A Lenda dos Santos de Atena
28 Ajustes
Aioria entrou em Leão praticamente derrubando a porta. Gabe surgiu logo atrás. Sem se importar com ela, Aioria fechou-se em seu quarto.
– Temperamental.... " e olha que nem sabe que a Marin e o Fernando... " — um pensamento sombrio passou pela mente. — "Ele vai matar o Nando..."
A brasileira foi até o quarto parando na porta.
– Aioria. — bateu na porta. — Aioria.
– Vá embora! — gritou lá de dentro.
– Ok.
Disse, mas não foi embora e sim para a cozinha. Até chegar ao templo de Atena morreria de fome. Abriu os armários a procura do que fazer.
No quarto, o leonino estava deitado na cama, com o rosto afundado no travesseiro. A raiva de Marin tinha passado sobrado apenas a raiva de si mesmo. Tinha ficado duas vezes com Gabrielle e mesmo assim pediu-a em casamento. Tocou o pingente da letra "M". Por que ainda usava aquilo se não fazia mais sentido?
– Droga...
Guardou o pingente na gaveta, afundando a cabeça no travesseiro.
O.o.O.o.O
Shion subia as escadas que levavam ao pátio do templo principal em silencio. O que tinha dado em Saga e Aioria? Principalmente o leonino. Ele seria punido pela afronta. Paula subia ao seu lado em silencio. Apesar da cara fechada, Shion estava lindo, com aquela roupa de treino e os músculos a mostra e tudo aquilo era só dela. Discretamente passou seu braço pelos braços dele.
Shion sorriu.
– Só você para melhorar meu humor. Só não te abraço porque estou todo suado.
– Podemos aproveitar a piscina? – sorriu.
– Você pode o que quiser.
– Vou guardar bem essa frase.
Os dois riram.
O.o.O.o.O
Rodrigo ao chegar ao templo foi direto para seu quarto tomar um banho em seguida procurou saber onde Atena estava, soube que estava recolhida ao seu quarto.
– Saori...? – indagou subindo as escadas que levavam ao aposento da deusa.
– Aqui.
Seguindo a voz dela, o baiano foi até a sala. Saori estava acomodada no sofá lendo alguns documentos.
– Está ocupada?
– Não. – o fitou.
Rodrigo ficou surpreso, Saori usava uma fina armação.
– Usa óculos?
– O que houve com você?? – levantou, indo até ele.
– Não foi nada...
– Como nada?? Seu rosto.... – tocou-o.
– Eu lutei com o Saga...
– O que?? – berrou.
– Não é o que está pensando! Te explico.
– Senta aqui, já volto.
Atena foi até o quarto pegando um kit de primeiros socorros. Enquanto cuidava do rosto do brasileiro, Rodrigo contava o que tinha acontecido.
– Você é louco! – limpava um ralado no braço. – mas corajoso.
– Fiquei surpreso comigo mesmo. Lutei contra Dohko e contra Saga e sobrevivi.
– Bobo...
Escutaram o barulho de uma campainha, Atena foi até a escada voltando com um grande ramalhete de rosas vermelhas.
– Gustavv é um lorde. – disse Rodrigo ao ver as rosas.
Saori pegou o bilhete e ao lê-lo não teve como não sorrir.
– É do Afrodite?
– Não... – colocou as rosas num jarro. – são do Julian.
O sorriso no rosto do brasileiro morreu na mesma hora.
– Mal posso esperar para reencontrá-la. Ass. Julian.– leu. — Julian sempre galanteador. – olhou para Rodrigo, notando o rosto fechado. – o que foi?
– Nada. – levantou. – deve está ocupada, volto outro hora.
– Como? – não entendeu a atitude dele.
– Tchau.
– Espera Rodrigo. – segurou o braço dele. – não vai almoçar comigo?
– Não.
– Não???
– Não. Fui.
– Espera.
– Me solta Saori.
– Não vou soltar. – a voz saiu imperativa, modo deusa Atena tinha ligado. – Exijo uma explicação.
– E precisa? – indagou irônico. – vou competir com um deus? Eu sei o meu lugar Atena. Sou um misero mortal.
– E o que isso tem haver?
– Como o que tem haver? Rodrigo Ribeiro contra Julian Solo, o deus dos mares. Sem chance. Me solta Atena.
– Eu nunca tive e nunca terei algo com Poseidon, muito menos com o Julian. Eu não estou com você?
Rodrigo ficou calado.
– Não gosto que duvide dos meus sentimentos. – a voz de Atena saiu ainda mais fria. – você poderia ser um deus, mortal, semi deus, não importaria. Escolhi ficar com você.
– Certeza? – indagou meio ressabiado.
– Sim. – disse convicta. – senta. — não foi um pedido e sim uma ordem. — Vou mandar servir o almoço.
– Está bem... – sentou de fininho.
O.o.O.o.O
Aldebaran e Dohko entraram em Libra rindo do vídeo que Kanon fizera de Saga.
– Saga tem uma veia cômica. — disse o libriano. — acontece que ela é presa a sete chaves. Você sabe quando o Saga está de bom humor. Ele é hilário.
– Eu sei, pena que esse lado dele anda sumido. Dohko, vou em casa primeiro, preciso de um banho.
– Não demore.
– Está bem.
Cerca de dez minutos depois Jules e Mabel chegaram a casa.
– Hian? — Jules o chamou. — será que não chegou? — caminhou até o corredor, entrando no quarto dos dois, escutou o chuveiro ligado.
– Ele não chegou?
– Está no banho Bel. — disse, estranhando não ver Ricardo. — me ajuda com as panelas?
– Claro.
Algum tempo depois Dohko juntou-se a elas.
– Cadê o Deba? — Jules disse no ouvido do namorado.
– Já vem.
Os dois trocaram um sorriso.
O.o.O.o.O
Miro subia ao lado de Sheila e Juliana numa conversa animada. Helu mais atrás queria participar do assunto, mas a expressão gélida de Marcela inibia qualquer iniciativa.
– Ele está fazendo isso para ti irritar Máh.
– Eu sei. — a voz saiu fria.
– É só devolver na mesma moeda.
– Eu sei.
Helu ficou calada, talvez fosse melhor não se meter, pois era capaz de sobrar para ela.
Quinze minutos depois chegaram a Escorpião.
– Sejam bem vindas a minha humilde residência. — Miro abriu a porta dando-as passagem.
Juliana entrou primeiro, seguida por Sheila. Quando a brasileira passou por ele, o grego inclinou um pouco o rosto para frente dando um sorriso.
– "Muito bom..." — olhou para Helu. — não vai entrar?
– Para ficar olhando para minha bunda?
– Eu não tenho culpa dela ser bonita. — deu nos ombros. — alias o conjunto todo. — deu uma piscadinha.
– Você não vale nada. — deu um pedala nele.
– O que é bonito tem que ser falado.
Helu apenas riu, entrando na parte privativa da casa. Como havia dito, fez um raio x da fluminense quando ela entrou. Marcela no corredor estava com os braços cruzados, com a expressão séria.
– Por que essa cara? — a fitou.
– Você é um canalha.
– Só porque olhei para a bunda delas? Sua bunda também é gostosa. — disse naturalmente. — você é toda gostosa. Uma pena que não me quer.
– Nem se fosse o último homem da Terra.
– Oh... — aproximou lentamente, como se fosse dar o bote. — não desdenha...
– Se enxerga Miro!
– Tem certeza que não quer explorar esse corpo? — aproximou o rosto do rosto dela. — ele pode ser todinho seu.
– Meu e do santuário.
Ele gargalhou.
– Adoro seu senso de humor. — deu meia volta. — vai entrar ou não?
Ela não queria entrar, mas não tinha outro lugar para ir, já que o restante das meninas tinham ido atrás de seus golds. A contragosto entrou.
O.o.O.o.O
Isabel e Kamus vieram conversando sobre Marselha, assunto que tinha caído um pouco no esquecimento devido as novas "preocupações".
– Sei que passarei os primeiros seis meses em São Paulo e depois vou para a França. — disse já dentro de Aquário e tomando rumo da cozinha.
– Por quanto tempo? — o francês foi direto para a geladeira.
– Um ano ou mais. Mal posso esperar para esse dia chegar. Eu morando em Marselha? — sorriu. — um sonho!
– É isso que quer que aconteça? — olhava o que tinha para cozinhar, pois não queria ver a expressão feliz dela.
– Claro. O que mais poderia querer?
– "Ficar aqui no santuário." — pensou. — tem razão, não poderia querer mais nada. — a fitou.
Isa notou a expressão séria do cavaleiro e ficou sem saber se era o natural dele, ou se tinha algo por trás.
– O que vai fazer?
– Pode começar a provar a comida local. Bouilabaisse*.
– Vai fazer isso para mim?? — indagou surpresa e com a boca cheia d'água. — Sério??
– Sim senhorita Catanio. Talvez eu consiga te segurar pelo estomago.
– Já me segurou.
Respondeu sem entender o real significado da frase.
O.o.O.o.O
Julia tentava apaziguar o canceriano e o pisciano que discutiam desde a Arena até a décima segunda casa por um assunto bobo.
– Não vai entrar na minha casa!
– Magoou? — Mask fez cara de preocupação. — estou transtornado. Nem vou dormir a noite tamanha tristeza.
– Seu filh@#%
– Olha o que vai dizer. — apontou o dedo. — não admito isso.
– Vá se ferrar!
– Meninos... — Julia no meio parecia no meio de duas torres. — não briguem.
– Não sou eu Ju! — exclamou Mask. — é essa bicha.
– Bicha é a...
– Está querendo apanhar!
– Chega! — gritou a brasileira. — será que não podemos almoçar em paz.
– Ele não vai comer aqui!
– Vou sim!
– Por favor, Dite. — Julia pediu.
– Está vendo? — o canceriano deu um grande sorriso, depositando as mãos no ombro da paulista. — ela me defende.
– Por que ainda não sabe o traste que é você.
– Sabe sim e mesmo assim está do meu lado.
Julia deu um suspiro desanimado. O almoço seria longo...
O.o.O.o.O
Shura estava com a cara de poucos amigos e Aiolos que subiu ao seu lado estava sem entender a repentina alteração de humor do amigo.
Entraram em Sagitário, indo direto para a cozinha. Shura sentou-se a mesa.
– O que foi Esdras? — indagou curioso.
– Nada.
– Como nada? Está certo que sua cara nunca foi simpática, mas está passando do limite.
O espanhol o fitou atravessado.
– Atena deveria ter deixado o Giovanni mais tempo preso.
Aiolos franziu o cenho, ele estava com raiva por causa disso?
– Nossa deusa achou que esse tempo era suficiente, não nos cabe julga-la.
– Ele pode repetir o ato. — não estava preocupado por isso, mas sim com o fato dele andar atrás de Julia.
– Duvido. Gio mudou. Ele não vai fazer isso de novo.
– E se fizer com outras meninas?
– Não vai fazer. Com nenhuma delas, muito menos com a Julia.
Agora a ferida foi tocada.
– Como assim? — indagou interessado, o que Aiolos sabia?
– Miro me contou que os dois ficaram muito amigos, ela sabe italiano.
– Nem me lembre disso... — murmurou contrariado.
O grego o fitou sem entender. Por que ele estava tão incomodado?
O.o.O.o.O
Antes de seguir para a casa da amazona, Fernando passou no templo para tomar um banho e trocar de roupa. Marin o esperou do lado de fora e depois de cumprida a tarefa foram para Rodorio.
A casa que Marin e Shina moravam ficava nos arredores. Entre a vila e o lago. Era bem simples, a pedido das duas, mas bastante acolhedora.
– Entra.
Marin deu lhe passagem. Uma sala conjugada com a sala de jantar, poucos moveis, mas de decoração afável.
– O que quer comer?
– Qualquer coisa Marin.
– Venha.
O conduziu para a cozinha. Apenas dois armários, fogão, geladeira e uma mesa de quarto cadeiras.
– É simples, mas gosto daqui. — abriu a geladeira.
– É aconchegante.
– Tem certeza que não quer escolher?
– Deixa a seu gosto.
– Ok... — murmurou, torceria para que ele não passasse mal.
– E quanto ao Aioria...?
– Ele não vai vir aqui. Está com raiva e nesse estado ele se tranca no quarto.
– Como fica agora?
– Vou conversar com ele. De hoje não passa.
O.o.O.o.O
Shaka conduziu Ester e Mu para o interior da casa de virgem.
– Antes do almoço Ester... — o virginiano a fitou. — Mu me pediu um favor.
– Qual?
– Ainda não conseguem se comunicar telepaticamente?
– Não...– disse entristecida.
– Vou tentar ajudar. Senta. — apontou o sofá.
A brasileira olhou para o namorado.
– Pode confiar. — disse Mu.
Ela concordou, indo se sentar.
– Vou tentar entrar na sua mente, como Mu faz e descobrir se tem algum problema.
– Está certo.
– Não precisa ficar nervosa, não vai acontecer nada demais.
Shaka sentou ao lado dela mantendo certa distancia, Mu observava com atenção.
– "Ester." — a chamou.
A carioca não esboçou reação alguma. Diante disso, o indiano aproximou ainda mais na intenção de colar sua testa na dela. Mu ficou ressabiado, Shaka estava próximo demais. Ester tentou não corar, ao ter aqueles olhos azuis e boca rosada tão perto de si. Juliana que a desculpasse, mas o indiano era lindo.
Shaka colou sua testa na dela.
– "Ester."
Ester recuou, arregalando os olhos.
– "Consegue me ouvir?" — indagou sem se importar com a face pálida dela.
Mu ficou preocupado. A brasileira sentiu os olhos marejarem. Podia ouvir claramente a "voz" de Shaka. A segunda voz que ouvia na vida e aquilo era fantástico!
– "Esse é o som da voz dele? É... diferente... "- não sabia explicar. Olhou para Mu. -" a do Mu..."
– O que foi Ester? — indagou o ariano.
– É diferente...
– Escutou a minha voz.
– Sim Shaka. Eu não consigo explicar... a sensação é diferente...
– Timbres de voz. — disse o indiano. — sei que é um pouco confuso para você, pois nunca tinha escutado um som antes não é?
– Sim. Minha surdez é de nascença.
– Você sabe que é diferente, mas não consegue explicar.
– Isso. Eu sinto a vibração do som e se for comparar, a sua é forte e a do Mu suave...
– Pelo menos sua mente não está bloqueada.
– "Está me ouvido Ester?" — indagou Mu.
A brasileira o fitou sem esboçar reação.
– Mu está tendo falar com você Ester.
– Eu não ouvi nada... por que?
O virginiano ficou em silêncio por alguns instantes.
– "Talvez sua mente esteja bloqueada em partes."
– "Como assim?"
– "Aconteceu alguma coisa de anormal com você?"
– "Não que eu lembre..."
Mu acompanhava percebendo que eles conversavam mentalmente.
– "Vou precisar entrar mais a fundo na sua mente, posso?"
– "Se for para voltar a me comunicar com o Mu claro que pode. O que eu mais quero é voltar a ouvi-lo."
– "Isso tudo é por que gosta dele?"
– "Sim." — sorriu.
Shaka também sorriu e aquilo deixou o ariano incomodado.
– Do que estão falando?
– Nada. — disse simplesmente. — vou entrar na mente dela para ver se descubro alguma coisa. Ela consentiu.
Shaka fechou os olhos concentrando. Ester sentiu uma sensação estranha na mente, mas não se importou. O indiano começou a acessar, a memória recente dela e a priori não notou nada de diferente. Resolveu acessar a do dia anterior. A viu indo dormir, a volta do jardim e o acontecimento com o ariano. Mu tinha lhe falado sobre isso, mas não havia nada que pudesse indicar alguma anormalidade. Pensou que poderia ser pelo susto, ou medo que algo acontecesse ao ariano, mas não era justificável, até que...
Shaka apertou os olhos, ao entrar numa lembrança nebulosa de Ester. Era no exato momento que a telecinese de Mu estava no auge, começando a desintegrar as coisas. Shaka sentiu o pavor da brasileira ao fitar a ponta da barra da calça desaparecer, logo em seguida a voz de Mu dizer "concentre-se."
O indiano abriu os olhos.
– E então? — indagou Mu.
– A mente dela bloqueou a sua mente.
Ester e Mu se olharam.
– Por quê? — indagaram juntos.
– Sua telecinese começou a desintegrar as coisas, e por muito pouco não a atingiu. Lembra-se da barra da calça? — fitou a brasileira.
– Sim... fiquei apavorada nessa hora.
– Que barra da calça? — Mu a fitou. — o que aconteceu Ester?
– Segundo depois, — Shaka o cortou. — vem você falando "concentre-se", mas não disse oralmente e sim mentalmente. A mente dela associou esse grande medo a sua voz. E como tem medo de passar por essa situação de perigo bloqueou.
– Quer dizer que minha mente tem medo do Mu?
– A grosso modo sim. Poderia acarretar um trauma físico, mas no seu caso foi dessa maneira.
– O que aconteceu Ester? — Mu a fitou ressabiado.
– Enquanto estava no ar, a barra da minha calça começou a desintegrar como as folhas e a água.
– Por que não me disse isso??
– Achei que não seria importante...
O ariano recuou. Ester não era a primeira pessoa a sofrer com seu poder, Kiki, Shion, Miro, Deba e Aioria já se machucaram por conta da sua telecinese e agora Ester. Agora de certa forma ela tinha medo dele. E tinha razão de ter, a qualquer momento poderia ter uma crise e com consequências catastróficas. Não suportaria vê-la machucada.
– O que foi Mu?
– É melhor ficar longe de mim...
– O que?– levantou. — do que está falando?
– Eu posso machuca-la... — recuou um passo. — como já fiz...
– Não seja bobo, nunca vai me machucar.
– Vou sim... não sei se vou conseguir me controlar da próxima vez e aí... é melhor ficar longe de mim. — recuou ainda mais. — adeus Ester.
– Como? Mu! Volta aqui.
O cavaleiro já tinha saído.
– Mu.
– "Deixa Ester."
– "Mas..."
– "Almoce comigo, aí poderemos conversar melhor."
O.o.O.o.O
Kanon e Suellen seguiam na frente, com o marina perguntando a cada cinco minutos o que a brasileira faria para o almoço. Cris mais atrás achava graça dos dois. Eram um casal que ainda não tinha se dado conta de que eram. Saga estava um pouco mais atrás, com um olhar frio em direção a mineira.
– A casa é todinha sua Su. – disse Kanon abrindo a porta da sala. – principalmente a cozinha.
– Eu vou cobrar, por tudo!
– Coloca na conta do Saga, ele guarda o dinheiro que ganha.
– Que dinheiro?
– Nós cavaleiros temos um pequeno salário, Atena disse que é gratificação e para que pudéssemos nos divertir. Eu gasto com roupas, Saga fica guardando...
– Quero cinquenta por cento, alias exijo.
– Justo. Agora vai para cozinha. – sorriu.
Suellen o fitou ferina, mas foi, Kanon estava sorrindo de um jeito que era capaz de convencer qualquer uma. O marina a seguiu de perto, mas segurou o seu braço na porta da cozinha.
– Vem. – disse baixinho apontando para a sala.
A pernambucana entendeu na hora, era para expiar a mineira e Saga.
Na sala, Saga não tirava o olhar da mineira.
– Precisa cuidar dos seus ferimentos.
– Não precisa. – disse seco.
– Precisa sim. Senta.
– Não precisa...
– Senta logo no sofá!
Saga a fitou atravessado, mas sentou.
– Já volto.
Ao ver que Cris tomaria o rumo do corredor, Kanon e Suellen esconderam-se. A mineira foi até o banheiro pegando uma toalha, depois até a cozinha pegando uma vasilha com água e gelo para colocar nos hematomas. Quando voltou o geminiano estava sentado no sofá.
– "Até que obedeceu."
Colocou o kit de primeiros socorros numa mesinha do lado e subiu no sofá ajoelhando. O grego ainda a fitava atravessado.
– Fecha o olho, sua pálpebra está sangrando.
– Eu me viro.
– Anda Saga!
Fechou. A mineira molhou um pouco a toalha na água para limpar o ferimento, depois passou uma pomada antibacteriana, colocando um band aid.
– Pode abrir.
Ele a fitou com a expressão séria. Cris não ligou, colocando gelo no saco térmico.
– Vai ajudar a desinchar. — entregou.
Saga pegou levando perto do olho direito. Ela iniciou os procedimentos no canto superior da boca dele, o corte tinha sido um pouco mais sério. O geminiano a encarava, a franja caia por cima dos óculos e o olhar concentrado na tarefa. Podia escutar a respiração dela. Cris acabou desviando o olhar para as íris verdes. E elas pareciam ainda mais verdes sob aquela luz. Por alguns segundos encararam-se. A brasileira desviou o olhar para conseguir terminar o trabalho. Ela pegou a mão dele que segurava o saco térmico afastando-o do rosto. Queria ver se tinha algum outro corte. Tocou de forma delicada a área inchada, para ver se precisava de um tratamento mais sério. Saga continuou a encara-la, apesar de está gostando do toque.
Minutos depois finalizou.
– Vai cicatrizar rápido.
– Obrigado...
– De nada. Vocês treinam pesado demais.
– É o normal de todo treino... – abaixou o rosto. — você... vai ... cuidar dele.... agora?
– Dele quem Saga? — guardava o algodão, mas sem olha-lo.
– Rodrigo....
– Ele tem quem cuide dele. — desceu do sofá. — já acabei. Com os remédios que toma, pode tomar anti-inflamatórios?
– Não estou tomando os remédios... — virou a cara. — não fazem efeito mesmo...
Cris franziu a testa. Precisava contar a Kanon, mas não agora.
– Avisa a Su que estou subindo.
– Não vai almoçar aqui? — levantou.
– Não.
– Por que...?
– Porque sou apenas "meio" bem vinda aqui. Agradeça ao Kanon pelo convite, fica para a próxima.
Caminhava para a porta, mas Saga passou na frente bloqueando a passagem.
– Me deixa passar Saga.
A resposta dele foi puxa-la para si, iniciando um beijo. Cris ainda tentou afastar, mas Saga a segurava firme.
– Sa-ga me solta...
– Fica aqui...
– Você não me quer aqui. — tentava se soltar.
– Quero sim, — foi para beija-la, mas ela virou o rosto. — te disse ontem a noite.
– Estava bêbado esqueceu? — o olhou. — e tudo que disse bêbado não era para levar em consideração, lembra-se? Agora me solta Saga, por favor.
– Você o prefere não é?
– Prefiro quem Saga? — soltou um suspiro desanimado, de novo aquele assunto.
– Rodrigo.
– Chega Saga. Deixa-me ir embora.
– Ele é novo, mora perto de você e não tem problemas mentais. É por isso não é? Por isso prefere ele a mim.
– Quantas vezes tenho que repetir que o Rodrigo é só meu amigo.
– Eu já entendi... — andava de um lado para o outro. — já entendi. É dele que gosta... eu sou um ninguém... o que um ser desprezível como eu posso oferecer? Nada. Deveria ter me matado, assim não traria problemas para ninguém!
– Chega Saga! — gritou.
O cavaleiro a fitou.
– Eu não gosto do Rodrigo, você não é um ser desprezível, quantas vezes tenho que repetir isso??!!
– Não grita comigo! Quem é você para gritar comigo! — a voz saiu alterada, avançando sobre ela.
– Grito com que eu quiser! — não abaixou o rosto diante da expressão dele.
Saga recuou surpreso.
– Para de ficar preso no seu mundinho! Que saco!
Cris abriu a porta.
– Se sair por essa porta nunca mais vai me ver. — disse Saga.
– E vai fazer o quê? — indagou com ironia.
– Eu me mato.
Cris arqueou a sobrancelha.
– Não teria coragem.
– Isso diz alguma coisa? — mostrou os pulsos cortados.
Foi a vez da brasileira recuar. Saga não estava falando sério, estava? Não, era blefe.
– Quem sou eu para impedir. — saiu batendo a porta.
No corredor Kanon e Suellen ouviam surpresos, esconderam atrás da porta do banheiro quando perceberam Saga seguir para seu quarto e bater a porta com força.
O.o.O.o.O
Na cozinha, a comida estava quase pronta. Gabe fez uma macarronada, algo que sempre fazia para sua família e que dava certo. Procurou por pratos e uma bandeja já que levaria para Aioria.
O cavaleiro continuava na mesma posição, depois resolveu tomar um banho para esfriar a cabeça. Quando saiu começou a sentir um cheiro delicioso. Sabia que cheiros de comida de Virgem ou de Câncer não chegavam até sua casa. Aquilo só poderia vir da sua cozinha. Aiolos? Não, pensou. Do jeito que o irmão era não faria nada para ele. Quem seria então? Gabrielle?
– Claro que não seu idiota. — disse. — a mandou embora esqueceu?
Mais uma vez sentiu raiva de si. Mandou embora a única pessoa que se preocupava com ele.
– Sou um idiota...
Foi para a cozinha, o cheiro estava tão bom, que a boca encheu de saliva. Ao chegar a porta...
– "Gabe???"
Ficou surpreso por ver a brasileira no fogão. Tinha sido um estúpido com ela e a resposta era fazer algo para ele comer....
– Gabe...
Por pouco ela não deixou um prato cair.
– Aioria... que susto....
– Desculpe. O que está fazendo?
– Pensei que ficaria com fome... — disse sem graça. — desculpe por mexer na sua cozinha.
– Está cozinhando para mim?
– Sim. — ficou vermelha. — eu fiz macarrão... normalmente faço para a minha família e.... eles dizem que é bom.... pelo menos você não vai morrer de fome...
O cavaleiro sorriu. Lentamente caminhou até ela e deixando-a surpresa a abraçou forte.
– Aio-ria..?
– Obrigado. — apertou um pouco mais. — por tudo.
– De nada... — soltou-se. — já está pronto. — voltou-se para o fogão. — espero que goste. — tirou o avental. — eu já vou indo.
– Não vai ficar?
– É melhor não. — por mais que Dite dissesse que as coisas se ajeitariam não estava muito convicta. Mesmo que Marin e Fernando tenham se acertado, Aioria... — é melhor...
– Não me deixe sozinho. — a abraçou fazendo o apelo. — hoje vi que o meu relacionamento com a Marin desmoronou e... — afastou, fitando-a. — e que quero construir algo com você.
– Vai continuar achando isso, quando souber a verdade?
– Que verdade?
– Senta, vou te servir.
Sentou, encabulado com a pergunta da brasileira. Que verdade era essa? Gabe serviu a si e a ele em silencio.
– Espero que goste.
– O cheiro está ótimo. — enfiou o garfo na massa, levando uma poção a boca. — hum.... que delicia Gabe.
– Gostou mesmo? — sorriu.
– Está muito bom.
Praticamente Aioria acabou com o prato em pouquíssimos minutos.
– Posso comer mais? — mostrou o prato.
– Pode.
A paulista pegou o prato servindo-o.
– Ainda tem mais?
– Nem comeu esse que coloquei!
– É para o jantar. — sorriu.
– Tem sim Aioria.
Seguiu os minutos em silencio, com os dois fazendo a refeição.
– Eu agi de forma estúpida não foi? — o olhar permaneceu no prato.
– Agiu.
– Não deveria ter aquele tipo de reação, mas na hora o sangue subiu... devo um pedido de desculpas aos dois.
– Deve sim.
– E a você também. — a fitou. — me desculpe por ter gritado àquela hora... logo com você.
– Tudo bem Olia. — ficou vermelha. — desculpe te chamar assim...
– Pode me chamar assim. Eu gosto, lembra minha infância.
– Com quantos anos veio para o santuário?
– Três. Meus pais morreram num acidente de barco. Aiolos já treinava aqui no santuário, então vim morar com ele.
– Sinto muito.
– Tudo bem, já faz muito tempo. Primeiro moramos no orfanato, até que fomos morar na mesma casa de Saga e Kanon. Eu me sentia um pouco arredio nos meio deles. Só tinha três enquanto eles onze anos, mas sempre me trataram bem, principalmente o Saga. — sorriu ao se lembrar daquele tempo. — eu adorava brincar com ele.
– É uma cena difícil de imaginar...
– Saga era muito diferente nessa época. Ele e Aiolos cuidavam de mim.
– Lembra-se dos seus pais?
– Muito pouco. Só sei que Aiolos fala que eu pareço com nossa mãe. — riu ao se lembrar de algo.
– O que foi?
– Eu morria de medo de relâmpagos.
– Sério?
– Sim. Ilógico não? Mas tinha muito medo. Certa noite uma tempestade caiu no santuário, eu deveria ter quatro anos. Sei que acordei de noite e fui para o quarto do Aiolos, torcendo para que ele não me mandasse embora e ele me deixou ficar... Meu irmão foi pai e mãe muitas vezes...
– Você o admira muito.
– Sim. Sempre acompanhava os treinos dele, eu queria ser cavaleiro por causa dele. Tinha um devotamento com Atena e com seu dever de guerreiro. Quando crescesse queria ser como ele, mas aí... — o tom de voz mudou. — ele foi taxado de traidor. Toda a admiração que tinha por ele, primeiro passou a ódio e depois decepção. O meu ideal de cavaleiro no fundo era um traidor. Passei muitos anos renegando o meu irmão.
– Por isso pintava o cabelo.
– Sim. Não queria parecer com ele. Comecei a treinar duro para me tornar um cavaleiro de ouro ainda maior do que ele para limpar a mancha no nome da nossa família. A perseguição não foi apenas entre os moradores do santuário, de Rodorio também, pois minha família descendia daqui... foi muitos anos assim...
– E soube da verdade como foi descrito no anime?
– Sim. Foi outro golpe descobrir que o Saga fizera tudo e que o Shura...
– Shura foi vitima também....
– Não foi. — disse sério. — Shura matou o meu irmão sabendo da verdade.
– O que?? Ele não foi enganado??
– Não. Quando os dois apareceram na minha frente e ainda trajando a surplice de Hades... eu queria mata-los! Fazerem passar por tudo que meu irmão e eu passamos.
– Aiolos tem um grande coração, — disse para desviar um pouco o assunto. — mesmo com tudo que passou, perdoou os dois.
– Tirando a perversão dele de mulheres, Aiolos é um santo, talvez no lugar dele não perdoaria tão facilmente...
– Não é atoa que vai se tornar o grande mestre.
– Por conta dele... — pegou os pratos. — vai comer mais?
– Não. Por que por conta dele?
– Aiolos não quer ser o GM. — levantou indo até a pia. — ele mudou muito desde a sua adolescência.
– Como assim? — indagou, aquilo poderia ser útil para Sheila.
– Aiolos antes da sua morte era determinado, persistente e excelente cumpridor de suas tarefas, não era atoa que Shion o indicou para ser seu sucessor. Depois de Hades, ele voltou à vida com quatorze anos e acho que isso afetou um pouco a personalidade dele. — começou a lavar a louça. — não que ele não preserve essas qualidades, mas... é como se ele adquirisse insegurança. Ele olha para mim, Mu, Kamus, Shaka e os demais como eu olhava para ele e Saga quando eu era criança: como se tivesse diante de um herói, como fosse algo inalcançável.
– Sério?
– Sim. Tem seis anos que o Shion tenta nomea-lo como seu sucessor e ele sempre se esquiva. Ele só não se esquivou dessa última, pois foi uma imposição de Atena, senão não teríamos a comemoração de amanha. Ele salvou Atena, quer ato maior do que esse? — a fitou. — mas ele não enxerga isso.
– Isso se aplica as mulheres?
– Eu pensava que não, mas... — limpava a pia. — Sheila dormiu lá em Sagitário.
– Ela me contou. Bebeu demais.
– Aiolos não é cafajeste para se aproveitar de mulheres indefesas, mas conhecendo-o bem, já tinha tentado algo com ela, mas parece que ele tem medo.
– Medo da Sheila? — arregalou os olhos.
– Não sei se medo é a palavra certa, mas ele a enxerga, como ele nos enxerga, como algo inalcançável.
Gabe franziu o cenho, se isso fosse verdade, Sheila teria um longo caminho.
O.o.O.o.O
Paula e Shion subiram direto para o quarto, enquanto a brasileira foi para a piscina, Shion foi para o chuveiro.
A paraense desfrutava da água fria e da vista deslumbrante do santuário.
– Demorei? — a voz de Shion preencheu o local.
– Não. Entra, a água está ótima.
O cavaleiro entrou, ficando ao lado dela.
– Está boa mesma... melhor ainda com você.
Shion a pegou nos braços iniciando um tórrido beijo.
– Acordou com vontade...
– Para falar a verdade.... — a fitou. — desculpe o termo chulo, mas meu pau está duro. — disse um pouco vermelho.
Paula segurou para não rir, Shion todo cheio de pudor e falando aquilo.
– Então eu deixo o GM de pau duro?
– Muito.
– Podemos resolver isso.
O ariano deu um grande sorriso....
... Fizeram na piscina, sobre as cadeiras brancas e agora estavam deitados na cama dele.
– Está satisfeito grande mestre? — brincava com uma mecha verde.
– Por horas... — sorriu.
– Seu cabelo sempre foi longo?
– Sim, mas acho que vou cortar...
– Nãooo. — Paula sentou na cama. — te proíbo de cortar.
– Por quê?
– Vai perder metade da graça. Nem pense em cortar.
– Seu desejo é uma ordem. — beijava as mãos dela. — as servas já devem ter servido o almoço.
– Na verdade queria outra coisa... — deu um sorriso maldoso.
– Já senhorita Paula?
– Preciso tirar o atraso, foi muito difícil derrubar essa barreira. — tocou o peito dele.
– Dorme aqui essa noite e vamos tirar todos os atrasos. — deu uma piscadinha.
Como no café da manha, o almoço estava num carrinho na porta do quarto. Shion improvisou uma mesa, servindo aos dois.
– Ele vai ser punido. — Shion enchia um copo de suco de uva, o assunto era sobre a surra de Fernando. — eu dei uma ordem e ele não obedeceu.
– E o que vai fazer?
– Ainda não sei. Amanhã é a cerimônia de nomeação do Aiolos e hoje a tarde estarei ocupado.
– Como será essa cerimônia?
– Será em três partes. Na primeira Aiolos é consagrado diante a estátua de Atena, na segunda, ele é apresentado aos habitantes de Rodorio e na última a duas comemorações uma no templo e outra na vila. Não sei se dessa vez Atena vai querer que tenha duas festas.
– Nós vamos poder participar?
– Atena precisa decidir sobre isso. Nunca uma cerimônia teve pessoas estranhas ao santuário. Além do mais teremos a presença de Poseidon, Sorento e as senhoritas Hilda e Freiya.
– Poseidon virá mesmo? — indagou empolgada.
– Sim, por que essa empolgação? — fechou a cara.
– Ele é um deus.... — desconversou.
– Se forem participar da cerimônia,. não quero te ver perto dele.
– Shion... nada haver.
– Tudo haver. Já vou avisando, arianos são ciumentos e muito.
Paula arqueou a sobrancelha.
– Estou até pensando em tornar oficial a nossa relação, pois aí não teremos problemas. Ninguém vai se atrever a mexer com a primeira dama.
Paula quase engasgou com a comida.
– Primeira o que?
– Os presidentes não tem a primeira dama? O cargo de GM se assemelha, logo... a senhorita é a primeira dama.
– Então posso usufruir da sua piscina? Sempre que eu quiser?
– Pode.
– Posso usar aquele espaço para dançar?
– Pode é até melhor... — serviu-se um pouco mais de peixe. — ninguém vai te ver... — murmurou.
– O que disse?
– Nada. — deu um sorriso. — pode dançar o quanto quiser.
– Ah... — tinha jurado que tinha escutado algo a mais. — as duas primeiras partes demoram?
– Não. Cerca de uma hora.
– Posso só perguntar uma coisa? — a expressão ficou séria.
– Diga.
– E o vértice? Ele pode abrir nesse ínterim?
Shion soltou um suspiro, tinha se esquecido desse "detalhe".
– Pode. É algo imprevisível. Pode abrir daqui uma hora ou uma semana. Não podemos prever...
– Se ele abrir teremos que ir embora?
O cavaleiro ficou em silencio, era algo tão verdadeiro, que o simples pensamento era perturbador. Se antes não queria que Paula fosse embora, agora que estavam juntos, é que não queria mesmo. Perdeu Liz e agora a perderia? Para sempre?
– Infelizmente Paula... por mais que o meu desejo era que permanecesse aqui... isso é totalmente fora de cogitação. Você vai ter que ir. — disse com pesar.
– Entendo... — abaixou o rosto.
Shion levantou de onde estava indo até ela.
– Não pense nisso agora. — acariciou o rosto dela. — tem torta de morango de sobremesa, quer?
– Claro.
Renderam-se a torta, pensariam nas consequências do vértice depois.
O.o.O.o.O
O almoço de Atena e Rodrigo seguia em silêncio. O baiano não tinha engolido muito bem as flores de Julian.
– Quem virá para a cerimônia? — indagou.
– Poseidon, Sorento, Hilda e Freiya.
– E os cavaleiros de bronze?
– Não virão.
– Pensei que fosse conhecê-los...
– Não faltará oportunidade.
– Nós vamos poder participar?
Atena ficou calada, tinha esse detalhe. Pensou que a essa altura, o vértice já teria aberto, mas como não aconteceu, teria que pensar.
– Ainda não decidi, mas acho que vão participar.
– Sério?? — indagou nem acreditando.
– Sim. Vou resolver e depois comunico a minha decisão.
Rodrigo notou que Atena estava respondendo meio no automático e seco. De certo estava brava com ele.
– Desculpe...
– Seu ciúme não tem fundamento. — respondeu, sabendo exatamente o que ele estava pensando.
– Julian pode te dar presentes caros e Poseidon é um deus e eu...
– Então deveria se sentir especial, em centenas de anos de existência foi o único que conseguiu despertar o sentimento de amor em mim.
O baiano sorriu, era bom ouvir aquilo.
– Então gosta de mim de verdade?
– Claro que gosta.
A conversa foi interrompida por uma voz feminina. Atena rolou os olhos ao ouvi-la, já o brasileiro ficou assustado.
– Apareça Afrodite. — disse a deusa entediada.
Rodrigo sentiu um delicioso perfume preencher a sala, segundos depois uma bela mulher surgiu perto do piano.
– Uau... — murmurou.
Os cabelos negros balançavam suavemente ao vento que entrava pelas janelas, a túnica branca parecia segunda pele de tão fina e justa ao corpo, os olhos dourados fitavam o homem sentado a frente.
– Então é esse o mortal... — Afrodite deu um grande sorriso. — vem das terras ensolaradas...
Ele não entendeu.
– Os deuses chamam a America do sul de terras ensolaradas. — Atena explicou, não gostando nada do olhar da deusa para Rodrigo. — o que quer?
– Conhecer o mortal eleito.
– Já conheceu.
– Não seja tão rude Palas, está com medo que eu o roube? — a fitou cinicamente.
– Se não quiser entrar em guerra. — devolveu o olhar.
Rodrigo sentia-se o máximo, duas deusas brigando por ele? Estava no paraíso.
– É brincadeira. — parou diante dele. — deusa Afrodite. — estendeu a mão para que ele beijasse.
– Rodrigo. — respondeu olhando discretamente para Atena. — prazer. — deu um rápido beijo.
– Muito bem Rodrigo, a resposta a sua pergunta é sim. Atena gosta de você de verdade.
– Afrodite!
– Verdades tem que ser ditas.
– Por que não vai procurar um deus para seduzir?
– Estão todos velhos. — sentou no sofá relaxando o corpo. — não quer ceder seus cavaleiros? Eu tenho uma listinha: o escorpião, o canceriano, o exótico virginiano, ou o carinha de anjo do sagitariano, melhor os gêmeos.... dois na minha cama... — sorriu.
Rodrigo franziu o cenho, não sabia se Juliana e Sheila eram ciumentas, pois Marcela, Suellen e Cris eram bem capazes de matar a deusa.
– Não ouse tocar nos meus cavaleiros.
– Você é muito gulosa Atena. — fez bico. — quer todos esses homens lindos só para você. Não é justo. — desviou o olhar fitando as rosas. — Poseidon ainda a quer?
– Não é Poseidon é o corpo mortal dele.
– Por que todos os homens caem de amores por você? — fechou a cara. — é injusto.
– Pode ser porque não corro atrás deles. — devolveu na mesma moeda.
– Magoou. — sorriu. — agora esse corpo mortal deixa de ser virgem.... alias, seu corpo verdadeiro não vai experimentar os prazeres de carne?
– Corpo verdadeiro? — Rodrigo fitou Saori.
– Já reparou que em todas as encarnações, meu corpo tem as mesmas características físicas? É porque ele se assemelha ao meu corpo imortal.
– Que fica guardado a sete chaves. Só Zeus, a chata da Perséfone, a metida da Niké é que sabe onde ele está. — Afrodite disse com desdém o nome das outras deusas.
– Sou precavida Afrodite. Assim como Niké.
– Por isso ela vem na forma dessa coisa ridícula. — apontou para a estatua de Atena que trazia o báculo nas mãos. — vocês são estranhas....
– Já conheceu o Rodrigo pode ir. — apontou a janela.
– Grossa. — levantou. — foi um prazer conhecê-lo, — aproximou seu rosto do dele, o baiano engoliu a seco. — se quiser divertir a três pode me chamar.
– Co-mo? — até gaguejou.
Afrodite apenas deu um selinho no baiano sumindo em seguida, o cosmo de Atena elevou-se.
– Eu mato!
– Não foi nada Saori...
– Como nada? Ela te beijou! Afrodite atrevida!
– Foi só um selinho...
Atena lançou lhe um olhar assassino.
– Já que ela falou no Saga, — Rodrigo mudou de assunto para ver se ela se acalmava. — ele não está mais se tratando com você?
– Agora que falou.... — voltou a sentar e com a expressão mais serena. — foi só aquela vez... e ele não falou nada dos remédios e pelo tempo já era para terem acabado... vou conversar com o Kanon.
– Ares pode surgir a qualquer momento?
– Não com tanta facilidade como antigamente, mas pode sim. Saga precisa tomar a medicação nos horários certos.
– Entendo...
– Não mude assunto, — percebeu. — não tinha nada que sorrir para ela!
– Eu??
– Sim! Você!
E a discussão voltou. Rodrigo não sabia que Atena/Saori poderiam ser tão ciumentas.
O.o.O.o.O
Na cozinha de Libra a risada corria solta com Dohko contando casos engraçados dos dourados.
– Vomitou todo no pé do Deba. — tentava não rir. — pena que Shaka não bebe, renderia boas histórias.
– Coitado Hian. — Jules vigiava as batatas no forno. — ele deve ser fraco para bebidas.
– Sei que foi hilário.
– Acho que ontem ele não deu esse tipo de espetáculo. — disse Bel, ajudando com as verduras.
– Quem deu foi o Saga. — Dohko começou a rir.
– A Cris nos contou.
– Precisavam ver o vídeo que Kanon gravou dele.. é cômico!
– Só com a Cris contando já dava para saber que ele é engraçado.
– Boa tarde a todos.
Deba chegou na porta e a primeira pessoa que viu foi Bel sentada a mesa. A brasileira ficou surpresa pois não esperava que ele tivesse sido convidado.
– Oi Bel. — cumprimentou timidamente.
– Oi.
– Junte-se a nós, nobre amigo. — Dohko foi até ele. — corte a cenoura. — entregou a faca e a vasilha. — sorriu.
– Exploração... — foi ate a mesa. — posso sentar?
– Pode.
Jules e Hian trocaram olhares.
Minutos depois o almoço foi servido. Deba juntou-se a Dohko nas histórias dos dourados. Bel estava em silêncio, apenas olhando discretamente o taurino, mais precisamente os olhos azuis dele. Como eram lindos!
A sobremesa foi servida no mesmo clima.
– Estou mais que satisfeito. — o chinês levou à mão a barriga.
– Eu também. — disse Jules. — só falta descansar na varanda. — soltou.
– Aqui tem varanda? — indagou Bel.
– Tem sim Mabel, — disse Dohko. — leva ela Ricardo.
– Levo... — levaria, mas não sabia se ela queria sua companhia.
– Então vamos. — a brasileira levantou.
Os dois saíram sobre os olhares atentos do casal, a história da varanda tinha sido combinada.
– Eu não sou um gênio? — Dohko sorriu. — agora só torcer.
– O que eu faria sem meu namorado gênio. — deu um beijo nele. — o cupido do santuário.
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