
– Sim. — virou-se para ele.
– Espero que não castigue os meninos, pelo atraso.
– Não haverá castigos. — tomou posição. — deram sorte, pois estou de bom humor. — sorriu.
– E esse bom humor tem motivo?
– Resolvi seguir seu conselho. Alguns são idiotas, mas outros válidos.
– Meus conselhos nunca são idiotas. — ralhou.
– É sim Hian. — riu.
– Qual foi o conselho que seguiu?
– Paula e eu passamos a noite juntos.
O libriano parou o movimento.
– Como? — indagou não acreditando.
– Nós conversamos e resolvemos deixar nossa relação fluir. O futuro, as Moiras pertencem.
– Vocês.... — o chinês deu um sorriso safado.
– Sim.
– E como foi?
– Não seja indiscreto Hian.
– Fala logo Shion!
– Ótimo. Paula é encantadora.
– Você quer dizer outra coisa não é? — o sorriso aumentou.
– Não seja indelicado. Ao respeito.
– Só tem nós dois. — aproximou do amigo. — foi sexo selvagem?
– Hian! — Shion ficou vermelho.
– Estou brincando. — riu. — você é todo certinho... — sorriu. — como se sente?
– Bem, apesar que...
– Que...?
Shion olhou para os lados para ver se havia alguém por perto, mesmo assim aproximou de Dohko falando bem baixinho.
– Ainda estou com pau duro. Eu queria mais, mas fiquei com receio. Não é a imagem de um grande mestre.
O libriano franziu o cenho surpreso, Shion não falava nesses termos.
– Pensei que subia apenas uma vez.
– Dohko... — a voz saiu séria.
– Brincadeira. — levantou os braços. — simples de resolver, só convida-la aos seus aposentos.
– Será? — não sentia muito seguro.
Hian balançou a cabeça negativamente, Shion só não perdia para o Shaka.
– É Shion. Não disse que vai manter um relacionamento com ela? Então. Conversa com a Paula, se ela topar.... o que acontece dentro do seu quarto é problema seu e não nosso.
– Vou pensar nisso...
– Eu, por exemplo... — deu um sorriso lavado. — Jules dormiu lá em casa e aí....
– Vocês dois??
– Porque não? A Jules é minha namorada. Só não é esposa por problemas técnicos e...
O rosto de Shion ficou sério.
– Não está indo longe demais?
– Não Shion. — respondeu com seriedade. — já deixei claro para todo mundo que quero me envolver com a Jules e só, ainda não virou algo sério por que tem uma barreira no meio, mas se eu conseguiu eliminar esse empecilho...
– Não está pensando em fazer algo está...?
– Quem sabe. — sorriu de canto de olho.
O grande mestre ficou preocupado, quando Dohko colocava algo na cabeça ia até o final.
O.o.O.o.O
Enquanto isso na cozinha...
– Espero que hoje a noite, eu passe no terceiro andar. — Paula saboreava um pedaço de bolo.
– Agora você virou oficialmente a primeira dama. — disse Mabel. — manda em tudo.
– Eu sou a Diva maior! Tem que me obedecer.
Todos caíram na gargalhada.
– Bom dia. — disseram Rodrigo e Atena.
– Bom dia Atena. — Gabe notou a proximidade dos dois.
– Desculpem mas tenho algumas coisas para resolver. — a deusa só beliscou uns biscoitos. — por que não vão assistir o treino dos cavaleiros? — olhou para Rodrigo e Fernando.
– Podemos? — indagou o baiano.
– Tenho certeza que Shion não vai se importar, em todo caso converse com o Dohko. Bom... vou separar minhas roupas.
– Roupas? — Julia interessou.
– Costumo promover um bazar beneficente com as minhas roupas para a caridade.
– Podemos ajudar? — indagou Marcela, querendo ver o closet de Atena.
– Claro.
– Bom dia a todos. — Marin chegou a porta.
– Chegou em boa hora Marin. — disse Suellen, — vamos ter papo de meninas sobre roupas. Ela pode ir Atena?
– Pode.
A amazona franziu o cenho, fazia tempo que não conversava esse tipo de assunto, sentiria um pouco deslocada. Ela fitou o mineiro.
– "Talvez ele goste de meninas mais femininas." Quero ir mesmo. — disse.
– Então enquanto ficam com o papo das luluzinhas, vamos fazer brincadeiras de meninos. — disse Rodrigo. — vamos Fernando.
O mineiro levantou, apenas lançando um olhar carinhoso para a japonesa. A vontade era beija-la, mas ainda não podia tornar a situação deles pública.
O.o.O.o.O
Na Arena dourada, Shion deu as ordens para a formação das duplas, que ficaram assim: Saga e Kanon, Mu e Shaka, Aioria e Dite, providenciado pelo pisciano, pois queria ter uma conversa com o leonino. Assim como Kamus que queria entender a insegurança de Aiolos. Miro e Deba, Shion e Dohko e Mask e Shura.
– Pensei que seu castigo duraria mais. — disse Shura, tomando posição.
– Também achei, mas Atena foi compreensiva.
– Mas não deveria. Aquilo não se faz. — o espanhol avançou
– Já me arrependi. — deu nos ombros desviando do soco. — o importante é que a Julia não ficou com raiva de mim.
Shura estreitou o olhar.
– Sabia que ela foi me visitar? — deu uma rasteira.
– Eu vi. — Shura conseguiu desviar, dando um chute.
– Espero que seja a última vez, não quero vê-lo perto da minha namorada.
O espanhol tomou um susto, tanto que levou um soco de Giovanni.
– Como?
– Julia será a minha namorada. — queria tira-lo do sério e estava conseguindo.
– Devo te informar, — limpou a boca. — que ela disse que gostava de mim.
– Usou muito bem o verbo Shura. Gostava. E mesmo que ainda reste alguma coisa, vou fazê-la esquecer rapidinho você. Vamos ficar juntos. — sorriu.
Esdras o fitou com ódio, não deixaria Mask tirar-lhe Julia.
– Vamos ver quem vencerá no final. — disse.
– Desafio aceito. — Mask sorriu.
Shion e Dohko treinavam um pouco afastados e por conta disso o libriano intimou o amigo a contar com detalhes sobre a noite anterior.
A próxima dupla era Miro e Deba.
– Então quer dizer que está cantando a Helu? — indagou Deba disparando uma sequencia de socos.
– Estou. — desviou de alguns e segurou outros. — Já que a Marcela não me quer...
– Você não presta.
– Sou realista. E você? Fez as pazes com a Bel?
– Ela ainda está com raiva de mim. Acho que ela não me quer mais. — disse entristecido. — fui um idiota.
– Tenha a calma Deba. — Miro parou. — você precisa é reconquista-la. Convide-a para almoçar. Jogue seu charme.
– Isso não vai funcionar...
– Confie em mim. Quem está dizendo é Miro de Escorpião.
Deba franziu o cenho, talvez Miro estivesse certo.
Kamus e Aiolos treinavam em silêncio. O grego pensava nas palavras que Sheila havia lhe dito e Kamus nos dizeres do amigo.
– Posso te perguntar algo? — indagou o francês.
– Sim.
– Você está gostando mesmo da Sheila?
– Estou... apesar da recíproca não ser verdadeira.
– Mas chegou a falar com ela?
– Não... eu não tenho chances Kamus. A Sheila não é mulher para mim.
– Aiolos não estou entendendo, está inseguro? Nunca foi assim.
– Eu saia com as servas e elas tem no maximo vinte anos, a Sheila é uma mulher. Ontem ela me disse com todas as letras que sou um garoto e que queria um homem de verdade.
– Ela disse mesmo?
– Sim. Andou bebendo e a levei para a minha casa. No caminho me disse isso.
– Não há nada a si fazer mesmo. — disse para encerrar o assunto, mas quando encontrasse com Isa perguntaria sobre isso.
Mu que treinava com Shaka contou-lhe sobre o ocorrido na noite anterior.
– Não anda fazendo os exercícios... — Shaka o repreendeu.
– Estou aproveitando a Ester... — disse sem graça. — eu não sei quando ela vai embora...
– Parece que ela roubou seus pensamentos.
– Pensamentos e sentimentos. — sorriu. — queria muito que sentisse isso.
– Dispenso.
– Por que a Juliana ficou até hoje cedo?
– Eu a pedi para ficar. — disse.
– Pediu? — arqueou a sobrancelha.
– Pedi. Poderia passar mal, queria alguém por perto.
– Shaka me responda algo.
– Diga.
– O que sente quando a vê?
– Como assim? — não entendeu.
– Quando está perto da Juliana o que vem na sua mente? Como seu corpo reage... essas coisas.
– Ah... — parou para pensar. — agora que perguntou, sinto umas coisas estranhas. Meu coração as vezes bate depressa e...
– E? — Mu queria sorrir, mas não podia desencorajar Shaka.
– Ultimamente tenho vontade de toca-la. — disse como se fosse algo estranho. — e ela estava bonita naquele kimono.
– A acha bonita?
– Acho. Os traços orientais dela são harmoniosos. E ela é educada e fala baixo.
– E o que mais?
– Gostei da preocupação dela comigo. Teve uma vez... — contou sobre o caso dos espíritos em Câncer. — ela ficou assustada e senti uma enorme vontade de protegê-la.
– São coisas estranhas... — abafou o sorriso. — temos que descobrir o que está acontecendo com você. – fingiu não entender os sintomas.
– Os efeitos físicos podem ser de doença?
– Quem sabe. — queria muito rir, mas não podia. — depois pensaremos sobre isso. Pode me ajudar com a Ester?
– Venha almoçar lá em casa e a leve.
Afrodite escolheu Aioria propositalmente.
– Está podendo treinar normalmente?
– Mais ou menos. – disse Aioria. — Não posso me exceder muito.
– Vamos afastar mais um pouco? — indagou. — caso você queira parar.
– Tudo bem.
Afastaram das outras duplas, numa distancia suficiente para que os demais não escutassem a conversa.
– Seja sincero. Você gosta da Gabrielle? — indagou na lata.
– Como?? — levou um susto. — do que está falando?
– Fale Aioria. — disse sério. — eu já sei de tudo.
– Tudo o que?
– Tudo. — a voz saiu enfática. — fale.
Aioria olhou para o lado, certificando que ninguém ouvia.
– Não me condene, mas... não gosto mais da Marin como antigamente. Eu me apaixonei pela Gabe. Mas não tenho coragem de terminar com a Marin, seria sacanagem.
– E não é sacanagem ficar com ela desse jeito?
Ficou em silêncio.
– Gabe me contou o que se passou em Leão ontem a noite. Ela subiu as escadas chorando.
O cavaleiro sentiu-se mal, tudo que não queria era magoar a brasileira.
– Sei que sou um crápula.
– Vai ser um crápula se continuar levando esse casamento adiante. Atena nos deu uma nova chance, vai desperdiça-la?
– Mas e a Marin?
– Vai sobreviver. Converse com ela Aioria, será o melhor para todos. Posso garantir.
Aioria suspirou, talvez Afrodite tivesse razão.
Do outro lado Saga e Kanon treinavam.
– Você me paga. — Saga desferiu um soco no irmão.
– Pensei que me amava. — Kanon segurou.
– Me expos ao ridículo.
– Você que fez a besteira. Inclusive na frente da Cris.
Saga fechou a cara.
– Vou apagar o vídeo não se preocupe.
– E quanto ao fato de querer ficar com ela?
– O que tem? — disse simplesmente.
– Como que tem?
– Não sei aonde quer chegar Saga. Vou chama-la para conversar e aí...
– E a Suellen?
– Eu fico com as duas. — deu um sorriso lavado.
A resposta de Saga foi dar-lhe um soco.
O.o.O.o.O
As meninas subiram entusiasmadas, pois conheceriam o quarto e o closet de Atena. Ao alcançarem as escadas do terceiro andar ficaram de boca aberta e o assombro só aumentou ao chegarem a sala de estar da deusa.
– Isso tudo faz parte do seu quarto?– indagou Ester.
– Sim. Por favor, fiquem a vontade.
Era o quarto dos sonhos, tudo bem decorado e requintado digno de uma deusa. Saori parou na porta de madeira branca entalhada.
– Entrem.
Abriu a porta e todas ficaram espantadas. As paredes do quarto eram brancas e o chão em madeira marrom, sobre parte do chão e por baixo da cama um tapete persa bege. A cama era de casal coberta com uma colcha pastel, duas mesinhas em madeira clara fazia o papel de criado mudo. Um sofá em design italiano na cor branca ficava ao lado. De frente para a cama uma pequena penteadeira saída de palácios europeus. Na parede que ficava a porta era coberta por enormes espelhos e sobre a cama uma foto de Saori em preto e branco numa pose descontraída.
– Que linda a foto Atena. — disse Juliana.
– Obrigada. Vamos para o closet.
Atena apertou um pequeno botão que ficava sobre a tomada. Os espelhos deslizaram abrindo, revelando outro cômodo.
– Ela tem um cômodo só para o closet? — Suellen ficou de boca aberta.
– Gente com dinheiro é outro nível. — disse Sheila.
Se com o quarto ficaram perplexas com o closet chegaram a abrir a boca. Era todo branco, com piso em mármore branco e um lustre de cristal no meio. O closet tinha dois andares! Com uma escada em caracol em mármore e vidro.
– Caraca! — exclamou Marcela. — isso tudo é seu closet?
– Sim. Tem dois meses que o reformei.
– É lindo Saori! — exclamou Gabe.
Até Marin estava impressionada, pois ainda não tinha o visto depois da reforma. O lado patricinha de Atena sabia impressionar.
– Não tem muitas cadeiras...
– Com um chão brilhando desse jeito, sento nele sem problema. — disse Mabel.
As meninas acomodaram-se no chão, enquanto Paula, Isa e Ester sentaram no único sofá feito de veludo carmesim.
– Como é a divisão? — indagou Julia encantada.
– Tenho uma ala para vestidos formais, vestidos do dia a dia e vestidos de festas. Uma ala para terninhos, para calças, bermudas, casacos, blusas. Cintos também são separados, assim como as bolsas, dia a dia, trabalho e noite. Os sapatos seguem a mesma ordem. As roupas de festas e minhas joias ficam no segundo andar.
Apontou para cima e todas seguiram olhando, dezenas de repartições repletos de vestidos.
– Vai se desfazer de muita coisa? — indagou Cris.
– Sim. Tenho roupas demais... — deu um sorriso sem graça. — podemos começar pelos sapatos.
Olharam para o fundo do closet, um armário de quatro divisões e dez prateleiras cada estavam repletos de sapatos.
– Que numero calça? — indagou Isa esperançosa que talvez pudesse levar algum sapato.
– Trinta e quarto.
Isa e Julia sorriram.
– Podemos experimentar os sapatos que vai doar?
– Claro, são os da prateleira da esquerda.
– Todos?
– Sim.
As duas correram para olharem os sapatos.
– Nem vou perder meu tempo em olhar para os sapatos... — murmurou Cris sentando no lugar de Isa.
– Quanto calça?
– Trinta e sete, Ester.
– Estamos juntas. — deu a mão. — calço trinta e nove.
– Vai doar os vestidos de festa também? — Helu queria vê-los.
– Sim podem olhar estão marcados com uma fitinha vermelha.
Metade das meninas subiram para olharem os vestidos.
– Se puderem descer com eles, ficaria grata.
– Tem mais marcados com as fitas vermelhas? — indagou Juliana.
– Venha olhar os sapatos. — Julia a puxou. — são seu número.
Atena achou graça.
– Todas as roupas que estiverem fitas vermelhas são para o bazar.
Logo começou o falatório sobre as roupas. Marin ouvia tudo sentindo um pouco deslocada. Não estava acostumada a aquele mundo.
– Venha Marin. — Paula pegou na mão dela. — precisamos limpar as vistas com coisas caras.
Ela concordou entrando no clima.
O.o.O.o.O
Antes de seguir para a arena dourada, Fernando foi tomar um banho e trocar de roupa, no caminho contou ao mineiro o que tinha acontecido, assim como ele contou sobre a noite com Atena. Depois de prontos desceram, encontrando os cavaleiros ainda em duplas. Não querendo atrapalhar sentaram na arquibancada.
Saga fechou a cara assim que o viu.
– Se não quer nada com a Cris, não estressa. — disse Kanon.
Dohko assim que os viu parou o treino indo a eles. Shion foi atrás.
– Podemos ver? — indagou o baiano.
– Sem problema. — disse Shion de forma simpática.
– No Brasil fazem algum esporte? — Dohko aproximou mais.
– Eu sou uma negação. — disse Fernando.
– Faço Jiu-jitsu e já fiz boxe. — respondeu Rodrigo.
– Sério? — Dohko gostou. — eu fiz algumas aulas de Jiu há muitos anos, mas me acho muito baixinho.
– O importante é ter técnica Dohko.
– Podemos lutar?
– Por mim...
Dohko olhou para Shion que deu nos ombros. Estava de bom humor. O libriano foi até o vestiário da arena, voltando com uma lona grossa.
– Aqui não é o local mais apropriado, mas essa lona vai amortecer um pouco.
– Sem problema Dohko. Só de lutar com você...
Os demais cavaleiros que treinavam pararam ao ver a movimentação do chinês.
– O que ancião vai fazer? — indagou Mask.
– Parece que algo com o Rodrigo. — Miro aproximou.
– Eu quero ver.
Aiolos aproximou de Shion que estava sentado perto.
– O que Hian vai fazer mestre?
– Lutar uma modalidade de luta com o Rodrigo.
– Posso ver?
– Quem quiser...
Não foi preciso repetir, todos os cavaleiros sentaram na arquibancada. Com a ajuda de Rodrigo, Dohko abriu a lona que tinha uns quatro metros quadrados, não era exatamente o material apropriado, mas evitaria o contato com o chão batido da arena.
– Não vai usar o cosmo não é? — o baiano sorriu indo para um lado da lona. — nem a velocidade da luz?
– Claro que não. Só a força física.
– Espero não me arrepender por ter lutado contra um cavaleiro de ouro.
Dohko riu. Os dois foram para o centro do quadrado onde apertaram as mãos, em seguida afastando.
Começaram a movimentar em todo o quadrado, mas num dado momento, Rodrigo segurou o braço de Dohko levando ao chão, que por sua vez tentou fazer um golpe para imobiliza-lo. Tanto o mineiro quanto o libriano no chão tentavam mobilizar um ao outro, mas estava difícil, pois os dois tinham habilidades.
– Dohko vai massacrar ele. — disse Aioria.
– Não seria ruim. — murmurou Saga.
– Saga! — Aiolos deu um cutução nele.
– Pelo pouco que sei. — disse Deba. — parece que os dois estão empatados.
A tentativa de mobilizar continuava. Apesar de saber pouco, Rodrigo reconhecia que Dohko era forte e que teria que ser rápido para conte-lo. Já o libriano julgou o brasileiro bastante perspicaz. Se ele tivesse vindo novo para o santuário talvez desse um cavaleiro.
Aproveitando um pequeno deslize, Dohko imobilizou o baiano, mas o brasileiro passou as pernas pela cintura do cavaleiro e colocando força na perna esquerda fez uma alavanca e pegando impulso virou Dohko.
– Oh... o menino é bom. — disse Shura.
Para terminar o combate, Rodrigo segurou o pulso de Dohko com a mão direita, passando a esquerda por debaixo do braço, aplicando a técnica de raspagem.*
– Me rendo. — disse Dohko.
Rodrigo o soltou.
– Você é muito bom garoto.
– Não exagera Dohko. — disse sem graça.
– É sério. Se tivesse vindo para o santuário antes dos dez anos tinha virado cavaleiro.
– Sério?
– Sim. Toda criança até dez anos tem o cosmo latente dentro de si que só precisa ser aflorado. Claro que uns tem mais facilidade para florescê-lo enquanto outros têm menos. Por isso para se tornar cavaleiros pegamos meninos de no máximo dez anos.
– E o que acontece depois dos dez?
– Podemos dizer que o cosmo adormece, — disse Shaka. — de tal forma que não desperta mais.
– Desaparece?
– Não exatamente, a "semente" atrofia.
– Ah....
– Jiu contra Taekwondo? — Dohko estava empolgado.
– Claro.
Foram cada um para um lado. Fernando via o amigo lutar, deveria ter aprendido, poderia se defender de Aioria caso precisasse.
Os dois fizeram o cumprimento e Dohko logo partiu para cima de Rodrigo com um chute. O baiano não perdeu tempo fazendo a mesma coisa, mas a intenção era trava-lo para jogar o cavaleiro no chão. O chinês sabia disso e procurou não dar chances para que o "adversário" fizesse isso. Entretanto Rodrigo segurou a camisa de Dohko jogando-o no chão e rapidamente prendeu a cintura dele com as duas pernas como numa tesoura. O libriano tentou segurar a camisa de Rodrigo para inverter a posição, mas o baiano fez uma chave com as pernas prendendo o pescoço de Dohko.
– Não é que o garoto leva jeito? — disse Miro gostando da luta.
Rodrigo pensou que o cavaleiro pediria para parar, mas foi surpreendido ao ser erguido por ele e lançado-o ao solo batendo as costas no chão.
O libriano o soltou.
– Tudo bem? – indagou Dohko.
– Já estive pior. — sorriu.
O combate reiniciou. Dohko girou o corpo dando um chute, que acertou a orelha de Rodrigo, ele ao invés de afastar foi como se fosse dar um soco, no entanto agarrou a camisa de Dohko jogando-o no chão. A luta passou a ser quem imobilizava primeiro e acabou dando empate.
– Acho que vou voltar a fazer Jiu. — disse Dohko. — bem que poderia me ensinar.
– Eu? Ensinar um cavaleiro de ouro?
– Está ensinando Hian Hohko, não o cavaleiro de Libra.
– Fico lisonjeado.
– Você é bom garoto. — Shura aproximou, era um admirador de artes marciais.
– Obrigado. — respondeu encabulado.
– Mais uma. — Dohko estava empolgado.
O.o.O.o.O
Enquanto os meninos faziam brincadeiras de meninos, as meninas se esbaldavam no closet de Atena.
– Posso ficar mesmo Atena? — Julia olhava a sandália toda preta de salto agulha, toda trabalhada.
– Claro. Isa e Juliana podem escolher também.
– Posso ficar com essa? — Isa escolheu outra preta.
– Pode.
– Eu não uso saltos Atena, mas amei essa sapatilha. — a escolhida era branca com estampa de Sakuras.
– Pode levar.
Para agradar a todas, Atena deu um peça de roupa, bolsa ou calçado para cada menina, na vez de Marin...
– E você Marin?
– Obrigado Atena, mas eu não tenho onde usar essas roupas....
A deusa fez uma expressão pensativa, indo até o armário onde ficavam os vestidos. Pegou um nude de rendas, todo delicado que ia até os joelhos.
– Experimente esse.
– Mas Atena... não vai servir.
– Experimenta.
Marin não questionou indo até o trocador. Minutos depois... todas as meninas pararam de falar ao ver a amazona. O vestido ficara perfeito. Na deusa o comprimento era até os joelhos em Marin bateu um palmo acima deles.
– Você ficou linda! — disse Gabe.
– Sério...? — estava vermelha, era tão raro usar vestidos.
– Marin deveria usar vestido sempre, tem pernas lindas. — disse Marcela.
– Obrigada.
– Fique com ele Marin. — Atena aproximou. — sei que Aioria vai adorar.
A amazona corou e as meninas ficaram em silêncio.
– O que foi?
– Nada Atena. — precisava encontrar coragem para comunicar a deusa que não haveria casamento. — obrigada pelo vestido.
– De nada. — e virando-se para as meninas. — obrigada pela ajuda. Agora só esperar o pessoal do bazar vir buscar.
– Nós que agradecemos pelas roupas.– disse Ester, animada, pois uma batinha que estava larga na deusa, serviu nela como blusa.
– Espero que não reparem, mas preciso trabalhar um pouco...
– Claro Atena. — disse Suellen levando para si uma bolsa maravilhosa da marca Prada. — podemos ver o treino dos meninos?
– A vontade.
O.o.O.o.O
Dohko e Rodrigo ainda lutaram mais duas vezes.
– Os dois já brincaram o suficiente. — disse Shion. — voltem ao treino.
– Valeu Dohko. — os dois deram às mãos.
– Depois vou querer minhas aulas.
– Pode deixar.
As duplas se formaram com os pares tradicionais. Saga, ainda sentado, olhava fixamente para o Rodrigo.
– Vamos Saga. — Kanon o chamou.
Saga ignorou o chamado do irmão. Levantou indo até o brasileiro que conversava com Aiolos.
– Que tal Jiu Jitsu contra Muay Thai?
Rodrigo o fitou, claro que Saga queria lutar, o problema é que ele poderia usar cosmo. Não estava acovardando, mas seria uma luta injusta.
– Nos moldes do Dohko. Sem cosmo e velocidade da luz. — o geminiano deu um sorriso.
– Ta aí uma luta que eu gostaria de ver. — disse Aiolos sem perceber a gravidade da coisa.
– Pois eu não. — Kanon entrou na frente. — vamos treinar Saga.
– Aceito. — disse Rodrigo.
– Ótimo. — Saga sorriu ainda mais.
– Não teremos mais luta, será treino. — disse Shion.
– Deixa os garotos brincarem. — Dohko o puxou para a arquibancada.
Fernando franziu o cenho. Rodrigo era doido? Lutar contra Saga? Logo ele que morria de ciúmes de Cristiane?
– Ele surtou... — murmurou descendo a arquibancada e indo em direção ao baiano. — posso falar com você? — indagou a ele.
– Pode.
Os dois afastaram-se.
– O fato de ter dormido no quarto de Atena deve ter afetado você. — disse baixo, para os cavaleiros não escutarem.
– Por quê?
– Ficou louco??? Vai lutar contra o Saga? Quer morrer?
– Eu não tenho medo dele.
– Não é questão de medo e sim de vida. Já quer deixar a Saori viúva?
– Saga não vai me matar, não frente dos outros.
– Vai confiando, pouco custa "Ares" manifestar e aí se ferrou.
– O mesmo vale para você quando Marin terminar o noivado. — deu um tapinha nos ombros. — vai ficar deformado.
– Nem me fale. Bom, fiz meu papel de amigo em te alertar. — foi saindo.... — você prefere que enterre, ou seja, cremado?
– Vai logo Fernando.
O mineiro deu nos ombros. A única coisa que podia fazer era rezar pela alma dele.
– Pronto? — a voz de Saga saiu fria.
– Sim.
Sentado na arquibancada Kanon estava apreensivo, Saga ia massacrá-lo.
Rodrigo estralava os ombros, enquanto Saga tirava sua camisa. Enquanto o brasileiro lutava contra Dohko percebeu que ele usou a camisa do libriano para leva-lo ao chão. Tirou também as sandálias tiras e deu um nó mais forte na corda que amarrava a calça para que não servisse de vantagem para Rodrigo.
– "Ele sacou que puxo a camisa.... — pensou. — vou ter que criar uma brecha...."
– Estão prontos? — indagou Dohko indo até o meio. — vou ser o juiz, nada de pontos vitais, nem cosmo. — olhou para Saga.
– Tudo bem. — Rodrigo disse pelos dois.
– Cumprimentem.
O baiano caminhou até o centro, assim como Saga.
– Que vença o melhor. — o geminiano sorriu.
– Que seja.
Não apertaram nada, voltando para suas posições.
– Comecem!
Saga partiu logo para cima, dando um chute na coxa do brasileiro, ele sentiu o impacto, mas não desestabilizou. O geminiano então acertou um soco no rosto e outro chute na coxa. Rodrigo sentiu o gosto de sangue na boca, mas continuou de pé, esperaria o momento certo para jogar Saga no chão.
– A luta vai ser boa. — disse Miro. — só está faltando uma bebida e aquelas mulheres gostosas para ficar melhor.
Recebeu um olhar assassino de Shion.
– Brincadeira...
O geminiano movimentava-se por todo espaço.
– Se quiser usar o boxe.... — sorriu cinicamente. — não me importo.
– Já que insiste....
Rodrigo assumiu a posição de boxe, alternaria entre essa modalidade e Jiu Jitsu para acertar o cavaleiro e assim o fez. Avançou sobre ele desferindo socos. Dos três primeiros nenhum acertou, mas o quarto... Saga sentiu o lábio superior cortar.
A reação do cavaleiro foi imediata, com o punho direito, Saga deu lhe um soco e o acertou novamente com o cotovelo ao voltar com o braço.
– " Puta que %&* — pensou Rodrigo recuando. — hora de agir antes que ele me mate."
Avançou para dar lhe um soco, mas Saga deu o soco primeiro, entretanto na hora exata que Rodrigo absorveu o impacto usou a propria força do geminiano para puxa-lo, os dois foram ao chão. Quando Saga ia levantar, rapidamente Rodrigo passou as pernas pelo ombro do cavaleiro formando um triangulo. Passou o braço esquerdo do cavaleiro para frente do corpo e usando as mãos pressionou a cabeça do geminiano para baixo. Mesmo com a dor Saga não pediu para parar. Já estava acostumado tanto a dor, que aquilo não era nada. Então fechou o punho, do braço que estava livre e deu um soco de lado no brasileiro. Sentindo o impacto Rodrigo o soltou. Saga levantou afastando.
Na arquibancada os únicos que não estavam gostando era Mu, Shion, Shaka que sempre pregavam a não violência gratuita e Kanon que sabia que a qualquer momento Saga usaria mais força, os demais estavam curtindo a luta.
– Até que é bem esperto. — disse. — já cansou?
– Foi só o aquecimento. — Rodrigo devolveu a provocação.
Já que o grego queria jogar pesado, jogaria pesado. O baiano avançou distribuindo socos, Saga esquivou de alguns, mas levou outros e aquilo o enfureceu. Deu um soco em Rodrigo, seguido de uma joelhada e mais um soco. O brasileiro foi ao chão, percebeu que ficaria cheio de hematomas. Saga cuspiu o sangue que invadira a sua boca, aproximando do rapaz.
– Vai se render? — indagou Saga.
– Claro que não. — levantou.
Mal ficou de pé, o geminiano deu um chute nele, entretanto Rodrigo revidou passando uma das suas pernas por baixo da perna erguida de Saga, derrubando-o. Vendo-o no chão foi para imobiliza-lo, mas o grego conseguiu reverter.
– Dohko não acha melhor parar? — indagou Kanon preocupado. — Saga vai acabar excedendo e pouco custa....
– Ele não está tentando aprender a controlar seu outro lado? — o fitou. — está aí um teste.
Todos que ouviram ficaram surpresos. Dohko voltou a atenção para a luta, se, fugisse de controle interveria.
Conseguindo reverter, Saga limitou os movimentos do brasileiro.
– E agora? Rende-se? — quem estava na arquibancada não pôde ouvi-lo.
– Nem na luta, nem pela Cristiane. — resolveu provocar.
A expressão enfureceu e a raiva deu vazão. Saga ergueu o punho dando socos no brasileiro.
– Pare Saga! — gritou Kanon, seria questão de tempo o irmão usar o cosmo.
Quando Dohko ia intervir, Rodrigo, depois de levar três socos, sentiu as pernas mais frouxas, por causa do desvio de atenção de Saga. Colocou os pés no quadril do geminiano e segurou-o pelos pulsos. Em seguida abriu os joelhos e quando tinha espaço suficiente colocou os pés nos anti braços do grego passando a girar. Num dado momento puxou o braço direito do cavaleiro, soltando sua perna direita por debaixo do braço, ao fazer isso passou o braço direito de Saga por debaixo da cabeça prendendo a mão. Com a perna livre pegou impulso passando-a pela cabeça do grego.** Girou o corpo lançando o cavaleiro no chão, mas sem soltar o braço dele, o que provocou dor em Saga.
– Empate! — gritou Dohko.
Rodrigo soltou o cavaleiro afastando. Levou a mão ao nariz que sangrava. Saga sentou sentindo muita dor no braço imobilizado, fora os roxos na cara.
– Se não fosse pela idade e pelo signo poderia ser meu sucessor. — disse Deba estendendo a mão para o brasileiro para erguê-lo. — voce luta bem.
– Obrigado Deba. — aceitou. — mas não sou tão forte assim.
– É sim. — disse Aioria. — aguentou os chutes e socos do Saga.
– Eu não teria chance se ele usasse o cosmo.
– Estou falando de força física. Você é bem resistente.
– Obrigado. — sorriu e aquilo fez suas costas doerem.
Do outro lado, Saga levantava, passou a mão pelo rosto, vendo que tinha sangue na boca e no supercílio.
– Agora espero que sossegue. — disse Kanon.
– Não fiz nada... — virou a cara. — nem bati o quanto queria.
– Ainda bem ou como explicaria um turista na enfermaria do santuário? Atena te manda para Sounion.
– Não seria má ideia.
A pequena discussão foi interrompida por vozes femininas. Depois de deixarem as roupas nos quartos, as meninas mais Marin seguiram para a Arena dourada.
– Atrapalhamos? — indagou Marcela na cara de pau.
– O treino já acabou. — disse Aiolos, olhando de forma ressabiada para Sheila.
– O que houve com você??? — indagou Suellen ao ver o nariz estourado de Rodrigo.
– Uma lutinha básica. Jiu Jitsu.
– Como? — Cris aproximou do baiano, a expressão de Saga endureceu. — está com a cara toda estourada.
– Faz parte Cris. E não perderia a chance de lutar contra o Dohko.
– Você fez isso? — Jules o fitou.
– Não! Eu não...
– Dohko....
O libriano foi explicar o que tinha acontecido.
Mask assim que viu Heluane afastou-se indo se sentar no ultimo degrau da arquibancada.
– Foi o Saga? — Cris o olhou imediatamente, reparando no rosto machucado.
O geminiano virou a face.
– Não foi nada Cris. Era só... — voltou a explicar.
Marin que estava mais atrás olhou para Fernando e sorriu. O mineiro sorriu de volta e abanou a mão de leve... mal sabia que Aioria tinha olhado naquele momento e os olhos verdes foram dele para Marin.
– O que está olhando para a minha noiva?
O mineiro levou um susto.
– Eu?? — gaguejou.
– Não se faça de idiota. — caminhou até ele. — responda!
Aioria foi logo segurando a gola da camisa de Nando.
– Ficou doido Aioria? — Kamus aproximou.
– Eu o vi dando sorrisinhos para a Marin.
– Não tem nada disso Aioria. — Marin parou ao lado do mineiro. — deixa de ser implicante.
– Eu vi! Escuta aqui, se olhar para ela de novo te quebro.
Tanto as meninas, quanto os cavaleiros abriram a boca estarrecidos.
– Chega de palhaçada Aioria. — Dite foi para interver. — sem cenas de ciúmes. Ciúme ridículo!
– Cala a boca peixe.
– Eu só quis ser simpático. — tinha que reverter, pois se apanhasse...
– Seja simpático com quem quiser, menos com ela!
– Está sendo infantil Aioria.
– Eu? — fitou a amazona. — esse cara te seca e eu que sou infantil?
– Isso é verdade. — disse Mask querendo ver confusão. — não é de hoje que o vejo secando a Marin.
Dite lhe lançou um olhar ferino.
– Como que é? — Aioria segurou ainda mais forte a gola de Fernando, a ponto de levanta-lo do chão.
– Para mim, ele gosta da Marin.
– Mask! — gritou Julia.
– Só estou falando a verdade... — fez cara de inocente.
– Seu cretino.
Tudo que Fernando sentiu foi o punho de Aioria ir de encontro ao seu rosto, o impacto foi forte levando-o ao chão.
– Aioria! — gritou Marin.
– Seu desgraçado. — agora se lembrava das várias vezes que Marin contou que o brasileiro a ajudava, era claro que os dois...
Deixando todos sem reação Aioria partiu para cima do mineiro, desferindo socos e mais socos, a essa hora a boca, o nariz do brasileiro sangravam.
– Aioria. — Aiolos foi para afastar o irmão. — perdeu o juízo?
– Me solta! Eu acabo com esse idiota.
– Aioria! — berrou Shion. – pare, é uma ordem!
– Foda-se! — o leonino soltou-se do irmão voltando a bater no mineiro, que nem tinha como esboçar reação.
– Pare Aioria! — Marin teve usar a força para empurrar o noivo. — ficou louco? — a amazona ajoelhou ao lado de Fernando. — você está bem? — tocou de forma suave o rosto dele.
– Estou...
– Cretino... — o grego estava indo para cima dele, quando Gabe entrou na frente, segurando-o.
– Para Aioria.
– Saia da frente Gabe. — vociferou.
– Por favor, para...
A voz saiu chorosa, o que fez com Aioria parasse.
– Nunca pensei que faria isso. — disse Marin ajudando o mineiro a se levantar. — estou decepcionada. Vamos Fernando.
Escutar aquilo fez o sangue de Aioria ferver, apesar de tudo ela seguiria com ele?
– Eu mato!
– Aioria! — Gabe segurou o braço dele. — não!
Ele parou. Sem qualquer problema, Marin levou Fernando para a enfermaria que ficava na arena, num sinal claro que o mineiro não era um simples amigo, já que ele poderia ser cuidado por qualquer uma das meninas. Aioria fechou a cara, saindo pelo outro lado da arena.
– Vá atrás dele. — disse Dite a Gabe.
Não precisou pedir duas vezes para a brasileira ir atrás.
– Treino está encerrado. — gritou Shion já de péssimo humor. — cada um almoça na sua casa! É uma ordem!
O.o.O.o.O
Marin pediu para que Fernando sentasse enquanto procurava por curativos.
– Aioria perdeu o juízo! — exclamou.
– Ele está certo Marin. — disse, sentido muita dor no queixo.
– Certo? Ele só não te matou porque Gabe o segurou.
– Qualquer homem ciumento que visse a noiva com outro agiria da mesma forma.
– Ele te bate e ainda o defende? — o fitou incrédula.
– Só estou sendo racional. Aioria pode ser um cavaleiro, mas ainda é um homem, muito ciumento por sinal... ai... — o rosto todo doía.
– Não justifica. — parou perto dele. — pode arder um pouco.... — começou a limpar o ferimento.
Enquanto isso Aioria voltava para casa pisando duro. Como pôde ser tão burro! Marin estava hesitante ontem durante o jantar, de certo ela e Fernando...
– Vou acabar com ele.
– Aioria. — Gabe corria atrás. — espera Aioria.
Ele apertou o passo ao ouvi-la. Estava com ódio de Marin e de si mesmo.
– Espera Aioria. — conseguiu alcança-lo, mas ele não parou. — Aioria. — segurou o braço dele.
– Me deixa em paz! — virou-se com os olhos marejados.
– Aioria...
Ele não disse nada, voltando a andar. Gabe respirou fundo indo atrás dele.
Na arena...
– Até que não está doendo muito.... — Rodrigo tocava o rosto.
– Juro que não entendo. — disse Cris. — vamos até a enfermaria.
– Não precisa Cris... — Saga acabaria com ele.
– Agora. — disse brava. — anda logo!
– Já estou indo...
O baiano tomou rumo da enfermaria, Saga quando viu os dois fechou a cara.
Dentro do cômodo, Marin cuidava de Fernando.
– Não precisa Cris. Já estou acostumado. — o baiano tentava convencê-la que estava bem.
– Pelo menos lava o rosto.
– Vou fazer isso. E não precisa de curativos. É sério.
– Vai dispensar cuidados? — o olhou divertida.
– Não entendi...
Aproximou do ouvido dele.
– Mitsui. — soprou. — ela vai querer cuidar de você.
– Verdade. — deu um grande sorriso. — mas ela vai querer saber o que aconteceu.
– Não foi só uma luta?
– Foi. — disse seco, Cris não precisava saber o que realmente tinha acontecido. — se me der licença, vou subindo.
Rapidinho Rodrigo foi embora. Marin e Fernando que ouviam ficaram sem entender.
– Pode me emprestar algumas coisas? — indagou a brasileira.
– Pode pegar. — disse Marin. — tem uma caixa com provimentos no armário.
– Obrigada.
Na Arena...
– Todos para as casas, agora! — ordenou Shion nervoso.
– Vai lá acalmar seu homem. — disse Helu a Paula bem baixinho.
– Acho que nada acalma ele... mas....
A brasileira caminhou até o ariano.
– Bom dia. — disse timidamente, sem saber a reação dele.
– Bom dia. — abriu um grande sorriso. — dormiu bem? — indagou baixinho.
– Dormi em boa companhia. — devolveu o sorriso.
– Podemos almoçar?
– Claro.
Shion voltou o olhar para os cavaleiros.
– O que ainda fazem aqui? — a voz saiu fria.
– Já estamos indo mestre. — disse Mu.
Shion deu as costas sendo seguido por Paula. Dohko que os observava sorriu.
– Uma missão completada. — disse.
– Missão? — Jules o fitou sem entender.
– Fazer o cabeça dura do Shion buscar a felicidade. — apontou para o casal.
– Ah...
– Agora precisamos unir outro casal.
– Quem? — indagou curiosa.
– Convida a Mabel para almoçar lá em casa que vou chamar o Deba.
– Hum... — Jules deu um sorriso cúmplice. — boa ideia.
– Eu sou um homem de boas ideias. — sorriu.
Jules aproximou de Mabel que conversava com Suellen.
– Bel, Dohko está te chamando para almoçar lá em casa.
– Lá em casa? — Suellen a fitou divertida. — a intimidade já está assim?
– Ele disse que é a minha casa.
– Eu aceito Ju.
– Não estou te chamando Su, pois sei que vai querer comer em outro lugar. — deu um sorriso perve. — comer...
– Sem brincadeiras. — riu. — vai Bel aproveita.
Enquanto Jules fazia o convite, Hian chamava Deba que aceitou na hora. Para não dar muito na cara, o libriano praticamente o puxou para irem embora. Jules só deu um prazo para subir com Mabel. Afrodite que mantinha os olhos em Mabel percebeu o plano de Dohko já que o viu subir com Aldebaran.
Miro pensava no que faria para comer e com quem seria. Não gostava de comer sozinho. Viu Heluane conversando com Marcela, Sheila e Juliana.
– "Já tenho companhia."
Passando as mãos pelos cabelos, caminhou até elas.
– Bom dia a todas. — deu o seu melhor sorriso.
– Bom dia Miro. — disse Sheila. Está certo que ele era o homem da Marcela, mas era bonito.
– Helu, Sheila e Juliana gostariam de almoçar lá em casa? Não quero fazer essa refeição sozinho. — fez bico.
– Eu aceito. — respondeu Sheila, negar um pedido daquele? Jamais!
– Eu também. — Juliana se pronunciou, ainda não era o momento para ver Shaka.
– Por mim tudo bem... — Helu respondeu com receio, pois Marcela estava com a expressão fria.
– Ah.... — Miro fez cara de surpreso. — se quiser ir também Marcela.
– Dispenso.
– Então almoce no templo. Vamos meninas?
Sheila e Juliana o seguiram.
– Você vem também. — Helu grudou no braço de Marcela.
– Não quero almoçar com esse idiota.
– Então vai perder o futuro namorado. — sorriu.
Marcela a fitou incrédula.
– Não teria coragem?
– Se ele continuar me dar bola... — riu. — vamos logo.
Aiolos viu Sheila seguir com o Miro. Ficou pensando se ela também achava Miro mais homem do que ele. Sentindo o olhar do sagitariano, Sheila grudou no braço do cavaleiro da oitava casa. Outro que via sua "menina" seguir com o escorpião era Shaka, não achou graça vê-la seguir com o safado do Miro, mas naquele momento talvez fosse o melhor, precisava pensar em tudo que aconteceu. Juliana, achou providencial o almoço em Escorpião, ainda não tinha coragem de encarar Shaka. Mask via Helu se afastar. A carioca percebendo o olhar o fitou. Por alguns segundos olharam-se. A brasileira tocou o anel dado por Atena, aquilo seria seu guarda-costas.
Isa e Julia conversavam quando Kamus aproximou.
– Quer almoçar lá em casa?
– Quero.
– Quer ir também? — o aquariano olhou para Julia.
– Não obrigada. — sorriu sem graça. — Vou almoçar no templo mesmo.
Isa deu uma piscadinha para a paulista, seguindo com o francês.
Julia sorriu, a amiga tinha engatado mesmo com o aquariano. Olhou para o lado vendo Afrodite com uma expressão triste brincando com uma rosa vermelha. Foi até ele.
– Oi.
– Oi flor. — deu um meio sorriso.
– Algum problema?
– Só o fato da Mabel gostar do Deba, fora isso tudo bem.
– Desculpe....
– Eu que peço desculpas. Quer almoçar comigo?
– Ela quer e eu também. — Mask parou atrás de Julia, passando o braço pelo ombro dela. Fez isso, pois sabia que Shura os fitava.
– Eu não te convidei. — disse Dite.
– Estou me convidando. Não vou deixar minha namorada sozinha com você.
– Sua o que??
– É brincadeira dele Dite. — Julia deu um suspiro desanimado.
– Só pode ser mesmo. Vê se uma flor pode gostar de um grosso como Giovanni Romanelli.
– Pois fique sabendo que ela gosta e muito. Sou o número dois dela, mas que em breve serei o número um.
– Como? — Dite não estava entendo.
– Esqueça Afrodite. — Julia interveio, antes que Mask desse com a língua nos dentes. — podemos almoçar?
– Vou fazer caridade e dar algo de comer a um pobre coitado. Venham.
Shura fechou a cara ao ver Julia seguindo com os dois. Não sabia quem era pior Mask ou Afrodite.
– Que cara é essa Esdras? — indagou Aiolos achando estranho a feição do amigo.
– Nada. — disse seco.
– Vamos almoçar juntos?
– Tanto faz.
Aiolos franziu o cenho.
– Vamos.
Enfermaria....
– Não dói mais nada? — indagou Marin.
– Está suportável. — tentou sorrir, mas até nisso sentia dor.
– Vai ter que comer algo mais mole. Vamos lá para casa.
– No alojamento?
– Não, em Rodorio. Shina e eu temos uma casa lá. Eu durmo no alojamento para ficar mais próxima do templo. Quer conhecer?
– Só se for agora.
Arena...
Cris voltava com o Kit de primeiros socorros, ao ver Suellen e Ester foi ao encontro das duas.
– Cadê o Rodrigo?
– Foi buscar conforto nos braços de Atena, Su.
– Está explicado o fato ter subido que nem foguete.
Perto dali, Shaka explicava como agiria com Ester para o ariano.
– Vamos almoçar lá em casa aí poderei agir.
– Certo. Vou busca-la.
Mu tomou o rumo de onde o trio estava.
– Oi meninas.
– Oi.– Ester disse por todas.
– Shaka nos chamou para almoçar na casa dele, importa-se?
– De jeito nenhum.– sorriu. — até meninas.
Os dois saíram de mãos dadas.
– Eles são tão fofos! — disse Su.
– Formam um belo casal. — Kanon parou ao lado delas.
– Acha? — indagou Cris.
– Sim cunhada. — sorriu de forma travessa. — Su... — a fitou fazendo bico. — não quer ir lá para casa, podíamos fazer o almoço...
– Eu fazer o almoço não é? Te conheço.
– Isso nem passou pela minha cabeça. — fez cara de inocente. — só queria sua ajuda...
– Então só sirvo para cozinhar?
– Não. Para passar, lavar, arrumar a casa...
– Idiota.
– Por favor... você cozinha bem... e eu ando passando fome naquela casa...
– Contrate uma empregada.
– Ela não vai cozinhar como você...
Suellen deu um suspiro desanimado. Kanon só a via como uma cozinheira.
– Será a última vez! Espero que esse vértice abra logo.
– Não repita isso. — disse sério, deixando as duas surpresas. — você não pode ir embora.
– Por quê? — indagou Cris.
– Porque não... vai fazer a comida ou não? — desconversou.
– Vou.
– Também está convidada Cris.
– Não sou bem vinda na sua casa. Motivos já falados. — apontou para trás. Saga estava sentado na arquibancada com cara de poucos amigos.
– A casa também é minha. — disse seco. — eu chamo quem eu quiser.
– Tudo bem. — disse, mas não ficaria para o almoço, só cuidaria do rosto ferido de Saga.
– Vamos Saga! — Kanon gritou.
O geminiano levantou, seguindo-os.
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